Os golos da jornada (1ª parte)

Face à muralha de jogadores que o adversário colocou na área, Wijnaldum foi obrigado a sacar dos galões para encontrar espaço para disparar aquela bomba. No entanto, no início da jogada, com aquele pequenino toque de excelência técnica, o holandês teve o mérito de desmontar por completo a linha média adversária, abrindo espaço para a saída para o contra-ataque.

Depois de um arranque algo irregular na Premier, arranque no qual, pesem os interessantes e bem trabalhados pormenores demonstrados pela equipa no capítulo da organização da pressão (“a menina dos olhos de Jurgen Klopp”) e da transição para o contra-ataque (pormenores que permitiam à equipa passar rapidamente de uma mentalidade defensiva para uma mentalidade ofensiva, procurando servir, com pragmatismo em profundidade, em cada recuperação, as velozes investidas dos seus homens da frente, em especial as de Sadio Mane e Mohammed Salah) acabou por sobressair (pela negativa) a fragilidade defensiva do quarteto defensivo orientado pelo técnico alemão, o Liverpool vai começando a “despertar” para uma fase de maior regularidade quer em termos de resultados, quer em termos exibicionais, embora os 12 pontos de diferença para o City e a mais que evidente diferença de qualidade entre os planteis e o futebol das duas equipas, não permitam aos reds dizer que estão em condições de atacar o quer que seja pelo menos na presente temporada. Para reforçar esta ideia, sirvo-me da miserável exibição realizada por Dejan Lovren frente ao Tottenham, exibição no qual o croata e o seu colega de sector, o camaronês Joel Matip demonstraram possuir muitas dificuldades no controlo à profundidade adversária.  Continuar a ler “Os golos da jornada (1ª parte)”

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Tim Cahill – tão importante na selecção australiana aos 37 anos quanto era em 2006, aos 26

cahill

A história do percurso internacional do melhor jogador da história do futebol australiano é uma daquelas histórias que dá pano para mangas. Nascido em Sydney a 6 de Dezembro de 1979, filho de imigrantes no país (de mãe samoana e de pai de origem irlandesa, de 2ª geração) Cahill começou a dar os primeiros passos para o futebol no extinto Sydney Olimpic, o clube que ficava mais próximo do bairro onde morava. Em 1994, aos 14 anos, para efeitos desportivos, o jogador decidiu optar pela nacionalidade samoana para poder disputar com essa idade o campeonato do mundo de sub-17, prova para a qual aquela selecção austral se tinha qualificado no ano anterior na ronda de qualificação da Oceania. Volvidos 8 anos, em 2002, altura em que o jogador já actuava no Milwall, clube que na altura militava no Championship, Mick McCarthy considerou a hipótese do jogador vir a ser naturalizado irlandês para representar aquela selecção na fase final do Mundial de 2002. Como a FIFA proibiu determinantemente a possibilidade da Irlanda poder inscrever aquele jogador naturalizado à pressão, fazendo cumprir as regras que imperavam que um jogador que tivesse optado, para efeitos desportivos, por um país do qual era nacional, não podendo em momento algum tomar a decisão de mudar para outro país do qual pudesse ser nacional, o jogador foi obrigado a alinhar pela Samoa. Em 2004, a FIFA decidiu porém rever a essa lei, permitindo a jogadores que tinham actuado pelas selecções jovens de um país, mudar para outra selecção em idade sénior, desde que não tivessem alinhado numa partida pela selecção sénior do primeiro. Como Cahill só alinhou pelas selecções de sub-17 e sub-20 da Samoa (cumprindo 2 jogos nesta última), em 2004, a Austrália pode inscrever o jogador nesse ano. Cahill representou em Atenas a selecção australiana e pode iniciar, com a selecção sénior, a campanha para o campeonato do Mundo de 2006, campanha na qual, a selecção australiana, conseguiu um feito histórico que não havia conseguido nos últimos 32 anos: apurar-se novamente para um mundial por via da “complexa” ronda de qualificação da Oceania, a única zona de qualificação que ainda não possui o direito a qualificar directamente uma selecção para o Campeonato do Mundo. Em 2006, a Federação Australiana decidiu propor à Confederação Asiática de Futebol (AFC) a sua inscrição como membro. Tal decisão não foi somente motivada pelas questões intimamente ligadas ao processo de qualificação para o Mundial mas também pelas necessidades específicas de desenvolvimento que eram pretendidas pelos australianos, nação cujo estado de desenvolvimento do seu futebol era largamente superior ao estado de desenvolvimento das outras nações da zona geográfica – compreendendo que as provas por selecções daquele continente apresentavam selecções de nível de desenvolvimento superior às das selecções da Oceania, os australianos queriam efectivamente ter ali a possibilidade de participar em competições nas quais os seus jogadores pudessem travar combates contra selecções e equipas de países com um nível de desenvolvimento superior e de certo modo equiparado ao seu. Continuar a ler “Tim Cahill – tão importante na selecção australiana aos 37 anos quanto era em 2006, aos 26”

Duas chouriçadas e dois frangos e Marc Andre Ter Stegen…

(…) quase permitiram uma estreia de sonho da selecção orientada por Ange Postecoglu frente ao lote B dos actuais campeões do mundo, num jogo pastelão que os alemães poderiam ter resolvido bem mais cedo, se não tivessem sido tão perdulários.  Continuar a ler “Duas chouriçadas e dois frangos e Marc Andre Ter Stegen…”