Bloco de Notas da História #17 – O Adeus do Sr. Verdade

Jogadores deste calibre deveriam ser eternos.

O jogo 7 da série (de 1ª ronda) Clippers vs Jazz marcou a despedida de um dos grandes ícones do basquetebol “da minha geração” – Paul Pierce despediu-se da modalidade aos 39 anos. O base Chris Paul ainda tentou, no sábado, à última da hora, perante o cenário de adversidade colocado pela equipa do Estado de Utah, tentar sossegar a nação dos Clippers na antevéspera do decisivo jogo contra os Jazz, ao afirmar que Pierce poderia estar descansado porque este não seria o seu último jogo na Liga. The Truth, deixa para trás um rasto indelével de uma carreira marcada pelo título conquistado em 2008 com o chamado “Big Three” (com Kevin Garnett e Ray Allen; eu cá chamo-lhe Big Four porque não nos podemos esquecer da influência que Rajon Rondo adquiriu dentro da equipa durante essa campanha) de Boston, pela distinção como MVP das finais desse ano e por várias presenças em All-Star Games. Ao mesmo tempo, o jogador retira-se como o 18º jogador com mais pontos somados na história da NBA.
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Não faças isso, John Wall!

Que maravilhosa dança do base dos Wizards à frente de Isaiah Thomas no jogo 1 da série entre os Celtics e a equipa de Washington, jogo que ainda está a decorrer.

Para quando no futebol português?

Este foi o comportamento que valeu uma multa de 100 mil dólares ao proprietário dos Houston Rockets Leslie Alexander. O lendário proprietário dos Houston Rockets entrou em campo para questionar um dos árbitros da partida. A direcção da Liga não perdoou o comportamento e aplicou uma das suas famosas multas. Para o proprietário da turma texana, face aos milhões de rendimento que a equipa lhe garante anualmente, é uma questão de trocos mas se transportarmos a situação para o futebol português poderá ser, se a medida for aplicada numa escala idêntica um fantástico elemento dissuasor de comportamentos de jogadores e dirigentes.  Continuar a ler “Para quando no futebol português?”

A serenidade e a confiança dos Washington Wizards

Confesso que só tenho visto os resumos alargados da série mas o que tenho visto dá-me a certeza que a continuar a manter o mesmo estilo de jogo, os Wizards podem ser uma surpresa no Este.

A equipa orientada por Scott Brooks está a revelar-se uma equipa que consegue levar a água ao seu moinho com alguma serenidade e confiança no seu jogo. Frente a um adversário difícil, pelas “trutas” que tem tanto no jogo interior como no jogo exterior, e pelo dinamismo do seu base (Schroeder) a equipa de Washington tem anotado boas impressões. Com um scorer certinho no capítulo de eficácia do lançamento (Wall coim 49,5% FG 47\95 e 53% na carreira de tiro no triplo; 8 em 15 tentativas) e outro mais irregular (os 12\50 de Bradley Beal no lançamento de 3 pontos são preocupantes mas o jogador mal ou bem consegue acrescentar sempre 20 pontos ou mais) postes que são fenomenais na defesa do jogo interior (e Dwight Howard até tem sido o fantástico rebounder que foi no passado) e na criação de “janelas” para as penetrações e lançamentos dos seus scorers nos bloqueios, a equipa revela muita serenidade e confiança na construção ofensiva, até nos momentos em que a pressão é maior em virtude de situações de desvantagem. Outro dos apontamentos interessantes desta equipa prende-se com a inteligente construção das situações de lançamento através de uma excelente rotação da bola até ao jogador que estiver livre para lançar.

1-2. Preocupação.

Ridícula. Lastimável. Um verdadeiro tiro nos pés. Existem mais adjectivos no dicionário de língua portuguesa para qualificar a fraca prestação dos Bulls no jogo desta noite. Isaiah Thomas e os Celtics tem conseguido bater-se taco-a-taco mesmo apesar de todos os contratempos pelos quais o seu líder está a passar durante a presença semana. Já os Bulls, à primeira ocasião, acusaram a ausência de um jogador porque pura e simplesmente não existe plano B no rooster para a posição. E isso notou-se claramente no jogo de hoje com a clara demonstração de falta de velocidade nas transições para o ataque, pouco critério na elaboração das jogadas (a bola a passar por várias mãos sem que algum jogador soubesse o que fazer com a bola), falta de critério na escolha dos lançamentos (a explicação para os números de Jimmy Butler) e uma certa incapacidade para conseguir criar situações de rotação que permitam a existência de um lançador sem oposição. No jogo desta noite, faltou o essencial do basquetebol na equipa de Chicago: um bom base. Um base capaz de organizar.

Uma equipa que apenas faz 14 assistências durante 48 minutos não pode vencer jogos de playoffs.

A atitude defensiva também foi uma lástima quando comparada com a atitude que os Bulls tiveram nos 2 jogos em Boston. Deu-me pena ver os habituais “enchedores de chouriços” (Payne, Lauvergne, Morrow, Denzel Valentine) terem mais agressividade a defender nos 4 minutos finais do que os restantes em 20\30 minutos de utilização.

Moral da história: ou a atitude muda rapidamente no próximo jogo ou então veremos os Celtics a desfilar nos próximos 3 jogos.

Falta de noção de Russell Westbrook? Não creio

A propósito da prestação do base dos Thunder no 4º período jogo 2 da série contra Houston.

A eficácia de lançamento é obviamente má, o jogador voltou a falhar nas decisões que tomou e o resultado tratou de o castigar. Uma das últimas insiders até trouxe a notícia de que na entrada para o balneário, Victor Oladipo terá perguntado ao jogador se não “quer entrar num 1 contra 5 em vez de levar a sua equipa” – a verdade é que o jogador fez o que lhe competia como líder de equipa. O 4º período de qualquer jogo de playofffs é o momento em que os verdadeiros líderes tem que aparecer, hajam ou não shooters na equipa, exista ou não (toda a gente sabe que o jogador é individualista e esse carácter individualista já não é de hoje) individualismo e vontade de “viver para os números” por parte do jogador. James Harden tem a particularidade de ter uma equipa recheada de shooters. Harden tem portanto o melhor de dois mundos: tem alternativas credíveis dentro da equipa e isso alivia-lhe imenso a pressão de ter que ser ele a assumir todo o jogo, factor que naturalmente acaba por fazer fluir o seu jogo e render ao nível de números. Já Russell Westbrook não possui de todo na sua equipa a realidade de Harden. Como tal, é ele que tem de assumir 90% do jogo da equipa, facto que por si só desencadeia uma maior probabilidade de errar.

0-2 e uma meia surpresa a caminho

Quem anda nestas lides há algum tempo sabe que nos playoffs da NBA existe uma ligeira probabilidade (na casa dos 10%) das equipas que se colocaram nos últimos lugares de acesso aos playoffs eliminar na 1ª ronda as equipas que se posicionaram nas primeiras seeds. Nos últimos 11 anos, em 44 matchups realizados entre 1ºs e 8º classificados e entre 2ºs e 7ºs nas duas conferências, foram 5 as vezes em que as equipas do fundo eliminaram as equipas do topo. Várias foram também as ocasiões em que estas equipas obrigaram as equipas do topo a disputar a “negra”.

Os Chicago Bulls já participaram em duas ocasiões nessa estatística. Se nos playoffs de 2007, como 8ºs classificados do Este eliminaram curiosamente a primeira seed (campeões em título) que eram os Miami Heat de Dwyane Wade, em 2012, foram eliminados como 1st seed pelos 8os, os Philadelphia 76ers. Em 2017, pode-se dizer que estão bem encaminhados para eliminar os Boston Celtics depois de terem vencido fora os dois primeiros jogos da série? Parece-me claro que não podemos extrapolar ou forçar uma analogia entre as equipas (Bulls de 2012 e Celtics de 2017) porque ressaltam imediatamente várias diferenças de índole contextual: os Bulls de 2012 eram uma equipa muito mais “contender” ao título que os Boston Celtics e eram um colectivo com muitos mais jogos de playoffs disputados que os Celtics. Aliás, se compararmos neste campo esta equipa de Boston com a equipa de Chicago, percebemos que Dwyane Wade e Rajon Rondo tem juntos mais jogos disputados nos playoffs que todo o colectivo de Boston (263 jogos disputados pelos dois jogadores contra 246) e são jogadores anelados enquanto jogadores muito importantes das equipas pelas quais venceram o título. Nem D-Wade nem Rajon Rondo são hoje os jogadores que já foram (embora a classe continue lá) mas este é um factor que ajuda a explicar muita coisa, mas não explica tudo.

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Bloco de Notas da História #14 – O legado de Pinto da Costa

“Largos dias têm 100 anos”

Neste dia, há precisamente 35 anos atrás, tomava posse como Presidente do Porto Jorge Nuno Pinto da Costa. O Porto nunca mais viria a ser o mesmo clube. O regional (apesar de já ter ganho na época títulos nacionais), mal organizado e tímido FC Porto transformar-se-ia rapidamente (numa questão de 5 anos) com Pinto da Costa ao leme num clube gigante, de expressão europeia, ganhador quer no futebol quer nas modalidades, bem organizado e bem estruturado. Diga-se o que se disser, aponte-se os defeitos que se tenham de apontar, acuse-se de dedo em risco o que se tiver de acusar (por mais que doa a muitos, inclusive a mim, o total falhanço que foi o Processo Dourado face às evidências das provas): nunca houve na história de outro clube um presidente que tenha feito tanto pela evolução de um clube como o que Jorge Nuno Pinto da Costa fez pelo Porto. Nunca houve na história de um desporto um presidente que se tenha batido tantas vezes em praça pública pelos interesses do seu clube. Continuar a ler “Bloco de Notas da História #14 – O legado de Pinto da Costa”

Os Bulls são a prova de que tudo é possível!

É possível uma equipa cheia de lacunas e desequilíbrios chegar aos playoffs e vencer? Sim, é possível! Os meus Bulls são uma equipa de crentes e eu sou, desde 1995 um deles! Já vi de tudo. Já vi o Jordan regressar, já vi uma equipa a fuzilar todos os adversários durante 3 (6!) anos, sobrevivi ao draft de 1999, vi Elton Brand falhar como as notas de mil, vi o nosso Ron Artest mudar radicalmente de lucky looser a agressor de bancadas inteiras e de agressor de bancadas inteiras a defensor da paz mundial, já mandei murros na mesa quando o Ben Gordon tomava as piores decisões possíveis e chorei muito quando o D-Rose se lesionou naquela malograda ronda contra os Sixers. Agora o que eu nunca vi é uma equipa cheia de desequilíbrios, com um front office medonho, com um treinador ainda mais medonho, cujo apuramento para os playoffs ainda hoje está envolto num fabuloso e inexplicável milagre face À estratégia de destruição maciça que foi esta temporada, conseguir ganhar jogos de playoff na casa do adversário.

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E o TD Garden está de pé!

Primeiros 3 minutos no TD Garden. Os Bulls cometem dois turnovers. O primeiro resulta num triplo fácil. No segundo, Isaiah Thomas pega na bola, faz um passe por debaixo das pernas para um companheiro, que por sua vez lhe devolve o mimo para um triplo do meio da rua com um jogador dos Bulls pendurado. O público acusa o momento e levanta-se em massa para explodir, mimando o seu jogador neste momento difícil da sua vida. O jogador está bem. Vai ser uma exibição memorável. Ganha a vida. Ganha a competitividade.