Os golos do dia


Começamos mais uma vez pelo capítulo das bolas paradas e pelos erros defensivos que não se devem cometer neste departamento do jogo. 

Começo este round de análise pela vitória alcançada pelo Bournemouth frente ao Middlesbrough (3-1), formação cujo regresso ao Championship (após 1 curtíssima e inglória temporada de convívio passada entre os grandes do futebol inglês) está a ser algo irregular (13º lugar com 17 pontos fruto de 4 vitórias, 5 empates e 4 derrotas). Frente ao Boro, em jogo a contar para a Taça da Liga Inglesa, o 11 escolhido por Eddie Howe, só conseguiu desbloquear o resultado na segunda parte na sequência de um lance de bola parada, depois de um primeiro tempo em que os manifestos esforços ofensivos arrolados pelos jogadores que compõem a sua ala esquerda (diga-se em abono da verdade, os jogadores mais talentosos desta equipa: o lateral esquerdo Charlie Daniels e o ala esquerdo Marc Pugh) não foram suficientes para que a formação do condado de Dorset (Sul de Inglaterra), actual 19ª classificada da Premier com apenas 7 pontos, se pudesse instalar em vantagem no marcador. Nas duas oportunidades de golo criadas por Pugh e Daniels na primeira parte, o avançado Callum Wilson e o médio ala direito Ryan Fraser falharam dois golos cantados à boca da baliza.

No segundo tempo, uma falha de marcação ridícula dos forasteiros na sequência de um pontapé de canto, permitiu aos jogadores de Howe festejar o primeiro tento da partida.

middlesbrough

Como se pode ver na imagem, o Middlesbrough optou por realizar uma defesa mista, na qual dois jogadores, a preto, defendem à zona, na tentativa de intervir rapidamente a partir do momento em que a bola ou o adversário com a bola entrem em seu raio de acção; visando também a fechar os espaços mais perigosos e a condicionar o comportamento do adversário; ou compensar qualquer falha de marcação naquela zona; os restantes jogadores, assinalados a vermelho estão empregues em marcações individuais; acções nas quais a equipa corre sempre o risco de ver uma falha transformada em golo por falta de um mecanismo de compensação.

bournemouth

Quando a bola parte:

  • Assinalado a vermelho – dois jogadores fazem um movimento de antecipação ao primeiro poste, arrastando os seus marcadores directos – num movimento ao qual estes cumprem. A bola não é porém pontapeada para aquela zona.
  • Assinalado a azul: o jogador que está a marcar à zona, ao primeiro poste é batido. Exclui-se portanto a possibilidade de vir a compensar uma falha de marcação com uma antecipação no ataque à bola porque a mesma não cai na sua zona de acção.
  • A vermelho: o número 11 (Charlie Daniels) faz um movimento de aproximação à zona central, ganhando a frente ao seu marcador directo. Este é o primeiro erro defensivo individual identificável neste lance. Se a bola caísse na zona de acção de Daniels, a falha do jogador do Boro poderia ter sido capitalizada pelo lateral esquerdo inglês.
  • A preto, vemos que, o jogador que vai efectivamente ganhar o lance e aproveitar as facilidades concedidas para fazer o gosto ao pé, Jack Simpson, está a ser marcado por dois adversários. Um deles descura o seu adversário directo nas costas para apoiar o companheiro que está  a marcar Simpson, colocando-se nas suas costas. Esta é a segunda falha identificável no lance, pese embora o facto deste posicionamento poder vir a garantir a esse jogador a possibilidade de compensar uma eventual falha de marcação do colega. Do ponto de vista da marcação o comportamento do jogador assinalado a azul, Adama Traoré (jogador que até teve um desempenho ofensivo muito interessante, como vamos ver a seguir) está efectivamente errado porque deixa um homem solto nas costas, descurando a sua marcação, mas, como o cruzamento vai cair naquela zona, o jogador poderia estar em condições de compensar uma falha do colega.

middlesbrough 2

Visto de outro ângulo:

middlesbrough 3

A vermelho: falha de marcação de Traoré. 

A azul: se Traoré tivesse sido inteligente, ao invés de ficar nas costas do colega, teria contornado o mesmo para fechar o caminho a Simpson. Bastava outro posicionamento para compensar a falha do colega.

Simpson conquistará  com facilidade a frente do lance ao seu marcador directo. A preto. A Azul: o jogador que descurou a sua marcação para estranhamente se colocar nas costas do colega, afasta-se demasiado para trás, sendo-lhe totalmente impossível compensar a falha.

Curiosamente, o 2º golo do Bournemouth, tento obtido através da marca de grande penalidade, nasceu de uma falta cometida devido a outra falha de marcação (individual) na defesa a outro pontapé de canto. 

middlesbrough 4

Como podemos ver nesta frame, o Middlesbrough em nada alterou a sua forma de defesa aos lances de bola parada a seguir ao erro cometido no primeiro golo. Mais uma vez, o central Jack Simpson ganhou a frente a um adversário, sendo posteriormente carregado pelo mesmo quando se preparava para atacar o esférico de cabeça.

Decorridos 7 minutos sobre o lance do primeiro, Traoré redimiu-se do erro cometido no lance do primeiro golo do Bournemouth com uma fantástica aceleração na transição para uma acção de contragolpe, coroada com uma excepcional assistência para o golo do empate, tento que foi somado pelo jovem extremo de 18 anos Marcus Tavernier.

A jogada começa com aquele episódio na área do Middlesbrough. Apesar do jogador do Middlesbrough ter realizado um contacto completamente fora de tempo junto de Fraser, depois do médio ala ter solto a bola, o árbitro da partida considerou (algo injustamente) que não existiam razões para ser assinalada uma grande penalidade, mas de facto existiam, porque foi uma entrada grosseira sem bola e completamente despropositada, fora de tempo.

Com o jogador caído no relvado, caberá ao árbitro decidir se deve ou não interromper o jogo para chamar a assistência médica. O juiz da partida decide mandar prosseguir a partida, ignorando os protestos dos jogadores da casa. Os jogadores do Bournemouth prosseguem. O central Steve Cook (3) segue e entabula uma nova construção que é anulada no interior da área por um dos centrais do Middlesbrough. Com recurso ao videoárbitro creio que esta jogada jamais teria o desfecho que veio a ter no seu epílogo.

O resto da jogada é uma fantástica aceleração para o contra-ataque de Traoré. Vislumbrando a posição de Tavernier, jogador que habilmente aproveitou o adiantamento de Cook para oferecer uma linha de passe de ruptura para as costas da defesa, Traoré define bem o momento de saída do passe.

traoré

O golo da confirmação da passagem do Bournemouth aos quartos-de-final. Um verdadeiro dummy de Callum Wilson ao defesa.

Neste lance, destaco as duas acções de excelência que foram realizadas pelo lateral direito Adam Smith (não confundir com o jogador do Bournemouth com o filosofo e economista escocês, pai do liberalismo clássico, autor da célebre teoria da mão invisível que regula os mercados) e pelo avançado de 25 anos. Smith livra-se muito bem da pressão exercida pelo adversário com uma inflexão para o centro do terreno, inflexão que lhe permite servir Wilson. Por sua vez, o avançado foi inteligente na forma em como ludibriou o adversário que o está a marcar ao ter deixado correr a bola para a frente de maneira a ganhar a frente do lance em velocidade.

De Bournemouth subogeograficamente no território inglês até Londres, cidade que dista a 170 km a nordeste daquela pequena estância balnear para vos mostrar algumas das incidências da vitória do Arsenal sobre o Norwich de Nelson Oliveira e Ivo Pinto.

O jogo começou com uma fantástica intervenção do guardião visitante Angus Gunn a um cabeceamento à queima roupa do central “gunner” Rob Holding…

… e com um lance no qual, a defesa do Arsenal, totalmente renovada, com Debuchy a jogar como central descaído para o flanco direito, com Mohammed El Neny a jogar a central (uma opção que já tinha ensaiada por Wenger na pré-temporada, com resultados algo catastróficos porque o egípcio falha como as notas de mil no posicionamento e na abordagem quando é obrigado a jogar na posição) e Rob Holding, descaído para a esquerda (Holding costuma jogar descaído para o outro lado) fica muito mal na fotografia… A defesa londrina teve muitas dificuldades para travar as acções dos potters em ataque rápido e contra-ataque.

De uma tentativa de pressão alta à saída de jogo do Norwich, nasce uma situação de ataque à profundidade, na qual o extremo Jack Murphy entra em diagonal na frente de ataque, oferecendo a linha de passe pelo meio de Holding e Debuchy, para a qual James Madison, aproveitando uma saída na pressão algo atabalhoada de El Neny (abrindo o espaço que oferece a linha de passe) faz encaminhar, isolando o colega na cara de Matt Macey.

el neny 2

el neny

El Neny jamais deveria ter saído na pressão desta forma (abrindo a linha de passe) e tanto Holding como Debuchy deveriam ter encurtado o espaço existente no momento em que Madison controla o esférico para fechar aquela autêntica raleira que o médio ofensivo vai aproveitar para lançar em profundidade o seu companheiro.

Em último caso, como a defesa está em linha, podia ter sido dado ordem de subida no momento em que Madison recebe para criar a armadilha do fora-de-jogo. Como Murphy já estava, no primeiro frame a preparar-se para realizar a desmarcação, se tivessem dado um passo em frente, os defensores do Arsenal colocariam certamente o extremo do Norwich em fora-de-jogo no momento do passe.

A finalização de Murphy é simplesmente fantástica.

Os potters embalaram para uma exibição francamente positiva nos últimos 15 dos primeiros 45 minutos, e nos primeiros 10 do segundo tempo período no qual pudemos ver combinações de altíssima qualidade como a que foi executada nesta saída rápida para o ataque:

NORWICH

Mais uma vez, dois dos centrais (Hoding e Debuchy) são obrigado a sair na pressão no momento da transição adversária em virtude da superioridade criada pelos forasteiros no meio-campo. O defesa esquerdo James Husband projecta-se bem pelo flanco.

murphy.PNG

Novamente pelo interior, Murphy faz um movimento divergente para a ala para ajudar a estender o jogo. O extremo recebe e roda para servir a sobreposição que é feita por dentro pelo lateral e o apoio que é dado à acção por Nelson. Bom remate de Nelson travado por uma grande defesa de Macey.

Os Gunners haveriam de operar uma reviravolta nos últimos minutos do prolongamento. Aos 85″, quase em desespero, Wenger decidiu promover uma estreia de sonho ao jovem avançado Edward Nketiah, o autor dos golos da opereta buffa que colocou o Arsenal nos quartos-de-final. 

Por razões de tempo (gostaria imenso de prolongar este post mas como estou a terminá-lo precisamente às 19:45, hora a que se dá o início do jogo entre o Leipzig e o Bayern, prefiro seguir o jogo para ter mais assunto para narrar mais logo) deixo apenas o link do resumo para poderem ver os dois golos somados pelo jovem avançado de 18 anos.

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