Uma 2ª parte de enorme competência carimba o bilhete de embarque para a Rússia

O golo da tranquilidade. A melhor prendinha de aniversário que Fernando Santos poderia ter recebido: um golo com cheirinho às rotinas trabalhadas por Leonardo Jardim no Mónaco. Ao 10º jogo desta fase de qualificação, os jogadores finalmente compreenderam que a colocação de sistemáticos cruzamentos para a área não é o único processo de definição possível no último terço.

Bernardo Silva mostrou mais uma vez neste lance o seu odor a inteligência na definição das suas acções: acelerar quando é preciso queimar linhas ou livrar-se da pressão adversária para progredir, contemporizar quando, em inferioridade e\ou sob pressão adversária (quer de 1 quer de 2 jogadores) é necessário esperar pelo surgimento de um apoio para dar continuidade. E Moutinho, jogador que apareceu, como já tinha referido no post anterior, muito bem em zona mais interior a apoiar as investidas realizadas pelo flanco direito, decidiu a sua acção ainda com mais inteligência, devolvendo a bola para Bernardo Silva. Pelo buraco da agulha, o jogador do City fez chegar a bola a André Silva, que, ao seu jeito, não perdeu a compostura à frente da baliza. 

selecção

Os aspectos que me saltaram à vista na primeira parte estão anotados aqui no post escrito durante o intervalo. 

2-0 encaixado. 2-0 retribuído. E William redimiu-se daquela trágica noite de Basileia com uma exibição do outro mundo.

A selecção suíça que vimos no primeiro tempo (razoável ao nível de organização defensiva; funcional na transição; capaz de adormecer o jogo nos momentos de maior euforia ofensiva adversária) desapareceu do jogo a seguir ao primeiro golo. Se por um lado, defensivamente, os suíços granjeraram à selecção portuguesa mais espaço para jogar à vontade no interior do seu bloco, aspecto raro nos processos de jogo ofensivo da selecção de Fernando Santos em toda a fase de qualificação, ofensivamente, os helvéticos não foram capazes de transitar para o meio-campo português com o à-vontade que foi concedido no primeiro tempo porque os jogadores lusos foram extremamente competentes quer quando Fernando Santos subiu as linhas de pressão logo no início da segunda parte (neste aspecto em particular, André Silva foi um verdadeiro lutador pela forma em como condicionou a saída de jogo a partir dos centrais; Moutinho teve dons de adivinho, aparecendo sempre nos espaços onde iria cair as segundas bolas; na primeira parte demonstrou clarividência na definição da jogada na qual colocou o golo no pé esquerdo de Bernardo Silva; William foi imperial no meio-campo, matando transição atrás de transição; existem 3 lances praticamente seguidos nos quais logo que a bola entrou em espaço interior em Shaqiri apareceu o médio do Sporting nas costas a negar a saída e a lançar o ataque com muita qualidade; William fez contra) quer quando as desceu, fazendo a selecção defender num bloco super compacto (nos últimos 20 minutos) que não só impossibilitou a selecção suíça de colocar a bola entre linhas (existiram duas situações nas quais Mehmedi e Seferovic conseguiram receber entre linhas à entrada da área, com algum espaço para criar; tanto um como outro pecaram imenso na definição dos lances; à excepção de um lance no qual Seferovic tenta desviar para a baliza um remate de fora da área de Shaqiri nos lances em que a bola chegou com facilidade à linha às subidas de Ricardo Rodriguez no terreno, Pepe e José Fonte conseguiram resolver com relativa facilidade os cruzamentos colocados pelo lateral do Milan na área portuguesa) como permitiu a recuperação de muitas bolas que deram azo ao lançamento de perigosos contra-ataques.

Continuar a ler “Uma 2ª parte de enorme competência carimba o bilhete de embarque para a Rússia”

Anúncios

O golo do dia

Na primeira parte do jogo inaugural da Bundesliga na nova temporada, o Bayern venceu por 3-1. O futebol dos bávaros não foi o melhor, e até viveu, na 1ª parte, das facilidades concedidas pela estratégia de jogo montada pelo treinador dos farmacêuticos Heiko Herrlich. Nos primeiros 45 minutos, creio que a equipa de Leverkusen cometeu um erro estratégico que deu imenso conforto ao Bayern na partida ao pressionar (pouco e mal) à entrada do seu meio-campo. O plano de jogo idealizado por Herrlich permitiu a uma equipa que já por si gosta de sair a jogar com toda a segurança (a verdade é que tem imensos jogadores para o fazer; começando pelos seus centrais; no entanto, em cada transição, Vidal ou Rudy baixavam até aos centrais para receber a bola e iniciar o momento de construção) o domínio das acções a meio-campo. Aplicando a habitual circulação de bola de pé para pé (aliada à extrema mobilidade de todo o sector ofensivo) no corredor central à procura do espaço livre para entrar dentro do bloco adversário de maneira a poder flanquear o jogo para a projecção dos laterais (por vezes com o auxílio em terrenos interiores de Franck Ribèry e Thomas Muller) a formação bávara manietou o meio-campo da formação de Leverkusen. Não foram muitas as situações de perigo criadas pela formação de Ancelotti na primeira meia hora, mas, a progressão no terreno concedeu as oportunidades que os bávaros precisaram para construir a vantagem de 2-0. Em dois lances de bola parada aqui retratados ao segundo. Continuar a ler “O golo do dia”

Suiça 1-0 Letónia – Drmic resolveu o complexo

Tudo na mesma no Grupo B de qualificação! A selecção Suiça está a conseguir tornear, com mais ou menos dificuldade, os vários níveis de dificuldades presentes no grupo. A selecção letã, selecção que é orientada por Marian Pahars (um dos 23 que curiosamente veio a Portugal disputar o Euro 2004 na única participação daquela selecção do Báltico numa grande competição internacional) tentou fazer de tudo para contrariar o forte ascendente suiço ao longo da partida e acabou por vender cara a derrota, obrigando os suiços a terem que alterar o seu estilo de jogo várias vezes ao longo da partida em virtude da agressiva pressão realizada principalmente pelos seus dois médios construtores e da aceitável organização defensiva nos últimos 30 metros. O avançado Josip Drmic valeu aos suiços no S.O.S final da partida, saltando do banco para fazer o único golo da partida.

Continuar a ler “Suiça 1-0 Letónia – Drmic resolveu o complexo”