Os golos da jornada (1ª parte)

Face à muralha de jogadores que o adversário colocou na área, Wijnaldum foi obrigado a sacar dos galões para encontrar espaço para disparar aquela bomba. No entanto, no início da jogada, com aquele pequenino toque de excelência técnica, o holandês teve o mérito de desmontar por completo a linha média adversária, abrindo espaço para a saída para o contra-ataque.

Depois de um arranque algo irregular na Premier, arranque no qual, pesem os interessantes e bem trabalhados pormenores demonstrados pela equipa no capítulo da organização da pressão (“a menina dos olhos de Jurgen Klopp”) e da transição para o contra-ataque (pormenores que permitiam à equipa passar rapidamente de uma mentalidade defensiva para uma mentalidade ofensiva, procurando servir, com pragmatismo em profundidade, em cada recuperação, as velozes investidas dos seus homens da frente, em especial as de Sadio Mane e Mohammed Salah) acabou por sobressair (pela negativa) a fragilidade defensiva do quarteto defensivo orientado pelo técnico alemão, o Liverpool vai começando a “despertar” para uma fase de maior regularidade quer em termos de resultados, quer em termos exibicionais, embora os 12 pontos de diferença para o City e a mais que evidente diferença de qualidade entre os planteis e o futebol das duas equipas, não permitam aos reds dizer que estão em condições de atacar o quer que seja pelo menos na presente temporada. Para reforçar esta ideia, sirvo-me da miserável exibição realizada por Dejan Lovren frente ao Tottenham, exibição no qual o croata e o seu colega de sector, o camaronês Joel Matip demonstraram possuir muitas dificuldades no controlo à profundidade adversária.  Continuar a ler “Os golos da jornada (1ª parte)”

Destruir lendas

jose mourinho

Nos últimos anos confesso que tenho sentido algumas dificuldades para criticar com abertura, frontalidade e sinceridade (sem que ter correr o risco de assistir à rápida lapidação ou delapidação e opressão da minha opinião pelos mais básicos argumentos dos bandeirinhas ou pelas frases feitas dos imberbes que à falta de conhecimento ou de tempo para investigar e conhecer a fundo o trabalho do treinador português, optam por colar habitualmente a sua opinião à opinião que é dita ou escrita pelos pretensos jornalistas especializados, alguns deles pagos a peso de ouro para escrever bem do português) os “trabalhos” que têm vindo a ser realizados nas últimas temporadas por José Mourinho, “um pouco” em virtude da maré de desconhecimento futebolístico generalizado que grassa no seio dos portugueses e do comportamento de manada que explora inteligente e activamente esse mesmo desconhecimento generalizado instalado, comportamento que deriva, em grande parte, da boa imprensa (do fino corte jornalístico, pago a peso de ouro para promover a lenda e o seu legado) que secularmente se atrelou ao técnico desde o dia em que aportou a Londres vindo do Porto. Enquanto perdurar a sua carreira, José Mourinho sempre será uma vaca sagrada do futebol deste país, indiferentemente dos resultados e da excelência do futebol praticado pelas equipas que este venha a orientar no futuro. Continuar a ler “Destruir lendas”

Análise – Final da FA Cup – Arsenal 2-1 Chelsea

2 anos depois da última conquista da competição, Arséne Wenger volta a conquistar a Taça de Inglaterra. No maravilhoso palco de Wembley, as duas equipas de Londres ofereceram-nos um daqueles espectáculos de encher o olho. O Arsenal finalizou uma temporada muito difícil da melhor forma, realizando uma extraordinária exibição contra o campeão em título, o Chelsea de Antonio Conte. O resultado de 2-1 acabou por não espelhar a predominância dos Gunners numa partida em que a formação de Antonio Conte cometeu muitos erros defensivos e foi-se deixando enredar na fabulosa teia estratégica tecida pelo treinador gaulês do Arsenal.

Olivier Giroud e Aaron Ramsey acabaram por ser os heróis da partida, num desafio em que sinceramente foi-me bastante difícil atribuir uma menção honrosa em virtude da prestação incrível de várias unidades do Arsenal. Num dos primeiros toques na bola após a sua entrada para o lugar do desequilibrador Danny Welbeck, o francês assistiu o galês para o golo da vitória, quebrando por completo um ligeiro ascendente do Chelsea (reduzido a 10 por expulsão de Victor Moses) no jogo.

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Conte, um Treinador com T grande

Com o título inglês obtido na noite de hoje, estou em crer que Antonio Conte solidificou finalmente a sua posição como um dos melhores treinadores do panorama mundial, faltando-lhe apenas neste momento uma conquista europeia, patamar que deverá decerto ser marcado como o grande objectivo do treinador do Chelsea para as próximas temporadas. No espaço de 8 anos, Conte saltou de uma vitória na Série B italiana com o Bari para a conquista do seu “4º título nacional”, vencendo o primeiro título fora de portas e, fora do espartilho de superioridade em que se encontra desde há vários anos a esta parte a Juventus no cenário italiano. Se os 3 títulos alcançados com a Juve se explicaram em parte pela superioridade de plantel dos bianconeri em relação aos restantes planteis das equipas da série A, o título inglês foi diferente porque revelou um treinador capaz de triunfar num cenário caótico com recurso a ideias muito bem cimentadas que se podem facilmente explicar em vários pontos: Continuar a ler “Conte, um Treinador com T grande”

Análise: West Bromwich Albion 0-1 Chelsea – Batshuayi torna-se o herói do 6º título dos Blues

O futebol também é feito de heróis improváveis! O belga Michy Batshuayi acabou de escrever o seu nome em mais uma página de história do Chelsea, ao apontar o golo que garantiu, com alguma emoção à mistura, o título dos londrinos. Quando todos já previam (face à excelente postura defensiva apresentada durante toda a partida pelo West Bromwich Albion de Tony Pulis) o adiamentos dos festejos dos londrinos para a próxima segunda-feira, dia em que o Chelsea cumpre o jogo que tem em atraso frente ao Watford, o belga, jogador que andou grande parte da época escondido no banco de António Conte durante o seu ano de estreia na Premier, saltou deste, na 2ª parte, para marcar o golo de uma vitória que conquista o 6º título de campeão para a formação londrina.
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Análise: Chelsea 3-0 Middlesbrough – Blues a 90 minutos do título, no dia em que o Boro voltou a dizer adeus à Premier

Num jogo que envolvia duas equipas em contra-ciclo na actual fase da temporada (o Boro precisava de uma vitória em Stamford Bridge para ainda acalentar o sonho de se poder manter na Premier League nas últimas duas jornadas) acabou por não ser difícil aos Blues de Antonio Conte aproveitar o escorregão do Tottenham na passada sexta-feira no Estádio Olímpico de Londres frente ao West Ham. A confortável vitória por 3-0 deixa os londrinos a 90 minutos do título na próxima sexta-feira no jogo que estes terão de realizar no The Hawthorns frente ao WBA. Por outro lado, o Boro viu hoje consumada a sua descida ao Championship, 1 ano depois do histórico emblema ter confirmado o regresso à Premier após vários anos de travessia do deserto no 2º escalão do futebol inglês.
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Diego Costa, um outro jogador?

Não! Chelsea: um outro bloco de meio-campo, mais criativo, mais energético, mais rápido a chegar no apoio e mais próximo.

Quando José Mourinho chegou a Stamford Bridge pela 2ª vez na carreira, face a um problema chamado El Niño Torres, o português foi obrigado a idealizar um novo Drogba, ou seja, um jogador possante, batalhador e finalizador, capaz de dar profundidade na frente quando carregado de bolas longas vindas essencialmente do sector defensivo, de correr e batalhar pelo esférico, capaz de ombrear com 2\3 adversários, de os fintar, de aguentar as duras cargas dos defesas ingleses, de segurar a bola à espera que cheguem os apoios e de finalizar de todos os cantos e esquinas. Continuar a ler “Diego Costa, um outro jogador?”

Breves notas sobre a vitória do Chelsea sobre o Tottenham

As duas equipas que melhor futebol praticam em Inglaterra (em conjunto com o Everton, na minha modesta opinião) deram um fantástico espectáculo de futebol a quem pode assistir. Com o campeonato totalmente em aberto quando faltam 6 jornadas para o fim (o Chelsea tem neste momento 4 pontos de vantagem na tabela sobre os Spurs e um calendário bem mais agradável até ao final da prova, no qual a deslocação mais difícil será ao terreno do Everton; já os Spurs terão jogos difíceis em White Hart Lane frente a Arsenal e Manchester United e 3 difíceis deslocações aos terrenos do Leicester, West Ham e Crystal Palace) os Blues eliminaram os Spurs nas meias-finais da Taça de Inglaterra no jogo disputado esta tarde em Wembley. O pace a que foi disputada a partida foi simplesmente frenético em várias partes do jogo , quase todos os jogadores demonstraram uma intensidade incrível na disputa pela bola e os espectadores ainda ganharam vários brindes de oferta com os golaços de Willian, Marco Dele Alli, Hazard e Nemanja Matic e com as fabulosas assistências (e exibição) de Christian Eriksen.

Um facto curioso que me tem suscitado algum interesse nas últimas semanas prende-se com a utilização de esquemas tácticos similares ao que é utilizado por António Conte no Chelsea por parte das equipas que os londrinos tem defrontado. A utilização do esquema 3x4x2x1 (alguns consideram que o esquema táctico é um 3x4x3; Willian e Pedro não actuam como extremos puros mas antes como dois médios ofensivos nas costas do ponta-de-lança visto que o Chelsea projecta sempre os seus alas no ataque, alas que são devidamente cobertos pelos centrais que tem a missão de fazer a cobertura defensiva das faixas) por parte de alguns treinadores (Slaven Bilic do West Ham, Eddie Howe do Bournemouth e agora por parte de Maurício Pocchettino do Tottenham) são explicados pela necessidade de promover uma maior adequação das equipas ao sistema de Conte, “encaixando” mais as marcações que se pretendem realizar ao longo da partida. Continuar a ler “Breves notas sobre a vitória do Chelsea sobre o Tottenham”

Ou fazes e demonstras aquilo que eu quero ou…

… podes começar a procurar clube. Esta foi basicamente a mensagem enviada por José Mourinho para o exterior com destino ao interior do balneário, mais concretamente, com destino ao lateral Luke Shaw.

Esta técnica de comunicação, desde sempre utilizada pelo treinador português para arrasar por completo (para não dizer queimar em praça pública) o desempenho, a atitude e a motivação de um jogador de forma em determinado momento para ver se ele altera radicalmente o seu profissionalismo, ambição, atitude, desempenho nos treinos e nos jogos foi uma fórmula eficaz que deu muitos resultados ao longo dos anos.
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Sobre a magnífica exibição de Eden Hazard no jogo de ontem

É deveras bom ver a magia e o altruísmo do belga em campo. Adaptar a estética natural do seu enfeitiçador dribbling curto de bola coladinha ao pé (como se a bota fosse oleada com margarina) e a sua constante dinâmica à procura de ter a bola nos pés para criar e para resolver à objectividade que qualquer treinador pretende para um jogador daquela posição é o jogo que se pretende do belga. Com Conte Hazard cresceu. Está menos individualista, está a tomar melhores decisões, se bem que por vezes, no capítulo do remate ainda tem tendência a ser “brinca-na areia” quando deveria ser mais pragmático.

Foi Hazard quem desbloqueou o jogo quando conseguiu arrancar a expulsão a Ander Herrera. Com a expulsão (fez em água a cabeça do médio basco) permitiu duas coisas muito simples à equipa: a subida de linhas (subida que permitiu a Ngolo Kanté e Matic avançar em campo; e o francês revelou-se mais uma vez, funcionando quase como um construtor de jogo) e uma noite mais ou menos descansada à sua dupla de centrais. Nos primeiros minutos da partida denotou-se que os centrais do Chelsea estavam a ter dificuldades para definir o seu posicionamento e as suas funções sempre que Paul Pogba  conseguia lançar o contra-ataque em profundidade. Nos 2 ou 3 lances em que Mkhytarian ou Rashford foram lançados ou conseguiram arrancar em velocidade no 1×1\1×2 contra os centrais do Chelsea, David Luiz e Gary Cahill tremeram como varas verdes.