Análise: Real 3-0 Atlético – Uma orgia de futebol do Real

Hat-trick feito. Eliminatória que nunca o chegou a ser. Orgia de futebol colectivo, a essência do futebol, polvilhada com a frieza do suspeito do costume na hora de atirar à baliza. Uma equipa que chega às meias-finais de uma competição como a Champions, a jogar fora perante a equipa que está em melhor forma no cenário europeu, sem qualquer intensidade (nos momentos de pressão, nos momentos de construção), sem ideias para contrariar o sistema defensivo montado pelo adversário, incapaz de se reinventar face aos problemas colocados pelo adversário, inoperante e cheia de problemas no sector defensivo e na sala de máquinas do meio-campo, jamais poderá sonhar com o quer que seja. Essa equipa, completamente descaracterizada face aos moldes trabalhados e apresentados (com distinção) nos últimos anos foi a equipa de Diego Simeone. A extraordinária equipa que conhecemos nos últimos anos pela sua enorme capacidade de subir e baixar linhas conforme o momento do jogo, de rapidamente de se organizar defensivamente num intransponível bloco baixo, intensa na pressão, agressiva no capítulo de recuperação da bola, assertiva nos duelos na área, eficaz no alívio, e muito criativa e eficaz na transição para o contra-ataque com recurso a poucas unidades nesse processo, já não existe.

O caso ficou completamente sentenciado na 1ª mão.  Continuar a ler “Análise: Real 3-0 Atlético – Uma orgia de futebol do Real”

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Quem? Ele mesmo! Sim. Antoine Griezmann!

Por motivos inesperados perdi grande parte da partida. Vi com olhinhos de ver a classe de Jan Oblak (mais uma vez!!) e vi finalmente o crescimento de Casemiro “como recuperador de bolas” nesta equipa do Real – o brasileiro continua contudo a ser um perfeito desastre no capítulo do passe e na forma pouco inteligente em como aborda alguns lances no plano ofensivo. Ainda bem que o joga com aquela dupla de médios ao lado. A equipa do Real pareceu-me mais pressionante, mais rápida sobre a bola no momento de perda, mais veloz nas transições, mais dinâmica (Benzema e Ronaldo foram um quebra cabeças para a defensiva colchonera) e mais criativa. Mas não foi uma equipa 100% segura. A amostra disso foi a falha clamorosa no golo do avançado colchonero. Como é possível no meio de tantos jogadores do Real naquela zona ninguém tapar a linha de passe para Angel Correa e dar-lhe todo o espaço e tempo para o argentino decidir a jogada?

O golo do dia

Para mim é desde 2013 o melhor lateral esquerdo do mundo. E isso pode-se medir pela preponderância capital que o lateral esquerdo brasileiro possui nos processos de jogo do Atlético de Madrid. 50% das transições ofensivas dos colchoneros fazem-se através do seu lateral. 75% do jogo colchonero cai nos seus pés para que o brasileiro possa armar os seus fantásticos cruzamentos. Vemos vezes e vezes sem conta o brasileiro a palmilhar terreno “campo fora” com a bola nos pés, sendo um dos elementos mais desequilibradores (só não é o mais desequilibrador porque joga com Koke e Antoine Griezmann) da equipa.
Fantástico trabalho do lateral com os seus avançados. Duas tabelas que destruíram por completo uma defesa e denotam que Diego Simeone tem vindo a realizar trabalho de casa.

O árbitro de video resulta ou não resulta?

Claro que resulta! Claro que acrescenta “limpeza”, transparência e verdade desportiva ao jogo!

Se ainda existissem dúvidas, creio que essas dúvidas ficaram hoje dissipadas pela actuação do árbitro de video no jogo entre a França e a Espanha. A existência da figura é extremamente necessária para benefício da verdade desportiva precisamente por causa deste tipo de lances, ou seja, por causa de lances em que o posicionamento de determinado jogador em determinado contexto ditado pela rapidez com que se desenrola a jogada, coloca em dúvida a análise dos 3 árbitros que estão a acompanhar a jogo. Continuo a considerar que 3 árbitros não conseguem ver tudo o que se passa em campo. A multiplicidade de acções que são executadas a alta velocidade pelos jogadores não permitem que a equipa de arbitragem consiga focar-se correctamente em todos os acontecimentos contidos na jogada e decidir com a racionalidade que se exige. Quer queiramos quer não, a rapidez das movimentações dos jogadores criam efectivamente situações de ilusão de óptica.

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Do mais ridículo que vi

Aqui na versão audiovisual.

O bizarro pedido do árbitro brasileiro Carlos Bernardes (ou terá sido uma birra pelo facto de estar perante um atleta português?) e a resposta característica do bom minhoto e do bom vimaranense que é João Sousa ao árbitro canarinho. Uma autêntica paneleirice, acto que esta semana também se verificou no futebol com a multa aplicada a Antoine Griezmann pela Liga Espanhola por ter mostrado uma mensagem de carinho à sua namorada na sua camisola interior, sem ter retirado a camisola principal para o efeito.