A grande área da irracionalidade

1, 2, 3, 9! 9 foram os lances de área que o Sporting construiu ao longo dos 90 minutos.

Em todos, faltou isto e aquilo. Não tirando qualquer mérito aos centrais adversários (porque os centrais do Setúbal fizeram a melhor exibição possível em Alvalade; não estiveram perfeitos mas fizeram uma boa exibição ao nível da marcação; cortaram, aliviaram, estorvaram acções) faltou imensa racionalidade aos avançados (e extremos leoninos) na hora de finalizar. Sabemos que naquele tipo de lances, o curtíssimo espaço de tempo que é dado aos jogadores (pelos adversários; uma espécie de “ou matas, ou a acção morre”) para tomar decisões, influencia a decisão que o jogador toma. Na área, qualquer jogador também precisa de um pico de técnica (no acto de recepção), de agilidade (na capacidade de transformar rapidamente a recepção no remate)e de destreza atlética naquela bola que se vai buscar literalmente ao arco da velha. Contudo, o factor mais importante para uma finalização continua a ser o cognitivo. Não é portanto à toa que a área é o verdadeiro complexo da irracionalidade. Ao factor tempo (todas as acções estão à partida limitadas na vertente temporal) junta-se a explosiva mas natural ânsia que é sentida no momento em que o jogo tem a bola disponível para tocar fogo. Enquanto alguns jogadores são capazes de tomar a melhor decisão possível no curto espaço de tempo que lhe é dado para pensar e executar em qualquer parte do terreno porque são jogadores inteligentes em todas as decisões que tomam, outros ficam a desejar. Nesse aspecto, Doumbia é um jogador que fica a meu ver algo a desejar, apesar do seu inegável poder de fogo. E essa é por exemplo a diferença em relação a Bas Dost. O costa-marfinense vai com tudo mesmo quando não tem a melhor oportunidade nos pés. O holandês assiste quando sente que não pode finalizar. Continuar a ler “A grande área da irracionalidade”

7 Notas sobre a vitória do Sporting na Vila das Aves

As dificuldades sentidas pelos leões nos primeiros 25 minutos para contrariar uma organização defensiva de altíssimo nível da formação orientada por Ricardo Soares – A versão 2017\2018 da formação Avense (orientada pelo antigo técnico dos Chaves e por 4 jogadores preponderantes no sucesso obtido pelos flavienses na temporada passada) tresanda às linhas mestras que foram desenvolvidas pelo seu treinador na época passada em Chaves. Ricardo Soares conseguiu (é certo que a transição de Chaves para a Vila das Aves de 4 jogadores que tiveram alguma preponderância nos processos construídos pelo treinador na formação transmontana pesa e de que maneira na operacionalização do seu conceito de jogo) em pouco tempo dotar a equipa de uma organização defensiva de altíssimo nível.

A formação Avense não foi porém pressionante (à saída de bola e até a meio-campo) como deveria ter sido face ao prodigioso sentido posicional que foi revelando ao longo da primeira parte, não foi agressiva no seu último reduto, viu os seus centrais cometerem algumas falhas na abordagem ao 1×1 adversário e em determinados momentos do jogo foi muito permeável nas laterais. Nelson Lenho foi até em diversos momentos do jogo um jogador totalmente irreconhecível face ao enorme futebol que evidenciou em Chaves.  Continuar a ler “7 Notas sobre a vitória do Sporting na Vila das Aves”

Análise – Taça das Confederações – Portugal 2-2 México

Ao longo dos 90 minutos, as bolas paradas foram um problema para a nossa selecção. Não quero com isto dizer que os mexicanos tenham criado perigo de maior neste departamento específico do jogo, porque não criaram, mas, a abordagem aos lances, não foi positiva. Vários foram os livres e cantos que não foram devidamente atacados. Aos 91″, num lance em que creio que Rui Patrício deveria ter sido o corajoso guarda-redes que é, José Fonte perdeu o duelo aéreo para o seu congénere mexicano Hector Moreno. A cabeçada do central que actualmente representa o PSV Eindhoven deu justiça ao resultado de uma partida medíocre em que pudemos ver dois estilos completamente diferentes na estética mais iguais ao nível de objectividade: zero. De um lado tivemos o tosco chutão em profundidade dos campeões europeus frente ao dinâmico teste que os mexicanos colocaram em campo ao treino analítico de circulação de bola que foi ministrado nos últimos meses pelo seleccionador mexicano Juan Carlos Osório

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Análise: Braga 2-3 Sporting – O suspeito do costume

Jogo muito agradável de seguir em Braga. Bas dost resolveu o difícil, num jogo em que o “difícil” o foi por culpa própria do quarteto defensivo do Sporting (em especial do seu defesa esquerdo Marvin Zeegelaar) e pela extrema eficácia do Braga no contra-ataque, capitalizando em lances de perigo todos os erros cometidos pelo Sporting nas transições para o ataque. O avançado holandês recuperou com o seu hat-trick 3 dos 5 golos que detinha de atraso em relação a Lionel Messi, relançando a sua luta particular pela Bota de Ouro Europeia.
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Um empate amargo

Num jogo tão equilibrado, tão disputado e com tantas divididas a meio-campo, a haver destaque para um jogador esse destaque vai obviamente para o capitão Adrien Silva. No meio do desnorte que William revelou em determinados momentos da partida e nas mil e uma falhas cometidas pelo Sporting na transição (foram incontáveis os passes falhados que deram origem a situações de contra-ataque do Benfica) Adrien conseguiu manter sempre o norte e carregar a equipa para a frente quando tinha que o fazer.

Do físico e batalhado jogo de Alvalade, ficámos com uma certeza: o Benfica está a um passo de se sagrar tetra campeão. Não acredito que o Benfica cometa um deslize até ao final da temporada. Com um inédito livre, cobrado com magistralidade pelo sueco Victor Lindelof a castigar uma verdadeira estupidez (uma das muitas) de Alan Ruiz no jogo, o Benfica passou o teste de Alvalade.

Em termos de jogo jogado, o Sporting foi a equipa que mais situações de golo criou (4 foram as criadas pelos leões contra 0 da parte do Benfica) mas não praticou um futebol extraordinário, antes pelo contrário. Os múltiplos erros provocados nas transições por clara intranquilidade de várias unidades (Schelotto, Ruiz, o próprio William) poderiam ter custado caro se o Benfica tivesse desenvolvido melhor os bónus que a turma leonina lhes ofereceu. Por outro lado, se Bas Dost tivesse carimbado as 3 oportunidades golo que lhe foram literalmente oferecidas na 2ª parte, estaria aqui decerto a narrar uma vitória do Sporting. O Benfica foi uma equipa mais obreira, mais pressionante a meio-campo e mais inteligente na gestão dos vários contextos que o jogo ofereceu, levando para casa o tão desejado pontinho ambicionado certamente pelo seu treinador na preparação para este jogo.
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Notas sobre a vitória do Sporting em Setúbal

1. Em primeiro lugar, quero dar os meus parabéns ao Setúbal pela esforçada exibição realizada no jogo desta noite. Já tínhamos visto ao longo deste campeonato (em especial nos jogos realizados contra os grandes) que a equipa de José Couceiro é uma equipa muito bem trabalhada defensivamente. É uma equipa que consegue dar a posse de bola em grande parte do jogo, fechar-se lá atrás (bloco médio baixo muito pressionante) e resistir aos sucessivos ataques lançados pelas equipas adversárias. Para além da elevada capacidade de pressão de quase todas as unidades, em particular de Costinha e de Mikel, é uma equipa que raramente se desequilibras nas alas, não permitindo a obtenção de superioridade numérica por parte dos adversários. Acresce ainda o facto de ter dois belíssimos centrais (um deles falhou como as notas de mil no jogo de hoje) e um grande guarda-redes. No entanto, não posso deixar de referir que a pressão executada durante todo o jogo bem como a rapidez com que os jogadores do Setúbal atacavam o portador da bola parecia digna de uma equipa que estava a lutar pela vitória na Liga dos Campeões. Sim, é isso! Depois do que aconteceu no caso dos emprestados, e das declarações proferidas pelo presidente do Vitória de Setúbal há algumas semanas atrás, este jogo tornou-se de vida ou morte para os sadinos. Felizmente, não puderam dar a “machadada final” numa equipa que está, como se previa, a finalizar em crescente como o treinador pretendia.

2. O Edinho… bem, o Edinho está na primeira liga porque um empresário e um clube assim o querem. Se assim não fosse, o Edinho, pelas limitações técnicas crónicas que possui, estaria provavelmente num Farense ou num Real Massamá…

3. João Costinha. A prova em como há muito talento nas divisões secundárias do futebol português? Sabem onde é que estava o jovem conimbricense há 2 anos atrás? Estava no Lusitano de Vildemoinho, equipa da cidade de Viseu que milita no CNS. Sabem onde é que este jogador merece estar no final desta temporada? Sim, no Sporting. Duvido que os responsáveis leoninos consigam convencer Fernando Oliveira a vender o jogador depois da borrasca que aconteceu com os emprestados (se a nota aparecer, Oliveira vende pois claro!) mas uma coisa é certa: o substituto perfeito para Adrien mora ali na equipa do Vitória de Setúbal.

4. Vamos agora escrever sobre o que interessa. Alan Ruiz: caramba homem! Que exibição de chave de ouro para retribuir as palavras de Jorge Jesus. O argentino está a tornar-se um caso sério? O Nuno Farinha do Record não achava há bem pouco tempo atrás. Mas o que é certo é que não é preciso ter uma database extensa de vídeos para o Youtube para perceber que o jogador afinal até é bem parecido com Juan Román Riquelme. Bastou ver a trivela de classe na assistência para Dost (acho que nem o Aimar sacava aquela), ou o toque de calcanhar que tirou um setubalense da jogada para dar a “assistência” para um torto remate de fora da área de Adrien. Ou a forma em como pé ante pé o segundo avançado argentino se move no último terço, oferecendo linhas de passe quer no corredor central (entre a linhas adversárias) para dar progressão ao jogo, quer naquele spotzinho que Jesus tanto gosta na quina da área (o espacinho entre os centrais e os laterais) para mover aquele jogo de triangulações que permite ao lateral ou ao extremo uma boa plataforma para criar, e\ou que permite uma triangulação que desmarque o lateral dentro da área. Schelotto é efectivamente um dos amplos beneficiários da qualidade do argentino… e

5. De Adrien. O capitão. Critério na transição, critério na pressão e um toque de midas clássico do médio quando recebe o esférico no último terço à entrada da área.

6. Os laterais do Sporting. Cobras e lagartos. Eu próprio me insiro nos autores das críticas. “Eles não sobem bem”, “não fecham bem”, “nunca lá estão quando o adversário faz a transição para o contra-ataque em profundidade”, “não atacam a bola”, “colam-se em demasia aos centrais”, “tem um medo tremendo de jogar para dentro”, “não cruzam bem”, “não são inteligentes nas acções que tomam no último terço” – parece-me que cada vez mais tanto Zeegelaar como Schelotto acabaram por fazer a temporada que fizeram por uma questão de forma física. Se os dois tivessem estado em forma na 1ª metade da época, seguramente que o Sporting teria mais 8 ou 9 pontos na tabela classificativa.

Análise: Sporting 4-0 Boavista

3 pontos, uma agradável exibição, um hat-trick do suspeito do costume (se bem que a exibição do holandês não se ficou por aí) num jogo que em primeiro denunciou que Jorge Jesus já leva o trabalhinho de casa para a próxima temporada bem adiantado. Por sua vez, o Boavista de Miguel Leal apresentou-se em Alvalade com uma estratégia de jogo bem arrojada no primeiro tempo, caindo em virtude dos dois erros crassos dos seus laterais nos dois primeiros golos da turma leonina.

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