Mas o que é isto?

Para além de ter sido pouco ético e de ter prestado um péssimo exemplo a todos aqueles que actualmente se iniciam na arbitragem, a linguagem utilizada por Jorge Sousa no episódio protagonizado pelo árbitro no jogo desta manhã entre a formação do Real Massamá e a equipa B do Sporting violou alguns dos preceitos de conduta plasmados (e devidamente sancionáveis) em vários dos regulamentos da FPF e da Liga. A começar pelo próprio regulamento da arbitragem, no seu artigo 17º.

O Regulamento Disciplinar das provas organizadas pela Liga de Clubes também é muito claro quanto Às sanções que devem ser aplicadas aos árbitros que adoptem o uso de expressões grosseiras perante qualquer outro agente do jogo.

3 a 15 jogos. Faça-se justiça nesta questão.

A atitude do árbitro da AF Porto ganha outra dimensão se atentarmos ao facto de ter sido cometida por um árbitro experiente, detentor das insígnias da FIFA e da UEFA. Não estamos a falar de um erro cometido por um maçarico qualquer que acabou de sair do curso de arbitragem. Estamos a falar de um erro de condução grosseiro cometido por um árbitro cuja experiência acumulada na condução de jogos de alto nível já lhe deveria ter fornecido as ferramentas necessárias para conseguir lidar com todas as incidências de um jogo de futebol. Com calma e alguma contenção verbal. Por outro lado, o exemplo prestado para a toda a comunidade foi péssimo. Com que imagem de Jorge Sousa ficaram todos aqueles que viram a sua conduta? Que moral tem a APAF para vir pedir respeito de toda a comunidade perante os seus associados quando são os seus associados os primeiros a faltar a esse mesmo respeito? Um árbitro deve, acima de qualquer outra atitude, pautar a sua intervenção no jogo com base numa postura correcta, educada e pedagógica, postura que Jorge Sousa não teve.

Má fé ou provocação? Não podemos ignorar os ódios de estimação sentidos por alguns árbitros contra determinados clubes. Esses ódios de estimação, provocados por clubite, por influencia de terceiros ou por pura inimizade com um agente de uma das equipas, leva alguns árbitros a assumirem verdadeiras posturas de provocação quando são nomeados para apitar em determinados campos. Quando Hugo Miguel vai a Alvalade, por exemplo, várias as situações em que o já vi dirigir-se aos jogadores do Sporting com a mesma arrogância, altivez e rispidez com que Jorge Sousa se dirigiu ao guarda-redes da equipa B do Sporting. Claro que a adopção deste tipo de comportamentos e condutas visa condicionar o rendimento dos atletas.

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Vamos a isso! Marco Ferreira deverá ser o primeiro a falar

Vamos a isso!

Para que não hajam dúvidas em relação ao que vou escrever neste post, sinto a necessidade de deixar uma nota prévia: ao longo do último ano passei a respeitar Marco Ferreira. Já o respeitava enquanto árbitro porque sempre me pareceu competente e imparcial. Não tenho também qualquer pejo em afirmar que o antigo árbitro madeirense foi um dos melhores da sua geração. Não me devo também sentir acanhado para dizer que Marco Ferreira foi obviamente prejudicado (na sua descida de categoria) pelo sistema montado por Luís Filipe Vieira. Há umas semanas atrás percebemos que as notas negativas do madeirense na temporada em que desceu de categoria foram manipuladas através do modus operandi que foi aqui revelado.

No preciso momento em Marco Ferreira afirmou que o antigo presidente do CA\FPF Vítor Pereira lhe ligava nos dias anteriores aos jogos do Benfica (que o madeirense ia apitar) para lhe dar a dica de que “tudo teria que correr bem” (um autêntico crime de coacção) o meu nível de respeito pelo madeirense subiu, para descer quase imediatamente quando, no dia seguinte, decidiu dar o dito por não dito. Mesmo assim, mantive-lhe a minha admiração e consideração porque sei que Marco Ferreira é uma pessoa íntegra, recta, sincera e… (para muitas pessoas é um defeito, para outros é a linha pela quais se cosem os homens que vivem de espinha direita) de coração na boca. Nos últimos meses, o madeirense tem sido uma das vozes mais assertivas em relação à podridão que é a arbitragem no futebol português. Naturalmente. Marco conhece na perfeição todas as esquinas dos jogos de bastidores que se passaram nos últimos anos na arbitragem portuguesa.

Neste post em concreto, Marco Ferreira criticou (na mouche) o carácter mercenário de toda uma classe (uma autêntica vergonha; pessoas sem o mínimo pingo de dignidade), deixando ao mesmo tempo um apelo revelador que nada tem de enigmático: os árbitros estão mesmo protegidos sobre um manto e tem muito para contar sobre esse manto protector. Contudo, tenho obrigatoriamente que lavrar uma crítica ao madeirense.

Em relação às acusações proferidas contra Vítor Pereira, não ficámos suficientemente esclarecidos. Existiam ou não existiam pressões directas para que o madeirense beneficiasse o Benfica nos jogos em que apitava o clube da Luz? As pressões eram realizadas da forma descrita com a linguagem descrita ou iam para além da forma descrita? Antes de incitar quem quer que seja a por a boca no trombone, creio que Marco Ferreira deve à sociedade esse esclarecimento . Assim como também deve à sociedade (pela via das autoridades competentes; é um verdadeiro dever de cidadania) todos os esclarecimentos (plausíveis) que possam ser úteis à investigação que está em curso.