O segredo esteve no engodo criado nos primeiros 15 minutos da segunda parte

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O parco conhecimento sobre futebol que possuo já me permite obter, em 2 ou 3 minutos de observação de uma equipa, um conhecimento mais ou menos alargado (e rigoroso; na maior parte das vezes rigoroso) sobre o modelo de jogo, processos (ofensivos e defensivos) e métodos de treino de uma determinada equipa ou treinador. Nesses 2 ou 3 minutos tento, identificar, com olhos de falcão, os processos de jogo padronizados (se bem que a padronização dos processos a médio e longo prazo é sinónimo de previsibilidade) e os diversos comportamentos assumidos em campo pela equipa (colectivamente) e pelas suas partes (os jogadores). Ao fim de 2 ou 3 observações, consigo perceber também as mais-valias que um jogador oferece às ideias e princípios de um determinado modelo trabalhado por um treinador, as suas lacunas e a forma em como se pode optimizar o seu rendimento.  Para quem assiste diariamente a jogos de futebol comigo, não deverá achar estranho se ao final de 5 minutos estiver em condições de dizer que tal equipa utiliza um processo de circulação x, com um comportamento y em momento defensivo. Tal análise leva-me indubitavelmente a crer que para criar problemas defensivos à equipa z, a equipa b precisa de praticar determinado tipo de processos, aplicar determinado sistema de pressão, limitar as acções do jogador d e assumir um determinado comportamento na sua organização defensiva ou explorar um determinado tipo de acções onde um dos seus jogadores é forte ou é criativo, por exemplo.

Na análise ao jogo da 1ª mão pude escrever que para desbloquear os jogos contra as equipas que praticam o mesmo modelo que é praticado pela formação romena, o Sporting teria de assumir uma de várias posturas:

Como é que se desbloqueiam jogos contra este tipo de equipas?

Existem a meu ver várias maneiras para desbloquear este tipo de adversários:

  • Recuando o bloco – O Sporting baixa as suas linhas, dá a posse ao adversário e com a posse leva o adversário a assumir um comportamento ofensivo mais expansivo e empolgado no qual mete mais unidades nos processos ofensivos, para, capitalizar todos os erros que possam ser cometidos na circulação a meio-campo. Uma equipa mais balanceada, com mais unidades presentes nos momentos de construção e criação, é uma equipa tendencialmente mais exposta defensivamente, porque nem sempre poderá ser rápida a fazer a transição para o momento defensivo.
  • Chamando a pressão adversária com uma circulação de bola mais prolongada à saída do seu meio-campo para que o Steaua sinta vontade de subir as suas linhas para pressionar mais alto. A subida de linhas permite a obtenção de espaços para jogar entre linhas se existir uma saída ordenada e em bloco ou permite o lançamento de mais bolas para as costas do adversário.
  • Rotação constante do segundo avançado entre o corredor central e as faixas para auxiliar tanto o jogo exterior (triangulações) como o jogo interior (fixando-se entre linhas para receber, virar, fintar ou servir desmarcações). Podence é um jogador capaz de cumprir estes requisitos.
  • Troca posicional constante ao longo do jogo. Já vimos que Acuña dá-se bem com o jogo interior e até o procura quando não tem bola no flanco ou quando é Coentrão quem sai a jogar. O Argentino sabe sempre o que fazer à bola. Pode assistir. Pode tentar cair sobre os defesas adversários em drible. Pode rematar de meia distância sempre que tiver uma aberta para tal. Porque não alterar o actual estado estaticista que se pode observar com clarividência ao longo de vários momentos do jogo com trocas posicionais entre Podence e Acuña, por exemplo?

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A falta de criatividade e a previsibilidade de processos dá neste tipo de empates chochos

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Na Vila das Aves acreditei. O recuo de linhas foi fulcral para se atingir o resultado que se atingiu. Os dois golos da vitória nasceram em períodos do jogo nos quais o recuo do bloco deu a ilusória sensação ao adversário que estava por cima no jogo. O Aves expôs-se e o Sporting capitalizou em duas acções no contra-ataque. Frente ao Setúbal duvidei. Frente ao Steaua confirmei: o Sporting terá imensas dificuldades para bater todas equipas que se apresentem em bloco recuado em Alvalade.

Não é preciso ser um génio do futebol para se compreender a previsibilidade dos processos ofensivos da equipa de Jorge Jesus. A equipa sai bem a construir de trás (porque o sistema de pressão do adversário o vai permitindo) chega bem aos 60 metros mas aí, aí meus caros leitores, começa toda uma construção previsível (excessivamente flanqueada) onde não existe um pingo de dinâmica e um pingo de criatividade. Continuar a ler “A falta de criatividade e a previsibilidade de processos dá neste tipo de empates chochos”