4 breves notas reflexivas sobre o amigável realizado em Viseu frente à Arábia Saudita

  1. São várias as razões que me levam a não atribuir grande significado ou grande importância aos amigáveis que são realizados entre selecções. A mais importante de todas reside obviamente na natureza destes jogos. Não existindo nestes desafios, o condicionamento próprio do contexto competitivo, ou seja, o estímulo que obriga os atletas a ter que oferecer ao jogo a melhor reacção e a maior entrega possível  para vencer determinado adversário e para tirar vantagens dessa mesma vitória, grande parte dos jogos amigáveis acabam por ser aborrecidos, pese embora o facto de conseguir reconhecer que em determinados casos, possam existir amigáveis (partidas, competições) que possuem um “modelo ficcionado” aproximado à competição e que em  algumas destas partidas, os jogadores com menor probabilidade de virem a figurar na convocatória do seu seleccionador para um compromisso de de índole competitiva tentem, também por vários motivos, fazer render o seu peixe. Uma convocatória para um jogo amigável é a oportunidade ideal para determinado jogador se inserir nas rotinas de um grupo de trabalho, nas dinâmicas de determinado modelo de jogo idealizado e no lote de escolhas à disposição de um seleccionador para os jogos oficiais. Por outro lado, a internacionalização pela sua selecção é para qualquer jogador algo que lhe valoriza a carreira, um verdadeiro selo de qualidade que o torna mais apelativo (e uma escolha de menor risco) aos olhos dos dirigentes que o cobiçam. No Rugby por exemplo, o universalmente denominado e codificado (na linguagem da modalidade)  “test match” é um jogo com um carisma bem diferente do amigável realizado no futebol. Ao contrário do futebol, poucos são os intervenientes (treinadores, jogadores) que não atribuem ao test match uma importância bem próxima de um jogo oficial. Em primeiro lugar, tal deve-se à cultura sui géneris da própria modalidade. Se perguntarem a um adepto francês se ele gosta de perder um test contra a selecção inglesa, o dito certamente responderá que não gosta de perder nem a feijões contra os beefs. Se perguntarem a um jogador neozelandês se gosta de perder uma Bledisloe contra os australianos, a resposta será em tudo idêntica. Se perguntarem a um seleccionador se viu coisas positivas nos 4 tests, ele responderá certamente que a sua equipa ainda terá muito trabalho pela frente para se apresentar em boas condições nas grandes competições internacionais porque não cumpriu nenhum dos objectivos a que se propôs. Se perguntarem a um jogador se as vitórias tem peso diferente, qualquer jogador de rugby dirá que uma vitória é sempre uma vitória, indiferentemente dos contextos em que é obtida. Uma vitória no Rugby é um passo para a Glória. Tudo no fundo se resume a isso: à cultura da modalidade (uma cultura de honra, de vitória, de espírito de batalha, de compromisso, de integridade, de respeito, de serviço, de sacrifício) e à criação de sinergias dentro de um grupo de trabalho, sinergias que serão obviamente, a todos os níveis, muito válidas para o futuro. No Rugby, a World Rugby abre anualmente duas janelas para testes: uma em Junho (a Janela que simboliza o encerramento da temporada europeia), janela na qual por norma, as equipas europeias partem em digressão até ao Hemisfério Sul, e outra, em Novembro, que simboliza o final de temporada do Hemisfério Sul, janela (que se iniciou hoje) na qual as selecções do Hemisfério Sul partem em digressão para a Europa. Em ambas, os seleccionadores nacionais optam por levar consigo uma data de jogadores que em condições normais não tem lugar nas suas escolhas, misturados entre escolhas habituais ou os chamados intocáveis para os testar. Tal opção não se deve apenas para os testar num contexto desportivo aproximado ao da competição mas também para testar as suas aptidões sociais. E isto acontece porque, os estágios de preparação para as digressões e as ditas podem durar 2\3 meses, ou seja, uma duração aproximada aos estágios de preparação para o Mundial. São portanto 2 meses nos quais o atleta vai estar longe de casa, factor que pode efectivamente diminui-lo anímicamente, afectando-lhe o rendimento. Nenhum seleccionador irá decerto querer levar ao Mundial um jogador que não é capaz de extrair o seu melhor desempenho porque está mentalmente afectado por uma situação exterior ao contexto competitivo. No futebol raramente vemos esta cultura nos amigáveis. As janelas internacionais duram, no máximo, 7 ou 8 dias. Grande parte dos jogadores entra de forma receosa nas partidas, ou seja, com medo de se lesionar para não prejudicar a sua carreira no clube. Pela vontade de tantos outros, atletas que passam semanas fora de casa, que não passam o tempo que deveriam passar com esposas e filhos, nem punham os pés neste tipo de jogos.
  2. Como referi no ponto anterior, poucos são os amigáveis que me despertem interesse ou que me levem a atribuir-lhe grande interesse. Se um amigável realizado entre selecções de topo como o Inglaterra vs Alemanha não foi sedutor o suficiente para lhe gabar uma única imagem, compreenderão o diminuto interesse que possuo neste tipo de jogos, interesse que é antagónico por exemplo em relação aos amigáveis de clubes, por motivos completamente distintos. Vejo, ou tento ver, todos os amigáveis realizados pela selecção portuguesa. E vejo-os por um ou dois simples leitmotifs para compreender as sinergias que se criam, para compreender a valência dos jogadores novos num determinado modelo de jogo em andamento e para poder entender as escolhas que um seleccionador realiza no futuro.
  3. O jogo de ontem, disputado no Fontelo (Viseu), foi organizado com o intuito de poder aspirar a constituir-se, em simultâneo, como um pluridimensional momento de solidariedade e reconciliação nacional. Se por um lado, os mais recentes episódios da vida nacional, levaram a FPF a equacionar os dois jogos amigáveis marcados para o presente mês para as capitais de duas das várias regiões afectadas pelos incêndios deste verão\início de outono para prestar uma homenagem sentida às vítimas das duas tragédias e para, proceder a uma angariação de fundos passível de financiar a reconstrução de casas e fomentar o trabalho dos bombeiros das ditas regiões, cumprindo em teoria o papel de responsabilidade social que também assiste à dita Instituição, por outro lado, a Federação também aproveitou este momento para usar a selecção nacional como uma ferramenta de coesão social, levando-a até ao esquecido “farócentronordeste” – um pedaço de terra de montes e vales que é tantas vezes esquecido e até votado ao ostracismo pelos nossos governantes. No caso de Viseu, a cidade não recebe com maior regularidade da selecção nacional A porque não tem uma infraestrutura adequada para o efeito. O Estádio do Fontelo está decadente e se assim o está deve em parte à visão acertada de um dos seus anteriores presidentes de Câmara. Em boa hora, Fernando Ruas não optou pelo endividamento da Câmara em prol de um evento efémero que poucas contrapartidas traria ao tecido económico da região a curto e médio prazo e até mesmo nenhum a longo prazo. Nem os clubes de Viseu possuem “massas associativas” que justifiquem tais obras, nem na altura possuíam até hipóteses para colocar um clube na 1ª divisão, visto que essa altura (2000, 2001) coincidiu precisamente com o início do processo de bancarrota, falência e extinção do antigo Clube Académico de Futebol, o actual Académico de Viseu Futebol Clube, formação que como se sabe investiu fortemente para subir na presente temporada à 1ª Liga, feito que obrigará certamente a CMV a ter que investir seriamente na remodelação do Estádio do Fontelo nos próximos meses. A transmissão de ontem (dos pormenores do Estádio) não passou essa ideia aos telespectadores porque não filmou os vidros partidos na fachada, não filmou a lastimável qualidade do seu relvado e mascarou uma bancada inútil (não tem cadeiras; penso até que não tem a sua segurança devidamente aprovada nas entidades competentes) através da filmagem sobre a bancada amovível que foi colocada pela FPF num dos topos do estádio. A câmara de Viseu deverá ser certamente uma das câmaras municipais que mais fundos atribui ao desporto do país. Posso até afiançar que a algumas colectividades do concelho, a CMV dá dinheiro a mais, financiando a rodos a ambição desmedida de alguns dirigentes que se servem das Instituições para aspirar a algo mais para as suas vidas. Falo-vos portanto daquela modalidade tão típica do ser lusitano: o alpinismo social. A ginástica de trampolim que é oferecida por algumas colectividades aos seus dirigentes. Ou os dirigentes que fazem das colectividades que dirigem um mero trampolim. A ideia da FPF foi boa, mas não foi suficientemente sedutora para que eu marcasse presença no estádio. E não, ao contrário de milhares de viseenses que trataram de vender por 5 paus o seu bilhete assim que souberam da não convocação do Ronaldo, descurando todo o cariz social do evento, eu não fui porque não acredito verdadeiramente nestas acções de solidariedade da treta. Até que uma casa de uma família afectada seja efectivamente recuperada com o dinheiro angariado no jogo ou nas chamadas de valor acrescentado, ou que um filho de uma vítima possa ser vestido da cabeça aos pés com recurso aos fundos angariados, eu só não acredito nos objectivos deste tipo de acções como até prefiro ir entregar directamente o meu dinheiro às vítimas ou aos destinatários. Pelo menos sei que ao entregar directamente, o meu donativo não irá ser taxado com o respectivo IVA, nem será extraviado pelo caminho. Os viseenses não pensam assim. Maior parte dos que se encontraram no estádio, queriam ver a todo o custo Cristiano Ronaldo.
  4. Do jogo propriamente dito, creio que foi uma boa oportunidade para Fernando Santos testar a inversão nítida ao modelo de jogo que está paulatinamente a trabalhar com os jogadores desde a última janela internacional, ou melhor, desde os dias que antecederam o jogo realizado contra a Suíça, e para testar os estreantes ou os jogadores que fez regressar à sua convocatória. Da operacionalização das nuances em relação ao modelo de jogo padronizado desta selecção, ao modelo clássico de jogo exterior e de abordagem à área única e exclusivamente a partir de cruzamentos, pareceu-me que está a sair algo de mais positivo, de mais estético mas ainda com eficácia diminuta. Do jogo contra os sauditas selecção que em nada testou a Portuguesa no capítulo da transição defensiva e da organização defensiva, gostei particularmente de alguns processos de jogo que privilegiaram a entrada da bola em zonas interiores entre linhas e das dinâmicas apresentadas pelos 3 jogadores que jogaram atrás de André Silva (Bernardo Silva, Gonçalo Guedes e João Mário; constante mobilidade entre linhas, procurando oferecer a Danilo e a Manuel Fernandes linhas de passe no interior do bloco adversário, sem descurar por completo o jogo exterior; trocas posicionais constantes para confundir a defesa adversária; em diversas os 3 chegaram a estar inseridos em zonas interiores do terreno em simultâneo, aparecendo soltos de marcação para se enquadrar com a baliza no momento da recepção; boas combinações; boa capacidade de aceleração de jogo, em especial, de Gonçalo Guedes, jogador que também traz uma lufada de ar fresco a esta selecção no capítulo dos remates de meia distância; maior harmonia entre o jogo de interior e o jogo de exterior), gostei da capacidade de organização de Danilo (arriscando mais no passe longo; procurando ser um médio que acrescenta metros à equipa a partir do passe), da sua leitura de jogo quer no capítulo da organização ofensiva (procurando preferencialmente servir a entrada de companheiros em espaços vazios) como no capítulo da transição defensiva, fase no qual o médio é extraordinariamente efectivo porque ataca bem as segundas bolas, e lê bem as intenções adversárias para ser rápido a cair sobre um dos destinatários do esférico de maneira a matar a sua transição. Não desgostei de Kevin Rodrigues, apesar de ter visto recentemente alguns jogos nos quais o lateral esquerdo me desagradou por timidez (ou seja, por não subir tanto no terreno, por ser um lateral de pouca propensão defensiva), e não gostei absolutamente do excessivo individualismo de Gelson na segunda parte. Aquela vontade de fazer tudo sozinho redundou numa exibição em que o jogador do Sporting nada fez para além de complicar o jogo da equipa e de dar razão a todos aqueles que o caracterizam como um jogador que define mal as suas acções. E a verdade é que sou obrigado a dar razão aos seus argumentos.
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Como é que alguém pode tomar Paulo Pereira Cristóvão como uma pessoa séria?

paulo cristóvão

Se compararmos esta frase com a que hoje foi proferida pelo próprio neste comunicado – “É unicamente nessa circunstância que publicamente dou resposta aquele empregado do meu clube do coração de há mais de quatro décadas e meia e sempre com quotas pagas, ao contrário do citado azevedo de carvalho.” facilmente depreendemos que a coerência não faz parte da arte da retórica deste assumido e perigoso facho. 

Em que é que ficamos? O Sporting é um clube de “virgens ofendidas” ou é o clube do coração? É que cá na minha ideia, quem ama intensamente um clube, tem dois dedinhos de testa e um palmo de coração para fazer a devida separação entre a Instituição e os dirigentes que por lá passam… Paulo Pereira Cristóvão continua fiel ao seu estilo: uma cavalgadura!

Quem é que é capaz de atestar a veracidade, a idoneidade, a honra e até a dignidade deste senhor:

  • Sabendo que o dito, revestido de legitimidade conferida pelos sócios do clube (pessoas honestas e honradas, que na sua boa fé, durante o acto eleitoral, acreditaram na honestidade do seu carácter e na franqueza e seriedade do projecto defendido pela sua escumalha, projecto que viria a arruinar com o clube desportiva e financeiramente 2 anos mais tarde) manchou irreversivelmente a honra e a dignidade de uma Instituição secular de utilidade pública, histórica e mundialmente famosa (tida como um exemplo a seguir ao nível do respeito pelos mais basilares princípios e valores que norteiam a actividade desportiva) quando auto denunciou a prática de um crime (o suborno de um “árbitro”) que viola de forma grosseira (e dolosa) todos esses princípios e valores.
  • Sabendo que em virtude dos crimes cometidos (foram provados em tribunal dois crimes de peculato, um de acesso ilegítimo e um de denúncia caluniosa) Paulo Pereira Cristóvão foi efectivamente condenado a uma pena suspensa de 4 anos e meio de prisão, acrescida do pagamento de uma indemnização a favor do estado (no fundo, da sociedade) no valor de 40 mil euros, indemnização entretanto reduzida pelo bondoso juiz encarregue do processo para 25 mil.
  • Sabendo que Paulo Pereira Cristóvão instituiu, em benefício próprio, através de uma das suas múltiplas empresas de inteligência e espionagem, uma prática de espionagem junto de vários elementos da estrutura do futebol profissional, prática ilegal que violou reiteradamente e com dolo, alguns dos direitos, liberdades e garantias constitucionalmente garantidos a todos os cidadãos nacionais ou estrangeiros que residam em solo português.
  • Sabendo que Paulo Pereira Cristóvão foi acusado de instituir esse mesmo sistema junto de dirigentes de outros clubes e árbitros para lhes poder sacar informações do seu foro privado, sistema pelo qual terá que pagar uma indeminizaçao de 17500 euros a 35 cidadãos a título de reparação de danos não-patrimoniais por devassa da vida privada.
  • Sabendo que noutro processo actualmente em curso na justiça, Paulo Pereira Cristóvão foi constituído arguido pelo Ministério Público por alegadamente se ter constituído como o cabecilha de um esquema criminoso que visava o assalto à mão armada de residências nos concelhos de Cascais e Sintra.
  • Sabendo que segundo as conclusões a auditoria forense que foi realizada a pedido da actual direcção do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão está directamente indiciado da prática de gestão danosa em vários dossiers.
  • Sabendo que, Paulo Pereira Cristóvão anuiu por escrito a aquisição de três jogadores (Alberto Rodriguez, Jeffren Suárez, Luís Aguiar) sem que estes tenham feito os habituais exames médicos prévios.
  • Sabendo que, Paulo Pereira Cristóvão autorizou, enquanto vice-presidente do clube responsável pela pasta do Património e das Infraestruturas do Clube, a colocação (em pleno corredor de acesso aos balneários do Estádio José de Alvalade) de imagens nas quais se puderam ver cruzes suásticas tatuadas nos braços de membros de um grupo organizado ligado a movimentos de ideologia neo-nazi, movimentos cuja constituição é, desde 1974, expressamente proibida pela Constituição da República Portuguesa. A esse respeito ficam aqui as palavras proferidas por Vicente de Moura no dia em que viu a dita “obra de arte” de cariz político-ideológico:  “Tenho dificuldade em acreditar que as fotografias que me enviou tenham sido colocadas nos corredores de acesso aos balneários onde se equipam os clubes visitantes no estádio do Sporting. O clube sempre pautou a sua conduta pela hospitalidade e confraternização com equipas adversárias, não confundindo a saudável rivalidade desportiva com guerras entre facções de adeptos”
  • Sabendo que, Paulo Pereira Cristóvão, é um antigo inspector da Polícia Judiciária afastado do cargo devido ao facto de ter espancado sem dó nem piedade uma detida preventiva, facto que violou todas as convenções relativas aos Direitos do Homem.
  • Sabendo que, no exercício das suas funções enquanto inspector de uma força de segurança pertencente à coisa pública, paga com o dinheiro de todos nós, Paulo Pereira Cristóvão foi acusado de violação. 
  • Sabendo que, no exercício das mesmas funções no Departamento de Crime Económico Paulo Pereira Cristóvão foi acusado de desvio de dinheiro apreendido numa rusga policial.

Posto isto, volto a perguntar: quem é que acredita numa palavra que saia da boca deste senhor? Quem é que acredita na idoneidade deste cavalheiro? Vou mais longe: como é que, face à quantidade abismal de crimes pelos quais já foi condenado ao longo da vida, este senhor continua a pavonear-se livremente pelas ruas de Lisboa qual justiceiro da moral e dos bons costumes? Como é que este gajo, depois do mal que fez ao clube, ainda tem lata (é preciso realmente ter muita falta de vergonha na cara) de cirandar na Rua Fernando da Fonseca? Como é que um canalha destes, um psicopata puro, ainda não foi preso ou encerrado compulsivamente numa dependência psiquiátrica?

Até onde se estende a teia de Vieira? – Na Mouche!

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Fonte: Revista Sábado

Já nas bancas, a revista sábado (poderá ler aqui o artigo na íntegra no Mister do Café) apresenta uma reportagem de altíssimo interesse público sobre a esfera de influências que age a mando de Vieira na Magistratura. Segundo a publicação, “a intenção da PJ esbarrou ao ser negados os pedidos de mandados judiciais” por parte do juiz em causa, indo de encontro (parcialmente; noutras questões por mim levantadas quanto ao trabalho da Unidade de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, ficámos finalmente a saber que este departamento está a fazer tudo o que legalmente está ao seu alcance para dar novos desenvolvimentos à investigação)  ao que escrevi aqui recentemente: 

“Estas revelações levam-me a colocar esta pertinente questão: quantos funcionários judiciais, inspectores, procuradores e magistrados poderá ter o presidente do Benfica no seu payroll? Quantos destes elementos poderão encontrar-se devidamente subornados pelo Benfica para tudo revelar, nada mexer, nada remexer, nada investigar, nada concluir, não condenar? Até onde vai a extensão do poder, da influência e do dinheiro do presidente do Benfica? Até ao governo?”

O estranho comportamento do juiz Jorge Marques Antunes deveria suscitar a abertura imediata de um processo de investigação por parte da Procuradoria Geral da República porque ou muito me engano ou temos aqui, neste acto, um possível crime de denegação de justiça, crime que é punido pela lei no artigo 389º do Código Penal.

Noutro âmbito, numa reunião alegadamente presenciada no Estádio da Luz por 10 advogados de várias firmas de advogados com ligações próximas ao Benfica, diz a Sábado que Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, revelou informações confidenciais dos inquéritos realizados pela Polícia Judiciária ao caso dos emails. Paulo Gonçalves e Luís Filipe Vieira tiveram acesso a informação confidencial do Ministério Público e da Polícia Judiciária com a conivência de um ou mais funcionários destas instituições. Com a informação hoje divulgada pela Revista Sábado, só posso portanto concluir que acusações lançadas no post anteriormente escrito tocaram na mouche do questão: existe efectivamente nas várias instituições policiais e judiciais deste país uma enorme teia controlada por Vieira para seu benefício ou benefício do Benfica. Os tentáculos do polvo estendem-se portanto para além das instituições desportivas, ameaçando gravemente os princípios basilares do Estado de Direito instituído neste país, no que concerne ao designado “império da lei” – a eventual denegação da justiça praticada pelo juiz em causa é uma violação clara a este princípio, na medida, em que compete aos agentes do estado tomar todas as medidas que se considerem necessárias, legitimas e legitimadas pela própria lei para se fazer cumprir a aplicação da legislação produzida pelos órgãos de soberania competentes para o efeito.

Rir para não chorar – o castigo imposto a Samaris

Poucos minutos passaram desde o garrote aplicado sobre a garganta de João Carlos Teixeira, acção que passou em claro (por vários motivos; o grego travou uma acção de contra-ataque; trata-se de uma agressão evidente sobre o adversário)

samaris

fonte da notícia: mais futebol 

O reincidente Samaris conseguiu ser punido com menos jogos do que aqueles com que já tinha sido punido em virtude daquela lamentável e antidesportiva agressão a Diego Ivo, jogador do Moreirense. Incongruência das incongruências nos regulamentos, a tipologia do acto processual inviabilizou totalmente a aplicação de um castigo superior ao inicialmente aplicado a um reincidente, apesar de igual poder ser o número de jogos máximos a aplicar. É a primeira vez que um reincidente neste tipo de actos é suspenso por um número de jogos inferior ao do primeiro castigo aplicado.

Por outro lado, Bruno Esteves proporcionou-nos um belo momento de humor. Uma verdadeira risota na qual se aplica a velha antítese “rir para não chorar”. O árbitro não teve noção total do desentendimento” mas deliberou prontamente a aplicação de sanção de cartão amarelo para os jogadores envolvidos no lance” – ou seja, se aplicou prontamente uma sanção disciplinar, é omesmo que dizer, que viu quem foram os jogadores envolvidos (se viu, só teria que agir em conformidade, admoestando os prevaricadores no lance: Jardel e Paulinho com um cartão amarelo e Samaris, com o cartão vermelho; creio que Jardel não foi sequer admoestado pelo árbitro da partida); por outro lado, o árbitro não teve “noção total da dimensão desse gesto em particular” (como também de resto fingiu não ver a agressão anterior perpetrada pelo grego sobre João Carlos Teixeira poucos minutos antes).

Ora bem, meu caro Bruno Esteves: por norma quando uma pessoa ataca a garganta de outrem não visa fazer-lhe, como se diz na gíria, fosquinhas, mas sim, essencialmente provocar-lhe (com dolo) um dano à integridade física punível pela lei. A dimensão desse gesto é precisamente essa: provocar um dano à integridade física do adversário. Parece-me portanto bastante nítida uma incongruência no discurso do árbitro: ou se vê totalmente a acção e se aplica a devida justiça ou então, quando não se tem a certeza, não se aplica nada porque não se tem a certeza. Se o árbitro (ou qualquer elemento da sua equipa) conseguiram descortinar os intervenientes é porque viram o desenrolar da acção e o respectivo contexto que ditou o decurso da acção. Caso contrário, nada tinham assinalado. O resultado da acção do árbitro foi claro: amarelo para não ter que expulsar. Como refere e bem o Mister do Café no seu último post, estamos perante uma era de cegueira temporária. 

Calma meus amigos benfiquistas: a narrativa anda a ser mal contada

a bola

O título é bastante enganador. Não, não venho escrever meia dúzia de “linhitas” sobre a fastidiosa entrevista dada (? depois daquilo que um gajo ouviu da boca do Marques, temos sempre de ter o chip formatado para a desconfiança neste tipo de questiúnculas, não é?) Luís Bernardo. Nem venho tão pouco a terreiro para contestar a viril mentira que foi contada por José Manuel Antunes naquele pequeno bordel de prostituição barata, nos quais os ventrilocos, devidamente encartilhados por um analfabeto encartado (se bem que eu continuo a não atestar os 5 aferidos ao Janela para escrever aquilo, mas antes ao Pedro Guerra; aquela cartilha soa por todos os poros a mentira) usam e abusam, a troco de um coice no rabo no momento da verdade, da reles arte só acessível aqueles que pouco usam da testa para manipular a opinião pública. A verdade, como vimos, vem sempre ao de cima. Noutras querelas, estou certo que também teremos, mais tarde ou mais cedo, a verdade. Pura, crua e com as devidas e justas consequências.

Tenho visto por aí, quer entre os meus amigos benfiquistas quer nos blogs afectos ao nosso rival, uma enorme reacção anafilática à narrativa que é apelidada (e corroborada pela edição de hoje da Bola) como a “sportinguização” do Benfica. Descansem meus queridos. Por mais Domingos Soares de Oliveira (o homem cuja eleição para o órgão europeu do futebol da murranhanha foi tida por um acéfalo mentiroso como apenas comparável às de Guterres e Barroso para a ONU e CE), Diogos Matos, Simãozinhos vendedores de azeite e Mil Homens do passado da formação de Alcochete que sejam contratados, o Benfica nunca será “sportinguizado”! E nunca será sportinguizado porquê? Por 4 razões muito simples:

  1. Porque os tecnocratas como Domingos Soares de Oliveira são, segundo a lógica uma vez descrita por Ricardo Salgado, amorais. Os amorais não tem o cheiro intenso de leão, não tem alma, não tem um farfalhudo e espesso pelo, não tem juba. Tem somente em cima da mesa uma máquina calculadora preparada para fazer contas de somar e fazer contas de sumir (quando a coisa der para o estoiro).

2. Porque os vendedores de tremoços como o Simãozinho são cães sem dono cuja vida lhes ensinou que um dia “comes das palminhas de um” para no outro dia “lhe ferrares de forma a ires comer nas palminhas” de outro dono.

3. Quem é mesmo o Diogo Matos? Ah, já sei, aquele gajo possante que uma vez fomos buscar ao Alverca para pendurar à porta 10A tal foi o pouco uso que o Boloni lhe deu.

4. E os Mil Homens? Os Mil Homens do passado e do presente da formação do Sporting, malta que gosta de trabalhar no Sporting, que sente o Sporting, que ama o Sporting, que quer tornar o Sporting o melhor clube possível,  não andam por aí a exigir contratos por objectivos nos quais obrigam o Sporting a pagar x de prémios por cada jogador que sai da Academia por um valor igual ou superior a y.

Portanto, peço-vos para ter calma. Vocês não estão a contratar sportinguistas. Estão a contratar pura e simplesmente um conjunto de mercenários. Mercenários do nível da janela que a vida vos ofereceu.

Um exemplo prático: a teoria de mobilidade Bielsa exemplificada pelos seus actuais jogadores

bielsa

El Loco Bielsa é na minha opinião, desde há muitos anos a esta parte, um dos criadores do futebol moderno. Como qualquer outro treinador ou amante de futebol, Bielsa teve no passado, as suas próprias referências. Os sistemas tácticos mais utilizados pelo treinador argentino (o 3x3x1x3 e o 4x2x3x1) pelo argentino derivam de duas referências históricas muito importantes: o sistema 3x3x1x3 é um sistema histórico do futebol italiano do final dos anos 70 enquanto o 4x2x1x3 (com enganche) resultou de uma adaptação de Cesar Luis Menotti ao seu 4x3x3 físico, rasgadinho, com o qual o El Flaco conduziu a selecção argentina à vitória no conturbado mundial de 1978. No entanto, neste ponto existe uma curiosa invenção por parte do argentino: o técnico tem 5 sistemas base prontos a operacionalizar em cada equipa (5 com uma linha defensiva de 4, 5 com uma linha defensiva de 3) todos interligados entre si como se de uma descendência familiar se tratassem, dependendo apenas a sua operacionalização da qualidade (em todas as vertentes do jogo) que o técnico encontre nas equipas que orienta.

bielsa

A criação de planos alternativos (modificáveis até no decurso de uma partida) tem uma base lógica no futebol de Bielsa. O próprio explicou-a quando afirmou: “Los que planifican ganan, y también ganan los que improvisan o los que responden al instinto, lo que indica claramente que ninguna escuela es mejor que la otra, sino que hay individuos que conducen porque creen en una escuela, y otros que creen en la otra” – a ideia que subjaz é que o instinto pode levar um treinador a ter que mudar radicalmente o seu plano de jogo durante a partida em função do grau de dificuldade dos problemas que são ditados pelo adversário. Para Bielsa, se a sua equipa não está a ter o planeado e desejado controlo sobre o adversário, alguma coisa tem que ser mudada para inverter o sentido dos problemas, ou seja, o adversário tem de deixar de criar problemas e tem de passar a receber os problemas criados pela sua equipa – isso explica por exemplo a razão que leva o argentino a ser um dos raros treinadores da actualidade que mexe tanto na equipa quer na sua composição quer na sua disposição no terreno.

Outra das razões que explica a mutação rápida do sistema prende-se com o cansaço acumulado por um jogador. Para Bielsa, quando um jogador não está a ter o rendimento esperado devido à fadiga acumulada, esse jogador não está a obedecer ao seu princípio de que “todos os jogadores devem encontrar no terreno de jogo razões de sobra para correr” – quando não correm, não estão a ser úteis à equipa. Ou seja, nem estão a lutar pela posse da bola (princípio de jogo base elementar do argentino: ter a bola para controlar o adversário) nem estão a gerar qualquer dinâmica ao jogo.

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Que sejas abençoado e nos tragas muito sucesso e títulos Pavilhão João Rocha

pavilhão joão rocha

Dentro de meia hora, no Andebol, frente ao Fafe, abrem-se as portas da mais maravilhosa obra de todo o sportinguismo, obra para a qual também pude contribuir na medida das minhas capacidades: o Pavilhão João Rocha. Obra da mais elementar necessidade para um clube que ousa atrever-se a tudo vencer no panorama nacional das modalidades colectivas e quer, fazendo jus às históricas palavras do seu fundador, “ser um dos maiores clubes da Europa”, o Pavilhão João Rocha finalmente termina com um calvário de cerca de 15 anos, calvário que não permitia de forma alguma alavancar as nossas modalidades para um estado de exigência minimamente aceitável. No desporto moderno, o investimento não é o único factor de sucesso. Se o investimento na contratação de bons jogadores e bons treinadores não for acompanhado de investimento na criação de boas infraestruturas e bons equipamentos de treino, nenhum clube atingirá, por muito boa que seja a matéria-prima, o sucesso.

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