Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?

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Nas últimas semanas, tenho lido por aí, tanto nas redes sociais, como na blogosfera e na imprensa especializada diferentes perspectivas sobre o plantel do Sporting, sobre as exibições e a evolução trilhada por alguns jogadores nas diversas dimensões do jogo, tomando sempre como ponto de partida para a discussão o modelo de jogo e as ideias de Jorge Jesus, bem como algumas opiniões em relação às necessidades ou carências mais urgentes que são ditadas pelas exibições, pela evolução dos jogadores (em especial, pelo grau de assimilação destes aos princípios e ideias do teinador) e pelas lesões que recentemente abalaram algumas das peças-chave deste plantel, muito por culpa de dois factores que devem ser imputados a Jorge Jesus: a gestão do plantel e a exigência do seu modelo de jogo.

Demolhados alguns dos argumentos lidos por aí e devidamente contrapostos com a minha análise do “estado das coisas” defendi no início da época e continuo a defender que o Sporting terá forçosamente que procurar, interna ou externamente, quatro reforços, fulcrais, para consolidar o leque de opções à disposição do seu treinador em quatro posições do terreno: para a posição de central, para a esquerda da defesa,  para as alas e para a posição de ponta-de-lança. Continuar a ler “Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?”

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Os golos do dia (1ª parte)

A alegria de toda uma nação (sofredora; a passar por um período muito conturbado da sua história; na qual, na sequência da Revolução da Primavera Árabe de 2011, passou de uma feroz ditadura para outra ainda mais feroz, a de Mohammed Morsi, entretanto derrubada em 2012 por Abdul Al-Sisi) nos pés de um único jogador, nos pés grande ídolo do futebol egípcio: Mohammed Salah. Confesso que me emocionei imenso ao ver estas imagens. Não me coibi até de verter uma lágrima quando vi os efusivos festejos dos 80 mil adeptos presentes no Cairo, festejos que me fizeram recordar os meus eufóricos festejos no momento do inesquecível do golo de Miguel Garcia em Alkmaar, daquele golo de Rochemback frente ao Newcastle, do golo de Acosta que nos abriu portas para um título inesquecível, daquele golo do Capel frente ao Athletic ou daquele golo de Figo frente aos ingleses no Euro 2000. Esta é a verdadeira essência do futebol: uma equipa que não desiste do seu sonho até ao último minuto, a explosão de alegria de uma gigantesca população de 96 milhões de pessoas que ama o futebol da cabeça aos pés. O grande colosso do futebol africano está de volta ao Mundial, 27 anos após a última presença. Salah sucederá certamente a Abdel Ghani (o barbudo!) como o rei do futebol daquele país.  Continuar a ler “Os golos do dia (1ª parte)”

Sporting – Findo o segundo ciclo, o que é que se perspectiva?

Por Miguel Condessa*

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Findo o segundo ciclo, o que se viu, o que se perspectiva…

Depois de 2 jogos, em casa, de enorme grau de dificuldade, creio que a maioria dos adeptos conscientes ainda não terá percebido bem se temos realmente uma equipa para ganhar títulos este ano ou não. Todos nós, sportinguistas, temos essa esperança mas uns acharão que ainda nos falta algo e outros já pensam que estão reunidas todas as condições – ainda por cima com o VAR! – para ser este ano o nosso ano!

Eu, confesso, inicialmente pensei que sim, contrariando até a minha ideia inicial que nunca seremos campeões com o Jesus, mas agora penso que ainda nos faltam algumas coisas… Tivemos já dois grandes ciclos de jogos – entre o início da temporada e os jogos da selecção. No primeiro ciclo, em Agosto, fizemos 6 jogos – Aves (f), Setúbal (c), Steaua (c), Guimarães (f), Steaua (f) e Estoril (c) – com 5 vitórias e 1 empate. Neste segundo ciclo, em Setembro, em 7 jogos – Feirense (f), Olympiacos (f), Tondela (c), Marítimo (c), Moreirense (f), Barcelona (c) e Porto (c) – conseguimos 3 vitórias, 3 empates e 1 derrota, sendo que nos últimos 4 jogos não vencemos nenhum!

É da minha opinião que temos um bom plantel, o melhor das 5 épocas do Bruno de Carvalho, com algumas lacunas, que nos dá uma boa base para trabalhar daqui para a frente. Este ano as aquisições foram bastante assertivas – a excepção será o Matheus Oliveira que não tem, nunca teve, e acho que dificilmente terá, andamento para jogar num clube como o Sporting – e tivessem sido assim nos dois anos anteriores de certeza que não tínhamos as limitações que temos e seriamos muito mais fortes. Continuar a ler “Sporting – Findo o segundo ciclo, o que é que se perspectiva?”

Alvalade – 11 e 45 da manhã

Facto inédito em Alvalade: um jogo marcado para a manhã de um domingo soalheiro de Maio. Sem pressão, sem nada a temer, sem objectivos para conquistar desde o jogo do Dragão, mas com um cenário em que, com um bocado de sorte, a manter-se a bitola exibicional dos dragões nas últimas semanas, em caso de vitória, o Sporting ainda poderia espreitar a qualificação directa para a Liga dos Campeões, facto que por si vale metade do orçamento previsível para a próxima temporada. Os adeptos responderam afirmativamente. Invertendo uma certa lógica do futebol moderno, os adeptos de uma equipa que caiu a meio da temporada, continuam a dizer “sim”, mesmo quando o futebol não é o melhor. Quer queiramos quer não, esta indústria vive de resultados e de espectáculo. Por vezes é o espectáculo que filtra a falta de resultados. Quando não dá espectáculo e não se atingem resultados, os clubes definham porque o consumidor não compra. Continuar a ler “Alvalade – 11 e 45 da manhã”

Hoje Escreves tu #14 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 2ª parte

Nota introdutória: este post é a 2ª parte do post aqui publicado durante o dia de ontem.

Por Miguel Condessa

A minha maneira de ver e pensar um plano para uma equipa de futebol, seja ela qual for, mas que também se aplica a qualquer equipa de qualquer modalidade com as devidas adaptações, passa por ir incrementando qualidade ano após ano. E um dia seremos campeões porque estaremos a cada ano mais fortes e mais apetrechados para o ser. Pode demorar 2 anos,3, 4, 5, alguns, mas chegaremos lá! Irá sempre depender de alguns factores internos, como de onde partimos, e alguns externos, como por exemplo em que patamar estão os nossos rivais. Esse plano passa por analisar uma época, vamos chamar-lhe a época zero, com incidência no 11 base e nos 14/15/16 jogadores mais utilizados, escolher 2 posições para melhorar e apostar em 2 boas contratações para essas posições de modo a serem titulares de caras. Depois, em paralelo, é ir preparando a boa prata da casa para um dia subir à equipa A e depois para um dia estar preparada para substituir um ou outro jogador que se tenha distinguido e seja vendido. Continuar a ler “Hoje Escreves tu #14 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 2ª parte”

Hoje Escreves tu #13 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 1ª parte

Por Miguel Condessa

Pontos prévios para perceberem onde me situo e onde situo o meu clube de coração para fazer esta análise:

  • O Sporting, dado o seu passado recente, chegou às mãos do Bruno de Carvalho (BdC) numa situação muito fragilizada em relação aos seus rivais, quer em termos de activos que possuía, quer em termos monetários/económicos, quer em termos de organização, quer do clube, quer da SAD, quer em termos de poder no desporto em Portugal! Estaria muito mais próximo do que é a realidade do Sporting de Braga do que seriam, e são, as realidades do Porto e, especialmente, do Benfica que nessa altura já dominava em quase todas as vertentes.
  • Não sou um admirador incondicional do Jesus. Reconheço-lhe mérito técnico-táctico como treinador, acho-o um bom treinador de campo, que lê bem os jogos, mas também lhe reconheço grandes deficiências noutras valias fundamentais a um treinador que, em conjunto com as primeiras, acabam por fazer o treinador no seu todo. Além disso acho-o uma pessoa muito limitada. É muito centrada no seu Ego, raramente assumindo os erros que comete – que não são tão poucos como isso. No geral acho-o um bom treinador, que poderia ser muito melhor se fosse uma pessoa mais culta e mais equilibrada, com a dose de humildade que normalmente os grandes seres têm – quem é grande, mesmo, nunca precisou de se colocar em bicos dos pés. Não é, nem pouco mais ou menos, o que pintam dele, e muito menos o que ele pensa de si próprio.
  • Jesus, no geral, é um treinador no mesmo patamar de um Vilas Boas, de um Marco Silva, de um Rui Vitória, de um Paulo Fonseca, de um Vitor Pereira, e até há pouco tempo até do Jardim, que esta época demonstrou que já está num patamar superior, mais próximo do Mourinho! Terá umas características melhores, outras piores, como todos. E, para mim, é a soma disso tudo que os coloca a todos num mesmo patamar, mesmo que determinadas características possam indicar um mais que os outros para determinado momento num determinado clube.
  • Diminuir esse fosso gigante requeria um trabalho monstruoso de reorganização a todos os níveis e uma elevada percentagem de acerto, quase a roçar o 100%, nas tomadas de decisão necessárias. No que ao futebol diz respeito, que é basicamente o que interessa para aqui, requeria uma acertada remodelação do futebol, a dispensa acertada do entulho que por lá havia e a contratação cirúrgica e acertada de novos jogadores, gastando pouco e bem, ao mesmo tempo se fazia um esforço para manter os bons jogadores que já tínhamos. Continuar a ler “Hoje Escreves tu #13 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 1ª parte”

Análise: Braga 2-3 Sporting – O suspeito do costume

Jogo muito agradável de seguir em Braga. Bas dost resolveu o difícil, num jogo em que o “difícil” o foi por culpa própria do quarteto defensivo do Sporting (em especial do seu defesa esquerdo Marvin Zeegelaar) e pela extrema eficácia do Braga no contra-ataque, capitalizando em lances de perigo todos os erros cometidos pelo Sporting nas transições para o ataque. O avançado holandês recuperou com o seu hat-trick 3 dos 5 golos que detinha de atraso em relação a Lionel Messi, relançando a sua luta particular pela Bota de Ouro Europeia.
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