Tour de Hainan – 6ª e 7ª etapa


6ª etapa – Mareczko mete a 5ª (mudança) no final da 6ª etapa

Para o sprinter Estónio Martin Laas e para os seus companheiros de formação da Delko Marseille, a sua passagem de final de temporada pela Ilha de Hainan tem sido uma profunda e dolorosa agonia em função dos 4 segundos lugares em etapa averbados pelo velocista de 24 anos. Pode-se até mesmo dizer que, face ao que temos vindo a verificar nas últimas etapas, já não resta na formação gaulesa (formação que é liderada pelo nosso bem conhecido Delio Fernandez, ciclista que se encontra já a cumprir as suas merecidas férias) uma única ideia para bater a Willier Triestina de Jakub Mareczko. A formação gaulesa tem feito de tudo para tentar levar o seu sprinter à vitória, mas há momentos em que “fazer tudo certinho” não chega para o efeito. Nestas 6 etapas, a formação já tentou optar por uma estratégia de corrida mais expansiva quando colocou corredores nas fugas para obrigar a formação italiana a ter que se desgastar, já optou várias vezes por uma estratégia mais calculista quando, deixou todo o esforço de perseguição às fugas a cargo da formação de Mareczko, já optou por fazer entrar o seu numeroso bloco na frente nos últimos quilómetros para anular qualquer possibilidade de Mareczko ser lançado à frente do seu sprinter e já tentou colocar o seu sprinter nas costas do italiano para o surpreender no acto de lançamento do sprint final. Nenhuma das estratégias adoptadas pela formação marselhesa resultou. Na ponta final, com ou sem a ajuda de Eugene Zhupa, Mareczko entra invariavelmente bem colocado na frente, puxa de toda a sua potência, fecha-se naquele eficaz centro de gravidade baixo, e limpa a etapa, deixando as “migalhas” para Laas e para os outros sprinters presentes em prova.

O filme da 6ª etapa (a última antes das etapas de montanha) foi um filme bastante idêntico ao que temos visto nas anteriores. Pelo segundo dia consecutivo, o chefe-de-fila da canadiana HR Bloco Alexis Cartier voltou a tentar a sua sorte numa fuga. Cartier ainda conseguiu rodar alguns quilómetros à frente dos seus companheiros de investida, mas a Willier, lá atrás, voltou a adormecer a corrida até à fase em que lhe interessava, sugando os escapados a 3,5 km da meta com uma brutal aceleração de ritmo.

A Delko bem tentou à passagem pela bandeira dos 2 km para a meta penetrar na dianteira com o seu numero bloco. Pela primeira vez deu-me a sensação que a formação comandada por Serge Bolle, formação que é actualmente uma das mais antigas do pelotão internacional (a sua data de formação remonta a 1974) estava a conseguir arruinar os esforços desenvolvidos pela formação de Mareczko, corredor que aqui poderá finalmente ter conquistado o bilhete de entrada para a divisão World Tour. Consta-se nos bastidores da modalidade que a Quickstep de Patrick Lefèvere estará predisposta para pagar à formação italiana a totalidade dos ordenados remanescentes do contrato do corredor de 23 anos (medalha de bronze na prova de estrada dos mundiais de sub-23), contrato que irá expirar no final da temporada de 2018, indeminização que será acrescida de uma pequena compensação monetária para levar o jovem italiano (de origem polaca) para a sua formação na próxima temporada.

7ª etapa – De Mareczko para Jacopo Mosca – até na montanha a Willier triunfou!

O perfil da 7ª etapa da prova chinesa apresentou aos ciclistas os primeiros obstáculos de pequena montanha. Com 2 contagens de 3ª categoria e uma de 4ª no percurso, no início da tirada, a Willier Triestina sabia que Jakub Mareczko muito dificilmente conseguiria defender a liderança conquistada ao sprint ao longo da semana.

O início da corrida foi algo errático. Todas as equipas com aspirações à vitória na geral trataram de lançar algumas das suas cartadas para os terrenos mais inclinados logo no início da etapa, facto que veio a redundar na constituição de uma fuga de 19 elementos nos quais estavam presentes Cristian Peña (corredor que rodou isoladamente na frente nas primeiras contagens do dia), Enrico Barbin (Bardiani), o líder do Prémio da Montanha (Vitaly Buts – Kolss), Benjamin Prades (acompahado pelo seu sprinter Jon Aberasturi – Ukyo) e Jacopo Mosca (Willier Triestina – Selle Italia).

A comandar o pelotão despreocupadamente em função da presença de uma unidade da frente, a Willier Triestina deixou a fuga ganhar uma vantagem máxima de 2 minutos e meio. Imprimindo um ritmo baixo no pelotão em conjunto com a Bardiani, outra das equipas que tinha um dos seus principais trunfos na frente, a formação do líder tentou perceber se Mareczko estava em condições para resistir na frente à passagem pela 3ª categoria de 9 km de extensão (4,3% de pendente média de inclinação) que marcava a ponta final da prova. Desde cedo, o sprinter, corredor que foi visto várias vezes “agarrado” ao carro de apoio na cauda do pelotão, deu a sensação que iria rebentar a qualquer momento.

Na frente, a passagem pelo último sprint intermédio do dia, sprint estacionado a poucos km da subida final, marcou o início das hostilidades. Se até ali os fugitivos tinham baseado a sua relação de confiança através de uma boa colaboração de praticamente todas as unidades, a partir dali, o minuto de vantagem para o pelotão (comandado agora por 2 elementos da Michelton Scott de Cameron Meyer – formação de origem australiana que é financiada directamente pela Orica, servindo portanto como equipa de desenvolvimento dessa formação) os pequenos ataques que se verificaram levaram os corredores mais qualificados para terrenos montanhosos a atacar para pré-seleccionar a corrida.

Um ataque de um ciclista da Voralberg acabou por fraccionar o grupo em 2. Jacopo Mosca, Enrico Barbin, Benjamin Prades e um ciclista de uma formação chinesa cujo nome não consegui descortinar na transmissão trataram de seguir. Lá atrás, no pelotão, pelotão que seguia em verdadeiro rebuliço, um dos principais candidatos à vitória na prova, o veterano holandês de 33 anos Marc De Maar, decidiu realizar um ataque que viria a marcar o desfecho da tirada.

Aos 33 anos, De Maar é um dos múltiplos ciclistas que à falta de convites na europa, rumou até à Ásia para estender a sua carreira. Produto da escola da extinta Rabobank, o ciclista nascido em Assen, cidade conhecida pela sua pista de motociclismo, foi um corredor que prometeu imenso na sua juventude em função das vitórias que alcançou nas principais provas do escalão de sub-23, nomeadamente na Eschborn-Frankfurt e na Tryptique des Monts et Chêteux nos anos de 2004 e 2005. Na sua passagem pela formação profissional da Rabobank, entre 2006 e 2009, as coisas acabaram por não lhe correr de feição, conquistando apenas uma etapa em 3 anos, curiosamente, numa das primeiras edições do Tour de Hainan.

Os sinais de decadência da Rabobank levaram-no a ser cortado. Sem ter arranjado colocação numa formação do Pro Tour, o holandês haveria de iniciar um périplo por duas equipas da divisão Pro Continental (United HealthCare e Team Roompot) intervalado por um ano (2011) passado na Quickstep, formação onde não foi novamente feliz.

Como maiores triunfos da carreira, o ciclista de 33 anos conta, para além dos citados, 1 vitória de etapa na Volta à Grã-Bretanha, uma vitória no Prémio da Montanha da Volta à Turquia, e uma vitória na Volta à Noruega.

Apesar de tímido na sua fase inicial, o ataque do holandês foi bem intencionado. Conquistados que estavam alguns metros em relação ao pelotão, pode-se dizer que o holandês foi subindo o ritmo ao longo da subida, ultrapassando com alguma voracidade todos os elementos da fuga entretanto extinta até chegar ao duo que se havia entretanto formado na frente (Prades e Mosca). Antes de chegar ao duo, duo que era perseguido de perto por Enrico Barbin, o ciclista da Bardiani ainda tentou acompanhar sem sucesso, durante alguns metros a supersónica cadência que era imprimida pelo chefe-de-fila da formação chinesa Hengxiang Cycling. De Maar estava destinado a alcançar os homens da frente, facto que veio a ser realizado mesmo no final da ascensão.

A chegada do holandês perturbou Jacopo Mosca da Willier Triestina. Logo que De Maar aportou na sua roda, o italiano de 24 anos, ciclista que na temporada de 2015 cumpriu o seu primeiro ano de profissional ao serviço da Trek enquanto estagiário da formação luxemburguesa, decidiu lançar um ataque, não obtendo porém o sucesso que certamente almejava. Na descida e na aproximação à meta De Maar também tentou fazer prevalecer a sua maior frescura física para se livrar dos dois corredores.

Como a acção do holandês foi abortada tanto por Mosca como por Benjamin Prades, a etapa teve mesmo que ser disputada ao sprint. A seguir ao habitual jogo de sombras chinesas característico das circunstâncias de corrida em que se disputou a vitória na etapa, a 500 metros, De Maar lançou a sua investida final, investida precoce que acabou por ficar muito curtinha porque Jacopo Mosca, cerrou os dentes e foi buscar combustível ao fundo do tanque para fazer a ligação com o holandês e ultrapassá-lo nos metros finais, vencendo uma etapa que para além de ter prolongado o sucesso da Willier Triestina – Selle Italia na prova, manteve a camisola amarela no seu seio.

Jacopo Mosca parte de amarelo para a penúltima etapa da prova com 3 segundos de vantagem para Benjamin Prades (Ukyo), 8 para Mykhaylo Kononenko da Kolss e Marc De Maar e 17 para o seu compatriota Marco Zanotti da Monkey Town.

A maior desilusão do dia foi Edoardo Zardini da Bardiani. O principal favorito à conquista da tirada e da geral da prova somou 1:34m de atraso para o vencedor.

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s