Mas que raio de tolice é esta?

Se os motivos apresentados pela Marca forem verídicos (já temos o chip formatado de origem para a desconfiança; confiamos ainda menos quando a imprensa pode apresentar ao longo do dia várias teses para justificar o falhanço nas negociações entre os dois clubes ; durante a tarde, o mesmo órgão de comunicação social referia que a transferência não foi concluída porque um grupo de adeptos do clube andaluz teria alegadamente criticado a possível contratação do lateral esquerdo holandês) não conseguimos compreender a razão que alegadamente motivou a direcção do Sporting a pretender colocar uma cláusula anti-rival neste verdadeiro cepo. Recuperar 3 milhões na venda de um jogador cujo valor de mercado actual é 0 seria uma extraordinária venda para os cofres leoninos. Para além do mais, é este o tipo de jogadores que queremos ver actuar nos rivais. Veja-se o exemplo de Andre Carrillo: tamanha excitação (para não lhe chamar de tesão) na altura da contratação do jogador, terminou numa saída de malas aviadas para o Watford de Marco Silva sem ter correspondido a 1 \10 das expectativas que lhe foram depositadas pelos adeptos do Benfica. Estou certo que em Janeiro, o peruano será novamente recambiado para a Luz, para, poder ser encostado, à direita, na equipa B.

Um empate amargo

Num jogo tão equilibrado, tão disputado e com tantas divididas a meio-campo, a haver destaque para um jogador esse destaque vai obviamente para o capitão Adrien Silva. No meio do desnorte que William revelou em determinados momentos da partida e nas mil e uma falhas cometidas pelo Sporting na transição (foram incontáveis os passes falhados que deram origem a situações de contra-ataque do Benfica) Adrien conseguiu manter sempre o norte e carregar a equipa para a frente quando tinha que o fazer.

Do físico e batalhado jogo de Alvalade, ficámos com uma certeza: o Benfica está a um passo de se sagrar tetra campeão. Não acredito que o Benfica cometa um deslize até ao final da temporada. Com um inédito livre, cobrado com magistralidade pelo sueco Victor Lindelof a castigar uma verdadeira estupidez (uma das muitas) de Alan Ruiz no jogo, o Benfica passou o teste de Alvalade.

Em termos de jogo jogado, o Sporting foi a equipa que mais situações de golo criou (4 foram as criadas pelos leões contra 0 da parte do Benfica) mas não praticou um futebol extraordinário, antes pelo contrário. Os múltiplos erros provocados nas transições por clara intranquilidade de várias unidades (Schelotto, Ruiz, o próprio William) poderiam ter custado caro se o Benfica tivesse desenvolvido melhor os bónus que a turma leonina lhes ofereceu. Por outro lado, se Bas Dost tivesse carimbado as 3 oportunidades golo que lhe foram literalmente oferecidas na 2ª parte, estaria aqui decerto a narrar uma vitória do Sporting. O Benfica foi uma equipa mais obreira, mais pressionante a meio-campo e mais inteligente na gestão dos vários contextos que o jogo ofereceu, levando para casa o tão desejado pontinho ambicionado certamente pelo seu treinador na preparação para este jogo.
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Um empate que sabe a pouco quando foi feito tanto

Tudo na mesma depois do jogo do título: o empate acaba por ter um sabor agridoce para ambas as equipas. O ponto não satisfaz os interesses traçados pelo Benfica para esta jornada nem reflectiu o que os encarnados fizeram ao longo dos 90 minutos. Há que dizê-lo abertamente: o Benfica fez por merecer a vitória apesar do empate também se justificar pelo excelente arranque de segunda parte que a equipa de Nuno Espírito Santo realizou e pelos problemas que causou à construção de jogo dos encarnados. Por outro lado, um empate na Luz foi um mal menor para os portistas. Estou certo que se vendessem aos adeptos do Porto um empate, 80 a 90% compravam-no antes da partida começar. Como referiu e bem Rui Vitória, o campeonato será disputado até às últimas jornadas. Restará ao Porto continuar a marcar os 3 pontos e ao Benfica ultrapassar o jogo de Alvalade.

Com um início demolidor de jogo (mesmo apesar da pressão no osso que os jogadores do Porto fizeram a meio-campo) principalmente dos jogadores que compõem o seu flanco direito (nos primeiros minutos foi essencialmente Nelson Semedo quem foi carregando a equipa para a frente com as suas fintas e progressões com bola no flanco direito) os encarnados, tal como eu previ neste post de antevisão, tomaram as rédeas do jogo, alcançando o primeiro tento numa grande penalidade que não existe. Jonas cria o desequilíbrio, tirando a bola do raio de acção de Felipe para depois dar aquele impulso enganador a Carlos Xistra porque precisamente teve a noção que poderia não chegar novamente ao esférico. No entanto, acredito que à velocidade a que se disputou o lance, Carlos Xistra tenha sido iludido pela ilusão que o brasileiro criou com o seu movimento. Felipe tenta pisar o pé de Jonas (é notória essa tentativa do central brasileiro nas imagens televisivas que a BTV cedeu) mas creio que acaba por não acertar no pé do brasileiro. Valeu-lhe a experiência para sacar a grande penalidade e convertê-la com muita classe, deixando Casillas cair para um lado antes de rematar para o meio da baliza.

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