Atlético 1-1 Barcelona – Um mero e breve conjunto de apontamentos


Entrada prometedora dos catalães na partida.

O guião, vulgo, plano de jogo, de entrega total,, ditado por Diego Pablo Simeone aos seus jogadores já é ou pelo menos já deveria ser sobejamente conhecidos por todos aqueles que tem estado minimamente atentos ao percurso da formação colchonera desde o momento em que argentino assumiu o seu comando técnico. No que concerne às suas ideias de jogo, às dinâmicas e aos processos que compõem o seu modelo de jogo, o treinador argentino raramente altera o quer que seja em função do potencial do adversário que vai defrontar. A equipa mantém-se fiel às matrizes da histórica identidade construída pelo técnico argentino nas últimas 4 temporadas, alterando apenas o nível de intensidade e de agressividade com que a equipa pressiona o adversário logo nos primeiros minutos (porque efectivamente estes jogos dão “muito mais ganas” aos jogadores) – ainda há duas semanas, na partida disputada contra o Leganés a formação colchonera entrou à sua imagem e semelhança – a pressionar alto a saída adversária para condicionar a sua construção (obrigando a equipa adversária a reciclar o jogo para os espaços para os quais o Atleti quer que ela saia – para os corredores – para efectuar a rápida recuperação), nunca permitindo que a equipa adversária consiga estar confortável no jogo (leia-se: em posse durante longos períodos de tempo, no seu meio-campo), recuando as suas linhas quando a equipa sente que a pressão alta não está a surtir o devido efeito (não está a permitir a recuperação de bolas) e\ou que a disposição num bloco baixo extremamente bem organizado do ponto de vista de cobertura posicional e apoios (sectores bem preenchidos – sempre com superioridade nas zonas onde está a bola) é a disposição no terreno mais profícua para fechar a sua baliza, encurtar os espaços para a equipa adversária circular (negando-lhe sempre a possibilidade de entrar no jogo interior; linhas muito próximas) e capitalizar cada recuperação nas saídas para o contra-ataque, aproveitando claro está, neste capítulo, o maior adiantamento do adversário no terreno.

A única diferença que vislumbrei no comportamento dos colchoneros nos minutos iniciais de ambas as partidas foi o grau de intensidade e agressividade na pressão exercida sobre o adversário. Enquanto que na partida contra o Leganés, a equipa entrou “relaxada no jogo” (pressupondo que chegaria mais tarde ou mais cedo à vantagem; esse relaxamento haveria no final dos 90 minutos de custar 2 preciosos pontos aos colchoneros) contra o Barça, os jogadores da formação madrilena sabiam que tinham que teriam que realizar uma entrada mais agressiva para evitar que a equipa catalã pudesse adquirir o controlo total do jogo.

Neste lance de perigo criado pela formação catalã logo nos primeiros segundos da partida, a formação de Simeone demonstrou que pressionar de forma intensa e agressiva de nada vale quando existe um ou outro ponto de organização na pressão que falha e quando não existe clarividência no jogador que consegue fazer a recuperação. O que é que quero dizer com organização na pressão? A organização na pressão é o conjunto de comportamentos\posicionamentos dos jogadores que permite à equipa ter um critério de racionalidade na forma em como pressiona – limitando a acção (o tempo de execução) de que possui o esférico nos pés e fechando as linhas de passe para os apoios que este dispõe para colocar o esférico, ou seja, conduzindo esse jogador ao erro: um mau passe.

Ao longo desta jogada são 2 os momentos nos quais jogadores do Barça conseguem receber o esférico sem que ninguém esteja a fechar a linha de passe.

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Esta linha de passe tem que ser fechada para que não seja permitida a progressão aos catalães.

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Sabendo que Messi, pressionado pelas costas (o seu opositor não desarmou mesmo depois de ter sido habilmente ultrapassado pelo argentino), neste tipo de situações procura imediatamente Suárez para realizar a clássica tabela que lhe permita entrar em zona de finalização, o passe do argentino para o uruguaio tem forçosamente que ser interceptado pelo jogador que tenta fechar a linha de passe ou arrancada dos pés do uruguaio por parte de um dos centrais com um movimento de antecipação ao ponta-de-lança. A melhor abordagem que um central pode executar frente ao uruguaio neste tipo de situações é nunca deixá-lo sair da marcação, não deixar receber (antecipando) e nunca deixá-lo rodar para fazer o passe. Savic deu efectivamente muito espaço ao uruguaio. No momento do passe, Savic está muito atrasado, não acompanhando convenientemente o movimento de antecipação do adversário. Logo, quando o uruguaio recebeu de Messi, o central montenegrino não conseguiu chegar a tempo de limitar a acção do jogador, permitindo ao uruguaio a colocação do esférico para a desmarcação do argentino.

Apesar de no lance anteriormente descrito, Godin ter cometido o erro de aliviar, sem qualquer critério, para o lado onde estava virado (oferecendo novamente a iniciativa aos catalães) quando conseguiu recuperar a posse, neste lance, o uruguaio ensinou ao seu colega de sector o melhor método para se lidar com Suárez, numa situação em que os colchoneros pressionavam em terrenos adiantados com menos intensa e agressivamente mas com uma mais bem estruturada organização da pressão.

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Na sequência de uma cobrança de um pontapé de baliza por parte de Ter Stegen, Piqué é obrigado a bater longo na frente porque está a ver o seu tempo de execução limitado pela pressão de outro jogador e tem os apoios mais próximos limitados pela presença adversária no seu raio de acção. Se Piqué tivesse optado pela colocação do esférico em qualquer um destes apoios, os jogadores do Atlético caíriam na pressão numa questão de fracções de segundo. Quero portanto com isto dizer que no momento em que o central catalão bateu para a frente à procura do uruguaio, não tinha uma única linha de passe próxima que se pudesse considerar como segura para dar continuidade à jogada.

Godin não estaria decerto a contar que a bola fosse jogada longa para Suárez. No entanto, o central uruguaio é rápido a fazer a aproximação ao seu compatriota para discutir aquela bola, conquistando-a num lance que poderia ter levado muito perigo à baliza de Ter Stegen, não fosse a rápida e decisiva intervenção de Nelson Semedo a fechar imediatamente as portas a Angel Correa.

O virtuosismo técnico de Griezmann. Ter Stegen diz “não” pela segunda vez no espaço de minutos

Quando o Barcelona conseguiu finalmente por o pé no acelerador e ter jogo interior, outro galo cantou. Na primeira parte, Simeone teve mérito na forma em como habilmente fechou os espaços interiores ao Barça (não deixando Messi e Suárez aparecer no jogo), obrigando os catalães a ter que praticar uma circulação a toda a largura do terreno. Nos flancos, este Atlético de Simeone jamais concede superioridade ao adversários. No flanco direito era costume ver sempre a presença de 3 ou 4 jogadores quando a bola chegava aos pés de Iniesta ou Jordi Alba. Se os catalães atacavam com 2 (Iniesta e Alba), apareciam 3 colchoneros. Se Suárez por ventura procurava cair para a interior esquerda, os colchoneros tinham sempre 4 jogadores, aparecendo Saúl Ñiguez. No flanco esquerdo, os colchoneros apostaram na igualdade numérica. André Gomes e Nelson Semedo  a presença de Carrasco em apoio defensivo a Filipe Luís. No corredor central, Griezmann e Correa concediam naturalmente apoio em missão defensiva a Saúl e Gabi, formando ali no corredor central uma verdadeira muralha que pareceu, até ao golo do empate, intransponível. Até ao minuto 40, os catalães raramente inseriram os seus médios no interior do bloco adversário. A partir daí, Valverde mandou avançar os centrais até ao meio-campo adversário, funcionando quer Piqué quer Umtiti como autênticos construtores, para fazer avançar os seus médios no terreno.

Na 2ª parte, perante uma equipa que voltou insistir no recuo do seu bloco até ao seu último reduto, os catalães começaram a arriscar inserir mais jogadores no interior do bloco adversário. Messi começou a carregar no acelerador na fase de construção (procurando os movimentos de antecipação de Suárez) e tanto Iniesta (posteriormente Deulofeu), como Rakitic como André Gomes como até Sergio Busquets (o trinco apareceu várias vezes à entrada da área nos segundos 45 minutos) começaram a aparecer em zonas mais interiores do terreno. Suárez libertou-se mais vezes da marcação para dar apoio à entrada da área às investidas de Messi para ceder os seus apoios frontais às investidas do argentino ou até para tentar as suas próprias investidas. A presença de um maior numero de adversários no corredor central, fez-se obviamente sentir nas alas.

sergi roberto

sergi roberto 2

No lance do golo do empate, Sergi Roberto pode receber na direita sem oposição, com tempo e espaço para progredir no terreno e cruzar para o cabeceamento triunfal de Luis Suárez num lance em que os centrais do Atlético cometeram duas falhas. Godin está mal posicionado no momento do cruzamento. Paulinho está nas suas costas com tudo para poder finalizar. Savic perde as costas para Suárez, ficando ali perdido a meio da viagem entre os dois jogadores da formação catalã.

juanfran

Quando Juanfran tenta ajustar de forma a limitar a acção do uruguaio, já é tarde. O uruguaio já selou o destino final da bola.

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