500 gramas de Dor de Corno à Portuguesa

Não pude deixar de observar no meu feed de facebook, as declarações proferidas por Gastão Elias em relação a Denis Shapovalov no final do jogo que ditou a sua eliminação na 2ª ronda do qualifying do US Open frente ao tenista canadiano. No final de uma partida em que o português cometeu, sublinhe-se, demasiados erros, Elias foi peremptório na observação ao ténis do adversário.

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Créditos para o Bola Amarela. 

Gastão deve ter sentido uma amiúde dor de corno por ter perdido contra um jogador que, à semelhança do que sucedeu no passado no início da sua carreira, também é considerado um prodígio. O “normalzinho” ganhou ao antigo prodígio, à “vedeta” (ao antigo pino, perdão, colega, de treinos de Roger Federer, ao geniozinho da estratégia de jogo que nunca saiu do armário; ao prodigiozinho que Nick Bolletieri alegadamente treinava para ser top 10) que nunca o chegou realmente a ser. Ou será que foi Gastão quem, ao longo destes últimos anos se tornou “normalzinho” e o “normalzinho fogo de vista” para Gastão tem efectivamente todo o ténis para se tornar a vedeta que Gastão nunca foi e nunca será?

A humildade. Esta é a subtil diferença entre um miúdo talentoso e humilde que cavalga entre os grandes nos Masters 1000 e nos Grand Slams (caem todos aqueles backhands a uma mão e aquele serviço de esquerda; já caíram na presente temporada Nadal, Juan Martin del Potro, Jo Wilfried Tsonga, Kyle Edmund) e um atleta que, aos 26 anos, está 84 lugares abaixo no ranking e nunca ganhou a qualquer jogador de top 20 quanto mais de top 10 mundial.

P.S: Elias foi eliminado nos quartos-de-final de um Torneio Challenger no mesmo dia em que Denis Shapovalov fez história no US Open. 

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O algodão não engana

Denis Shapovalov. Memorizem o nome. Dentro 2 ou 3 anos começaremos a ver o jovem talento de 18 anos (actual 143º do ranking ATP) na crista da onda do ténis mundial. A carinha laroca até pode indicar à primeira vista a ingenuidade própria da idade. A qualidade do ténis praticado, não. O ténis do miúdo canadiano (nascido em Israel; filho de pais russos) indica maturidade, técnica, estratégia, compromisso, profissionalismo e acima de qualquer outro atributo, frieza. Muita frieza.  Continuar a ler “O algodão não engana”