A asneira colossal de Kurtley Beale na asquerosa exibição dos Wallabies em Twickenham


Na ressaca do categórico triunfo alcançado no passado sábado, dia 11, no Millenium de Cardiff frente à brava selecção galesa de Warren Gatland, a visita dos Wallabies até ao monstruoso estádio de Twickenham, catedral do rugby inglês, revestia-se por vários motivos, da maior importância para os comandados de Michael Cheika. Para além da histórica e intensa rivalidade existente entre as duas selecções, do extraordinário momento de forma colectivo que havia permitido uma série de 5 vitórias e 2 empates aos Wallabies nos 7 testes anteriormente realizados e do histórico de confrontos profundamente negativo (0-4) registado nos confrontos entre as duas selecções desde que Eddie Jones assumiu em 2015 o comando técnico da selecção inglesa, cabia aos forasteiros a possibilidade de poderem exercer, na “toca do leão”, o ónus da prova, ou seja, provarem que tem capacidade para derrubar aquela que é na minha opinião, a par com a Nova Zelândia, em função da sua fantástica performance defensiva, a principal candidata ao ceptro mundial.

Os Aussies realizaram, no meu entendimento, uma exibição profundamente marcada pelas falhas básicas cometidas em vários aspectos do jogo: no jogo no solo (oferecendo no breakdown uma série de penalidades aos ingleses), na disputa dos alinhamentos de sua introdução (4 bolas perdidas) e na prestação de apoio às investidas do portador. Várias foram as vezes em que os pilares Scott Sio e Sekope Kepu, os centros Kerevi e Kuridrani e o 8 Sean McMahon se viram sozinhos, sem apoio no eixo, na sequência de promissoras investidas sobre a linha defensiva britânica. Não querendo de todo entrar pelas questões ligadas à “caseira arbitragem da partida”, porque teria certamente teria muito para escrever sobre a dualidade de critérios exibida pelo neozelandês Ben O´Keefe (o quão delicioso é saber que o neozelandês é dono de uma empresa que produz aparelhos que ajudam a prevenir a cegueira; talvez esteja na altura de testar ele mesmo os produtos que a sua empresa produz tal foi o nível da sua cegueira fisiológica, neurológica e emocional na partida de Twickenham), árbitro que aproveitou o palco que lhe foi concedido pela World Rugby para se vingar da atitude praticada a meio da semana pelo seleccionador australiano quando este decidiu não comparecer ao tradicional briefing técnico realizado entre a equipa de arbitragem e o staff técnico das duas selecções, aqui deixo um dos mais patéticos comportamentos praticados por um dos mais experientes (Kurtley Beale) jogadores da formação austral na partida. Tal erro, patético até à medula, causador de um ridículo ensaio que afastou os ingleses no marcador (13-3) até vem curiosamente no seguimento do que ontem aqui escrevi sobre as funções de um fullback:

Qualquer fullback terá que ser um jogador tecnicamente e tacticamente completo, e inteligente na tomada de decisões. Sendo o “último defensor” da equipa, na chamada linha dos “3 de trás” (o defesa e os pontas) ao defesa flanqueador cabe a missão de coordenar a linha defensiva que defende à sua frente, aproveitando-se da sua posição privilegiada no terreno (posição que lhe confere uma visão ampla do terreno de jogo) para identificar furos na linha defesensiva (os furos que o adversário possa aproveitar para romper essa mesma linha, conquistando o que em rugby se chama por quebra ou ultrapassagem da linha de vantagem – a linha de vantagem é a a linha imaginária que define a entrada em território adversário, entrada que dificultará a intervenção da defesa por vários aspectos – inferioridade numérica, perda de qualidade posicional) e recomendar aos seus colegas a sua correcção, devendo também posicionar-se no terreno de forma a compensar uma eventual invasão “à mão, em marcha” do adversário no terreno da sua equipa, e encaixar com segurança as bolas que venham a ser pontapeadas para as as costas da linha defensiva pelos adversários.

Ao nível da tomada de decisão, um fullback tem que ser inteligente nas opções que toma quando é obrigado a participar no jogo pelo adversário ou até pelos seus companheiros em situação específicas do jogo. Imaginemos uma situação concreta: o adversário chuta para a frente à procura da corrida de um ponta. O fullback, bem posicionado, sai ao encalce daquela bola e intercepta-a. Cabe nesse momento ao fullback analisar rapidamente a situação para perceber qual é a acção que traz mais vantagens à sua equipa naquele momento concreto: se o ataque a um espaço (livre ou preenchido com um ou mais defensores) se a “limpeza de jogo” ou o avanço da equipa no terreno, jogando ao pé.

Para vos contextualizar melhor, convém referir que este lance surge na sequência de um período mais agitado e menos clarividente dos jogadores das duas selecções. A um knock on de um jogador britânico no meio-campo adversário seguiu-se a realização de um destemido contra-ataque lançado em velocidade por Samu Kerevi no qual o poderoso centro australiano conseguiu passar por vários ingleses antes de ser parado por um adversário, conseguindo no entanto ainda distribuir a bola para o apoio cedido por Kuridrani com um offload (passe na placagem). O 2º centro não recebeu bem e deixou a bola escapar-lhe das mãos, indo a mesma parar às mãos de um beef.

kurtley beale

No momento do pontapé de Ben Youngs (salvo erro), Kurtley Beale está inserido no esforço ofensivo da equipa quando a natureza instável daquele momento recomendava que não o fizesse porque ambas as equipas estavam a falhar demasiadas transmissões e qualquer erro de um jogador poderia, em caso de adiantamento adversário ditar a tomada de decisão que veio a ser efectuada pelo formação inglês. Para mim, o experiente jogador de 28 anos cometeu uma falha táctica de palmatória. Youngs foi propositado na sua acção porque viu a descompensação em que se encontrava aquele flanco. Se repararmos bem, face ao adiantamento de Beale no terreno (adiantamento que não lhe permitiria compensar defensivamente o flanco em caso de erro), o flanco direito australiano estava totalmente desguarnecido no momento do pontapé e o “ponta” Reece Hodge, não foi suficientemente rápido a descer no terreno para poder chegar primeiro à oval que os dois adversários que entretanto saíram à caça daquela bola.

reece hodge

Já Beale, na acção de cobertura, subestimou por completo aquele que é o maior factor surpresa do jogo: a aleatoriedade do ressalto que aquela bicuda pode fazer quando embate no relvado. A sua percepção acabou por traí-lo, quando o que se exige a qualquer jogador neste tipo de situações é uma atitude preventiva de ataque à bola, independentemente do ressalto que esta possa provocar no relvado, devendo o jogador apenas confiar quando a bola efectivamente sair pela linha lateral. Seria a meu preferível neste lance a concessão preventiva de um alinhamento lateral (deslizando para sair com a bola\chutando pela linha lateral) do que a concessão de um ensaio ao adversário. Beale deu o acto como consumado e quando deu por si, já Elliot Daly avançava ao pé para a área de validação adversária.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s