Lauri Markkanen: Uma réstia de nada na troca realizada entre os Bulls e os Timberwolves

A notícia não apanhou praticamente ninguém de surpresa. O antigo treinador dos Bulls Tom Thibodeau há muito que almejava (na sombra, sem dar muito alarido) adicionar Jimmy Butler (e Derrick Rose; com a contratação de Butler, tem ganho força a ideia que Rose poderá ser o próximo alvo de Thibs, de forma a reeditar a dupla que fez crescer em Chicago; naqueles tempos em que ninguém dava um chavo por Jimmy Butler) ao seu plantel.

A suposta concorrência que se foi formando entre várias franquias pelo concurso do extremo acabou por ser um tremendo mito. Os Celtics afastaram-se do jogador de Chicago porque nos últimos dias validaram (após a troca de posições realizada com os Phildelphia 76ers; recebendo mais duas picks altas protegidas nos próximos drafts de Los Angeles e Sacramento) a escolha Jayson Tatum para uma posição de carência no seu rooster por falta de comparência de outra das soluções idealizadas. A franquia de Boston acabou por reiterar a sua aposta em Isaiah Thomas ao abdicar de um jogador como Markelle Fultz. De Cleveland, vários foram os rumores que fizeram apontar os holofotes para Butler. Todos os rumores que foram escritos por vários analistas acabaram por mergulhar em águas bacalhau. Em Dallas, Mark Cuban também ponderou a hipótese de vir a reforçar-se com o extremo mas nunca se falou algo em concreto. Minnesota chegou-se à frente e levou o jogador.

Mais uma vez parece-me que o front office de Chicago cometeu uma das suas habituais asneiras. Kris Dunn, Zack LaVine e o poderoso shooter finlandês Lauri Markkonen (7ª escolha do draft) acabam por ser fruta a menos para suplantar a perda de Jimmy Butler (mas no fundo, quem é que entre as primeiras 10 escolhas do draft tinha jogadores do mesmo estatuto de Butler disponíveis para a troca?) e a cedência da 16ª pick do draft. Se Markkanen apresenta muito potencial no lançamento e algum potencial por trabalhar no jogo interior, porque é incipiente para a altura que este apresenta, LaVine parece-me um caso perdido em virtude da lesão sofrida no ligamento cruzado anterior do seu joelho esquerdo Continuar a ler “Lauri Markkanen: Uma réstia de nada na troca realizada entre os Bulls e os Timberwolves”

Contenders? Para o ano há mais

Este poderia ser o frame de um jogo da Proliga portuguesa mas não, é a realidade nua e crua de uma final de conferência da NBA: uma equipa inteira a ver navios, sem qualquer vontade de se fazer à estrada! Ao intervalo do jogo (jogo? mais parece um espectáculo de exibição do que outra coisa!) que está neste momento a decorrer em Cleveland, os Celtics estão a ser novamente sovados, estando a perder por claros e inequívocos 72-31. Já não nos bastava termos que aturar a cegada que vai no Oeste por culpa do Zaza, para ainda termos que suportar este calvário de toda uma equipa in loco, quando o nível da coisa pedia efectivamente jogos de excelência.  Continuar a ler “Contenders? Para o ano há mais”

A liderança de Isaiah Thomas

Liderar uma equipa na NBA é precisamente isto. Quando o jogo está muito difícil (a equipa de Washington conseguiu vender cara a derrota; não foi um jogo perfeito ao nível de lançamento para a equipa de Washington com 44 em 96 tentativas, mas na verdade, John Wall com os seus múltiplos crossovers e os postes da equipa com vários lançamentos e com a realização de screens que permitiam boas situações de lançamento aos colegas, iam resolvendo no plano ofensivo) e a equipa chama pelo seu líder, este tem que ser capaz de assumir o jogo nos momentos decisivos, indiferentemente da sua eficácia. Dar o passo em frente nos momentos de pressão é o que distingue um líder nato de um jogador mediano que jamais irá liderar equipas.

Quando Isaiah é chamado a assumir o jogo no momento da decisão, o pequeno base é letal. Se até lá, Jay Crowder, Avery Bradley e os 33 pontos que vieram do banco conseguiram manter a equipa “encostada à discussão do resultado”, a equipa precisava de mais qualquer coisa para dar a sapatada no marcador no 4º período e no overtime que se seguiu. Foi nesse cenário que o base entrou em acção como lhe competia, com 29 pontos, com 11 lançamentos eficazes (3 triplos) em 17 tentativas, fora os lances livres em que foi 100% eficaz, os ressaltos que ganhou neste período e o roubo de bola que conseguiu no 4º período. Pode-se dizer que nos 17 minutos finais, o base de Boston fez portanto “um jogo dentro de outro jogo”, um jogo particular, no qual provou mais uma vez que “mata mais do que as vezes em que morre” – os sinais são muito positivos para Boston!

Bloco de Notas da História #17 – O Adeus do Sr. Verdade

Jogadores deste calibre deveriam ser eternos.

O jogo 7 da série (de 1ª ronda) Clippers vs Jazz marcou a despedida de um dos grandes ícones do basquetebol “da minha geração” – Paul Pierce despediu-se da modalidade aos 39 anos. O base Chris Paul ainda tentou, no sábado, à última da hora, perante o cenário de adversidade colocado pela equipa do Estado de Utah, tentar sossegar a nação dos Clippers na antevéspera do decisivo jogo contra os Jazz, ao afirmar que Pierce poderia estar descansado porque este não seria o seu último jogo na Liga. The Truth, deixa para trás um rasto indelével de uma carreira marcada pelo título conquistado em 2008 com o chamado “Big Three” (com Kevin Garnett e Ray Allen; eu cá chamo-lhe Big Four porque não nos podemos esquecer da influência que Rajon Rondo adquiriu dentro da equipa durante essa campanha) de Boston, pela distinção como MVP das finais desse ano e por várias presenças em All-Star Games. Ao mesmo tempo, o jogador retira-se como o 18º jogador com mais pontos somados na história da NBA.
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Não faças isso, John Wall!

Que maravilhosa dança do base dos Wizards à frente de Isaiah Thomas no jogo 1 da série entre os Celtics e a equipa de Washington, jogo que ainda está a decorrer.

A diferença entre os que querem mais e não podem e os que querem férias

Olhem a vontade com que esta jovem equipa foi “buscar” um jogo decisivo que parecia irremediavelmente perdido. Os Bucks foram ao fundo do poço tornar as suas fraquezas forças e quase conseguiram levar a série para a negra. Olhem, olhem bem…

E agora, depois de ter visto a garra com que o grego (e os seus companheiros voltaram a jogar), ponham os vossos olhos na falta de vontade que Chicago está a demonstrar no jogo 6 da série contra Boston. Tudo lento e lentinho no ataque e parado e paradinho na defesa.

Esta é a subtil diferença entre os que querem e esforçam-se para continuar a viver no sonho e aqueles que estão a fazer de tudo para irem já de férias. Esta é a subtil diferença entre aqueles que lutam por títulos e aqueles que por mais temporadas que joguem ficarão no baú dos esquecidos.

P.S: o Jerry Reinsdorf tem que por mão na coisa. E a verdade é que ainda não pôs porque felizmente os Bulls dão dinheiro como esterco. Quando não derem… O barco navega há anos de forma insustentável e a culpa é da dupla de nabos que não faz uma decente há vários anos. Se o proprietário dos Bulls quiser finalmente colocar esta equipa no rumo certo, deve aproveitar este verão para começar a varrer a casa a partir de cima, correndo com o péssimo front office que Chicago possui. E o resto? O resto vai por acréscimo. Já começo a desejar que meia dúzia de equipas levem esta cangalhada pelo menor preço possível para que o franchise possa finalmente afundar e emergir com uma nova e assertiva estratégia. 

3-2 para os Celtics e eu creio que a série terminou

Em Boston, depois de duas derrotas em Chicago em 2 autênticos match points que a equipa de Fred Hoiberg não soube aproveitar por culpa própria (no 4º jogo fizeram uma enorme recuperação de 20 pontos em virtude do upgrade defensivo realizado após a hecatombe que foi o primeiro período mas no momento da verdade, os Bulls voltaram a não conseguir fechar o jogo e já se sabe que nos playoffs quem não fecha jogos em tempo útil, acaba “morto”) os Bulls voltaram a baquear por culpa própria.

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1-2. Preocupação.

Ridícula. Lastimável. Um verdadeiro tiro nos pés. Existem mais adjectivos no dicionário de língua portuguesa para qualificar a fraca prestação dos Bulls no jogo desta noite. Isaiah Thomas e os Celtics tem conseguido bater-se taco-a-taco mesmo apesar de todos os contratempos pelos quais o seu líder está a passar durante a presença semana. Já os Bulls, à primeira ocasião, acusaram a ausência de um jogador porque pura e simplesmente não existe plano B no rooster para a posição. E isso notou-se claramente no jogo de hoje com a clara demonstração de falta de velocidade nas transições para o ataque, pouco critério na elaboração das jogadas (a bola a passar por várias mãos sem que algum jogador soubesse o que fazer com a bola), falta de critério na escolha dos lançamentos (a explicação para os números de Jimmy Butler) e uma certa incapacidade para conseguir criar situações de rotação que permitam a existência de um lançador sem oposição. No jogo desta noite, faltou o essencial do basquetebol na equipa de Chicago: um bom base. Um base capaz de organizar.

Uma equipa que apenas faz 14 assistências durante 48 minutos não pode vencer jogos de playoffs.

A atitude defensiva também foi uma lástima quando comparada com a atitude que os Bulls tiveram nos 2 jogos em Boston. Deu-me pena ver os habituais “enchedores de chouriços” (Payne, Lauvergne, Morrow, Denzel Valentine) terem mais agressividade a defender nos 4 minutos finais do que os restantes em 20\30 minutos de utilização.

Moral da história: ou a atitude muda rapidamente no próximo jogo ou então veremos os Celtics a desfilar nos próximos 3 jogos.

0-2 e uma meia surpresa a caminho

Quem anda nestas lides há algum tempo sabe que nos playoffs da NBA existe uma ligeira probabilidade (na casa dos 10%) das equipas que se colocaram nos últimos lugares de acesso aos playoffs eliminar na 1ª ronda as equipas que se posicionaram nas primeiras seeds. Nos últimos 11 anos, em 44 matchups realizados entre 1ºs e 8º classificados e entre 2ºs e 7ºs nas duas conferências, foram 5 as vezes em que as equipas do fundo eliminaram as equipas do topo. Várias foram também as ocasiões em que estas equipas obrigaram as equipas do topo a disputar a “negra”.

Os Chicago Bulls já participaram em duas ocasiões nessa estatística. Se nos playoffs de 2007, como 8ºs classificados do Este eliminaram curiosamente a primeira seed (campeões em título) que eram os Miami Heat de Dwyane Wade, em 2012, foram eliminados como 1st seed pelos 8os, os Philadelphia 76ers. Em 2017, pode-se dizer que estão bem encaminhados para eliminar os Boston Celtics depois de terem vencido fora os dois primeiros jogos da série? Parece-me claro que não podemos extrapolar ou forçar uma analogia entre as equipas (Bulls de 2012 e Celtics de 2017) porque ressaltam imediatamente várias diferenças de índole contextual: os Bulls de 2012 eram uma equipa muito mais “contender” ao título que os Boston Celtics e eram um colectivo com muitos mais jogos de playoffs disputados que os Celtics. Aliás, se compararmos neste campo esta equipa de Boston com a equipa de Chicago, percebemos que Dwyane Wade e Rajon Rondo tem juntos mais jogos disputados nos playoffs que todo o colectivo de Boston (263 jogos disputados pelos dois jogadores contra 246) e são jogadores anelados enquanto jogadores muito importantes das equipas pelas quais venceram o título. Nem D-Wade nem Rajon Rondo são hoje os jogadores que já foram (embora a classe continue lá) mas este é um factor que ajuda a explicar muita coisa, mas não explica tudo.

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Bravo Isaiah Thomas!

Que estofo, que coragem, que espírito de campeão perante uma adversidade tão grande! Os Boston Celtics acabam de anunciar que o seu base Isaiah Thomas, um dos mais senão o mais influente jogador da equipa, jogará o jogo 1 da série contra os Chicago Bulls, poucas horas depois de ter perdido num acidente de viação a irmã Cynthia de 22 anos.

É óbvio que o estado anímico do jogador estará uma lástima. Contudo, é no que mais amam fazer que estes seres humanos vão por vezes buscar a força necessária para superar os momentos de dor. Vários são os casos de atletas que superaram a dor, canalizando a sua raiva para as suas performances. Um dos exemplos foi um exemplo bem próximo de nós. Em 1982, quando era treinador-jogador do Sporting, o antigo seleccionador nacional António Oliveira decidiu entrar em campo numa eliminatória contra o Dinamo de Zagreb a contar para a antiga Taça dos Campeões Europeus no dia em que o seu pai morreu. Nesse jogo contra a equipa croata (campeã da extinta Jugoslávia), Oliveira seria o responsável por uma reviravolta épica na qual marcou um hat-trick. Assim que os adeptos iam conhecendo nas bancadas a notícia do falecimento do pai, não tardaram em brindar o jogador com uma monumental salva de palmas de pé.

Como adepto dos Chicago Bulls (irei ver o jogo que começa dentro de meia-hora) desejo sinceramente que Isaiah Thomas possa “esquecer” momento que decerto o abala e possa realizar uma exibição épica com a camisola dos Boston Celtics na noite de hoje. Mesmo apesar de acreditar com veemência que os Bulls são capazes de passar esta eliminatória com Boston na sua máxima força, espero que o jogador possa trazer a competitividade que se deseja neste confronto e neste dia tão peculiar.