Bons apontamentos deixados pelo Portimonense de Vítor Oliveira no Estádio do Dragão


Costumo dizer em tom de brincadeira (não quero que subentendam este termo pelo seu sentido pejorativo mas sim pelo seu sentido panegírico) que Vítor Oliveira é uma das verdadeiras “mulas do futebol português” pela competência que tem demonstrado na operacionalização do seu modelo de jogo e no desenvolvimento de jogadores que  em função do estatuto alcançado junto das direcções dos clubes que orienta por força dos bons resultadospela sabedoria e conhecimento profundo sobre o jogo que ostenta e carrega para os clubes que o contratam e pela gestão exímia da sua carreira nos últimos 10 anos, retirando-se estrategicamente para a 2ª Liga, não porque não lhe tenham, na última década, chovido convites de clubes de 1ª porque efectivamente choveram como o técnico veio a confirmar há uns meses nas entrevistas que concedeu a vários órgãos de comunicação social, mas porque o técnico viu no estandardizado futebol de chutão para a frente e de batalha praticado naquele escalão, uma porta de sucesso para a afirmação do seu antagónico modelo de jogo e para a sua própria afirmação profissional depois de anos em que o seu trabalho na 1ª Liga não foi amplamente reconhecido; as primeiras subidas alcançadas em Arouca e Moreira de Cónegos tornaram-no uma referência para todos os clubes que quisessem investir para subir de divisão; a partir das primeiras subidas e da relação de confiança e fiabilidade estabelecida no universo da 2ª liga, ao treinador foi concedida a rara oportunidade de optar em cada defeso pela assumpção dos projectos “mais qualificados e mais endinheirados” e não pelas soluções de recurso que lhe foram apresentadas.

No jogo desta noite no Dragão, apesar das falhas cometidas pela formação Algarvia até aos 25″ no capítulo defensivo (em especial na defesa aos lances de bola parada; a falha cometida no primeiro golo dos portistas é pura e simplesmente anedótica) e no capítulo da saída de jogo, falhas que poderiam ter selado o destino do jogo mais cedo se Corona não tivesse padecido de uma tremenda falta de compostura na hora de finalizar, e do infortúnio verificado nos minutos finais, minutos onde o FC Porto de Conceição, depois de um jogo pouco conseguido no capítulo da construção (metendo sempre o seu futebol na “boca do lobo”, ou seja nos corredores; sector do terreno nos quais, à excepção de uma ou outra falha posicional do lateral direito Hackmann foram quase sempre bem defendidos a partir da meia-hora) teve o bom senso de voltar aos seus princípios de jogo habituais (a exploração da profundidade oferecida por Aboubakar) os algarvios deixaram mais um cartão de visita do seu competente futebol, provando mais uma vez aquilo que já tinha reparado num ou noutro raide aos resumos dos jogos da formação algarvia: a formação de Vítor Oliveira é indiscutivelmente uma das mais aguerridas (muito agressiva) e organizadas (defensivamente; no departamento da organização da pressão) formações da 1ª Liga e possui uma mortífera transição para o ataque rápido ou para o contra-ataque, transição que é alicerçada pelas pertinentes descidas\desmarcações de Nakajima (no lugar habitualmente ocupado por Fabrício) no momento em que a equipa recupera a posse de bola, constituíndo-se portanto o japonês como uma referência para estes momentos (quando recuperam a bola os colegas sabem perfeitamente onde é que se encontra o japonês e sabem o que podem esperar das suas acções), pela evidente capacidade que o japonês possui de receber, progredir e procurar distribuir o jogo para os apoios que lhe são oferecidos nos corredores pelos extremos Tabata e Wellington e pela exímia ligação de jogo que foi executada em diversos lances por Dener.

Vítor Oliveira conhece com exactidão a forma de jogar dos adversários. Não terá portanto sido fruto do acaso a maior intensidade e agressividade decerto requerida pelo seu treinadores e demonstrada pelos extremos Tabata e Wellington na pressão executada sobre os laterais no Porto nos lances em que os portistas tentavam iniciar a construção pelos corredores (a verdade é que este Porto inicia muitas vezes a construção pelos laterais, procurando estes servir as entradas de Aboubakar no espaço vazio entre a linha média e a linha defensiva adversária, as movimentações do camaronês para as alas ou para as costas da defensiva contrária) – Vitor Oliveira sabia perfeitamente que qualquer erro dos laterais portistas poderia dar azo à criação de jogadas de perigo para a baliza portista por força da velocidade e da capacidade desequilibradora em acções 1×1 dos seus jogadores da frente de ataque.

Nakajima põe toda a gente de olhos em bico

nakajima

A sua velocidade, a sua versatilidade (podendo jogar no centro ou nas alas), o seu drible curtinho, produto de um pé direito que exerce um verdadeiro campo magnético sobre a bola, a sua agilidade, característica que dota o japonês de uma enorme imprevisibilidade para quem o defende visto que este é capaz de modificar a direcção do drible a qualquer instante, e o seu sentido objectivo de baliza encantaram-me profundamente. Não tardará muito até que este japonês de 23 anos rume a altos voos.

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