Vuelta – 14ª etapa – Rafal Majka triunfa numa subida animada à Sierra de La Pandera

Veni, vidi, vinci! Assim que Rafal Majka perdeu um tempo significativo para os candidatos à geral individual na 3ª etapa em Andorra, no meu íntimo, confirmei a sua presença nas fugas nas etapas de montanha. Para vencer na dura subida de 13,7 km (categoria especial; pendente média de 7,3%) a La Pandera, na primeira das duas etapas explosivas de alta montanha que a prova oferece para este fim-de-semana, o chefe-de-fila da Bora só precisou (praticamente) de ser mais forte que todos os seus colegas de fuga na subida final e de manter um ritmo vivo para conseguir gerir a magra vantagem de minuto e meio que dispunha para o pelotão no início da subida

Numa extensa subida (parecia que nunca mais acabava) marcada por muitos ataques, por muita táctica, pela habitual vigilância e marcação entre os vários competidores da luta pelos primeiros lugares da geral e de muito jogo de cintura na hora de puxar, quem saiu a lucrar foi novamente Miguel Angel López da Astana. Com um ataque bem sucedido nos últimos 2 km, “Superman” López voltou a ganhar genica para tentar fazer pela vida de forma a poder subir mais uns lugares na geral. O colombiano voltou a ser a grande surpresa da jornada. Depois de ter conquistado uma etapa, o jovem de 23 anos apareceu em La Pendera com forças para continuar a sua cruzada até aos lugares cimeiros.  Continuar a ler “Vuelta – 14ª etapa – Rafal Majka triunfa numa subida animada à Sierra de La Pandera”

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Vuelta – 13ª etapa – Em Tomares, nos arredores de Sevilla, tomara a muitos ter esta organização da Quickstep

Já não existem adjectivos para descrever a prestação da formação belga (líder do ranking da UCI) durante a temporada de 2017: as vitórias caem estrondosamente no seu bolso como a água numa catarata. A Quickstep já é desde há muitos anos um projecto vencedor mas a verdade é que durante o presente ano ainda o está a ser mais vencedor. No Giro, os belgas venceram 4 etapas ao sprint com o colombiano Fernando Gavíria e 1 por intermédio de Bob Jungels. No Tour, Marcel Kittel limpou 5 etapas. Na Vuelta, Matteo Trentin, o lançador do alemão ganhou 3, Julian Alaphillippe ganhou outra e Yves Lampaert também já sentiu a emoção de subir ao pódio no final de uma etapa. Quando até a 3ª escolha (ainda tem uma 4ª: Maximiliano Richeze) para os sprints limpa 3 etapas numa Grande Volta, o que é que poderemos acrescentar ao formidável rendimento desta equipa?

Ao todo, a equipa que representa um dos maiores fabricantes mundiais de pavimentos laminados já conquistou 56 vitórias repartidas entre 2 vitórias em classificações gerais individuais, 10 prémios categorizados, e 44 etapas\provas de um dia. Nas 53 etapas corridas nas 3 grandes voltas até ao dia de ontem, a formação comandada por Patrick Lefévère conquistou um total de 15 etapas. Na esmagadora maioria das vitórias, há um denominador comum que explica grande parte do sucesso: a organização que esta equipa demonstra nas chegadas ao sprint. A vitória conquistada na 13ª etapa da Vuelta, não foi excepção.  Continuar a ler “Vuelta – 13ª etapa – Em Tomares, nos arredores de Sevilla, tomara a muitos ter esta organização da Quickstep”

Vuelta – 3ª etapa – Vincenzo Nibali vence na primeira grande selecção de candidatos

No principado de Andorra, à 3ª etapa, as contas saíram furadas a Christopher Froome, apesar do ciclista britânico ter ascendido à liderança da geral. Sinto-me um bocado frustrado por não ter escrito no primeiro post de antevisão um pressentimento que tive quando pude avaliar pela primeira vez o seu perfil: era óbvia a possibilidade do inglês vir a atacar a subida para o Alto De La Cornella para começar a “desenrolar” a clássica estratégia de domínio da Sky. Com uma etapa tão dura logo no 3º dia, a presença da Sky na frente da corrida nos seus momentos decisivos (a ascensão a La Rabassa, a ascensão ao alto de Cornellá) acusava uma estratégia tão clara como a água: o inglês iria atacar na subida final para tentar cumprir 2 objectivos: chegar à liderança da prova, de preferência com alguma vantagem (pelo menos 30 segundos) para os seus principais adversários para poder colocar a sua equipa na frente a controlar a corrida.

Os planos do ciclista inglês (e da formação britânica) acabaram por ser contrariados por 6 homens. A saber:

  • Esteban Chavez, no momento em que o inglês lançou um ataque mortífero.
  • Romain Bardet e Fabio Aru – ambos decidiram não ir ao choque quando o inglês atacou, preferindo aproveitar a descida para recolar.
  • Tejay Van Garderen e Nicholas Roche – Se os 2 BMC não tivessem executado um excelente trabalho na descida, Vincenzo Nibali não teria chegado à frente em condições de disputar a vitória na etapa.
  • Vincenzo Nibali – o italiano valeu-se do facto de ser o melhor finalizador de todos os ciclistas no grupo para voltar a ganhar tempo a todos os rivais.

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Binckbank Tour – Etapa 6 – Tim Wellens atinge o estado de graça nas ardenas

Nos metros finais, o belga da Lotto-Soudal puxou e o holandês nem se importou muito de perder a etapa (e os inerentes segundos de bonificação reservados para o primeiro a cruzar a linha de meta) porque tinha a plena consciência que acabara de dar um passo importante para a vitória na geral. Este é o mais breve resumo da parte menos importante de uma corrida (nas ardenas; na região de Bastogne; em certos, a corrida cruzou-se com alguns dos trilhos da mítica clássica disputada durante a primavera) que espremeu um apetecível e saboroso sumo de clássica da primavera em pleno verão.

Dois grandes obstáculos marcavam os últimos 35 km de corrida na fantástica região da Valónia. Se o conhecido Côte de Saint-Roch (800 metros a uma pendente média de 12%), muro eternizado na mítica clássica integrante dos 5 monumentos que tem o seu término no icónico bairro de Ans, seria o ponto de partida para a discussão pela etapa, o Cote Boins des Moines acabou por fazer toda a diferença. Nos Boins des Moines, Oliver Naesen (AG2R) entrou na frente com alguma vantagem sobre um reduzido grupo de ciclistas, Peter Sagan arriscou tudo para poder vencer a prova, Tim Wellens foi inteligente na forma em como soube responder a Sagan mas Tom Dumoulin acabou por fazer toda a diferença em virtude do azar ocorrido ao eslovaco da Bora.

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Binckbank Tour – Etapas 3 e 4 –

O suspense na chegada a Ardooie. Os derradeiros 15 km da 3ª etapa foram de verdadeira adrenalina. A cada viragem, o perigo espreitou e o nervosismo instalou-se no pelotão. A mistura explosiva fabricada pelas acentuadas viragens, pelo estreitamento da via em alguns sectores da parte final, pelo terrível s colocado a 1,5 km da metade e pelos pequenos aguaceiros que se fizeram sentir na parte final, levaram as equipas a puxar a adoptar aquela postura irracional que normalmente nunca dá bons resultados. A queda de 4 corredores no referido s (sem consequências de maior para a integridade física dos atletas em causa) foi um mal menor. Assim que vi a primeira passagem pela meta pensei que a coisa poderia redundar numa queda colectiva de proporções dramáticas. Este tipo de chegadas trazem espectacularidade à prova, porque obrigam as equipas a lutar, metro a metro, pela dianteira do pelotão, mas por outro lado, contém uma alta percentagem de risco. Continuar a ler “Binckbank Tour – Etapas 3 e 4 –”

Binckbank Tour – Etapa 1 – O Cavalinho voltou a andar no ar

Não conheço nem conheci outro ciclista que celebre de forma tão efusiva as suas vitórias como Peter Sagan. Todos aqueles que por sorte (aquela sorte que não temos cá em Portugal visto que a nossa única prova de World Tour é a Volta ao Algarve) tem a sorte de conseguir um lugar ali perto da linha de chegada em etapas que venham a ser conquistadas por Peter Sagan, tem direito no final de etapa ao show acrobático do Cavalinho que é oferecido, literalmente de roda no ar, pelo bicampeão do mundo de estrada. Continuar a ler “Binckbank Tour – Etapa 1 – O Cavalinho voltou a andar no ar”

A imagem do dia

O belga Victor Campanaerts é novo campeão europeu de contra-relógio. Numa prova muita longa (46 km) que foi dificultada em vários pontos pelo vento que se fez sentir, o belga, ciclista que representa a Lotto-Jumbo NL conseguiu bater o principal favorito Maciej Bodnar (Polónia\Bora; ciclista que ainda recentemente venceu o segundo contra-relógio do Tour em Marselha) por 2 escassos segundos. Com uma postura corporal exímia, o belga fez os 46 km literalmente a fundo com uma média horária de 51,880 km\h. Tanto Campanaerts como Bodnar ultrapassaram a barreira dos 50,5 km\h da previsão mais optimista que foi feita pela organização.

Tiago Machado fez um resultado muito interessante (11º a 1.57m) que poderia ter sido bastante melhor se o vento tivesse dado tréguas na parte final. Com condições atmosféricas menos adversas, o “Homem do Bigode” poderia ter realizado facilmente um lugar nos 6 primeiros. Se Nelson Oliveira tivesse vindo ao contra-relógio, tenho a certeza que teria condições para lutar por um dos lugares no pódio. Rafael Reis fez um honroso 24º lugar numa prova onde as forças lhe faltaram a meio do percurso. Pouco habituado a cronos longos, o ciclista da Caja Rural veio a Herning ganhar um precioso ponto de experiência para o futuro. Para o ano estou certo que o atleta voltará mais forte e mais ciente dos erros que não deve cometer para poder finalizar a prova dentro dos 20 primeiros.