1, 2,3 – O Cavalinho voltou a vencer outra vez!

Fazendo jus à letra da cantiga de intervenção uma vez escrita e interpretada pelo génio de João Mário Branco, o eslovaco bicampeão mundial Peter Sagan “veio de longe, de muito longe” para escrever, em Bergen, mais uma bonita página de história no seu percurso, no percurso da modalidade no seu país e nos próprios anais da história da modalidade, tornando-se em solo norueguês o primeiro ciclista de sempre a conquistar por 3 ocasiões consecutivas a camisola do arco-íris. O ciclista eslovaco gosta tanto da camisola que não a quer largar por nada. A correr em casa, frente ao seu público, Alexander Kristoff tentou, até à última pedalada, conquistar o direito de usar a camisola que Sagan transporta no corpo desde Setembro de 2015, altura em que conquistou pela primeira vez a prova nos mundiais de Edmonton. Por uma roda se ganha, por uma roda se perde. O ciclismo é cheia de injustas fatalidades. O norueguês teve que se contentar com a prata (a 2ª do seu país; Thor Hushovd continua a ser o único corredor norueguês a ostentar a conquista de uma medalha de ouro) de uma corrida que foi bastante animadas nas voltas finais ao circuito fechado onde se desenrolaram 4\5 do percurso desenhado pela organização presidida precisamente por Hushovd. Continuar a ler “1, 2,3 – O Cavalinho voltou a vencer outra vez!”

Anúncios

Bloco de Notas da História #32 – Poderemos repetir este momento amanhã, Rui?

Firenze, 29 de Setembro de 2017. Dia de eleições autárquicas em Portugal Fazendo jus a um ditado tão lusitano, nessa manhã\tarde, choveu literalmente o que “Deus tinha para dar” aos mais de 200 ciclistas que iniciaram, em Lucca, no coração da belíssima região Toscânia, região que recebe uma das mais vibrantes clássicas do calendário velocipédico internacional, a Strade Bianche, a 80ª edição da prova de estrada dos Campeonatos do Mundo de ciclismo.

À partida, a selecção da casa, o fortíssimo esquadrão de ataque comandado por Vincenzo Nibali (esta equipa continha entre outros o falecido Michele Scarponi e Filippo Pozzatto), constituía-se como a mais bem apetrechada e preparada formação para atacar a vitória na prova, tirada que era, à semelhança do que vai acontecer amanhã em Bergen, dividida entre um sector inicial corrido em linha e um circuito fechado final corrido nos arredores da capital daquela região. Outras selecções com pretensões, mais concretamente a Bélgica de Phillippe Gilbert (corredor que na altura estava a passar pelo maior período de ocaso da sua carreira) e Greg Van Avermaet, a Espanha de Alejandro Valverde e Purito Rodriguez, a Eslováquia de Peter Sagan, a Suíça de Fabian Cancellara, a Colômbia de Sérgio Henao e Rigoberto Uran, e a Grã-Bretanha de Christopher Froome (o ciclista britânico viria a desistir ainda antes da entrada no circuito final em virtude de uma estrondosa queda) tentariam contrariar ao máximo o favoritismo evidente da formação da casa.

A prova que se seguiu nas estradas da Toscânia foi, do princípio ao fim, um enorme e pujante vendaval de emoções para nós, portugueses, em virtude do memorável desempenho que estava a ser realizado por Rui Costa no decurso da etapa. A poucos quilómetros da meta, foram vários os sentimentos que me assaltaram a mente. Estávamos tão próximos de conquistar o mundial ou de conquistar, no pior dos cenários, uma medalha inédita. Rui Costa haveria de conquistar em cima da linha de chegada um feito histórico, feito que muitos trataram de vender, nos dias seguintes, como um resultado irrevogavelmente irrepetível nos “próximos 50 anos” (o fait divers político realizado por Paulo Portas nesse verão colocara a palavra na ponta da língua do povo). 4 anos depois (a vida dá efectivamente muitas voltas) poderemos voltar a repetir este feito, Rui?

Continuar a ler “Bloco de Notas da História #32 – Poderemos repetir este momento amanhã, Rui?”

Um dia histórico para o ciclismo feminino holandês

Annemiek van Vleuten (Bigla Pro Cycling Team) e Anna van der Breggen (Boels-Doelmans) alcançaram um feito histórico para o ciclismo holandês ao conseguirem conquistar a dobradinha na prova de contra-relógio de elites do Campeonato do Mundo. O feito já não era alcançado por qualquer selecção desde o ano de 1996, ano em que a histórica Jeanne Longo e a sua companheira de selecção Catherine Marsal tinham alcançado o mesmo feito pela última vez em Lugano.

P.S: Amanhã realizar-se-à em Bergen a tão aguardada prova de contra-relógio de elites masculinas, prova na qual irão participar Nelson Oliveira e Rui Costa. A prova terá o seu início às 12:05 portuguesas (13:05 locais). Este contra-relógio poderá marcar o primeiro embate entre os dois grandes concorrentes ao Tour nos próximos anos. Na dura crono escalada que encerra os 31 km de prova, a subida ao Monte Floyd, se tudo correr bem e se não existir qualquer surpresa (Vasil Kyrienka, Geraint Thomas, Tony Martin, também poderão ter uma palavra a dizer), teremos Christopher Froome e Tom Dumoulin ao despique pela medalha de ouro. 

Rui Costa partirá  para a estrada às 12:51 enquanto Nelson Oliveira apenas sairá às 15:12.

 

 

Antevisão aos campeonatos do mundo de ciclismo

peter sagan 5

Quem poderá suceder a Peter Sagan como o proprietário (no próximo ano) da camisola do arco-íris, símbolo da União Ciclista Internacional? Terá o próprio ciclista eslovaco capacidade para conseguir realizar em Bergen um feito inédito na história do ciclismo ao tornar-se o primeiro atleta a conquistar três vitórias seguidas na prova de estrada dos Campeonatos do Mundo? 

Os Mundiais de ciclismo estão aí à porta. De 17 a 24 de Setembro, cerca de um milhar de atletas dos mais variados escalões (dos juniores ao escalão de elites) e das mais variadas proveniências do globo tentarão, individual ou colectivamente (desde há alguns anos a esta parte tem-se realizado o contra-relógio por equipas) lutar por um sonho que é co-partilhado por todos os que participam na prova: conquistar o direito a possuir a camisola de arco-íris do seu respectivo escalão ou especialidade no próximo ano. Em Bergen, o palco escolhido pela UCI para a edição de 2017 da prova, teremos uma semanada de eventos compostos por 12 provas. Do contra-relógio masculino ou feminino por equipas à prova de estrada de elites (domingo, dia 24, com início marcado para as 10.05 de Bergen\9:05 em Portugal Continental), prova máxima que encerra as festividades, tentarei acompanhar o máximo número de provas, com especial incidência para as provas de sub-23 e elites.

Neste post irei como habitualmente realizar uma breve antevisão ao traçado desenhado pela organização norueguesa para além da indispensável apresentação das figuras, com especial relevo para as provas de estrada e contra-relógio do escalão de sub-23, para as provas do escalão de elites e para a participação portuguesa em todos os escalões de competição. Continuar a ler “Antevisão aos campeonatos do mundo de ciclismo”