Vuelta – 16ª etapa – Meia botija de propano de Froome chegou para Froome ampliar a sua vantagem para toda a concorrência

Conforto. Comodidade. Controlo. No trajecto de 40 km realizado entre o Circuito de Navarra (Los Arcos) até Logroño (La Rioja), o ciclista britânico não cumpriu, na minha opinião, nem de perto nem de longe, o seu melhor desempenho da carreira na especialidade. No entanto, Froome conseguiu neste crono “o melhor de 3 mundos” – ganhou tempo considerável a toda a concorrência, facto que lhe permitiu duplicar a sua vantagem para o 2º classificado Vincenzo Nibali, fez uma gestão correcta das suas energias, e precaveu-se da possibilidade de vir a ter um dia mau na montanha dos próximos dias. A vantagem cavada para Nibali (1,58m) e para Kelderman (2:40m) será muito difícil de recuperar nas próximas etapas por parte destes dois ciclistas. Posso até afirmar que só vejo uma possibilidade para ambos: Froome terá que colapsar no Angliru. Continuar a ler “Vuelta – 16ª etapa – Meia botija de propano de Froome chegou para Froome ampliar a sua vantagem para toda a concorrência”

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Vuelta – 14ª etapa – Rafal Majka triunfa numa subida animada à Sierra de La Pandera

Veni, vidi, vinci! Assim que Rafal Majka perdeu um tempo significativo para os candidatos à geral individual na 3ª etapa em Andorra, no meu íntimo, confirmei a sua presença nas fugas nas etapas de montanha. Para vencer na dura subida de 13,7 km (categoria especial; pendente média de 7,3%) a La Pandera, na primeira das duas etapas explosivas de alta montanha que a prova oferece para este fim-de-semana, o chefe-de-fila da Bora só precisou (praticamente) de ser mais forte que todos os seus colegas de fuga na subida final e de manter um ritmo vivo para conseguir gerir a magra vantagem de minuto e meio que dispunha para o pelotão no início da subida

Numa extensa subida (parecia que nunca mais acabava) marcada por muitos ataques, por muita táctica, pela habitual vigilância e marcação entre os vários competidores da luta pelos primeiros lugares da geral e de muito jogo de cintura na hora de puxar, quem saiu a lucrar foi novamente Miguel Angel López da Astana. Com um ataque bem sucedido nos últimos 2 km, “Superman” López voltou a ganhar genica para tentar fazer pela vida de forma a poder subir mais uns lugares na geral. O colombiano voltou a ser a grande surpresa da jornada. Depois de ter conquistado uma etapa, o jovem de 23 anos apareceu em La Pendera com forças para continuar a sua cruzada até aos lugares cimeiros.  Continuar a ler “Vuelta – 14ª etapa – Rafal Majka triunfa numa subida animada à Sierra de La Pandera”

Vuelta – Etapa 12 – Tomasz Marczinski bisa na chegada a Los Dólmenes; Alberto Contador volta a dar espectáculo na montanha

Vuelta 2. World Tour 0. Se porventura dissessem, no início da prova, a Tomasz Marczynski que ele iria vencer duas etapas na dita, o polaco seria capaz de responder com uma tirada irónica. Qualquer ciclista com o potencial do polaco (3 vezes campeão nacional de estrada polaco; um palmarés com algumas vitórias, mas, quase todas em provas de menor importância e menor categorização) acredita que, num dia bom, pode conquistar uma vitória numa fuga, mas, daí até achar que iria vencer com imensa categoria duas etapas numa grande prova, vai um longo passo. Até à semana passada, o ciclista polaco nunca tinha conquistado qualquer etapa numa prova de World Tour. No espaço de duas semanas, conquistou 2 numa das maiores provas do calendário da categoria máxima.

Embalado pelo triunfo na semana passada, o ciclista polaco galvanizou-se quando acreditou que poderia surpreender todos os trepadores que consigo se encontravam no momento do ataque na 2ª categoria do Alto del Torcal.

Os grandes momentos do dia haveriam de ser protagonizados por dois homens: com um ousado ataque na subida para o Alto del Torcal, Alberto Contador voltou a ousar desafiar a liderança de Froome e os lugares dos 9 homens que se encontram à sua frente na geral, no dia em que Froome teve dois percalços que o levaram a perder alguns segundos para os mais directos rivais.  Continuar a ler “Vuelta – Etapa 12 – Tomasz Marczinski bisa na chegada a Los Dólmenes; Alberto Contador volta a dar espectáculo na montanha”

Vuelta a Espanha – 11ª Etapa – “Superman” Miguel Angel López vence no Observatório de Calar Alto; Chris Froome volta a defender a liderança

Com o seu dedo indicador bem erguido para o céu e consciente do que tinha acabado de fazer frente aos melhores desta Vuelta, Miguel Angel Lopez validou, na subida ao Observatório de Calar Alto, todo o potencial que lhe atribuem para o futuro. O colombiano nascido há 23 anos em Pesca, cidade da histórica região de Boyacá, casa de grandes trepadores responsável pela formação de uma generosa fatia dos grandes talentos dos “escarabajos” (Nairo Quintana, Winner Anacona, Edward Beltran, Fabio Parra, Ivan Parra, Dayer Quintana, Daniel Rincón e Maurício Soler) confirmou no Alto do Observatório de Calar Alto a razão que leva muitos analistas a apontá-lo com um dos mais promissores nomes a ter em conta para as grandes voltas do futuro. Depois de ter conquistado as gerais individuais de provas como a Volta à Suiça ou o Tour de L´Avenir (Volta à França do Futuro) e de ter conquistado também importantíssimas vitórias na Volta à Colômbia (1 etapa e a geral para sub-23), Vuelta a Burgos (3 etapas e a classificação da Juventude em 2015), na Clássica Milão – Turim, e na Ruta de San Luís (1 vitória de etapa e Prémio da Juventude), o colombiano pode juntar ao seu currículo uma fantástica vitória alcançada numa etapa de montanha da Vuelta, sem ter necessitado, para o efeito, de sair numa fuga.  Continuar a ler “Vuelta a Espanha – 11ª Etapa – “Superman” Miguel Angel López vence no Observatório de Calar Alto; Chris Froome volta a defender a liderança”

Vuelta – 9ª etapa – Froome voltou a ser rei e senhor desta Vuelta no Alto de Puig de Llorença

Intratável. Obstinado. Confiante. Dominador. No Alto de Puig de Llorença, ascensão que abrilhantou o final da 9ª etapa (a última antes do primeiro dia de descanso, cumprido durante esta segunda-feira) o grande patrão do ciclismo mundial voltou a demonstrar quem é que manda nesta Volta à Espanha.

Eu não sou nem nunca fui grande fã de Froome, antes pelo contrário, sempre o odiei e nunca percebi como é que um ciclista semi-desconhecido que nada tinha feito de positivo na sua carreira até aos 25 anos, conseguiu de um momento para o outro, conquistar um 2º lugar na geral de uma prova de 3 semanas (Vuelta de 2010; o melhor resultado até então obtido numa grande volta tinha sido um modesto 36º lugar no Giro no ano anterior) e partir desse resultado para um verdadeiro ciclo de dominação sobre toda a sua geração. Confesso também que ao longo dos últimos anos fui um dos questionou seriamente (quando pude ver o ciclista a limpar etapas no Tour com uma cadência monstruosa) a “limpidez das suas prestações” – tive momentos em que pude ver nas suas prestações alguns lugares-comuns ao rendimento outrora demonstrado por Lance Armstrong no Tour. A cadência imprimida pelo inglês nos ataques que lhe deram as primeiras vitórias no Tour assim o faziam suspeitar. O rendimento do corredor da Sky não era de todo normal. Nesta Vuelta, o ciclista britânico voltou “às suas origens”, ou seja, a uma estratégia em que o ataque é a melhor defesa. Parece-me claro que esta estratégia se deve sobretudo ao facto do inglês não ter uma equipa tão pujante a acompanhá-lo, ou, melhor, uma equipa tão pujante quanto aquela que o acompanha no Tour. No entanto, os ataques realizados nas explosivas rampas que a prova espanhola tem oferecido nesta primeira metade, indiciam que, mesmo apesar de não se encontrar ao mesmo nível de forma em que se encontrava no Tour, sempre que ataca, Froome é melhor que toda a concorrência e não é, tão expansivo e tão denunciado quanto foi no passado Lance Armstrong. Continuar a ler “Vuelta – 9ª etapa – Froome voltou a ser rei e senhor desta Vuelta no Alto de Puig de Llorença”

Vuelta – 8ª Etapa – Julian Alaphillipe vence no Xorret de Catí; Christopher Froome volta a demonstrar a sua supremacia

Na última das 4 etapas de colinas\média montanha que fecharam a diabólica primeira semana da competição, as duras rampas dos 5 km da ascenção ao Xorret de Catí, subida cujas pendentes oscilaram entre os 11% e os 21%, tivemos direito aquele que me parece ter sido, na minha opinião o melhor espectáculo da prova até ao momento.

Julian Alaphillippe (Quickstep) pode, a partir de uma fuga, abençoar o seu regresso à competição após 6 meses de paragem e Christopher Froome voltou a dar uma valente malha nos seus rivais mais directos. Com um ataque, o ciclista britânico deu mais um passo para o cumprimento dos objectivos para os quais tem estado a lutar com afinco, foco, tenacidade e obstinação. Numa condição física excepcional, o chefe-de-fila da Sky, nem parece ter corrido há um mês atrás o Tour. As “ganas” de querer juntar à vitória alcançada na geral do Tour, a sua primeira vitória na Vuelta (tornando-se assim o 13º ciclista da História a conquistar duas grandes voltas no mesmo ano; o 3º a conquistar o Tour e a Vuelta no mesmo ano; até ao presente, apenas Bernard Hinault e Jacques Anquetil conseguiram alcançar tal feito) têm conduzido a estratégia do ciclista britânico, estratégia que tem sido uma espécie de regresso às suas origens. Na prova espanhola, Froome tem sido mais ofensivo e menos controlador (consequências derivadas do facto de não ter uma formação tão boa quanto aquela que apresenta no Tour) do que aquilo a que nos habituou. No Xorret de Catí, Froome voltou a atacar, levando consigo, apenas, Alberto Contador. Continuar a ler “Vuelta – 8ª Etapa – Julian Alaphillipe vence no Xorret de Catí; Christopher Froome volta a demonstrar a sua supremacia”

Tour de France – 20ª e 21ª etapa – O inevitável epílogo

A 50 metros de fechar a 4ª vitória no Tour, Chris Froome mostrou um raro sorriso. Sem manifestar muito entusiasmo, aquele natural entusiasmo de quem acabara de escrever mais uma página de História na sua vida, na vida da prova que acabara de vencer, e até na modalidade em que é indiscutivelmente um dos Grandes, o britânico esticou o braço, ergueu o punho e tratou de dar uma pancada nas costas ao seu fiel escudeiro Michal Kwiatkowski. “Missão cumprida” – deverá ter pensado momentaneamente o britânico quando decidiu ter aquele gesto de carinho para com um ciclista que teria, em condições naturais, com uma equipa minimamente interessante às costas, capacidade para lutar por um lugar no top10 da geral individual. No fundo, quem é que desta equipa não teria capacidades para lutar pelo top10? Landa. Nieve. Henao. Kwiat. Thomas. Até o próprio Nieve se lhe fossem concedidas possibilidades para trabalhar no sentido de se apresentar na forma francesa em forma e com objectivos em mente.

Esta vitória foi efectivamente mais dura que as anteriores. O conjunto de situações que retiraram 2 dos principais rivais da prova foram só duas condicionantes que atenuaram o caminho ao britânico. Bardet, Uran e Aru foram, em momentos distintos da corrida, ossos duros de roer para o super ciclista. O inglês passou no exame. Desta vez o ciclista inglês nascido no Quénia, não foi obrigado (e em muitas etapas os adversários não o permitiram) a pintar a corrida com a sua indelével marca de água. Não vimos um Froome expansivo. Não vimos um Froome aventureiro. Vimos um Froome calculista e bem secundado por uma equipa escolhida a dedo que não cometeu grandes falhas nos momentos cruciais da prova. O colombiano, 2º classificado da geral, o francês da AG2R, o italiano da Astana e outros ciclistas como Daniel Martin, Barguil, Simon Yates, deram mostras sólidas daquilo que podem vir a realizar no futuro. Para o ano podemos ter Mikel Landa a correr por outra equipa porque nota-se a milhas que o espanhol não está contente com o seu papel dentro da equipa Sky. Tom Dumoulin, será, ao que tudo indica, a aposta da Sunweb para o Tour do próximo ano. O holandês poderá ser, em virtude da sua combatividade na alta montanha, do seu calculismo apurado, e da versatilidade provida pela sua altíssima especialidade no contra-relógio, a autêntica sombra de Froome nas próximas edições da prova francesa. Richie Porte também aparecerá em 2018 mais forte. O australiano deverá querer decerto fintar o azar que o vitimou na edição deste ano de forma tão precoce quando a corrida estava definitivamente a abrir. O australiano é louco o suficiente para tentar, tentar, tentar até aos 45 anos e só irá ficar satisfeito quando puder vencer o Tour. Alejandro Valverde poderá efectivamente não voltar à prova francesa mas Nairo Quintana não será o modesto NairoMan que vimos, fruto do cansaço acumulado devido à participação no Giro, na prova deste ano. Thibaut Pinot também deverá apostar à séria na edição de 2018, para vingar o mau desempenho geral da equipa FDJ na sua “prova rainha” da temporada. A estes nomes irão naturalmente acrescentar-se outros da nova geração. Manny Buchmann, Julien Alaphillippe (faltou à chamada por lesão), Adam Yates, Jan Hirt, Pierre Roger Latour, terão o seu espaço para crescer e para brilhar no futuro. O nível vai subir daqui em diante. Froome sabe. Toda a gente que segue esta modalidade, sabe. Vencer uma grande volta será cada vez mais difícil para um ciclista, indiferentemente do seu estatuto e da sua qualidade. O que não falta na hodiernidade da modalidade é talento, competência e vontade no pelotão internacional.

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