Versão 3.2 ou pós-32 de Barba Valero

barba valero

Na Fiorentina de Vincenzo Montella e Paulo Sousa havia, sobretudo, entre todos os craques que os dois técnicos orientaram nos planteis dos últimos 5 anos de vida do clube, um que se destacava dos demais pelo seu fino recorte técnico, pela sua exímia visão (estratégica) de jogo e tomada de decisão (sempre fora da caixa, procurando endossar o esférico para aquela solução que 90% dos médios não vêem ou não consegue ler em fracções de segundo; indispensável para qualquer treinador que almeje ter as suas fases ofensivas bem estruturadas, bem organizadas e repletas de momentos de criatividade e inovação), pela excelência do aveludado toque na bola e seu gesto técnico: Borja Valero.

Como uma vez afirmou Césare Prandelli em entrevista ao TuttoMercato “não fosse o facto de ser espanhol e de já ter actuado pela selecção espanhola, seria titular de caras em qualquer selecção do mundo. Até mesmo na Italiana. Se eu pudesse, convocava-o” – na altura desta afirmação, Prandelli era o seleccionador que iria conduzir a Squadra Azzurra até ao Euro 2012. Pese embora o facto de ter Pirlo no seu auge, Prandelli saberia como enquadrar outro thinker no seu meio-campo. Borja teve a infelicidade de nascer no dia errado, do mês errado, do ano errado, no país errado. Xavi, Xabi Alonso, David Silva, Cesc Fabrègas e Andrés Iniesta nunca lhe deram grandes oportunidades na Roja.  Continuar a ler “Versão 3.2 ou pós-32 de Barba Valero”

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Um mero e modesto apontamento sobre o invencível Inter de Spalletti

Entre o “Michaelangelismo” de Maurizio Sarri, pintura criativa da maior fineza estética que se pode ver por esses relvados mundo fora, estilo de jogo nada transalpino, e o pensamento clássico da história do futebol italiano (de Helenio Herrera, de Enzo Bearzot,  de old Trap, de Marcelo Lippi, entre outros que ajudaram a sedimentar a clássica forma de jogar italiana ao longo da história) Luciano Spalletti vai conseguindo levar a água ao seu moínho, ressuscitando o Inter de um percurso errático marcado por “anos de más escolhas directivas “- quer ao nível dos pseudo-treinadores passaram nos últimos anos pelo clube, quer ao nível das apostas realizadas no preenchimento de planteis, desde as apostas totalmente erradas que foram realizadas na contratação de veteranos que nada acrescentaram (foram dezenas os que lá passaram nas últimas 5 temporadas), apostas que revelaram algum desnorte e pura falta de estratégia de futuro, às apostas precoces (jogadores que se vieram a despontar noutros clubes como foram os casos Phillippe Coutinho, Diego Laxalt, Yann M´Vila, Alex Telles, Alfred Duncan) em jogadores que só explodiram após sua passagem pelo clube – e lançando novamente os nerazzurri na luta por qualquer coisa cuja forma ainda não é totalmente conhecida por ora, porque Spalletti continua a considerar que a equipa “ainda não está em condições de lutar pelo título” (o discurso interno do treinador poderá ser outro , conforme, claro está, o andar da carruagem) pese embora o facto de ter declarado, no dia da sua apresentação, que o seu “Inter” irá fazer bater muitos corações. 

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Os golos da jornada

Começo este post com o lance que deu origem ao primeiro golo do Inter na vitória dos nerazzurri por 2-0 sobre o recém promovido SPAL no jogo disputado durante a tarde de hoje no Giuseppe Meazza. A equipa de Luciano Spaletti está a conseguir realizar um prometedor arranque de temporada. Com 3 vitórias em 3 jogo e um futebol de um grau de qualidade muito aceitável, Spaletti parece estar a querer elevar o nível na formação nerazzurri. Veremos até onde este ciclo de vitórias se poderá estender.

Frente ao SPAL, modesta equipa patrocinada pela histórica e homónima empresa de porcelanas mundialmente conhecida que tem a sua sede na cidade de Ferrara (Emília Romagna; zona do vale do Pó) a formação do Inter teve algumas dificuldades para conseguir chegar ao primeiro golo em função das dificuldades criadas pela boa cobertura posicional do adversário no seu bloco recuado. Uma boa jogada realizada no interior do bloco adversário valeu a conquista (a João Mário) da grande penalidade que Mauro Icardi concretizou.  Continuar a ler “Os golos da jornada”

Os golos do dia

Começo pelo quentinho clássico disputado no Olímpico entre a Roma e o Inter (1-3) mais concretamente pelo lance do golo que deu vantagem aos romanos numa partida em que a formação de Eusébio Di Francesco mandou 3 bolas aos ferros da baliza de Samir Handanovic.

Bom trabalho de Grégoire Defrel a encontrar a linha de passe para Naingollan perante a desvantagem que possuia frente aos 2 jogadores do Inter que estavam a realizar a cobertura. O cruzamento do belga é soberbo assim como também é a desmarcação do ponta-de-lança bósnio no meio dos dois centrais da formação de Spalletti. Aproveitando a falha de marcação, o bósnio pede atempadamente a bola para as costas, posiciona-se no limite da linha defensiva, entra nas costas dos centrais, mata a bola no peito e coloca um daqueles remate secos dignos do killer instinct que só os grandes pontas-de-lança conseguem ter no momento de finalizar.

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O golo do dia

Do que tenho visto da participação do Inter na International Champions Cup, ou muito me engano ou Luciano Spaletti está a alimentar um verdadeiro, produto e proficiente “cavalão de corrida” para o contra-ataque. Continuar a ler “O golo do dia”

Dois anos de Paulo Sousa – zero evolução

Com muita pena minha como “tiffosi viola” o ciclo do técnico viseense (nem os Repesenses o quer neste momento) termina tal e qual como começou no Verão de 2015:

  1. com uma equipa com muitas dificuldades para sair a jogar a partir de trás (do sector defensivo; os clássicos “escorregões” que permitem imediatamente o lançamento de contra-ataques venenosos; ainda mais contra uma das equipas mais intensas que o futebol italiano tem para oferecer no capítulo da pressão e mais mortíferas no contra-ataque em virtude do virtuosismo técnico, da velocidade e da capacidade de finalização dos seus homens da frente)
  2. Um sector defensivo em que ninguém se entende, em que ninguém verdadeiramente comanda, em que existe sempre um homem que não é capaz de subir atempadamente no terreno para colocar o adversário em fora-de-jogo
  3. Um sector defensivo incapaz de cortar profundidade ao adversário. Imensa falta de intensidade nos momentos de pressão (se já custa aos defesas sair para criar a armadilha do fora-de-jogo, misturem essa dificuldade com um par de médios, Badelj e Vecino, que anda ali no meio-campo literalmente por andar, quando deveria estar em cima dos organizadores adversários para lhes “cortar” o tempo para pensar e executar de forma a permitir que a defesa possa subir)
  4. Um defesa central (Gonzalo Rodriguez) que mais parece interessado em fazer do campo um ringue de boxe
  5. Uma articulação ofensiva na transição que visa exclusivamente colocar a bola numa primeira fase para o ponta-de-lança (as famosas descidas de Kalinic no terreno) para que o croata devolva imediatamente para Ilicic ou para o Valero e “fé no que o Valero” possa fazer porque do Ilicic já sabemos que dos pés do esloveno só existe uma solução possível (um drible para enquadrar e chumbo para a baliza adversária).
  6. Muita falta de trabalho. 2 anos completamente desperdiçados pelos Viola com um treinador, castigados com a mais inteira justiça nos resultados obtidos: bye bye Europa League.

Os golos do dia

Ainda há uns dias escrevi aqui neste blog, para refutar de resto a ideia que alguns adeptos portugueses tendem a manter sobre o futebol italiano, que muitas vezes o tesouro encontra-se facilmente nas equipas do meio da tabela. Senão vejamos estes 3 momentos:

Empoli 3-1 Bologna

4 golos, todos eles de uma proeza técnica assinalável num jogo que teve um pace altamente frenético, pace que de resto é uma constante no Empoli das últimas 2 temporadas, apesar da equipa toscana estar neste momento a lutar arduamente pela manutenção na Serie A. Destaque evidente para o golo dos visitantes, golo no qual o jovem médio ganês Godfred Donsah, jogador que vem de uma nova escola de médios africanos de enormíssima qualidade (Amadou Diawara do Napoli, Assane Diousse do Bologna, Alfred Duncan do Sassuolo), serve com um passe de 60 metros a entrada de Simone Verdi no flanco direito, reduzindo ao minimalismo a acção de contragolpe da equipa da Emilia Romagna. O resto é um trabalho magnífico do extremo do Bologna sobre os defesas do Empoli para colocar a bola no enquadramento perfeito para o seu fantástico tiro de canhota! Continuar a ler “Os golos do dia”