Tottenham Hotspurs e Christian Eriksen – todo um mundo!

Eriksen

O Tottenham Hotspurs é desde criança, o meu clube preferido em Inglaterra. Muito poucos o sabem. A minha mãe diz que eu tenho uma estranha tendência para torcer e para analisar o desporto pela óptica dos perdedores – desde miúdo que torço sempre pelas equipas mais fracas ou pelos atletas menos cotados. Tal sentimento deverá certamente ter começado quando, em 1995, vi, ao balcão, de prego à frente, o então jovem (de 17 anos) desconhecido Patrick Kluivert sair do banco para derrubar o todo poderoso AC Milan de Donadoni, Albertini, Boban e Savicevic, uma das equipas que actualmente venero pelo marco que se constituiu para a própria evolução do jogo. Em Itália, torço pela Fiorentina, muito à conta das formidáveis jogadas construídas pelo tonto Rui Costa e pela sua mascarilha Omar Gabriel Batistuta. Em Espanha, nunca fui nem do Real nem do Barça. Quando era puto torcia pelo Valência porque, reconheço, gostava imenso do futebol daquela geração de Mendieta, Vicente, Piojo López, Javier Farinós, Adrian Ilie, Goran Vlaovic. Com o passar dos anos, converti-me à causa basca, passando a torcer pelo seu Athletic. Para além da sua causa separatista e da sua peculiar filosofia auto sustentável (única num “estranho mundinho dominado pelo graveto”) fascina-me nos bascos a simpatia e o assolapado amor que os seus adeptos possuem pelo clube. Bilbao e Firenze fazem-me em certa medida lembrar Alvalade: não ganhamos nada de jeito há vários anos mas cá estamos todos os dias a viver intensa e apaixonadamente este clube como se fosse a última coca cola do deserto.  Continuar a ler “Tottenham Hotspurs e Christian Eriksen – todo um mundo!”

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Os golos do dia (1ª parte)

Começo pela sensacional reviravolta operada pelos Hammers de Slaven Bilic (a imprensa britânica decidiu qualificar esta vitória como um glorioso momento no qual os jogadores londrinos foram buscar engenho e forças ao fundo do poço para resgatar o seu treinador; técnico que estaria certamente por horas em caso de derrota, em virtude dos maus resultados que a equipa tem averbado para a Premier; Bilic rejeitou no entanto a crítica que lhe foi feita pela imprensa em relação ao estado de forma física da equipa) no derby londrino realizado na quarta-feira à noite frente ao Tottenham de Pocchettino em jogo a contar para os oitavos-de-final da Taça da Liga Inglesa.

A coisa não começou manifestamente bem para os Hammers no capítulo da organização da pressão, e da organização defensiva. Nos primeiros minutos da partida Bilic mandou subiu o bloco, colocando a sua defesa apontada na linha divisória do meio-campo, de forma a fazer subir as duas linhas que jogam à sua frente no terreno para pressionar em terrenos adiantados a saída para o jogo do adversário, estratégia que visou sobretudo a prossecução de 3 objectivos muito básicos: em primeiro lugar, impedir impedir que a formação de Maurício Pocchetino pudesse dominar a partida através da posse no seu meio-campo. Em segundo lugar, a estratégia inicial traçada pelo croata visou impedir que a formação de Pocchettino pudesse sair no contra-ataque, transição na qual os Spurs se tem revelado muito eficazes nos últimos jogos. Em terceiro lugar, a pressão alta poderia permitir à sua formação recuperar bolas para manter viva a sua iniciativa no meio-campo adversário, obrigando o adversário a encolher-se nos seu último reduto.

O primeiro golo do Tottenham nasce de um conjunto de erros cometidos pelos jogadores de West Ham na pressão e no capítulo da transição e organização defensiva.

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A suprema inteligência de Heung-Min Son e Christian Eriksen

Só os grandes médios, aqueles que fazem efectivamente a diferença num jogo de futebol, são capazes de ter um grau de compreensão tão elevado sobre o que fazer num lance em específico. No lance do primeiro golo do Tottenham frente ao Bornemouth, equipa cuja organização defensiva apresentada em Wembley em bloco baixo 5x3x2 (boa cobertura e rigor posicional, ou seja, a equipa nunca se desmanchou, nunca cedeu à tentação de pressionar alto; a verdade é que a circulação paciente executada pelos centrais do Tottenham à entrada do meio-campo adversário convidava os forasteiros a pressionar mais alto para abrir espaços para jogar entre linhas; linhas muito próximas para fechar o jogo entre linhas; 3 homens no corredor central com a missão de fechar as linhas de passe para o surgimento de Eriksen, Dele Alli, Kane ou Min entre linhas; pressão dos alas quando o esférico era circulado para as pontas; tentativa de ter sempre superioridade na zona para onde o esférico era circulado) dificultou e de que maneira a entrada dos spurs no último terço.

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Aos 47″, aproveitando um momento de relaxamento da formação adversária após o regresso das cabines, Son entrou bem entre linhas pela interior directa para receber o passe frontal de Davinson Sanchez.

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Com um “giro” na recepção, o coreano atraiu dois defensores (obrigando um dos centrais a sair da cabeça de área para pressionar), arranjando o espaço (assinalado a azul) para Eriksen penetrar no último terço pelo corredor central. A simbiose entre os dois jogadores é perfeita. O coreano cria o espaço. O dinamarquês apercebe-se que tem que entrar nesse espaço para receber.

O dinamarquês é feliz no ressalto, finalizando a jogada com o garbo técnico que lhe é amplamente reconhecido.

Os golos do dia

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Começo esta série de recortes pela vitória conquistada pela selecção checa no Azerbeijão (1-2). Num grupo decidido há 2 jornadas no que concerne aos lugares qualificáveis (a Alemanha confirmou ontem a sua natural qualificação directa para a Rússia ao bater a Irlanda do Norte por 1-3 em Belfast; a Irlanda do Norte seguirá ao que tudo indica para os playoffs, confirmando a ascensão que tem vindo a trilhar no actual cenário do futebol europeu desde há 5\6 anos a esta parte) o seleccionador checo Karel Jarolim aproveitou a deslocação até ao Estádio Olímpico de Baku para dar experiência internacional ao conjunto de jogadores com os quais vai decerto trabalhar nos próximos anos.

Ainda longe do altíssimo nível apresentado pelo glorioso elenco que compôs as históricas (finalista do Euro 96, p.e) selecções daquele país na última década do século XX e da primeira década do século XXI (autênticas constelações de estrelas do futebol europeu que tinham no seu elenco artistas como o guardião Petr Kouba, Jan Suchoparek, Pavel Nedved, Karel Poborsky, Pavel Kuka, Radek Bejbl, Pavel Srnicek, Patrick Berger, Vladimir Smicer, Tomas Repka, Jiri Nemec, Jan Koller, Tomas Rosicky, Marek Jankulovski, Milan Baros, Petr Cech, Tomas Galasek e Jaroslav Plasil) a nova formada de talentos do futebol checo, parece querer despontar novamente depois de um período de maior indefinição e erro, que foi amenizado contudo pela qualificação para o Europeu de 2016, beneficiando do alargamento do número de selecções promovido por Michel Platini. Continuar a ler “Os golos do dia”

O Rei Midas voltou

É inacreditável. Christian Eriksen é uma verdadeira barbaridade de futebol nos pés. Observe-se o comportamento do internacional inglês (Marco Dele Alli) assim que a bola chega aos pés do dinamarquês “na sua carreira de cruzamento” – O médio ofensivo sabe com precisão o espaço para o qual deve entrar e sabe que o médio dinamarquês vai lá colocar a bola (numa zona de morte para o guarda-redes; ou é rápido a sair ou corre o risco de ficar a meio da viagem).

Se me dessem a escolher um reforço para o meio-campo da minha equipa sem olhar a custos, escolhia o dinamarquês do Tottenham. A sua objectividade é por demais incrível. Os recursos técnicos que possui e a inteligência com que cria as suas próprias situações, tornam o futebol tão simples e tão eficaz.

Mérito a Maurício Pocchettino

Alguém se lembra do tenebroso medo que Eric Dier tinha há 3 anos atrás quando era chamado a “cobrir” as baixas de William na posição 6? Assim o foi na Luz em 2013\2014, palco onde, o versátil jovem inglês (jogador que Jesualdo tinha lançado na época anterior com relativo sucesso a defesa direito frente ao Sporting de Braga; sabíamos porém que o jogador ia dar um centralão de mão cheia) se sentiu terrivelmente perdido em campo, abrindo uma autêntica avenida ao entretanto “caído em descrédito” Enzo Perez – o futebol dá mesmo muitas voltas! Continuar a ler “Mérito a Maurício Pocchettino”