Fear the beard!

O indomável Barbas “contra-ataca” sem piedade, mais sequioso, mais efectivo no lançamento, mais altruísta e com um maior sentido de colectivo (não podemos sonegar para este efeito a qualidade de matéria prima que a equipa possui tanto no jogo exterior como no jogo interior bem como o facto desta ser uma equipa de continuidade, ou seja, uma equipa com rotinas bem trabalhadas ao longo dos últimos 2 anos) do que nunca! Contudo, o nível a que se tem exibido o base dos Rockets nos primeiros 10 jogos da longa temporada regular que se avizinha no horizonte até Abril ainda não é sinónimo da conquista do título mas sim um bom indicador.

A ambição de vir a vencer o prémio de MVP da fase regular está lá, a vontade de trabalhar ainda mais em prol do colectivo (equilibrando esta responsabilidade com a responsabilidade individual que lhe assiste enquanto front-man da equipa) também está lá no sítio (Eric Gordon nunca facturou tanto ao longo da sua carreira como está a facturar com Harden ao lado; Ryan Anderson e Trevor Ariza estão a conseguir atingir paultinamente os melhores números individuais alcançados nas melhores fases das suas carreiras; o poste Nênê Hilário está a gastar “a sua 7ª vida na Liga”) e do ponto de vista colectivo denota-se a olho nu que os Rockets estão preparadíssimos para finalmente se assumirem como candidatos à vitória na Conferência e às finais. Contudo, até aos playoffs, muita água pode rolar debaixo da ponte. Nenhum jogador\equipa está imune a dois dos factores (lesões\fadiga acumulada\pico de forma física; porque existem efectivamente jogadores que só começam a extrair o seu melhor rendimento em determinadas alturas da temporada\outros são os que ganhando alguma confiança ao longo da temporada, transformam-se literalmente da “água para o vinho”) que ajudam a definir temporadas, mas, até neste aspecto, Houston precaveu-se bem. Qualquer lesão que Harden possa vir a ter ao longo da temporada poderá vir a ser limitada em termos de efeitos pela entrada de Chris Paul no 5 base. Palavra de honra: ter dois dos melhores bases da história desta década na mesma equipa é um verdadeiro crime!

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Giannis, o “grego anormal”

“Greak Freak” é a sua alcunha, cognome adquirido nos primeiros da sua temporada de estreia na Liga à conta de umas acrobacias um tanto ou quanto estranhas que levaram o mítico e exigente Greg Popovich, o mais consagrado dos treinadores em actividade, uma verdadeira Instituição viva de acolhimento e desenvolvimento de jogadores não-americanos nos San Antonio Spurs (responsável pela prospecção e pelo desenvolvimento de tantos atletas não-americanos que jogaram vários anos ou jogam há vários anos na principal Liga Norte-Americana como Tony Parker, Manu Ginobili, Hedo Turkoglu, Beno Udrih, Rasho Nesterovic, Fabricio Oberto, Boris Diaw, Pat Mills, Aron Baynes) agente que não é de elogios fáceis ou até de falas politicamente correctas a declarar-se rendido quando afirmou: “Giannis já não é só um mero atleta, é um fenómeno físico anormal. Ele aprendeu a jogar este jogo.” Antetokounmpo é o seu quase impronunciável (impronunciável para muitos) apelido grego. À primeira vista, sem ter visto uma única imagem do jogador, qualquer pessoa é induzida a crer que estamos perante um clássico jogador de basquetebol helénico: alto, de tez morena, queimada do intenso sol de Atenas. Desenganem-se. Da Grécia, o exuberante negro de 2,11m só guarda as recordações de adolescência dura, passada no Pireu, de tapetes ao ombro e relógios e carteiras encinturadas na bacia à procura de fregueses para conseguir prover ao sustento da sua numerosa família. De uma família que passou mais de duas décadas na mais pura das clandestinidades em território grego, acabando efectivamente apenas por se legalizar quando o jovem foi incentivado a rumar aos Estados Unidos da América para participar na anual reunião de draft, o acontecimento onde as 30 franquias da NBA elegem 60 jogadores vindos das mais diversas proveniências do território americano e dos seus protectorados e dos mais variados pontos do planeta. A dureza dos seus primeiros 17 anos de vida moldaram-lhe irremediavelmente o carácter: Giannis é um tipo que leva o seu trabalho muito a sério. Essa é individualmente a sua maior força.

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Lauri Markkanen: Uma réstia de nada na troca realizada entre os Bulls e os Timberwolves

A notícia não apanhou praticamente ninguém de surpresa. O antigo treinador dos Bulls Tom Thibodeau há muito que almejava (na sombra, sem dar muito alarido) adicionar Jimmy Butler (e Derrick Rose; com a contratação de Butler, tem ganho força a ideia que Rose poderá ser o próximo alvo de Thibs, de forma a reeditar a dupla que fez crescer em Chicago; naqueles tempos em que ninguém dava um chavo por Jimmy Butler) ao seu plantel.

A suposta concorrência que se foi formando entre várias franquias pelo concurso do extremo acabou por ser um tremendo mito. Os Celtics afastaram-se do jogador de Chicago porque nos últimos dias validaram (após a troca de posições realizada com os Phildelphia 76ers; recebendo mais duas picks altas protegidas nos próximos drafts de Los Angeles e Sacramento) a escolha Jayson Tatum para uma posição de carência no seu rooster por falta de comparência de outra das soluções idealizadas. A franquia de Boston acabou por reiterar a sua aposta em Isaiah Thomas ao abdicar de um jogador como Markelle Fultz. De Cleveland, vários foram os rumores que fizeram apontar os holofotes para Butler. Todos os rumores que foram escritos por vários analistas acabaram por mergulhar em águas bacalhau. Em Dallas, Mark Cuban também ponderou a hipótese de vir a reforçar-se com o extremo mas nunca se falou algo em concreto. Minnesota chegou-se à frente e levou o jogador.

Mais uma vez parece-me que o front office de Chicago cometeu uma das suas habituais asneiras. Kris Dunn, Zack LaVine e o poderoso shooter finlandês Lauri Markkonen (7ª escolha do draft) acabam por ser fruta a menos para suplantar a perda de Jimmy Butler (mas no fundo, quem é que entre as primeiras 10 escolhas do draft tinha jogadores do mesmo estatuto de Butler disponíveis para a troca?) e a cedência da 16ª pick do draft. Se Markkanen apresenta muito potencial no lançamento e algum potencial por trabalhar no jogo interior, porque é incipiente para a altura que este apresenta, LaVine parece-me um caso perdido em virtude da lesão sofrida no ligamento cruzado anterior do seu joelho esquerdo Continuar a ler “Lauri Markkanen: Uma réstia de nada na troca realizada entre os Bulls e os Timberwolves”

Final da NBA – Jogo 3 – Golden State sela o campeonato em Cleveland

Soem as trombetas, façam descer as cortinas: este título pertence com muita justiça aos Golden State Warriors! A formação de Steve Kerr está a um quarto de passo do título. Por mais argumentos que os Cavs possam buscar na partida de sexta-feira para marcar 1 jogo nas finais deste ano, duvido que este título escape à franquia californiana. Ao longo destes 3 jogos, os Cavs provaram que no final acaba sempre por lhes faltar muito para terem argumentos para travar a marcha triunfante da formação de Steve Kerr.

Se os Cavs não cometem muitos turnovers no ataque, defendem mal. Se começam a defender ligeiramente melhor no primeiro de 2 jogos em casa, surgem as individualidades do adversário. Se não surgem as individualidades do adversário, saem pontos, ressaltos e abafos do banco. Se não defendem bem os screens que são feitos por Green ou Durant, levam com a magia destes. Se defendem bem os screens, como efectivamente defendeu bem a espaços Iwan Shumpert, não caindo na asneira de voltar à estratégia de double team (estratégia que quase sempre redunda na existência de um homem livre com espaço para atirar), os Warriors jogam para os seus shooters no exterior ou arranjam maneira de fazer um novo screen que permita baralhar as marcações de forma a jogar para as entradas que são feitas rumo ao cesto nas costas do adversário. Se na primeira parte manda Klay Thompson, na 2ª aparece Kevin Durant. Se não aparece Kevin Durant, facto que não tem acontecido nestas finais, diga-se, aparece Stephen Curry. Se nenhum deles aparece, no banco, existe sempre alguém capaz de galvanizar a equipa com uma forte entrada no jogo. Andre Iguodala, e David West são segundas linhas que acrescentam muito mais ao jogo da sua equipa que os 4 suplentes habitualmente utilizados por Tyronn Lue. Esta equipa de Oakland é efectivamente um poço sem fim de recursos, de potencial, de soluções de jogo, de intensidade, de compostura no momento das decisões e acima tudo de competência!

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Como se pode levar um cabaz numa final sem defender muito?

Se clicar em cima de “situação” poderá ver o vídeo  da jogada analisada.

Situação 1 – A falta de intensidade com que Tristan Thompson sai ao adversário depois de um double team sem efeito sobre Curry. Não condiciona o lançamento de Draymond Green porque está atrasado e não é rápido a fechar o espaço. Quando recebeu a bola, o jogador de Golden State tinha duas hipóteses plausíveis: ou lançava o triplo como lançou ou fazia uma assistência para Zaza Pachulia dada a posição isolada do poste alto georgiano. Continuar a ler “Como se pode levar um cabaz numa final sem defender muito?”

Finais da NBA – Jogo 1 – Breve análise à vitória dos Warriors

A melhor liga do mundo atingiu ontem o início do seu epílogo. Pelo 3º ano consecutivo, as duas melhores franquias dos últimos anos da competição iniciaram uma dura batalha (esperamos obviamente uma discussão à melhor de 7 jogos, para bem da espectacularidade gerada pelo seu basquetebol) pela conquista dos brilhantes anéis de campeão. No primeiro jogo, em Oakland, Califórnia, os vice-campeões Golden State Warriors deram um autêntico knock-out nos campeões em título, os Cleveland Cavaliers, vencendo por por 113-91, num jogo em que a equipa californiana foi mais competente, rápida, mais forte, mais lutadora e mais criativa na construção ofensiva.
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Contenders? Para o ano há mais

Este poderia ser o frame de um jogo da Proliga portuguesa mas não, é a realidade nua e crua de uma final de conferência da NBA: uma equipa inteira a ver navios, sem qualquer vontade de se fazer à estrada! Ao intervalo do jogo (jogo? mais parece um espectáculo de exibição do que outra coisa!) que está neste momento a decorrer em Cleveland, os Celtics estão a ser novamente sovados, estando a perder por claros e inequívocos 72-31. Já não nos bastava termos que aturar a cegada que vai no Oeste por culpa do Zaza, para ainda termos que suportar este calvário de toda uma equipa in loco, quando o nível da coisa pedia efectivamente jogos de excelência.  Continuar a ler “Contenders? Para o ano há mais”