Sporting 5-1 Chaves – Uma vitória categórica.


bas dost

O quão importante para nós sportinguistas foi ver, nesta altura tão sensível do ponto de vista ofensivo da temporada (onde a equipa demonstrou, quer nos jogos realizados para a Champions, quer nos jogos realizados contra FC Porto, Marítimo ou Tondela, ter enormes dificuldades para decidir bem no último terço do adversário) um sorridente, afinado e lutador Bas Dost de regresso ao exemplar despacho do seu expediente? Estou certo que para todos os sportinguistas foi demasiado importante, foi uma verdadeira catárse em relação a tudo o que nos tem acontecido nos últimos jogos! Está tudo bem, o nosso “flying dutchman” está de volta, VAMOS COM TUDO PARA SERMOS CAMPEÕES, CARALHO! Para mim, verdadeiro apaixonado da cabeça aos pés deste clube há 30 anos, 132 dias, 16 horas e 56 minutos, (que fique bem sublinhado para que não restem dúvidas), e aficionado do futebol do ponta-de-lança desde o primeiro minuto em que o vi jogar no Heerenveen, foi um momento emocionante. Nestas coisas do desporto eu emociono-me com muita facilidade. Só Deus ou qualquer outra dividade sabe o quanto custa a um ponta-de-lança passar jogos inteiros a seco e digerir estas mesmas prestações na semana seguinte de trabalho –  sem golos e sem oportunidades para exercer o seu nobre mister, a confiança vai-se esvaindo. Por outro lado só Deus ou outra divindade qualquer sabe o quanto custa a um adepto ver que a sua equipa defende bem, transita bem, circula bem, movimenta-se bem, sabe como tornear correctamente a organização defensiva do adversário, faz chegar a bola à bica da área adversária mas, nesse momento não aborda correctamente o momento da decisão. Só Deus ou outra divindade qualquer (eu cá actualmente só acredito no Deus Acuña; isto é, antes do Deus Acuña também acreditava em Ala por obra e graça do Espírito Santo Slimani; um gajo por golos, títulos e bom futebol vende-se ao primeiro que o faça sonhar!) 

Bas Dost soube, no final, na flash interview reconhecer que o seu jogo (e que jogo! 3 golos, 1 formidável assistência para calar todos os “sábios da sinagoga” que o acusam de ser “uma parede sem retorno” e de não saber ligar o jogo quando é preciso; em dois dos cinco golos, Dost sai da marcação para vir receber o jogo, ligando-o com uma pinta, desculpem-me o uso do calão, do caralho!;) também dependeu da prestação do seu pequenino compincha, do génio de Daniel Podence. Aproveito esta transição para passar da primeira para a segunda de várias notas que tenho aqui projectadas para este post. 

Frente a uma equipa que foi, num passado recente muito elogiada aqui neste espaço (aqui e aqui,) pela extraordinariedade do seu futebol, pelo interessante trabalho que tem sido desenvolvido pelo seu característico e inteligente treinador (o nosso velho capitão Luís Castro, icónico jogador que tantas vezes vi alinhar nos meus tempos de meninice ao serviço do meu Recreio Desportivo de Águeda) mas que não conseguiu ter em Alvalade um rendimento positivo porque no plano defensivo esteve bastante mal (em especial, no capítulo do posicionamento de algumas das suas unidades) e no plano ofensivo, o comportamento irrepreensível da formação de Alvalade pôs a nu aquela que presumi ser, para já a sua principal debilidade – a repetição exaustiva do mesmo processo de construção (devidamente anulado nas pontas através da pressão imediata de Piccini e Gelson no momento da transição, contrariando os triângulos de circulação que Castro pretende que a equipa monte no momento da transição para progredir no terreno) e a inexistência de processos de jogo alternativos consolidados, isto é, de processos de jogo alternativos que permitam à equipa procurar outras soluções, em especial na fase de construção a meio-campo, para contornar os problemas colocados pelo adversário, a equipa do Sporting contou nos primeiros minutos com um excepcional Daniel Podence.

Foi um post no Twitter bem empregue.

A inteligência com que Podence se movimenta nos espaços entre a linha média e a linha defensiva adversária, procurando sempre entrar nos espaços vazios para receber, e a sua capacidade de resolução em espaços curtos, faz-me lembrar muito sinceramente o futebol de João Vieira Pinto. Podence foi fulcral na primeira parte pela forma em como, movimentando-se constantemente a toda a largura do terreno na procura dos espaços para jogar entre linhas, guiou a construção leonina, servindo sempre como uma espécie de “referência de verticalidade”  – se Podence procurava os espaços livres existentes na interior direita, lá atrás, os centrais ou William tratavam de procurá-lo na interior direita. Se Podence entrava num espaço ocupado na interior direita, tratava de procurar um espaço livre para receber na interior esquerda, baralhando por completo o pobre Jefferson, jogador que habitualmente joga à frente da defensiva flaviense. Jefferson foi obviamente incumbido com a missão de impedir que a bola chegasse ao jogador que joga nas costas de Dost. Castro certamente esperaria a presença de Bruno (menos dinâmico sem bola) naquele lugar. Podence acabou portanto por trocar as voltas ao jogador brasileiro porque este nunca conseguiu ter a real percepção do posicionamento do avançado leonino e quando a teve, Podence “papava-o em velocidade”. Indiferentemente do posicionamento do esférico no terreno, a equipa fez tudo para inverter o sentido de jogo de forma a procurá-lo. Com a bola nos pés, o mágico “de metro e meio” tratou sempre de perceber onde é que andava o seu amigo grandalhão para o servir. O gigante de Liliput só teve mesmo que dar ao Gulliver do futebol do Sporting a indicação para onde queria a bola. Criou-se a simbiosa perfeita, poucos minutos decorridos sobre o primeiro assalto à baliza adversária, naquele lance em que o delicioso pé direito de Bruno Fernandes colocou o esférico na cabeça de quem sabe.

Um triângulo demoníaco no flanco direito

podence 3

No momento em que Podence tocou a bola para Piccini, Gelson bem aberto. Podence sabe que os adversários sabem que nestas situações, na transição, na esmagadora maioria das vezes, Piccini procura imediatamente lançar Gelson. Logo, o seu adversário directo tentará ajustar rapidamente a Gelson, libertando espaço para jogar nas suas costas. Com um movimento de ruptura em velocidade sobre Jefferson, Podence aproveitou o cenário instalado para aproveitar a aproximação de Djavan a Gelson para entrar nas suas costas, aproveitando também para o efeito o distanciamento existente entre o lateral brasileiro e o central que joga pelo seu lado. 

podence 4

A acção técnica seguinte é de pura inteligência. Vendo a presença de Dost nas costas de um dos centrais, e sabendo que tinha dois jogadores a correr atrás de si, o jovem avançado sabia que se tentasse dominar aquela bola, abortaria por completo a vantajosa acção que se lhe apresentava defronte, e teria que se safar da oposição de dois para poder ter hipóteses para esperar pela chegada de um companheiro. Logo, aquele causal balão executado, acabou por ser a melhor decisão que o jogador poderia ter tomado naquele lance para aproveitar a desmarcação de Dost.

Se somarmos ao dinamismo do avançado, as trocas posicionais constantes com Gelson, e as movimentações sem bola de Acuña para o meio e até para o flanco direito, podemos dizer que foi uma verdadeira noite de terror para 2 jogadores: Jefferson e Djavan. Desapoiado pelo central que jogou do seu lado, o lateral esquerdo, antigo jogador da Académica e do Braga, teve que levar com um (Podence) e com outro (Gelson) no exterior e no interior. Quando Gelson aparecia aberto, lá saía Djavan para pressionar, aparecendo Podence no interior. Quando Gelson aparecia no interior, lá saía Djavan para pressionar, com Podence no exterior. Quando os dois se encontravam no interior, Djavan rumava até ao interior. Os dois abriam portanto uma passadeira para Piccini entrar pelo exterior, quando se sentiu confortável para subir pelo terreno.

Já Jefferson passou, como referi, grande parte da primeira parte aos papeis.

Uma das várias incursões de Acuña até ao corredor central.

E sempre que o Chaves tentava sair para o contra-ataque, Piccini (o italiano fez sem qualquer sombra para dúvidas o melhor jogo de leão ao peito), sempre recuado, muito cauteloso no primeiro tempo, tratava de sair na pressão para estancar, conjuntamente com as descidas de Gelson, as investidas que eram realizadas entre Djavan, Bressan (pelo interior) e Davidson.

Uma equipa defensivamente ligada em bloco baixo. 

Quando obrigados a recuar linha perante a maior posse e iniciativa adversária em bloco baixo, Jorge Jesus projectou um plano no qual a equipa se manteve muito ligada e muito unida. Nas alas, os extremos foram muito solidários com os laterais, expondo-os muito raramente a situações de inferioridade numérica. Sempre bem próximo, William perseguia os interiores Bressan e Pedro Tiba, impedindo-os de criar jogadas de perigo em terrenos interiores. Quando um dos extremos aparecia em zona interior ou dos interiores conseguia porventura furar o bloco leonino, eis que o médio aparecia rapidamente a fazer a devida compensação.

Eis uma pequena amostra do comportamento defensivo do trinco: 

chaves

Paulinho por fora. Troca entre Mathieu e Coentrão. Perdigão por fora. Paulinho solicita Perdigão. William apercebe-se e acorre para o local para ajudar a fechar.

perdigão

Perdigão recebe já com William devidamente ajustado. O trinco pressiona-o e o jogador do Chaves hesita para perceber se tem na meia lua alguém a quem dar a bola para servir ou fazer uma combinação. A única solução que resta a Perdigão é tentar a jogada individual. William não lhe rouba a bola mas obriga-o a ter que rematar de uma posição na qual o enquadramento é muito desfavorável.

Dost sai da marcação para ligar o jogo – Confiante (este tipo de acções saem melhor quando o jogador sabe que já cumpriu a sua função; os dois golos deram-lhe efectivamente confiança) o Holandês cala todos os críticos que o tem acusado de ser uma “parede onde a bola bate e não tem retorno” e um jogador que não sabe ligar o jogo.

bas dost 3

Sai da marcação. Recebe. Olha a diagonal em velocidade de Gelson e liga.

bas dost 4

Sai da esfera de acção dos centrais, recebe, e procura imediatamente lançar a velocidade de Gelson.

gelson

Gelson conduz em velocidade até ao último terço, abrandando na ponta final da sua acção com uma flecção para o meio para dar tempo para Piccini subir e para fixar ali dois defensores à sua acção, antes de libertar o esférico, no timing correcto para a subida de Piccini.

Para finalizar, já num ritmo de descompressão pessoal idêntico ao ritmo de descompressão demonstrado nos últimos minutos pelos jogadores do Sporting, termino este post com o melhor jogada individual da jornada. Davidson. 

Perdoemos o momento de descompressão que já se verificava nas hostes leoninas há largos minutos e a falha a Bruno César porque por mais que Jesus lhe tente explicar as rotinas da posição, o rapaz jamais as compreenderá. Perdoemos também a falha de Mathieu, porque o francês tem sido tantas vezes a nossa tábua de salvação.

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2 opiniões sobre “Sporting 5-1 Chaves – Uma vitória categórica.”

  1. Caro João,mais uma análise pertinente as usual. Por motivos profissionais, não tenho conseguido comentar ainda que leia assiduamente o que escreve.
    Sobre o jogo de ontem, subscrevo inteiramente o que escreve, acrescentando as minha notas:
    O Podence é um tratado de boas decisões quando consegue virar-se de frente para o jogo.
    O Gelson se tivesse a fibra e a capacidade de decisão/execução do último passe do Podence, seria um jogador ao nível do Neymar… O Podence com o caparro (resistência para sprints longos) e capacidade de sprintar 60,70 metros como o Gelson seria um jogador ao nível do Hazard ( o do Chelsea).
    Aquele passe para o chapéu falhado do Dost, foi qualquer coisa!!!
    Voltamos à dúvida entre o 4x2x4 ou 4x3x3. Podence ou Battaglia? Antes do jogo defendia a possibilidade de trocar o Gelson pelo Podence, mantendo o 4x3x3 (que acho o sistema mais seguro para jogar no nosso campeonato em mais de metade dos jogos, até pela sagacidade de maior parte dos treinadores portugueses). Mas a jogar em Alvalade, este sistema tem tudo para ser demolidor.
    Outro factor extremamente importante no jogo de ontem, foi termos um dos laterais a desequilibrar na frente. que grande jogo fez o Piccini !! ( e eu que ansiava que o JJ pusesse o Ristovski nos jogos em casa, onde temos um pendor ofensivo dominante). Depois de Guimarães, onde foi o F. Coentrão a criar desiquilibrios na frente, ontem o Piccini conseguiu rentabilizar os movimentos interiores do Gelson. A forma abaixo do espectável do Gelson, muito se deve ao facto de ainda não ter criado uma parceria/sociedade lubrificada com o Piccini…
    Grande Dost!! O Dost deve ser o avançado na Europa com melhor rácio de oportunidades/golos dentro da área. Em cada 5 oportunidades, de certeza que mete 3 lá dentro. Não rentabilizarmos isso é estúpido!!
    O Bas Dost aparece normalmente ao 2º poste, há que trabalhar por isso o ataque ao 1º poste, pois normalmente aparece sempre alguém na zona de penalty (esse movimento já está interiorizado).
    Lamento contudo que o JJ nestes jogos com o resultado feito, não teste outras soluções (sejam de jogadores, sejam de outros sistemas) e faça descansar jogadores com sobre-utilização . Teria sido uma boa oportunidade para dar mais minutos ao Doumbia (sozinho) ou dando mais tempo à dupla com Dost, sistematizando movimentos complementares entre os dois (exemplos: ataque ao 1º poste e ao 2ºposte; Dost pentear bolas longas para desmarcação em profundidade do Doumbia).
    Por último, o Rui Costa… É inenarrável a forma como este árbitro inclina sempre o jogo contra o SCP. Seja na omissão de cartões amarelos aos adversários à forma célere com que os distribui aos nossos jogadores, à repartição das faltas. A decisão do VAR ontem, regista de forma indelével a parcialidade com que ele normalmente nos apita.

    Saudações Leoninas

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    1. Boas, Miguel. Como sempre concordo quase a 100% com a sua análise e com os seus pontos de vista. Você toca aí numas questões muito interessantes que já tenho vindo também a cogitar na minha cabeça.

      Respondendo às questões pertinentes que lançou no 3º parágrafo, eu creio que neste momento, para as competições internas não faz sentido alterar drasticamente o sistema táctico. Nas competições europeias já faz para evitar a fatalidade que é jogar 90 minutos com o meio-campo em inferioridade numérica. Frente a um Barça ou a uma Juve, como vimos, perder o controlo das operações a meio-campo é um verdadeiro suicídio, é oferecer-lhes o jogo de bandeja. Assim que o Sporting perdeu o controlo do meio-campo (descendo as linhas, parando de pressionar a saída de jogo da Juve) na quarta-feira, a Juve carregou e marcou. Quero com isto dizer que a meu ver, haverão jogos para todos os gostos e para todas as características, podendo efectivamente realizar-se alguns ajustes consoante o posicionamento, disposição e comportamento defensivo adversário e a sua forma privilegiada de transição para o ataque. Haverão jogos em que as características do Battaglia (jogando o Bruno mais à frente) serão uteis para estancar as transições para o contra-ataque adversárias ou para fechar o jogo interior, e em que o Bruno funcionando como 2º avançado quando a equipa consegue penetrar bem no interior do bloco adversário ou como um 3º médio (descendo no terreno para pegar no jogo quando a equipa está com dificuldades para construir e para progredir; a título de exemplo: o jogo de Guimarães) também serão úteis, assim como existirão jogos em que as características do Podence serão mais úteis à equipa, jogando o Bruno como 2º médio. Vou-lhe dar exemplos práticos: em Guimarães por exemplo, frente a uma equipa que raramente pressiona alto, que joga com duplo pivot (de características defensivas; recuados) e que consegue fechar muito bem os espaços centrais para impedir a entrada da bola em jogo interior no último terço, o Bruno, funcionando como um 3º médio quando a equipa estava a ter dificuldades para construir e progredir e como um 2º avançado (entre linhas) quando a equipa conseguia progredir no terreno, foi essencial para desbloquear o jogo. Frente ao Chaves, que é uma equipa que já gosta de adiantar as suas linhas de vez em quando para pressionar a construção em terrenos adiantados, fez sentido a utilização do Podence pela capacidade que este tem de entrar nos espaços vazios entre linhas (quando uma equipa pressiona alto, se não juntar bem as linhas, haverá sempre espaço para jogar entre estas; no jogo de ontem, o Podence aproveitou muito bem os espaços existentes entre o lateral esquerdo e o central) pela profundidade que dá ao jogo com as suas desmarcações, pelo apoio directo que dá ao Gelson e pelas trocas posicionais que realiza com este, baralhando por completo a defensiva adversária.

      Como o Chaves gosta de sair a jogar pelas alas (formando triângulos de circulação), o Jorge Jesus sentiu uma especial necessidade de não fazer subir muito o Piccini no terreno enquanto o jogo não estivesse controlado. O Piccini foi fundamental para estancar a iniciativa adversária, saíndo na pressão assim que o adversário, à saída do meio-campo procurava consolidar os seus processos de jogo. Não podendo o Piccini subir em todas as situações, ofensivamente, o Podence fez de Piccini para que o Gelson não ficasse demasiado sozinho na direita. Para ser mais rentável, o Gelson precisa obrigatoriamente da presença de alguém no flanco, pelo interior ou pelo exterior. Muitas vezes vemos o Gelson contra 2 e 3 jogadores no flanco, em situações nas quais o Gelson chega estafado ao ataque porque é obrigado a baixar para acompanhar as movimentações do lateral adversário.

      Quanto ao rendimento do Piccini: o Piccini defensivamente é um lateral fantástico. Fecha muito bem o flanco, é incisivo a atacar a bola nos duelos 1×1, fecha muito bem ao meio quando a equipa adversária cruza do flanco oposto. Contudo, ofensivamente acho que é um jogador algo temerário porque o Jorge Jesus assim quer que ele o seja. O Jesus tem privilegiado a solidez defensiva. Creio que de vez em quando deveria autorizar os laterais a soltar-se mais no jogo (entrando mais pelo interior) visto que tem o Battaglia junto aos centrais pronto a fazer coberturas e compensações às alas e dois extremos capazes de descer rapidamente para compensar um adiantamento mais desmedido do lateral. O gajo tem quanto a mim uma enorme falha: as transições. Quando recebe demora muito a projectar a sua acção. Invariavelmente, quando a tenta projectar já é tarde porque o adversário já lhe secou as linhas de passe. Assim se explica a quantidade de vezes em que o Piccini foi obrigado a jogar para trás, provocando alguns calafrios aos centrais e ao Rui Patrício com aqueles atrasos mal medidos. Com o Podence em campo, o Piccini cresce porque o Gelson faz a aproximação para receber (arrastando o defesa consigo) e o Podence capitaliza o espaço que o Gelson cria nas suas costas do defesa com o arrastamento, para oferecer linha de passe em profundidade ao Piccini.

      O flanco esquerdo é outra história. O flanco esquerdo é por vezes um flanco morto porque o Jorge Jesus quer que assim o seja. Primeiro por necessidades defensivas: se a bola não anda por ali, o adversário concentra-se noutro ponto do terreno. Segundo porque na fase de construção, o Acuña entra ao meio para obrigar o adversário a concentrar mais unidades no miolo, de forma a ter mais espaço para jogar nos corredores.

      No ano passado, o Dost teve um aproveitamento de 4.2 bolas por cada 10 de área 😉 Praticamente 1 a cada 2 bolas que lhe chegaram.

      Quanto ao seu último parágrafo, concordo na íntegra. Quando a equipa está a golear, não creio que haja necessidade de arrastar a presença de certos jogadores em campo. Os jogos devidamente controlados são boas oportunidades para ganhar jogadores para o futuro, entrosando-os nas rotinas e dando-lhes ânimo e precisos minutos de jogo. Cada jogador\opção que um treinador ganhar aqui poderá ser uma ajuda muito preciosa a partir de Fevereiro. O Jorge Jesus tem ganho alguns jogadores nas Taças (Podence, Ristovski, Bruno César, Palhinha) mas a meu ver ainda precisa de ganhar mais: a sua missão só estará completa quando conseguir construir boas alternativas para todas as posições.

      Grande abraço!

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