Os casos de Casillas e Maxi – uma oportunidade de ouro para reforçar o plantel de Janeiro?


casillas 2

Isolemos o que se passou em Leipzig. Isolemos mesmo o que se passou em Leipzig porque a imprensa extrapolou para além do aceitável (dos limites do bom senso) a falha de José Sá no lance do primeiro golo da formação alemã. O lance é inequívoco, não deixando margem para dúvidas: qualquer guarda-redes corre o risco de sofrer aquele golo. Não é preciso ver o lance duas vezes para o compreender: em primeiro lugar, naquele lance concreto, não passaria pela cabeça de qualquer jogador do FC Porto (muito menos pela cabeça do guarda-redes) a possibilidade da bola vir a ser rematada naquelas circunstâncias específicas (na sequência de um canto batido de maneira curta, no qual dois jogadores do FC Porto fizeram a aproximação para dificultar as acções dos três jogadores do Leipzig; o remate sai de uma zona altamente desfavorável para o rematador, com um emaranhado de pernas à sua frente – qual era efectivamente a probabilidade daquela bola não ser desviada a meio do percurso por um jogador? Estou certo que era bastante diminuta; a decisão mais provável para o desfecho daquele lance, seria, em virtude da presença de vários jogadores alemães na área portista, o cruzamento e nunca o remate). Em segundo lugar creio que a muralha que está à frente do guarda-redes portista impede-o de ver a bola partir, diminuindo-lhe claramente o tempo de reacção. Em terceiro lugar, o ressalto do esférico no relvado (molhado) aumenta significativamente a sua velocidade. José Sá só poderia efectivamente ter resolvido com eficácia aquele lance se tivesse optado por desviar a bola para o lado, fazendo-a ultrapassar a linha final. O guarda-redes confia na possibilidade de vir a agarrar aquela bola.  A partir do momento em que não a agarra e a bola bate caprichosamente no rosto, saltando para a sua frente, abre-se outra equação: a corrida ao ressalto. Sá ainda emenda o erro com um toque para frente. O guarda-redes errou porque confiou nas suas capacidades. Mas a defesa também errou no momento do ressalto porque ninguém fez questão de atacar devidamente o ressalto.

Se eu tivesse um guarda-redes com a margem de evolução que apresenta José Sá e se tivesse uma cobertura tão boa para a posição (um guarda-redes experiente e regular como é Fabiano; um guarda-redes de qualidade muito aceitável como o é Vaná; uma promessa de enorme qualidade e margem de progressão como é Diogo Costa, aquele que creio poder vir a ser, dentro de meia dúzia de anos o titular da selecção nacional) jamais estaria a pagar o que o FC Porto paga a Casillas, ainda para mais sabendo das dificuldades financeiras pelas quais passa o clube da Invicta. Se eu tivesse 3 boas soluções para o lado direito como Sérgio tem (Ricardo Pereira, Layún e Diogo Dalot) jamais estaria a pagar os milhões que o FC Porto está a pagar a um jogador que não tem sido útil à equipa neste primeiro terço de campeonato. Esta questão é obviamente uma questão de milhões. Casillas e Maxi ganham 8 milhões de euros brutos por temporada. Tal valor é notoriamente exagerado para os cofres de um clube que está, como se sabe, a ser vigiado pelo Comité de Controlo Financeiro de Clubes da UEFA  Mas não só. A saída dos dois jogadores poderá representar para o clube uma oportunidade de ouro para reforçar o plantel em Janeiro na posição onde me parece residir a maior carência deste plantel.

Sérgio Conceição já percebeu que face aos objectivos que irá certamente disputar até ao final da temporada (mantendo-se em aberto tanto a possibilidade de vir a disputar os oitavos-de-final da Champions como a possibilidade de vir a disputar a Liga Europa, prova onde o FC Porto poderá ter uma palavra a dizer) precisa obrigatoriamente de reforçar o plantel se o mercado de inverno oferecer aos dragões uma boa oportunidade de negócio para a posição em que os portistas tem neste momento a sua maior carência – a ausência de um substituto para Danilo. A saída “amigável” (sem custos adicionais para os cofres dos dragões; o FC Porto facilmente conseguirá rescindir com Maxi porque o jogador necessita de jogar para se apresentar em grande forma no Mundial; com Casillas a história poderá ser diferente, pois como viu num exemplo recente, nem ao clube do seu coração perdoou o jogador as verbas que teria a receber até ao final do seu vínculo contratual) dos dois jogadores serão capazes de conferir ao FC Porto 5 milhões de euros (que já iam ser gastos até ao final da temporada de qualquer maneira no cumprimento do contrato dos dois atletas) para procurar uma boa alternativa a Danilo e quem sabe até adicionar um ou outro jogador para uma posição dentro do lote de jogadores em destaque na Liga. Como se sabe, pelos vistos, Juan Fernando Quintero estará de volta à invicta na reabertura do mercado, findo que está o seu empréstimo ao Independiente de Medellin. O talentoso jogador colombiano poderá ser uma opção de peso para Conceição se estiver com vontade de regressar para agarrar a oportunidade que não agarrou nas últimas passagens pela Invicta. Para além de se constituir como uma opção muito credível para várias posições do sector ofensivo (em especial para a posição hibrida que está a ser ocupada por Herrera e para a direita) Quintero vem com o pé quente e com o seu radar ampliado. Na presente temporada, o tecnicista (jogador que a meu ver não vingou pela sua fraqueza mental e pela sua falta de rigidez táctica; tecnicamente é um jogador fantástico), fez uma temporada sensacional na Colômbia, na qual, em 35 jogos, fabricou 16 golos e 8 assistências no total, 2 golos e 2 assistências nas 5 partidas que disputou na Libertadores.

Quintero pode portanto constituir-se como uma opção para Sérgio. O treinador do FC Porto certamente agradecerá todas as opções que lhe forem dadas pela direcção dada a sua escassez de opções. Porque é que digo escassez de opções? Porque jogadores como Otávio, Hernani, André André, e até mesmo Corona, ou seja, jogadores que tem entrado “na rotação” de Sérgio são jogadores bastante profícuos para fazer descansar os titulares nos últimos minutos das partidas que já estão controladas mas, como vimos contra o Besiktas e contra o Leipzig não são opções viáveis para acrescentar algo à equipa quando esta precisa de inverter resultados negativos. Nesse aspecto em particular, o único jogador que tem qualidade para puxar pela equipa num resultado desfavorável é Oliver.

Por outro lado existe a questão de Danilo. Sem um jogador à altura para o substituir, e a verdade é que o modelo de Conceição necessitará sempre de um médio de cariz mais defensivo para conferir equilíbrio às fases de transição e organização defensiva, para acrescentar musculo ao meio-campo, e para executar aquele que me parece ser o ponto fulcral do modelo de jogo do treinador portista (o controlo do meio-campo) aspecto onde o médio tem sido desde que chegou ao Porto irreprensível, uma eventual lesão do médio, poderá ser fatal para as aspirações deste Porto. Danilo tem sido pau para toda a obra. Para já, no início de temporada, o médio vai aguentando todos os choques. No entanto, a partir de Janeiro, a sua ampla utilização poderá gerar um conjunto de consequências. É aí onde creio que os milhões “desbloqueados” com as saídas de Maxi e Casillas podem ser necessários.

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