Destruir lendas

jose mourinho

Nos últimos anos confesso que tenho sentido algumas dificuldades para criticar com abertura, frontalidade e sinceridade (sem que ter correr o risco de assistir à rápida lapidação ou delapidação e opressão da minha opinião pelos mais básicos argumentos dos bandeirinhas ou pelas frases feitas dos imberbes que à falta de conhecimento ou de tempo para investigar e conhecer a fundo o trabalho do treinador português, optam por colar habitualmente a sua opinião à opinião que é dita ou escrita pelos pretensos jornalistas especializados, alguns deles pagos a peso de ouro para escrever bem do português) os “trabalhos” que têm vindo a ser realizados nas últimas temporadas por José Mourinho, “um pouco” em virtude da maré de desconhecimento futebolístico generalizado que grassa no seio dos portugueses e do comportamento de manada que explora inteligente e activamente esse mesmo desconhecimento generalizado instalado, comportamento que deriva, em grande parte, da boa imprensa (do fino corte jornalístico, pago a peso de ouro para promover a lenda e o seu legado) que secularmente se atrelou ao técnico desde o dia em que aportou a Londres vindo do Porto. Enquanto perdurar a sua carreira, José Mourinho sempre será uma vaca sagrada do futebol deste país, indiferentemente dos resultados e da excelência do futebol praticado pelas equipas que este venha a orientar no futuro. Continuar a ler “Destruir lendas”

Os golos do dia (1ª parte)

Começo pela sensacional reviravolta operada pelos Hammers de Slaven Bilic (a imprensa britânica decidiu qualificar esta vitória como um glorioso momento no qual os jogadores londrinos foram buscar engenho e forças ao fundo do poço para resgatar o seu treinador; técnico que estaria certamente por horas em caso de derrota, em virtude dos maus resultados que a equipa tem averbado para a Premier; Bilic rejeitou no entanto a crítica que lhe foi feita pela imprensa em relação ao estado de forma física da equipa) no derby londrino realizado na quarta-feira à noite frente ao Tottenham de Pocchettino em jogo a contar para os oitavos-de-final da Taça da Liga Inglesa.

A coisa não começou manifestamente bem para os Hammers no capítulo da organização da pressão, e da organização defensiva. Nos primeiros minutos da partida Bilic mandou subiu o bloco, colocando a sua defesa apontada na linha divisória do meio-campo, de forma a fazer subir as duas linhas que jogam à sua frente no terreno para pressionar em terrenos adiantados a saída para o jogo do adversário, estratégia que visou sobretudo a prossecução de 3 objectivos muito básicos: em primeiro lugar, impedir impedir que a formação de Maurício Pocchetino pudesse dominar a partida através da posse no seu meio-campo. Em segundo lugar, a estratégia inicial traçada pelo croata visou impedir que a formação de Pocchettino pudesse sair no contra-ataque, transição na qual os Spurs se tem revelado muito eficazes nos últimos jogos. Em terceiro lugar, a pressão alta poderia permitir à sua formação recuperar bolas para manter viva a sua iniciativa no meio-campo adversário, obrigando o adversário a encolher-se nos seu último reduto.

O primeiro golo do Tottenham nasce de um conjunto de erros cometidos pelos jogadores de West Ham na pressão e no capítulo da transição e organização defensiva.

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Stoke City vs Chelsea – 2 erros, vida descansada para a formação de Conte

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Bastaram 2 minutos e um erro partilhado a meias por Glen Johnson e Martins Indi na cobertura ao avançado espanhol para a formação londrina tomar o controlo total de uma partida, aborrecida, diga-se em abono da verdade, na qual, a formação de Antonio Conte, confortável no seu meio-campo vai dando mais iniciativa ofensiva aos homens da casa.

De uma bola recuperada por Bakoyoko no seu meio-campo, acelerada por Kanté com uma variação para Cesar Azpilicueta, nasceu o primeiro golo dos Blues. Os franceses tiveram o mérito de tirar a bola da zona de maior concentração de adversários para lançar o ataque e o defesa espanhol (jogador que tem procurado constantemente a ligação com o avançado através do lançamento em profundidade; nem sempre bem, despejando bolas para a frente que não são pedidas pelo avançado espanhol) tratou de procurar o seu compatriota com um passe longo para as costas da defesa. Bem vivo no meio de Martins Indi e Glen Johnson, Morata só teve que ir na peugada do passe de Azpilicueta para abrir o marcador.

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Encaixar que nem uma luva no modelo de um treinador

Contratado ao Torino no último dia de mercado, Davide Zappacosta tem actualmente menos de uma semana de trabalho com Antonio Conte, em virtude das sua presença nos trabalhos da selecção italiana no início do presente mês de Setembro. No curtíssimo período de uma semana de trabalho com o seu novo treinador e com um conjunto de jogadores que já absorveram grande parte das ideias do modelo do seu treinador, executando-as com um relativo grau de facilidade, sou obrigado a qualificar como admirável (face ao desempenho do jogador no jogo da noite de ontem) o conhecimento detido e assimilado pelo jogador em relação aos processos de jogo da equipa e às dinâmicas e movimentações que são pedidas pelo treinador para aquela posição.

Poucos são, por vários motivos (de índole física, táctica ou cognitiva), os jogadores que se conseguem entrosar tão bem numa equipa num curtíssimo período de dias. Raros são, pelos mesmos motivos os que, contratados nos últimos dias de mercado ou até a meio da pré-temporada conseguem encaixar tão bem (a curto prazo) no modelo de jogo dos seus treinadores. É certo e sabido que o grau de assimilação de um jogador ao modelo, aos princípios do modelo do seu treinador e aos processos de jogo realizados pela equipa estão intimamente ligados às suas funções cognitivas, em particular, à sua capacidade de atenção (assistir a um jogo e perceber os processos daquela equipa; assistir a uma palestra do treinador e perceber o que é que o treinador pretende do seu desempenho; manter o foco da sua observação sob cenários hostis) memorização (memorizar os imputs que são recolhidos) linguagem (compreender a linguagem que é utilizada), percepção e posteriormente de execução.

Ao observar a sua primeira partida como titular, fiquei com a impressão que Zappacosta “já trabalha com Conte há vários anos” quando de facto trabalha há vários dias, tal foi o grau de entrosamento do jogador na mecânica ofensiva da equipa. Vejamos:

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O tendão de aquiles dos sistemas de pressão alta

Na primeira parte do jogo disputado ontem entre Arsenal e Chelsea (Community Shield) houve um momento bem interessante no qual os Gunners conseguiram contornar (com bastante estilo e eficácia) a pressão alta realizada pelos homens da formação orientada por António Conte.  Continuar a ler “O tendão de aquiles dos sistemas de pressão alta”

Antonio Rudiger

Confesso que quando vi pela primeira vez o central alemão a jogar pela Roma (15\16) foi um jogador que me demorou muito a convencer. A impetuosidade, a extrema agressividade aplicada sobre o adversário e as fifias que o central alemão cometia esporadicamente levavam-me a pensar que estavam perante um daqueles cepos extremos que não chegariam a lugar algum. Com o tempo, fui-me apercebendo que o jogador foi melhorado nos aspectos em que deveria ter sido melhorado: é menos impetuoso e menos agressivo por dá aquela palha (confesso que odeio aqueles centrais que só sabem bater, não revelando qualquer inteligência na abordagem aos lances), mais assertivo no desarme (impõe o físico e desarma sempre com o intuito de jogar a bola), mais ágil do que aquilo que era, mais esclarecido na saída a jogar (chegando até a cometer alguns loucuras para um central quando se aventura com bola em velocidade pelo meio-campo da equipa adversária; na equipa para onde vai jogar, pode ser uma característica muito positiva porque os centrais de Antonio Conte são centrais muito ofensivos; tomemos o exemplo de Cesar Azpilicueta; o espanhol está sempre subido no terreno a apoiar as acções dos corredores e executa vários remates de meia distância por jogo) pese embora o facto de continuar a ser um jogador tecnicamente modesto, e um jogador que usa e abusa do passe longo nas saídas de jogo.  Continuar a ler “Antonio Rudiger”

Análise – Final da FA Cup – Arsenal 2-1 Chelsea

2 anos depois da última conquista da competição, Arséne Wenger volta a conquistar a Taça de Inglaterra. No maravilhoso palco de Wembley, as duas equipas de Londres ofereceram-nos um daqueles espectáculos de encher o olho. O Arsenal finalizou uma temporada muito difícil da melhor forma, realizando uma extraordinária exibição contra o campeão em título, o Chelsea de Antonio Conte. O resultado de 2-1 acabou por não espelhar a predominância dos Gunners numa partida em que a formação de Antonio Conte cometeu muitos erros defensivos e foi-se deixando enredar na fabulosa teia estratégica tecida pelo treinador gaulês do Arsenal.

Olivier Giroud e Aaron Ramsey acabaram por ser os heróis da partida, num desafio em que sinceramente foi-me bastante difícil atribuir uma menção honrosa em virtude da prestação incrível de várias unidades do Arsenal. Num dos primeiros toques na bola após a sua entrada para o lugar do desequilibrador Danny Welbeck, o francês assistiu o galês para o golo da vitória, quebrando por completo um ligeiro ascendente do Chelsea (reduzido a 10 por expulsão de Victor Moses) no jogo.

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