Como é que a FIFA ou qualquer árbitro com as suas insígnias permite a realização de um jogo nestas condições?

Em São Pedro Sula, no (maior) campo de morte ao qual chamam “capital” de um estado completamente falhado (subentenda-se o termo pelo conceito sistematizado pela escolástica especializada da minha Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra) terminou há poucos minutos um dos piores jogos, se não mesmo o pior jogo a que pude assistir no presente ano.

Apesar de só ter começado a ver o desafio a partir do 25º minuto posso concluir que, face ao que efectivamente não “consegui ver” no desempenho das duas selecções, o futebol lavrado tanto pelos australianos como pela rudimentar formação da casa no selvático e ruidoso Olympico Monumental, foi pura e simplesmente execrável. Posso mesmo afirmar sem reservas que a bola chorou (copiosamente) de tão maltratada, de tão humilhada que foi ao longo dos 90 minutos pelos 27 jogadores que marcaram presença no rectângulo de jogo, recinto que foi açulado pelo estridente e irritante “buzinão” vindo das bancadas. E foi execrável porque os Hondurenhos, tiveram a “brilhante” (ou patética; a caracterização da ideia diverge conforme a sensibilidade de quem percebeu o perfeito contrassenso da coisa) ideia de deixar crescer literalmente à farta a relva do seu estádio em alguns zonas do terreno, comportamento clássico de treinador\equipa de distrital (embora tenha visto por aí relvados de clubes de distritais mais bem tratados que este), que obviamente visou condicionar o apoiado futebol praticado pelos austrais (retirando-lhe velocidade, o mais apurado encadeamento na construção; dificultando os diversos gestos técnicos) e causar o máximo de desgaste\danos físicos aos comandados de Ange Postecoglu para o jogo da segunda mão, partida na qual os hondurenhos entrarão certamente mais frescos, porque, para além de estarem mais habituados a este tipo de terrenos pesados, não foram obrigados a ter que realizar, à semelhança do que aconteceu com alguns jogadores australianos (aqueles que jogam em solo europeu; para o leitor ter uma ideia, 11 dos 14 jogadores utilizados pelo seleccionador australiano jogam em solo europeu), 42 horas de viagem para marcar presença nos 2 treinos realizados e na partida. A estas 42 horas de voo irão acrescer mais 17 no regresso à Austrália. Acrescem também a todos estes argumentos, os danos que um relvado deste calibre asqueroso pode provocar à integridade física dos atletas, elemento que deve ser sempre salvaguardado devidamente pela instituição organizadora da competição. Continuar a ler “Como é que a FIFA ou qualquer árbitro com as suas insígnias permite a realização de um jogo nestas condições?”

Tim Cahill – tão importante na selecção australiana aos 37 anos quanto era em 2006, aos 26

cahill

A história do percurso internacional do melhor jogador da história do futebol australiano é uma daquelas histórias que dá pano para mangas. Nascido em Sydney a 6 de Dezembro de 1979, filho de imigrantes no país (de mãe samoana e de pai de origem irlandesa, de 2ª geração) Cahill começou a dar os primeiros passos para o futebol no extinto Sydney Olimpic, o clube que ficava mais próximo do bairro onde morava. Em 1994, aos 14 anos, para efeitos desportivos, o jogador decidiu optar pela nacionalidade samoana para poder disputar com essa idade o campeonato do mundo de sub-17, prova para a qual aquela selecção austral se tinha qualificado no ano anterior na ronda de qualificação da Oceania. Volvidos 8 anos, em 2002, altura em que o jogador já actuava no Milwall, clube que na altura militava no Championship, Mick McCarthy considerou a hipótese do jogador vir a ser naturalizado irlandês para representar aquela selecção na fase final do Mundial de 2002. Como a FIFA proibiu determinantemente a possibilidade da Irlanda poder inscrever aquele jogador naturalizado à pressão, fazendo cumprir as regras que imperavam que um jogador que tivesse optado, para efeitos desportivos, por um país do qual era nacional, não podendo em momento algum tomar a decisão de mudar para outro país do qual pudesse ser nacional, o jogador foi obrigado a alinhar pela Samoa. Em 2004, a FIFA decidiu porém rever a essa lei, permitindo a jogadores que tinham actuado pelas selecções jovens de um país, mudar para outra selecção em idade sénior, desde que não tivessem alinhado numa partida pela selecção sénior do primeiro. Como Cahill só alinhou pelas selecções de sub-17 e sub-20 da Samoa (cumprindo 2 jogos nesta última), em 2004, a Austrália pode inscrever o jogador nesse ano. Cahill representou em Atenas a selecção australiana e pode iniciar, com a selecção sénior, a campanha para o campeonato do Mundo de 2006, campanha na qual, a selecção australiana, conseguiu um feito histórico que não havia conseguido nos últimos 32 anos: apurar-se novamente para um mundial por via da “complexa” ronda de qualificação da Oceania, a única zona de qualificação que ainda não possui o direito a qualificar directamente uma selecção para o Campeonato do Mundo. Em 2006, a Federação Australiana decidiu propor à Confederação Asiática de Futebol (AFC) a sua inscrição como membro. Tal decisão não foi somente motivada pelas questões intimamente ligadas ao processo de qualificação para o Mundial mas também pelas necessidades específicas de desenvolvimento que eram pretendidas pelos australianos, nação cujo estado de desenvolvimento do seu futebol era largamente superior ao estado de desenvolvimento das outras nações da zona geográfica – compreendendo que as provas por selecções daquele continente apresentavam selecções de nível de desenvolvimento superior às das selecções da Oceania, os australianos queriam efectivamente ter ali a possibilidade de participar em competições nas quais os seus jogadores pudessem travar combates contra selecções e equipas de países com um nível de desenvolvimento superior e de certo modo equiparado ao seu. Continuar a ler “Tim Cahill – tão importante na selecção australiana aos 37 anos quanto era em 2006, aos 26”

Duas chouriçadas e dois frangos e Marc Andre Ter Stegen…

(…) quase permitiram uma estreia de sonho da selecção orientada por Ange Postecoglu frente ao lote B dos actuais campeões do mundo, num jogo pastelão que os alemães poderiam ter resolvido bem mais cedo, se não tivessem sido tão perdulários.  Continuar a ler “Duas chouriçadas e dois frangos e Marc Andre Ter Stegen…”