A anatomia de um golo – Timo Werner


Um dissabor numa fase de natural ajustamento em relação às mudanças estruturais executadas ao intervalo por Raplh Hasenhuttl

https://dailymotion.com/video/x679pq6

Como fiz questão de assinalar no post anterior, escrito de gazão durante o intervalo da partida, um dos méritos alcançados pelo Porto na primeira parte do Dragão residiu no comportamento defensivo apresentado pela equipa. Sérgio Conceição alicerçou o comportamento defensivo da equipa num bloco médio no qual, os portistas montaram à entrada do meio-campo adversário uma zona de maior intensidade na procura pelo esférico (nunca caíndo na tentação de exercer uma pressão mais alta no terreno de maneira a não abrirem muito espaço nas costas, espaço que seria letal em função da criatividade que é empregue por Forsberg sempre que o internacional consegue receber entre linhas) através de um triangulo invertido, no qual os dois médios (André André e Herrera) mais subidos no terreno tentaram encaixar nos dois médios do Leipzig (Keita e Kampl) de forma a condicionar as suas acções, e Danilo, ligeiramente atrás, tinha a missão de encerrar as linhas de passe para as entradas de Forsberg no corredor central. Os portistas conseguiram encurtaram o distanciamento entre as três linhas, fazendo subir a defesa, o que à primeira vista parecia ser um convite à profundidade que o Leipzig nunca aceitou verdadeiramente. Apesar de André André não ter sido excessivamente pressionante sobre Keita, os portistas nunca permitiram a Forsberg ter jogo e espaço para criar entre linhas, e nas alas, a pressão à ponta exercida pelos laterais sobre os extremos adversárias e o povoamento das alas nas jogadas em os alemães colocavam, em especial, no corredor esquerdo, 3 jogadores para ali criar situações que lhes permitissem chegar à área portista, foi a receita utilizada pelos portistas para manter a sua baliza inviolada.

No início da 2ª parte, as alterações estruturais promovidas por Ralph Hassenhuttl, obrigaram a formação portista a ter que fazer alguns ajustes no seu comportamento defensivo. Fazendo sair o lateral esquerdo Marcel Halstenberger (jogador que até aí pouco ou nada tinha oferecido ao jogo para além das suas subidas até ao último terço) para a entrada do lateral direito Lukas Klostermann, substituição que obrigou o lateral direito Bernardo a ter mudar de corredor, e a saída de Bruma (jogador que Telles secou por completo no primeiro tempo, obrigando inclusive o português a ter que entrar várias vezes no corredor central para poder participar no jogo) para a entrada, para o corredor esquerdo de Timo Werner, entrada que obrigou Hasenhuttl a fazer regressar Sabitzer aquela que é a sua posição de origem (a de extremo direito), pretendia o treinador austríaco a fixação em definitivo de Forsberg no corredor central e que a equipa tivesse um jogador (Werner) que fosse capaz de dar largura e profundidade ao jogo no corredor esquerdo e que fosse capaz com as suas diagonais, de aparecer nas costas da defesa portista nos momentos em que Forsberg pudesse receber entre linhas para o lançar.

Por outro lado, notou-se, nos primeiros minutos da primeira parte que Sérgio Conceição tinha pedido aos jogadores para subir um pouco mais no terreno de forma a condicionar a saída de jogos dos alemães, em particular, nos momentos em que Naby Keita descia até aos centrais para assumir o jogo.

leipzig

O golo do Leipzig surge portanto enquadrado num momento de menor organização defensiva dos portistas. Como podemos ver neste frame, no momento que Keita, pressionado no início de construção consegue fazer a bola entrar em Forsberg, nas costas da linha média portista, existe um maior distanciamento as suas 3 linhas. Danilo não se encontra perto o suficiente para condicionar o sueco, que inteligentemente, coloca ainda mais para o interior em Sabitzer, no preciso momento em que na esquerda, Timo Werner inicia uma diagonal na qual passa por Ricardo em velocidade para oferecer ao austríaco uma linha de passe para atacar a profundidade, entre o lateral e o central Felipe.

werner

marcano

Aqui residiu a única falha no controlo à profundidade cometida pela defensiva portista ao longo dos 90 minutos, porque quer Marcano, quer Felipe, jogadores que viram toda a movimentação de Werner a partir da esquerda e que sabiam obviamente ao que vinha o ponta-de-lança titular da Mannschaft (com tanta informação disponível difícil é não conhecer de cor todos os processos de jogo da equipa e todas as dinâmicas que compõem esses mesmos processos de jogo!) não saíram atempadamente para criar a armadilha do fora-de-jogo. Se os centrais portistas tivessem subido no momento do passe de Forsberg para Sabitzer, estou seguro que este lance jamais teria tido este desfecho porque colocando Werner em posição offisde, Sabitzer (no momento em que faz o passe está numa situação limite em função da pressão que lhe está a ser feita por Danilo) seria obrigado certamente a ter que avançar com o esférico, hipótese que garantiria a Danilo a possibilidade de tentar desarmar ou até cometer uma falta cirúrgica sobre o internacional austríaco.

2 opiniões sobre “A anatomia de um golo – Timo Werner”

  1. Ou também mais uma evidência das fragilidades de Ricardo Pereira, que serão devidamente exploradas com o tempo, caso Sérgio Conceição pretende continuar a insistir nele.
    Aliás, as contínuas ausências não só de Casillas, como também de Maxi Pereira e Oliver dariam certamente um tema para outra posta. Quem acredita que se trata apenas de opções técnicas, e não de questões relacionadas com o famoso fair play financeiro, apenas se está a auto-iludir.

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    1. Boas Ricardo, tens razão e eu já abordei o assunto ao de leve aqui neste post: https://omeucadernodesportivo.wordpress.com/2017/10/24/os-casos-de-casillas-e-maxi-uma-oportunidade-de-ouro-para-reforcar-o-plantel-de-janeiro/

      Quanto ao caso do Óliver, bem ainda ontem falava com um dos meus grandes amigos all-time, um portista (gaiense de nascença, portista de coração) daqueles de espinha bem direita que ama mais o Porto do que qualquer outra coisa na vida sobre o caso do Óliver. Ambos concordámos em 3 pontos: 1. ter o Óliver no banco (num banco onde falta profundidade, opções e qualidade nessas mesmas opções) é um crime, 2. concordámos a saída do Óliver do Óliver do onze (a seguir ao jogo contra o Besiktas) deveu-se apenas a razões meramente estratégicas (quando o Sérgio se apercebeu que jogando com o Óliver num meio-campo a 2, dada a pendente ofensiva do jogador, iria expor imenso o Danilo e prejudicar o equilíbrio defensivo em que o Conceição quer assentar este Porto, em especial, no capítulo da transição defensiva) 3. Não compreendemos, no jogo de ontem, a escolha do André André. Não compreendemos a razão que levou o Sérgio Conceição a colocar um médio criativo em detrimento de mais um recuperador para o vértice do triângulo invertido. Tal facto vem reflecte-se obviamente no futebol que é praticado pela equipa – um futebol de recurso no qual a equipa, procura esticar sempre o jogo para frente porque não tem um jogador capaz de a assentar e de magicar combinações.

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