Os golos da jornada (2ª parte)


A 10ª jornada da Liga Espanhola, “matéria” que abordei no primeiro post desta sequência, trouxe-nos momentos de bom futebol. Outro desses momentos de bom futebol foi a jogada do primeiro golo do Sevilla, na suada vitória dos andaluzes, actuais 5º classificados de La Liga com 19 pontos, frente ao Leganés. 

O lance nasce de uma jogada na qual o super talentoso Guido Pizarro, cerebral médio argentino que se estreou recentemente na Albicelestre que os andaluzes foram contratar por 6 milhões de euros aos Tigres do México, veio buscar a bola ao central Lenglet no círculo central, para romper a disposição defensiva adversária com um passe vertical para a entrada, no corredor central, entre a linha média e a linha defensiva do Leganés de Pablo Sarabia (jogador que no sistema táctico 4x2x3x1 de Eduardo Berizzo assume inicialmente uma posição mais descaída para um flanco; embora ao longo da partida, os 3 homens que jogam atrás de Wissam Ben Yedder façam bastantes trocas posicionais, aparecendo Sarabia e Joaquin Correa no corredor central e o dinamarquês Michael Krohn-Deli nas alas, em especial, na ala esquerda).

O momento de maior destaque é o trabalho técnico (que revela também algum talento no campo psico-cognitivo) que é realizado pelo antigo internacional sub-21 espanhol no momento da recepção.

sarabia

Rodeado por adversários, Sarabia compreende que se conseguir executar uma recepção orientada no sentido do espaço que assinalei a imagem, poderá virar-se de frente para o jogo e poderá ter espaço suficiente para lançar o seu avançado. No entanto, a pressão imediata que é realizada pelos 2 centrais do Leganés reduzem-lhe o tempo e o espaço para pensar e executar, obrigam o jogador a ser mais expedito na sua acção e abrem-lhe uma nova janela de decisão: 

sarabia 2

A colocação da bola em profundidade para a desmarcação de Ben Yedder. Sarabia consegue efectivamente rodar e servir num reduzidíssimo espaço de tempo, criando conjuntamente com Ben Yedder uma situação de ruptura que o avançado francês não vai desperdiçar.

A cumprir a sua segunda temporada em Sevilla, depois de fantásticas temporadas ao serviço do Toulouse, temporadas nas quais foi um dos melhores marcadores do futebol francês, Ben Yedder, jogador que este ano já apontou 6 golos nas competições europeias (7 golos em 8 jogos disputados) poderá estar a caminho de uma temporada memorável. Apesar de ter apenas 1 golo nas 4 partidas disputadas para a Liga, o jogador necessita em média (quando combinados a média de remates efectuados por jogo na Champions e na Liga) de 2,9 remates para somar um tento. Na temporada 2016\2017, o franco-tunisino apontou 18 golos em 42 partidas disputadas. Na actual temporada, num quinto das partidas disputadas, já leva 7. Se o jogador continuar com estas médias ao longo da temporada, creio que poderá ultrapassar pela primeira vez na sua carreira a barreira dos 25 golos.

Este Sevilla de Berizzo é uma equipa bastante recuperadora a meio-campo (fruto da forma organizada em como pressiona a transição adversária à saída do meio-campo; da capacidade recuperadora de Pizarro e de NZonzi), que gosta imenso de explorar os espaços entre linhas que são abertos pelos adversários no lançamento das fases de ataque, e muito rematadora de meia distância, visto que tem nesse capítulo em Sarabia e Pizarro dois excelentes executantes Eis mais dois exemplos do que acabei de escrever, um deles:

Antes de avançar para o Núcleo Sportinguista de Viseu, local de culto onde irei ver esse crucial Sporting vs Juventus, ainda tenho tempo para escrever umas linhitas sobre a exibição dos bianconeri no clássico disputado no passado sábado frente ao Milan.

A perdulária equipa milanesa entrou melhor na partida de San Siro mas foram os biaconeri de Allegri quem inauguraram o marcador. Nos primeiros minutos da partida pudemos ver um Milan agressivo na pressão e ofensivo, capaz de criar através da lateralização do jogo na fase de construção para os corredores algumas situações de finalização na área para o croata Nikola Kalinic. No entanto, sempre que os piemontesi conseguiam suplantar a pressão adversária de forma a instalar-se no meio-campo adversário, fazendo recuar as linhas de pressão adversárias, procuravam a sua principal referência criativa no jogo interior: Paulo Dybala.

Neste aspecto, reside uma das chaves para o sucesso que o Sporting terá que encontrar (entre outras de índole defensiva e de índole ofensiva) nos 90 minutos de Alvalade. No jogo de Turim, a equipa leonina conseguiu em alguns momentos fechar o acesso ao jogo interior, assim como noutras fases do jogo teve muitas dificuldades para o conseguir, permitindo a entrada de Higuaín e Dybala no jogo. Nos minutos que se sucederam ao golo leonino, a formação italiana conseguiu ter maior ascendente em virtude disso mesmo, quando começou a procurar mais os apoios frontais que o ponta-de-lança oferece nos momentos de transição em que é procurado pelos centrais com um chutão mais longo, e quando, em posse, no meio-campo adversário a equipa atrai a equipa adversária para um flanco para rapidamente variar de flanco (normalmente da esquerda para a direita, procurando a profundidade e a largura que Cuadrado oferece naquele flanco, assumindo aí Dybala uma posição muito próxima do colombiano para lhe oferecer apoio por dentro). Por outro lado creio também, nas fases em que o Sporting for obrigado a baixar o bloco, que é da maior importância o fecho dos canais de comunicação inter sectoriais entre Pjanic e Dybala e entre Pjanic e Higuaín. Isto porquê? Porque quando Higuaín sai da marcação para oferecer apoios frontais, normalmente tem e procura Dybala para lhe conceder uma boa oportunidade de remate. Quando Pjanic procura rasgar o bloco com um passe para a entrada da área, Dybala assume um de dois comportamentos consoante o espaço existente: se tiver espaço para armar o remate, o argentino fá-lo sem hesitar. Se não tiver espaço, tenta servir Higuaín na área. Como referi, para a formação de Jorge Jesus será importante lidar bem com este triangulo, obrigando a formação italiana a ter que lateralizar o jogo para os corredores. Mas até nesse aspecto será preciso ter algumas cautelas porque como sabemos, tanto Mandzukic como Cuadrado entram muitas vezes em zona de finalização ao segundo poste. Os laterais (Piccini e Coentrão) serão obrigados a ter especiais cuidados no acompanhamento das penetrações sem bola e na marcação aos dois jogadores, para que não volte a ser cometido o erro (o erro de Jonathan na marcação a Mandzukic) que manchou a boa exibição realizada há 15 dias no Juventus Stadium.

Vários exemplos práticos de alguns dos aspectos que mencionei no parágrafo anterior:

Para finalizar estes posts, deixo-vos com uma das maiores virtudes construídas Maurizio Sarri na sua brilhante formação do Napoli, equipa que ao fim de 11 jornadas continua a liderar (invicta; o Inter de Spalletti ainda não perdeu mas já concedeu mais um empate que os napolitanos) a Liga Italiana: o “pressing” e “contra-pressing” altíssimo, eficiente e organizado que é realizado pelos napolitanos à saída de jogo adversária ou às situações de perda da posse. Assim não há condições para jogar: cada falha é capitalizada pelos napolitanos!

napoli

No primeiro dos 2 lances supra postado: vejam como, logo que um jogador do Sassuolo tem possibilidade de sair a jogar, sai um jogador napolitano na pressão para matar ali a transição, não só pelo acto de a matar, anulando a investida adversária mas também com o intuito de poder recuperar o esférico para eventualmente criar uma contra investida.

napoli 6

No segundo lance: uma autêntica rede montada sobre o adversário. Recebendo de costas, o jogador que recebe não tem outra hipótese que não atrasar o jogo para Stefano Sensi.  Como está um jogador napolitano caído no chão, a decisão de vir a interromper o jogo pertence ao árbitro. Sensi consegue captar mas hesita, porque pensa que os napolitanos vão querer que este jogue a bola para a fora para que possa ser prestada assistência ao jogador que está caído no chão. Não obstante do facto de ter um colega prostado no solo, Allan não desiste do lance porque obviamente a decisão pertence ao árbitro da partida. Em suma: esta equipa do Napoli é uma equipa formatada para pressionar, pressionar, pressionar até ao limite da exaustão. E a verdade é que a equipa está a colher os frutos das ideias do seu treinador neste capítulo, tantos são os golos que obtém em função dos erros forçados que levam os adversários a cometer.

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