Liga dos Campeões de Andebol – Sporting 29-33 Montpellier – Tivesse sido a atitude outra…


Terminou há minutos no Pavilhão João Rocha a partida referente à 5ª jornada do Grupo (última ronda da primeira volta) do Grupo C de qualificação entre Sporting e os vice-campeões franceses do Montpellier, formação que reforçou em Alvalade a sua invicta liderança do grupo.

Face ao altíssimo desempenho defensivo e ofensivo que a formação comandada por Hugo Canela conseguiu realizar nos últimos 15 minutos da partida, em contraste com o péssimo (em alguns períodos foi medíocre) desempenho nos restantes 45 minutos (em especial nos primeiros 15) posso afirmar sem qualquer pejo que a formação leonina, poderia ter sacado outro resultado (um resultado mais positivo para as suas aspirações; aspirações que ficaram hoje completamente comprometidas – para passar aos oitavos-de-final, os leões necessitarão de vencer todos os jogos que lhe restam, tarefa que não será propriamente fácil se considerarmos que ainda terá de jogar nos terrenos hóstis do Medvedi e do Montpellier e ainda dependerá de uma muito peculiar conjugação de resultados) se tivesse adoptado uma atitude mais positiva, mais ousada, mais agressiva e menos receosa nos minutos iniciais. Não posso porém deixar de referir que do outro lado da quadra estava uma das equipas mais poderosas do actual panorama do andebol europeu. Repleta de internacionais (vários internacionais franceses; e não falo de internacionais de circunstância; Valentin Porte e Michael Guigou são dois jogadores históricos da selecção francesa) esta equipa do Montpellier, formação que no ano passado conseguiu rumar até aos quartos-de-final da prova, não tem dado hipóteses à 2 e 3ª divisão do andebol europeu que têm encontrado nesta fase de grupos. Sabendo que qualquer deslize neste grupo é fatal (em função dos diminutos lugares passíveis de apuramento para as fases seguintes da prova), os franceses não facilitaram. Se por um lado poderia considerar  como natural (nada atípico) um comportamento mais receoso por parte da equipa do Sporting (porque na verdade, a formação leonina é na sua quase total globalidade, uma equipa com pouca experiência nestas andanças – excepção feita a jogadores como Carlos Ruesga, Ivan Nikcevic e Tiago Rocha) por outro lado creio que o jogo desta tarde também se poderia ter constituído como o palco perfeito para a equipa do Sporting empolgar-se para uma boa exibição, “soltando as amarras” de um pequeno complexo de inferioridade que teima em desaparecer do andebol português. Exemplo disso tem sido por exemplos as exibições descomplexadas da equipa do Besiktas, a formação que em teoria é a mais fraca do grupo. Os turcos tem sido completamente descomplexados no seu jogo, facto que lhes tem valido exibições e vitórias muito interessantes na prova nas últimas edições desta.

Feita esta pequena abordagem em forma de desabafo, passarei de seguida a uma pequena crónica da partida.

Um parcial inicial de 0-5 nos primeiros minutos, deu aos franceses a vantagem que estes geriram (quase imaculadamente) ao longo dos 60 minutos. Como experiente equipa que é, a formação francesa foi aproveitando cada erro técnico (nas transmissões, nas recepções) dos leões nas suas fases ofensivas para capitalizar no contra-ataque, não precisando sequer de ser extremamamente agressiva no seu sistema defensivo 5×1 para travar o ataque leonino. Em ataque organizado, os franceses (equipa que nos seus processos de construção optou imenso pela realização de cruzamentos entre os seus homens da 1ª linha) também capitalizaram a falta de agressividade demonstrada principalmente pelos homens que defendem no centro dos 6 metros – Bosko Bjelanovic, os laterais – para criar eficazes situações de finalização sem oposição quer na 1ª como na 2ª linha. Para isso muito contribuiu a dinâmica de movimentos do seu pivot, jogador que pretendeu os “centrais leoninos” às acções, impossibilitando-os de exercer controlos defensivos mais agressivos às investidas dos jogadores de primeira linha. O Sporting só entrou efectivamente na partida quando conseguiu descobrir Ivan Nikcevic na ponta e aos 6 metros, nas incursões a 2º pivot que foram esporadicamente realizadas pelo ponta montenegrino ao longo de toda a partida.

Aos 17″, com um resultado de 6-13, a equipa francesa já estava efectivamente como queria na partida. Com 5 golos (quase todos em contra-ataque) o seu lateral Jonas Truchanovicius era o homem em maior destaque no primeiro tempo. Hugo Canela tentou injectar uma dose de optimismo na equipa quando decidiu substituir de guarda-redes, tirando o jovem Manuel Gaspar para a entrada de Asanin. O guardião croata, vindo de lesão, pouco ou nada conseguiu alterar, saíndo ao intervalo para a entrada do seu compatriota Aljosa Cudic. Cudic teve um desempenho interessante no segundo tempo. Na primeira parte, os guarda-redes leoninos haviam tido um fraco desempenho de eficácia de 7%. Com um conjunto de interessantes defesas no 2º tempo, Cudic elevou a taxa de sucesso para a casa dos 25%. Ao intervalo, a equipa leonina perdia por 11-19.

Na 2ª parte outro galo cantou. A equipa do Sporting conseguiu finalmente acertar agulhas no ataque, tendo contribuído imenso os esforços de Michal Kopko aos 6 metros. Com dois golos do seu posto específico, o de pivot, o eslovaco colocou a diferença em 7 golos (15-22) aos 35″. O jogo passou a ser efectivamente mais equilibrado em função dos golos obtidos pelo pivot e pelas fantásticas exibições protagonizadas por Edmilson Araújo e pelo panzer cubano Pedro Valdés. Destemidos, os dois jogadores decidiram interromper a vassalagem que estava a ser passada aos franceses com várias incursões aos 6 metros para finalizar. Tanto um como o outro são na minha opinião (e na opinião de muitos) dois casos muito sérios de portento físico cujas arestas do ponto de vista técnico ainda tem que ser limadas nos próximos meses. Por outro lado, a equipa leonina também começou a comunicar mais com as pontas, oferecendo mais jogo quer a Rui Borges quer a Pedro Portela.

Com um timeout decisivo a 10 minutos do fim, Hugo Canela pediu à equipa para soltar definitivamente as suas amarras, defender mais alto no terreno (5×1 com o homem da frente a defender aos 12 metros) e investir mais nas penetrações aos 6 metros para juntar o útil ao agradável: os golos a exclusões adversárias. À conta desta decisão (que o treinador leonina deveria, no meu humilde entendimento, ter tomado mais cedo) o Sporting foi reduzindo a desvantagem no marcador (aos 53″ os leões perdiam apenas por 4 golos) e foi sacando mais exclusões de 2 minutos à formação francesa, chegando a ter um curto ataque de 6×4 numa fase da partida em que o Montpellier não conseguiu marcar durante 4 minutos entre os 50 e os 54″. Finalizando um bom período, marcado por uma postura defensiva muito mais digna, creio que se o jogo tivesse mais 10 minutitos, o Sporting poderia efectivamente ter lutado pela vitória.

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