Análise – Final da Liga Europa – Manchester United 2-0 Ajax – A vitória do pragmatismo

A vitória do Manchester United de José Mourinho na Liga Europa não foi a vitória do cinismo. A vitória do Manchester United de José Mourinho na Liga Europa também não foi a vitória da equipa mais forte. A vitória dos Red Devils na Liga Europa não foi a vitória da estética, nem a vitória da garra. A vitória dos comandados de José Mourinho na Liga Europa foi a vitória (sofrível) do pragmatismo. Do mesmo pragmatismo que rendeu triunfos em Londres e em Milão. O United cumpriu a sua missão como o plantel mais dotado desta fase final da Liga Europa. Mais mal do que bem. Mal era se não cumprisse face aos adversários que defrontou. Mais sofrível do que confortável. Contra adversários de segunda e terceira linha do futebol europeu à excepção do Ajax. À rasca. À rasquinha, se tomarmos em conta os acontecimentos dos minutos finais do jogo de Old Trafford frente ao Rostov e os minutos finais do jogo da 2ª mão das meias-finais frente ao Celta. O treinador português está obviamente de parabéns: a sua equipa fez finalmente um bom jogo na Liga Europa. Mais no capítulo defensivo do que no capítulo ofensivo. Mourinho estudou bem o adversário e anulou-o por completo, evidenciando as suas lacunas.

Contudo, este título não disfarça o facto da época ter sido um completo fracasso. O United avançou muito pouco com o português em relação a Van Gaal. O técnico português demorou muito tempo a implementar a identidade que pretendia, deixando a equipa a navegar num limbo de ideias. A identidade da equipa não foi totalmente construída ao fim de uma temporada, obrigando decerto o português a ter que reformular tudo no próximo verão. O United revela-se como uma equipa que procura as mesmas soluções (bloco baixo, saída no contra-ataque com poucas unidades envolvidas nas acções\jogo directo em desespero para as torres que possui na frente) à falta de gente capaz. A equipa não engatou nas transições para o ataque. A equipa tem défices enormes de criatividade. Ao longo da temporada, o principal reforço, foi sempre questionável porque evidenciou sempre “pouca fome” e muita lentidão de processos. O sector defensivo é altamente questionável ao nível de valor. Há muita “madeira podre” (termo britânico: “dead wood”) no plantel que tem que ser despachada.
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O talento puro e a Formação que nada ganha

Eu e o Miguel, já tínhamos alertado. Aqui.
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Bloco de Notas da História #13 – Top 10 dos 31 anos de consulado Berlusconi no Milan

Como dizia a cantiga (cujo autor sinceramente já não me recordo) “x anos é muito tempo” e no fundo a cantiga não poderia estar mais perto da verdade no caso de Sílvio Berlusconi. Il Cavaliere findou ontem o seu ciclo de 31 anos à frente do Milan, no dia em que o clube foi vendido por 740 milhões de euros a um consórcio de empresários chineses, o Rossoneri Sport Investment Lux, consórcio que é liderado pelo empresário Li Yonghong, o homem que irá comandar a partir de hoje os destinos do colosso clube da região da Lombardia. Para trás, neste enorme rasto de 31 anos, ficaram 29 títulos. 29 títulos conquistados sob a batuta do homem que é seguramente uma das figuras mais amadas e também mais odiadas da História da Itália Unificada, em conjunto com a preciosa ajuda do seu braço direito Adriano Galliani. No momento da despedida, decidi escrever um post sobre o longo legado deixado no clube pelo “Duce” dos tempos modernos, num formato estruturado em 10 breves capítulos divididos por vários posts.  Continuar a ler “Bloco de Notas da História #13 – Top 10 dos 31 anos de consulado Berlusconi no Milan”

Análise – Liga Europa – Quartos-de-final – Ajax 2-0 Schalke 04

De banhinho (de futebol) tomado com direito a massagem tailandesa e várias passagens de shampoo pela cabeça! Foi assim que os talentosos meninos do Ajax, já retratados em duas ocasiões neste blog por mim e por um dos nossos autores convidados, o Miguel Condessa, trataram os seus convidados desta noite na Amesterdam Arena no jogo a contar para a 1ª mão dos quartos-de-final da Liga Europa. Sem uma única ideia na cabeça para contrariar o belíssimo futebol dos jovens holandeses, o Schalke o4 de Marcus Weinzierl foi completamente subjugado pela equipa treinada por Peter Bosz e muito dificilmente irá passar dos quartos-de-final. Bom ambiente no estádio do Ajax. O exigente público holandês está ciente que esta equipa poderá voltar a devolver o clube ao mais alto patamar de excelência do futebol europeu. Talento e vontade não lhes faltam!

A ausência de 5 jogadores influentes (Johannes Geis, Breel Embolo, Sead Kolasinac, o avançado Choupo-Moting e o central Naldo; a juntar a outras lesões como a dos laterais Coke, Uchida, Sasha Rieter e do avançado Franco Di Santo)  na equipa alemã explicam muita coisa mas não explicam tudo: uma coisa que não explicam foi o laxismo dos 11 que a equipa alemã apresentou hoje. Parecia literalmente que os jogadores do Schalke estavam a fazer um frete ocasional. Isso explica muito do comportamento irregular apresentado ao longo desta temporada pela explica, mas, não explica a derrota. Do lado do Ajax, o carregador de piano Lasse Schone cumpriu na bancada a sua suspensão de 1 jogo por acumulação de amarelos e o jovem maestro Kasper Dolberg ficou no banco em virtude do facto de ter recuperado recentemente de uma lesão.

Como é que joga este Ajax? Continuar a ler “Análise – Liga Europa – Quartos-de-final – Ajax 2-0 Schalke 04”

Ajax 2016\2017: Talentos puros

Kasper Dolberg, Amin Younes, Bertrand Traoré (emprestado pelo Chelsea) e Hakim Ziyech: talento confirmado.

A magia do futebol do Ajax reside essencialmente no roaming, nas dinâmicas ao nível de movimentações e na fantasia que este “quarteto de luxo” acrescenta ao jogo, inventando constantemente soluções que são efectivas e que trazem espectacularidade ao jogo. Debruço-me em primeiro lugar no médio dinamarquês de 19 anos contratado no verão passado ao modesto Silkeborg da Dinamarca:

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Hoje escreves tu #3 – A formação não ganha nada…

Por Miguel Condessa

O Ajax, com alguns jogadores de 17, 19 e 20 anos, já eliminou o Légia, que por sua vez eliminou o Sporting, e o Copenhaga, a quem o FC Porto não ganhou um jogo na fase de grupos da CL.
E têm um treinador merdoso…
Quando há talento, há que desenvolvê-lo e a idade não conta muito.
É preciso é olho para ir buscar os miúdos bons, com potencial, bem cedo para o clube e ajudar a desenvolvê-los, quer como futebolistas, quer como pessoas.
É isso que faz a diferença quando não se tem o dinheiro dum Barcelona, dum Real Madrid, dum PSG, dum Bayern, ou de muitos clubes ingleses!

O 1º golo faz lembrar o golo do Nani ao Schalke, no ano do Marco Silva. Começa num lançamento lateral, é um minuto a trocar a bola até a meterem lá dentro. Mas a jogada do golo do Nani foi mais bonita.
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