A imagem do dia

inês henriques

A cereja no topo do bolo. O tempo foi impressionante. A corrida no seu todo foi impressionante. A portuguesa Inês Henriques, atleta da maior potência da marcha portuguesa, o Clube de Natação de Rio Maior, casa que formou uma grande parte dos melhores marchadores deste país (João Vieira, Susana Feitor, Sérgio Vieira, Vera Santos) conseguiu pulverizar o anterior recorde mundial em 2 minutos e 29 segundos. É obra.

 

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A imagem do dia

bolt

Momento de drama no Estádio Olímpico de Londres. Naquela que deveria ser a transmissão mais gloriosa da sua longa e vitoriosa carreira, a última de uma verdadeira segunda vida em que o seu principal rival foi a sua própria sombra e em que a vontade foi sempre de uma voracidade infinita, o músculo agarrou e a máquina foi parando lentamente até cair no chão, exaurida em dor. O valente cérebro do atleta jamaicano ainda quis chegar ao destino mas o músculo, velho e cansado, não lhe permitiu cambalear por mais de 5 metros. Por mais estímulos que o  Usain Bolt estivesse a sentir, o seu corpo atingiu o pleno de estado de finitude. O jamaicano não merecia esta despedida. Nenhuma lenda do desporto merecia despedir-se assim, de forma tão dolorosa, tão dolente, e tão dramática. A dor sentida na coxa não pode ser de forma alguma comparável à dor psicológica que o atleta deverá ter sentido naquele preciso momento. Continuar a ler “A imagem do dia”

Curvem-se os críticos perante o maior prodígio da história do Desporto Nacional

Desculpem-me a expressão mas a raiva que sinto não me permite ter outra linguagem: curvem-se todos os merdas deste país, todos aqueles que criticam sem ter feito um único salto (que não o salto do sofá para a cama) à grandeza e à excelência deste menino-guerreiro. Curvem-se todos os pseudo-críticos deste país, todos aqueles que lhe desejaram a morte, todos aqueles que, há bem pouco tempo, encheram o mural do perfil do rapaz com frases feitas do género “Estás acabado”, “estás velho”, “não vales nada”, “se mudares para o Sporting, nada irás ganhar” à capacidade de trabalho e de superação deste atleta bem como à sua vontade de vencer. Continuar a ler “Curvem-se os críticos perante o maior prodígio da história do Desporto Nacional”

Pierre Ambroise Bosse, o quebra enguiços

 

Não é só o nosso atletismo que está a passar por uma fase de decadência. É todo o atletismo europeu. Os africanos, atletas-heróis (de toda uma nação) em quem os seus países apostam sem olhar a meios (porque deles depende em muitos casos, a projecção internacional do orgulho de um país) e os africanos naturalizados à pressão pelas nações do Médio Oriente, países que, ao longo da última década, tem oferecido a atletas africanos excepcionais condições de treino, a possibilidade de contornar os numerus clausus impostos pela IAAF para cada país e\ou autênticos passaportes para a riqueza em troca da atribuição da cidadania e da sua participação nas grandes provas internacionais, não tem dado qualquer hipótese aos atletas europeus. Desde há 20 anos que assistimos, quer no meio-fundo, quer no fundo, a uma clivagem cada vez mais difícil de aproximar entre os atletas africanos e os atletas dos outros continentes. Continuar a ler “Pierre Ambroise Bosse, o quebra enguiços”

As inexplicáveis contradições deste mundo

Este mundo está definitivamente repleto de inexplicáveis contradições. O mesmo estádio que ontem aplaudiu, de pé, em puro estado de euforia colectiva, a vitória de um atleta somali naturalizado britânico (a família de Farah fugiu para Inglaterra da sangrenta guerra civil somali quando o jovem Mohammed ainda era uma criança de 8 anos) foi o mesmo estádio que, no ano passado, indivíduo a individuo, aprovou a construção, por parte do Ministério do Interior Britânico, de um muro em Calais para conter a migração para o Reino Unido dos refugiados sírios e africanos que se encontram espalhados pelo território francês.

O mesmo universo que idolatra o excepcional fundista é precisamente, ao mesmo tempo, o mesmo universo que teima em não conceder oportunidades a quem, procura na Europa, a mesma janela de oportunidade (para a vida) que foi procurada pela família do atleta no início dos anos 90.

farah

A corrida do somali-britânico foi pura e simplesmente fenomenal. Para bom entendedor, “meio acto basta” – para perceber o desfecho da prova, apenas precisei de ver os dois esticões promovidos pelo veterano aos 10 e aos 22 minutos da corrida. Já se previa a possibilidade dos quenianos virem a utilizar lebres para tentar desgastar o veterano mas Farah nem quebrou nem torceu. No último km, voltou a repetir o ritual que lhe granjeou tantos fãs ao longo desta última década. Com um passo decidido, o atleta foi para a frente e nem os dois tropeções na última volta o afastaram daquele que será, à priori (eu creio que Farah ainda tentará encetar uma breve carreira na Maratona para conquistar uma medalha nos Jogos de Tóquio) o seu último título da carreira.