Por demais evidente…

A diferença na transição entre Danilo e William. O primeiro estava a sentir muitas dificuldades para superar a primeira linha de pressão cipriota, não conseguindo acrescer um palmo de terreno no primeiro passe da transição. O outro sente-se como peixe na água. É rápido a receber, a pensar e a executar soluções de jogo que acrescentam sempre progressão à equipa. Esta é a subtil diferença de valorização de mercado entre jogadores que tem características defensivas similares mas valências ofensivas completamente antagónicas. É precisamente isso que explica o facto do jogador do Porto ter uma cotação de mercado de 15\20 milhões e de William ter uma cotação de 45 milhões de euros.

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Pomposos

Porque já sabemos que ele bate bem, apesar de muitos considerarem desde há largos anos que Moutinho “não sabe rematar” – bolas paradas para a Taça das Confederações: check.

Entretanto no António Coimbra da Mota…

Jogo ameno no reduto do Estoril. Início prometedor esvaído pelas enormes dificuldades sentidas essencialmente pelos centrais e por Danilo no momento das transições ofensivas, muito por culpa da intensidade colocada no momento de pressão (média\alta) que está a ser feita pelos cipriotas. Nestas situações também me parece indubitável a hesitação que está a ser demonstrada pelos laterais (devem projectar-se mais) e por João Moutinho e João Mário. O médio do Mónaco tem que baixar mais para poder pegar no jogo e o jogador do Inter deve procurar mais o espaço existente entre linhas. Boa dinâmica dos avançados, principalmente de André Silva.

Haris Seferovic – Um misto de doce e amargo

Sigo o ponta-de-lança internacional suíço desde tenra idade, ou seja, desde os tempos em que foi lançado na Fiorentina.

Do jogador tenho várias aspectos positivos a apontar e um enorme defeito que ainda não foi corrigido nos últimos anos. Apesar de não ser um jogador dotado de uma capacidade técnica individual acima da média, o versátil internacional suíço (pode alinhar como extremo-esquerdo, segundo avançado ou ponta-de-lança, sendo expectável que tenha sido contratado pelo clube encarnado para a posição de segundo avançado) é um jogador inteligente, muito possante e dinâmico.
Estamos portanto na presença de um avançado que possui características muito idênticas às de Raúl Jimenez. É um segundo avançado muito dinâmico, com uma fortíssima capacidade de desmarcação e uma propensão inegável para “pular de ala em ala” à procura de estender o jogo e arrebentar com os centrais adversários, porque os obriga a acompanhar as suas movimentações sem bola (abrindo as defesas) e porque a sua velocidade e o seu cariz possante no 1×1 criam os desequilíbrios necessários para que este crie oportunidades de assistência para uma “referência de área” que jogue ao seu lado na frente de ataque.

Seferovic também é um jogador muito interessante para o jogo em profundidade dada a relativa facilidade com que toma as costas dos centrais adversários. No entanto, o suíço é conhecido também por ser um avançado extremamente perdulário, razão que explica o facto de não ser um jogador capaz de acrescer mais de 10 golos por temporada. Esse é o principal defeito do seu jogo.. É um jogador que precisa portanto de muitas oportunidades flagrantes para marcar. Não falo de 1 ou 2. Já vi jogos da selecção suíça em que o avançado não conseguiu concretizar meia dúzia de oportunidades flagrantes.

Finais da NBA – Jogo 1 – Breve análise à vitória dos Warriors

A melhor liga do mundo atingiu ontem o início do seu epílogo. Pelo 3º ano consecutivo, as duas melhores franquias dos últimos anos da competição iniciaram uma dura batalha (esperamos obviamente uma discussão à melhor de 7 jogos, para bem da espectacularidade gerada pelo seu basquetebol) pela conquista dos brilhantes anéis de campeão. No primeiro jogo, em Oakland, Califórnia, os vice-campeões Golden State Warriors deram um autêntico knock-out nos campeões em título, os Cleveland Cavaliers, vencendo por por 113-91, num jogo em que a equipa californiana foi mais competente, rápida, mais forte, mais lutadora e mais criativa na construção ofensiva.
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Um grande momento que resume a especial importância de Carlos Ruesga na equipa de andebol do Sporting 16\17

 

carlos ruesga

https://streamable.com/s/630dk/fyzbbc

clique neste link para abrir o vídeo. 

Ao longo da fase final do Campeonato Nacional de Andebol, nas análises que fui escrevendo sobre a equipa de andebol do Sporting fiz sempre questão de referir a importância do central espanhol nesta estrutura. Carlos Ruesga Pasarin foi um jogador que veio dar toneladas de experiência, liderança coerência, critério e cérebro às acções ofensivas. O espanhol, atleta que é naturalmente um consagrado do Balonmano de nuestros hermanos em virtude das 70 internacionalizações que lhe valeram 2 grandes conquistas internacionais com a camisola da Roja, e dos variadíssimos títulos (nacionais; no Sporting pode conquistar o seu único título europeu) conquistados ao serviço de clubes como o Portland San Antonio (histórico clube de Pamplona que entretanto faliu, tendo sido uma equipa que conquistou 4 títulos europeus entre 1999 e 2002) Barcelona e os húngaros do Vezsprém, foi o verdadeiro líder desta equipa nos momentos menos positivos. Posso até mesmo afirmar que a equipa suplicou em vários momentos pela sua liderança. Nos momentos em que a equipa tinha muitas dificuldades para concretizar, passando largos minutos sem marcar, Ruesga foi o jogador mais procurado pelos companheiros porque sabiam que o central tinha sempre um coelho pronto a saltar da cartola. Até quando era obrigado a ser mais dinâmico do que o normal para poder superar as impiedosas marcações individuais que eram constantemente realizadas pelos adversários. O seu explosivo e imprevisível remate de anca, as suas fantásticas incursões aos 6, aquele drible sobre o adversário que permite captar o pivot ou aquele passe tenso a sobrevoar todo o campo que coloca os pontas na cara do guardião adversário foram verdadeiros momentos de liderança, de uma liderança que já não víamos provavelmente desde os tempos de Paulo Faria e Viktor Tchikoulaev. O espanhol carregou a equipa ao colo (não quero com isto dizer que não tenham existido jogadores tão ou mais importantes, porque efectivamente existiram) com carinho graças a momentos como este, um momento em que tudo parecia prestes a desabar no Pavilhão de Odivelas.

O Sporting precisa de mais Ruesgas. São este tipo de jogadores que dão títulos. São este tipo de jogadores que nos permitem um certo equilíbrio quando as nossas equipas são chamadas a disputar uma Champions League contra as melhores equipas do cenário europeu. Espero que o central espanhol possa ficar mais tempo em Alvalade para poder ajudar o clube a conquistar mais títulos e a solidificar uma posição de destaque no cenário europeu.

Campeonato do Mundo de sub-20: Um grupo com um potencial infinito

Confesso que para além dos jogos da selecção portuguesa, só tenho passado uma vista de olhos pelos restantes jogos deste Campeonato do Mundo de sub-20. A diferença de fuso horário entre Portugal e a Coreia do Sul não nos facilita a missão de ver jogos em directo. Contudo, se há equipa que tenho seguido com alguma atenção dado o facto de se ter cruzado na fase-de-grupos com a selecção portuguesa é a formação da Zâmbia. Estou certo que não devo ser o único a seguir estes jovens zambianos com atenção. O potencial de unidades desta selecção fez accionar um enorme custo de oportunidade junto de vários clubes de nomeada, visto que deste elenco, todas as unidades jogam em clubes nacionais ou em clubes de menor expressão do futebol europeu. Continuar a ler “Campeonato do Mundo de sub-20: Um grupo com um potencial infinito”