Destruir lendas

jose mourinho

Nos últimos anos confesso que tenho sentido algumas dificuldades para criticar com abertura, frontalidade e sinceridade (sem que ter correr o risco de assistir à rápida lapidação ou delapidação e opressão da minha opinião pelos mais básicos argumentos dos bandeirinhas ou pelas frases feitas dos imberbes que à falta de conhecimento ou de tempo para investigar e conhecer a fundo o trabalho do treinador português, optam por colar habitualmente a sua opinião à opinião que é dita ou escrita pelos pretensos jornalistas especializados, alguns deles pagos a peso de ouro para escrever bem do português) os “trabalhos” que têm vindo a ser realizados nas últimas temporadas por José Mourinho, “um pouco” em virtude da maré de desconhecimento futebolístico generalizado que grassa no seio dos portugueses e do comportamento de manada que explora inteligente e activamente esse mesmo desconhecimento generalizado instalado, comportamento que deriva, em grande parte, da boa imprensa (do fino corte jornalístico, pago a peso de ouro para promover a lenda e o seu legado) que secularmente se atrelou ao técnico desde o dia em que aportou a Londres vindo do Porto. Enquanto perdurar a sua carreira, José Mourinho sempre será uma vaca sagrada do futebol deste país, indiferentemente dos resultados e da excelência do futebol praticado pelas equipas que este venha a orientar no futuro. Continuar a ler “Destruir lendas”

Anúncios

Análise: Manchester City 0-0 Manchester United

Ao 3º encontro, o empate! Mourinho jogou para o empate e a equipa deu-lhe o empate. Depois de 2 jogos em que cada um dos treinadores pode sorrir, ao 3º, veio um empate que deixa tudo na mesma no que respeita à luta directa pelos lugares de qualificação directa e indirecta para a Champions League. O empate foi o resultado que mais castigou a única equipa que quis vencer a partida, o Manchester City de Pep Guardiola.

Com baixas de vulto registadas em ambas as equipas (Zlatan, Rojo e Pogba no lado do United; John Stones, David Silva e Nolito na equipa de Guardiola) ambas as equipas apresentaram-se com os melhores onzes disponíveis para atacar ester derby. Para colmatar a ausência do avançado sueco, José Mourinho decidiu fazer ascender ao onze titular para a esquerda do ataque Anthony Martial, movendo Marcus Rashford para a frente de ataque. Foram precisamente estas as duas unidades que conseguiram trabalhar os raros lances que a equipa dispôs no último terço do City. Com um começo de jogo muito agitado, tanto Martial como Rashford deram muita água pela barba aos seus marcadores directos (Pablo Zabaleta e Nicolás Otamendi) nos lances em que conseguiram isoladamente (muito isoladamente em contra-ataque) criar desequilíbrios através do seu fortíssimo drible e da sua velocidade. Em alguns dos lances, os dois homens mais adiantados do United obrigaram os seus marcadores directos a ter que cometer algumas faltas para os travar bem como Vincent Kompany a ter que fazer dobras aos seus companheiros para travar as suas incursões. Fora isso, o United criou apenas 2 ocasiões de perigo no jogo, uma delas flagrante quando Ander Herrera não conseguiu bater Cláudio Bravo com um cabeceamento ao 2º poste no final da primeira parte. Estas linhas resumem o parco comportamento ofensivo do United em toda a partida, numa partida em que os médios e avançados serviram essencialmente para defender e “perder bolas atrás de bolas na transição”.

Continuar a ler “Análise: Manchester City 0-0 Manchester United”

Breve análise: Manchester United 2-1 Anderlecht

Este elenco do Manchester United é o elenco mais estranho, senão mais bizarro que vi nos últimos 15 anos do trabalho de José Mourinho. Escrevo-o abertamente e sem rodeios. É para mim um facto inacreditável ver que o português, treinador que privilegia o rigor, a atitude, a disciplina, a construção de um plano de jogo sólido, mesmo que tais opções lhe custem andar arredado dos lugares cimeiros, chegou ao final da temporada neste clube (indiferentemente do lote de jogadores que possui e das lacunas da equipa, existem aqui jogadores que são apostas para o futuro)  sem conseguir formar um onze, sem ter planos de jogo devidamente trabalhados, sem conseguir “tirar” proveito de vários jogadores e sem conseguir evoluir mais que 2 ou 3 jogadores deste plantel. Em abono da verdade, só tenho visto evolução em 3 jogadores desta equipa do United: Bailly, Herrera e Rashford. Em variadíssimos casos (Pogba, Blind, Rojo, Valência, Martial, Ashley Young) só tenho visto regressão. Quando assim acontece, e quando o técnico português é obrigado a vir constantemente a público criticar a atitude e o profissionalismo de vários jogadores, de nada valeu o ano zero em Manchester. Mourinho terá que voltar a construir tudo de novo na próxima época com a entrada de várias unidades.

Continuar a ler “Breve análise: Manchester United 2-1 Anderlecht”

A exibição de Marcus Rashford no United 2-0 Chelsea

O miúdo fez uma exibição do caneco frente ao Chelsea. Garante profundidade e verticalidade ao jogo com as suas constantes desmarcações, aproveitando os passes a rasgar que Ander Herrera lhe foi fornecendo ao longo do jogo. Procurou sempre cair sobre as alas para estender o jogo e poder entrar e desequilibrar no seu fortíssimo 1×1. Pressionou bastante a saída do jogo do Chelsea e deu-se bem porque “criou” oportunidades de contra-ataque rápido que resultaram em lances perigosos. Deus Zlatan me perdoe, eu que até sou desde os tempos do Ajax um dos maiores fãs do seu futebol, mas por vezes o futebol é mais simples com outros jogadores. A panóplia de soluções do sueco está a ficar esgotada e previsível para os adversários. Chateia-me ver que com o sueco em campo, a linha média procura-o imediatamente à entrada da área para que o jogador possa segurar a bola de costas para a baliza e possa esperar o surgimento do apoio. Tais situações acabam por ser presas fáceis para qualquer equipa quando o compasso de espera se torna enorme. Em vez de criar o desequilíbrio rápido, trava o jogo e torna-o demasiado maçudo. Se Mourinho colocar o sueco dentro da área (onde ele é efectivamente forte, especialmente no jogo aéreo) e colocar o móvel Rashford a cirandar pelo último terço, verá o seu futebol obter mais ganhos.

Notas finais:
1. Eric Bailly é um monstro. A forma em como desautorizou Diego Costa na área foi absolutamente soberba. Para vencer o título, Mourinho precisará de lhe adicionar outro “monstro” ao lado.
2. 1 oportunidade de golo em toda a partida para o Chelsea. 1 oportunidade de golo. Uma equipa que pretende ser campeã até pode perder em Old Trafford. O que não pode é passar 90 minutos sem criar oportunidades de golo. 

Análise: Manchester United 1-1 Everton

O desvio de um remate com a mão por parte do central internacional pelo País de Gales Ashley Williams perdoou uma exibição muito cinzenta do Manchester United de José Mourinho no jogo realizado em Old Trafford. Faltaram muitas ideias aos Red Devils para contornar o bem montado esquema defensivo de Ronald Koeman (em bloco médio\pressão a meio-campo na 1ª parte; num bloco mais recuado nos seus últimos 30 metros no 2º tempo) em virtude da baixa velocidade de execução nas transições para o ataque e da falta de largura e profundidade dado ao jogo pelos homens da casa durante praticamente todo o jogo. O empate castiga mais o que os jogadores da equipa de Liverpool fizeram em campo (um jogo tacticamente perfeito; os seus processos de jogo ofensivos executados com mestria) pese embora o facto do United ter visto um golo anulado a Zlatan Ibrahimovic que poderia ter modificado o desfecho final do resultado.

Continuar a ler “Análise: Manchester United 1-1 Everton”