A gestão da vantagem – exemplo oferecido na noite de ontem pelos virtuosos médios croatas


Na ressaca do fantástico desempenho alcançado pelos seus comandados no jogo da 1ª mão, o seleccionador Zlatko Dalic preparou muito bem o plano de jogo para a 2ª mão. O futebol praticado pelos croatas em Atenas andou muito longe do ofensivo, desenrolado, e estético jogo exibido no jogo da 1ª mão em Zagreb, mas a verdade é que a vantagem de 3 golos alcançada no Estádio Maksimir obrigava os jogadores da selecção balcânica a ter que exibir outra atitude e outra abordagem no Estádio Karaiskákis, de forma a evitar uma ou outra surpresa que o adversário ainda pudesse vir tentar realizar. 

Dalic projectou uma estratégia defensiva muito interessante, na qual, dispondo a equipa em 3 linhas numa disposição táctica 4x4x2, fez avançar no terreno o seu “jogador mais intenso e agressivo” no capítulo da pressão, Luka Modric, para que este pudesse condicionar, em conjunto com Nikola Kalinic, a saída de jogo dos gregos. Modric e Kalinic constituiram-se portanto como uma 1ª linha de pressão efectiva que obrigou Sokratis e Manolas a terem que despejar muitas bolas (de recurso, diga-se em abono da verdade) para a frente à procura da velocidade Lazaros no flanco direito ou do luso-helénico Zeca. Para o efeito também muito contribuiu o sistema de encaixes executado pelos croatas no miolo (meio-campo extraordinariamente bem articulado, direitinho, e “encaixado peça-a-peça nos jogadores adversários) por Brozovic e Rakitic, jogadores que, actuando sempre em cima de Tziolis e Tachsidis tentaram impedir que os médios gregos pudessem receber à larga as várias solicitações que eram realizadas pelos centrais na saída de jogo, e na ala, encaixando os extremos nos alas contrários (acompanhando sempre as suas subidas no terreno; caíndo rapidamente na pressão no momento em que estes recebiam o esférico para efectuar recuperações ou interceptar passes), encaixe esse que foi promovido pelo seleccionador croata com a entrada de Mandzukic para o onze por troca com Andrej Kramaric. O seleccionador croata visou usar toda a experiência obtida pelo jogador na Juve, clube no qual, recorde-se, o jogador é obrigado a defender (defendendo bastante bem até) um dos corredores por força da adaptação operada por Allegri no momento em que o passou o avançado croata para uma ala. Em termos do quarteto defensivo, os laterais Strinic e Vrsaljko pouco ou nada subiram no terreno, opção que privilegiou o comportamento (global) defensivo idealizado pelo seleccionador croata. Digamos que em Atenas vi uma Croácia “mais de contenção” e menos disposta a correr riscos no ataque, gerindo a vantagem através da posse.

No plano ofensivo, Dalic terá certamente pedido aos seus jogadores para fazerem uma gestão prolongada e segura da posse de bola e do ritmo de jogo, prolongando a posse no meio-campo adversário sempre que tal era possível, a um ritmo preferencialmente baixo, para esconder inteligentemente o esférico do adversário de maneira a reduzir o seu ímpeto ofensivo (impedindo-o de se aproximar com perigo da sua baliza; adormecendo-o) e criar os tais efeitos perversos que vos falei há dias na psique do adversário.

Tal estratégia não impediu Rakitic e Modric de procurar (de vez em quando) Ivan Perisic na ala esquerda ou até de servir uma ou outra saída da marcação de Kalinic (saídas realizadas com o intuito de fornecer apoio frontal à acção) ou uma outra desmarcação circular realizada pelo avançado do AC Milan frente aos centrais. Sempre que consideravam a acção válida, ou seja, passível de criar uma situação de perigo, os médios foram fornecendo de bolas os seus companheiros da frente de ataque. E a verdade é que tanto Perisic como Kalinic moeram por completo a cabeça aos centrais e a Torosidis na primeira parte, obrigando-os a ter que cometer muitas faltas. A cada infracção realizada por um defesa grego, os croatas aproveitavam para quebrar o ritmo de jogo e capitalizar sobre o evidente e exacerbado nervosismo que se abatia sobre os defesas helénicos. Contudo, tanto o médio do Barcelona como o médio do Real privilegiaram a gestão da posse de bola nos seus pés como o instrumento, a ferramenta, a estratégia primordial para gerir a vantagem alcançada na primeira mão.

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