Liga dos Campeões de Andebol – Sporting 34-27 Besiktas – O sonho comanda a vida

aljosa cudic

As várias intervenções directas (defesas) e indirectas (o ror de bolas que os turcos enviaram aos postes ou para fora provocadas pelos seus fantásticos deslocamentos; deslocamentos que tiveram o condão de fechar ângulos e de retirar opções de remate aos jogadores da formação turca) que o croata Aljosa Cudic realizou ao longo da partida, levaram-me a elegê-lo como a melhor exibição individual da fantástica exibição colectiva realizada pela formação leonina no jogo deste final de tarde frente aos turcos do Besiktas. 

A intemporal e imortal frase escrita por António Gedeão no seu mítico poema “Pedra Filosofal” resume aquele que será o sentimento dominante em todo o universo que tem acompanhado esta equipa de Andebol do Sporting. Se Hugo Canela referiu e bem, no flash interview realizado logo após o final dos 60 minutos que em virtude deste triunfo (o 3º em 7 jornadas) “o nosso sonho continua vivo” (o sonho do apuramento para os oitavos-de-final da prova) e que o “sonho só depende de nós, graças a Deus”, nós, adeptos incondicionais desta formação campeã, só temos que afirmar de viva voz que continuamos a acreditar na exequibilidade deste nosso sonho, sonho que, a concretizar-se, será um feito inédito na história do clube. Resta-vos a vós, jogadores, treinadores, equipa médica, direcção da secção, direcção do clube trabalhar afincadamente nas próximas semanas para transformar esse sonho em realidade. Sabemos que os dois jogos que viremos a disputar no leste, na Rússia e na Ucrânia serão jogos de um enorme grau de complexidade em virtude da qualidade dos jogadores do Medvedi e do Motor e que a recepção ao Metalurg só terá certamente uma pequena “vantagem” do nosso lado: a natureza efusiva e apaixonada dos nossos adeptos. No entanto também sabemos, e é isso que nos dá um certo fundo de garantia, que para além de amarem o clube como nós o amamos, os nossos jogadores tem uma inexcedível entrega ao jogo. Qual coração de leão de Ricardo, atirem-se sem piedade ao pescoço dos gajos. Transformem cada defesa num contra-ataque vitorioso, aproveitem cada deslocamento em falso do adversário para entrar aos 6 metros, sejam agressivos nos controlos e atentos nas mudanças de marcações ou nas entradas dos pontas aos 6 metros. Acreditem, malta!

Perante o incrível ambiente de festa e de apoio que foi proporcionado pelos 1114 adeptos que se deslocaram ao Pavilhão João Rocha para ver a partida da 7ª jornada do Grupo D, a formação leonina atingiu a sua 3ª vitória na presente fase de grupos, vitória que colocou o Sporting na 3ª posição do grupo, a 2 pontos (uma vitória) da formação ucraniana do Motor. Continuar a ler “Liga dos Campeões de Andebol – Sporting 34-27 Besiktas – O sonho comanda a vida”

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Mas o que é isto, Ricardo Quaresma?

Mais 3 meses sem poder entrar no Grand Bazar em hora de ponta. Clichy ainda deve estar a pensar que mal deverá ter feito ao português para merecer tamanha descompostura.

Os processos bem operacionalizados do Besiktas nas acções de contragolpe

Os dois processos clássicos, cínicos, muito cínicos, muito eficazes, utilizados pela equipa turca nas acções de contragolpe. Señol Guñes está de parabéns pelo trabalho realizado ao longo dos últimos 26 meses no capítulo da operacionalização das suas ideias de jogo. Estes exemplos, já verificados quer no jogo do Dragão quer na vitória sobre o Leipzig são as amostras que confirmam a operacionalização total das suas ideias para as fases ofensivas da equipa. A formação turca não é um primor defensivo (acho que até que não se constitui como um exemplo a seguir ao nível de organização defensiva) e quem viu o jogo contra o Mónaco depreendeu que aos monegascos de Leonardo Jardim só faltou uma pitada de discernimento na hora de finalizar para capitalizar, na plenitude, o vasto número de erros (de posicionamento, de abordagem) cometidos pelos defesas da formação de Istambul. Contudo, cada recuperação que é realizada no interior do seu meio-campo é transformada, no contragolpe, num lance de perigo. E isso deriva do trabalho exaustivo que foi feito no capítulo da transição para o contra-ataque e obviamente da qualidade dos seus jogadores:

  1. Em primeiro lugar, da capacidade recuperadora que é possuída pelos médios Atiba Hutchinson, Ozyakup e Tolgay Arslan em terrenos mais recuados.
  2. Em segundo lugar, pela capacidade que estes médios tem de conseguir sair bem da pressão adversária no momento da transição para o contra-ataque.
  3. Em terceiro lugar, pela rápida projecção até ao último terço que é realizada pelos quer pelos seus extremos, quer por Anderson Talisca (Babel em zona mais interior, Quaresma totalmente aberto junto à faixa; Talisca avança até às imediações da meia-lua) no momento em que a bola é recuperada por um dos médios
  4. Em quarto lugar, pela eficaz capacidade de passe (curto e longo) que é possuída pelos médios para fazer a bola chegar rapidamente da entrada do meio-campo ou até de zonas mais recuadas até aos homens da frente.
  5. Quando recebe na meia-lua, Talisca procura imediatamente lançar Babel na esquerda. O holandês opta imenso por lances individuais, mas, sabe que na área, terá sempre a presença do brasileiro e de Cenk Tosun.
  6. O mesmo acontece no processo em que Quaresma recebe na direita. Quando cruza, o português tem a vida facilitada porque sabe que Tosun ou Anderson Talisca irão fazer um movimento de abordagem ao primeiro poste.

Sporting 31-29 Chekhovskie Medvedi (resumo)

Frente ao eterno e poderoso campeão russo do Chekhovskie Medvedi (vencedor das últimas 18 edições do campeonato daquele país) os bravos leões arrecadaram, com alguma distinção até (liderando o marcador a partir do 8-7, resultado que se verificava aos 13″ de jogo) a 2ª vitória (em 4 partidas realizadas) no grupo D da fase de grupos da edição da temporada 2017\2018 da EHF Champions League. Para bater a formação russa, a formação comandada por Hugo Canela contou com uma soberba exibição do indomável Frankis Carol (6 golos; em dia sim, o cubano é o panico total para as defesas adversárias) e com uma eficaz exibição do pivot Michal Kopco, jogador que à semelhança de Carol também terminou a partida com 6 tentos somados. Pelo meio, ainda houve espaço para uma demonstração de poder físico do panzer Pedro Valdés (o poderoso lateral cubano que o Sporting foi recrutar à Artística de Avanca) e para alguns momentos de espectáculo, caso do lance aéreo protagonizado entre os dois pontas (finalização de Nikcevic).

champions league

Fonte: O Artista do Dia 

A equipa leonina é neste momento 4ª do Grupo D com os mesmos pontos do Motor Zaporozhye e do Besiktas, tendo no entanto mais uma partida realizada que estas equipas. De acordo com o actual formato da competição, a formação leonina precisa de se apurar nas duas primeiras posições do grupo para disputar uma espécie de “meia-final” na qual os dois primeiros dos Grupos C e D se enfrentarão por duas vagas para os oitavos-de-final da competição, visto que, as equipas primeiras classificadas dos grupos A e B (disputadas a 8 equipas pelas equipas mais cotadas nos coeficientes de clubes da EHF) passarão directamente aos quartos-de-final enquanto as 10 que se posicionarem entre a 2ª a 6ª posição da tabela seguirão para os oitavos.

Na próxima jornada, a 15 de Outubro, o Sporting receberá a fortíssima formação Montpellier, formação que conta no seu plantel com diversos jogadores de top mundial como são os casos dos internacionais franceses no activo Vincent Gerard, Michael Guigou, Valentin Porte, Mathieu Grébille e Ludovic Fabregas e do internacional argentino Diego Simonet, e do lateral direito internacional esloveno Vid KavticinicNa edição da época passada a formação francesa chegou até aos quartos-de-final da competição. Para ter hipóteses de continuar na luta, a equipa de Hugo Canela precisa obrigatoriamente de vencer esta partida, sabendo de antemão que também precisará de conquistar a difícil partida que terá na Ucrânia face ao Motor Zoporozhye.

Os golos da Champions (2ª parte)

Começo este post com um grande golo, o golo que abriu o marcador na Otkrytiye Arena, no empate a 1 bola entre o Spartak de Moscovo e o Liverpool. Fernando (não confundir este médio centro de 25 anos com o seu homónimo compatriota que jogou no Porto e no Manchester City) castigou da melhor maneira, com uma exímia cobrança em arco, o livre assinalado sobre a falta cometida à entrada da área por Coutinho sobre o veterano internacional russo Aleksandr Samedov.

Os Reds de Klopp voltaram a escorregar na fase-de-grupos da Champions. Depois de terem empatado a 2 bolas com o Sevilla em Anfield Road no jogo da ronda inaugural, num empate que se pode qualificar como amargo se atentarmos ao número de oportunidades desperdiçadas no 2º tempo e para os erros defensivos cometidos nos golos dos sevillanos, em Moscovo, a história repetiu-se de certa forma. Os Reds desperdiçaram algumas oportunidades (construídas essencialmente através de processos de jogo que privilegiaram o flanqueamento de jogo para os corredores e a velocidade dos seus 3 homens da frente no ataque) e o seu trio da frente sentiu algumas dificuldades para se posicionar em linha no momento do último passe. 3 das melhores oportunidades criadas pelos reds ao longo dos 90 minutos foram anuladas por existência de posição irregular no momento do passe.  Continuar a ler “Os golos da Champions (2ª parte)”

Conceição e a “mudança do chip” para as competições europeias

sérgio conceição

“Se alguém é culpado desta derrota sou eu. A abordagem estratégica a este jogo não foi boa.»

Conceição deu a cara pela derrota mas não revelou, por motivos óbvios, aquilo que toda a gente pode ver à vista desarmada no jogo desta noite: uma equipa de meio-campo partido, no qual Danilo foi demasiado exposto a situações de inferioridade numérica em função das subidas de Oliver no terreno e do expresso apoio que é dado pelo médio ofensivo espanhol ao sector mais avançado, facto que o tornou o trinco incapaz para apagar todos os fogos na saída para o contra-ataque do adversário.  Continuar a ler “Conceição e a “mudança do chip” para as competições europeias”

Cenário triste de um futebol cada vez mais politizado

Uma das imagens fortes no dia.

No Gerland, o jogo relativo aos quartos-de-final da Liga Europa entre a equipa da casa, o Olympique, e os turcos do Besiktas, começou com 25 minutos de atraso em virtude dos acontecimentos lamentáveis registados pelos adeptos das duas equipas, dentro e fora do referido estádio. O confronto entre adeptos chegou inclusive a invadir o rectângulo de jogo, obrigando a polícia francesa a ter que disparar para amedrontar os adeptos na contenda.

Podia-se dizer que este poderia ser mais um episódio esporádico de violência no futebol, mas não, não é um episódio esporádico de “hooliganismo”. É um episódio de hooliganismo altamente provocado pelas esferas do poder turco. Este episódio é consequência de uma maior politização do futebol como veículo de projecção de poder por parte de alguns chefes-de-estado. Não tenho menor dúvidas que este conflito surge em virtude dos diferendos existentes entre a Europa e a Turquia assim como também são o reflexo óbvio do clima de ódio que está a ser cultivo por Recep Tayyip Erdogan junto do povo turco.

Enquanto a UEFA não tiver mão firme sobre estes comportamentos, a coisa não vai lá e os episódios irão multiplicar-se. Mão firme não é castigar os dois clubes com 2 ou 3 jogos “europeus” à porta fechada nem com uma multa de dezenas de milhares de euros. A única forma possível de dissuadir estes comportamentos é castigar estes clubes com a expulsão imediata da competição (nem que para isso tenha que ser repescado um dos derrotados dos outros jogos), impedi-los de participar nas provas europeias durante vários anos e estagnar a sua progressão financeira com cortes nos prémios de participação\direitos televisivos. Só assim poderemos ter clubes mais cientes da responsabilidade de explicar aos seus adeptos que este tipo de situações custam milhões às organizações e limitam-nas durante alguns anos.