Destruir lendas

jose mourinho

Nos últimos anos confesso que tenho sentido algumas dificuldades para criticar com abertura, frontalidade e sinceridade (sem que ter correr o risco de assistir à rápida lapidação ou delapidação e opressão da minha opinião pelos mais básicos argumentos dos bandeirinhas ou pelas frases feitas dos imberbes que à falta de conhecimento ou de tempo para investigar e conhecer a fundo o trabalho do treinador português, optam por colar habitualmente a sua opinião à opinião que é dita ou escrita pelos pretensos jornalistas especializados, alguns deles pagos a peso de ouro para escrever bem do português) os “trabalhos” que têm vindo a ser realizados nas últimas temporadas por José Mourinho, “um pouco” em virtude da maré de desconhecimento futebolístico generalizado que grassa no seio dos portugueses e do comportamento de manada que explora inteligente e activamente esse mesmo desconhecimento generalizado instalado, comportamento que deriva, em grande parte, da boa imprensa (do fino corte jornalístico, pago a peso de ouro para promover a lenda e o seu legado) que secularmente se atrelou ao técnico desde o dia em que aportou a Londres vindo do Porto. Enquanto perdurar a sua carreira, José Mourinho sempre será uma vaca sagrada do futebol deste país, indiferentemente dos resultados e da excelência do futebol praticado pelas equipas que este venha a orientar no futuro. Continuar a ler “Destruir lendas”

Encaixar que nem uma luva no modelo de um treinador

Contratado ao Torino no último dia de mercado, Davide Zappacosta tem actualmente menos de uma semana de trabalho com Antonio Conte, em virtude das sua presença nos trabalhos da selecção italiana no início do presente mês de Setembro. No curtíssimo período de uma semana de trabalho com o seu novo treinador e com um conjunto de jogadores que já absorveram grande parte das ideias do modelo do seu treinador, executando-as com um relativo grau de facilidade, sou obrigado a qualificar como admirável (face ao desempenho do jogador no jogo da noite de ontem) o conhecimento detido e assimilado pelo jogador em relação aos processos de jogo da equipa e às dinâmicas e movimentações que são pedidas pelo treinador para aquela posição.

Poucos são, por vários motivos (de índole física, táctica ou cognitiva), os jogadores que se conseguem entrosar tão bem numa equipa num curtíssimo período de dias. Raros são, pelos mesmos motivos os que, contratados nos últimos dias de mercado ou até a meio da pré-temporada conseguem encaixar tão bem (a curto prazo) no modelo de jogo dos seus treinadores. É certo e sabido que o grau de assimilação de um jogador ao modelo, aos princípios do modelo do seu treinador e aos processos de jogo realizados pela equipa estão intimamente ligados às suas funções cognitivas, em particular, à sua capacidade de atenção (assistir a um jogo e perceber os processos daquela equipa; assistir a uma palestra do treinador e perceber o que é que o treinador pretende do seu desempenho; manter o foco da sua observação sob cenários hostis) memorização (memorizar os imputs que são recolhidos) linguagem (compreender a linguagem que é utilizada), percepção e posteriormente de execução.

Ao observar a sua primeira partida como titular, fiquei com a impressão que Zappacosta “já trabalha com Conte há vários anos” quando de facto trabalha há vários dias, tal foi o grau de entrosamento do jogador na mecânica ofensiva da equipa. Vejamos:

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Análise – Final da FA Cup – Arsenal 2-1 Chelsea

2 anos depois da última conquista da competição, Arséne Wenger volta a conquistar a Taça de Inglaterra. No maravilhoso palco de Wembley, as duas equipas de Londres ofereceram-nos um daqueles espectáculos de encher o olho. O Arsenal finalizou uma temporada muito difícil da melhor forma, realizando uma extraordinária exibição contra o campeão em título, o Chelsea de Antonio Conte. O resultado de 2-1 acabou por não espelhar a predominância dos Gunners numa partida em que a formação de Antonio Conte cometeu muitos erros defensivos e foi-se deixando enredar na fabulosa teia estratégica tecida pelo treinador gaulês do Arsenal.

Olivier Giroud e Aaron Ramsey acabaram por ser os heróis da partida, num desafio em que sinceramente foi-me bastante difícil atribuir uma menção honrosa em virtude da prestação incrível de várias unidades do Arsenal. Num dos primeiros toques na bola após a sua entrada para o lugar do desequilibrador Danny Welbeck, o francês assistiu o galês para o golo da vitória, quebrando por completo um ligeiro ascendente do Chelsea (reduzido a 10 por expulsão de Victor Moses) no jogo.

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Conte, um Treinador com T grande

Com o título inglês obtido na noite de hoje, estou em crer que Antonio Conte solidificou finalmente a sua posição como um dos melhores treinadores do panorama mundial, faltando-lhe apenas neste momento uma conquista europeia, patamar que deverá decerto ser marcado como o grande objectivo do treinador do Chelsea para as próximas temporadas. No espaço de 8 anos, Conte saltou de uma vitória na Série B italiana com o Bari para a conquista do seu “4º título nacional”, vencendo o primeiro título fora de portas e, fora do espartilho de superioridade em que se encontra desde há vários anos a esta parte a Juventus no cenário italiano. Se os 3 títulos alcançados com a Juve se explicaram em parte pela superioridade de plantel dos bianconeri em relação aos restantes planteis das equipas da série A, o título inglês foi diferente porque revelou um treinador capaz de triunfar num cenário caótico com recurso a ideias muito bem cimentadas que se podem facilmente explicar em vários pontos: Continuar a ler “Conte, um Treinador com T grande”

Análise: West Bromwich Albion 0-1 Chelsea – Batshuayi torna-se o herói do 6º título dos Blues

O futebol também é feito de heróis improváveis! O belga Michy Batshuayi acabou de escrever o seu nome em mais uma página de história do Chelsea, ao apontar o golo que garantiu, com alguma emoção à mistura, o título dos londrinos. Quando todos já previam (face à excelente postura defensiva apresentada durante toda a partida pelo West Bromwich Albion de Tony Pulis) o adiamentos dos festejos dos londrinos para a próxima segunda-feira, dia em que o Chelsea cumpre o jogo que tem em atraso frente ao Watford, o belga, jogador que andou grande parte da época escondido no banco de António Conte durante o seu ano de estreia na Premier, saltou deste, na 2ª parte, para marcar o golo de uma vitória que conquista o 6º título de campeão para a formação londrina.
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Análise: Chelsea 3-0 Middlesbrough – Blues a 90 minutos do título, no dia em que o Boro voltou a dizer adeus à Premier

Num jogo que envolvia duas equipas em contra-ciclo na actual fase da temporada (o Boro precisava de uma vitória em Stamford Bridge para ainda acalentar o sonho de se poder manter na Premier League nas últimas duas jornadas) acabou por não ser difícil aos Blues de Antonio Conte aproveitar o escorregão do Tottenham na passada sexta-feira no Estádio Olímpico de Londres frente ao West Ham. A confortável vitória por 3-0 deixa os londrinos a 90 minutos do título na próxima sexta-feira no jogo que estes terão de realizar no The Hawthorns frente ao WBA. Por outro lado, o Boro viu hoje consumada a sua descida ao Championship, 1 ano depois do histórico emblema ter confirmado o regresso à Premier após vários anos de travessia do deserto no 2º escalão do futebol inglês.
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Aquele momento em que te apercebes que a defesa do Arsenal bateu no fundo!

Má cobertura dos espaços de defensivos, concentração de vários jogadores num curto espaço de terreno, facilitando o trabalho ao adversário na procura de espaços nas zonas do terreno que estão despovoadas (principalmente nas laterais porque os laterais do Arsenal colam-se aos centrais), falta de intensidade na pressão a meio-campo (Mohammed El Neny é um jogador sem qualidade alguma para estar num clube como o Arsenal; Granit Xhaka continua sem me convencer; para o Borússia de Monchengladbach o suíço foi o negócio do século), dois laterais que defendem muito mal (Bellerin ainda se safa no ataque) e dois centrais sistematicamente apanhados em contrapé porque não sabem o que é realizar uma marcação ao seu adversário directo.

arsenal 2

A coisa vai de mal a pior no feudo privado de Arsène WengerAs suas equipas nunca foram gabadas por serem um primor na atitude defensiva. Antes pelo contrário. Até nos anos em que o técnico francês levou o clube de Highbury a uma ímpar senda de títulos na sua história (13 entre 1997 e 2005) a coisa resolveu-se quase sempre através da colocação de um panzer (Patrick Vieira) à frente de uma dupla de centrais (Tony Adams\Steve Bould; Tony Adams\Sol Campbell) dura de rins e forte no jogo aéreo num sistema de defesa em linha que sempre funcionou com laterais de preponderância ofensiva. Nunca fui fã de nenhum destes centrais porque a estética andava arredada destes como o diabo tenta arredar-se da cruz. Nos primeiros anos de Wenger é legitimo afirmar que o possante médio francês resolvia grande parte dos problemas defensivos do seu compatriota porque era efectivamente um monstro no posicionamento, na pressão, no desarme e no capítulo da intercepção de passes. E não só. Muita da capacidade ofensiva da equipa também se devia facto do francês estar sempre disponível para ir buscar jogo de forma a iniciar as transições, para fazer maravilhosas aberturas e para abrir junto aos centrais de forma a que os laterais se pudessem projectar nos flancos. O resto é o típico W formado a meio-campo no 4x2x3x1

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