Que golpada de Pablo Carreno-Busta!

Que fantástico tweener lob do espanhol contra Viktor Troiki na eliminatória que está a decorrer entre a equipa espanhola e a equipa sérvia. É o momento de brilhantismo deste dia!

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Campeões!

Já está! Foi sofrido mas é nosso! O dia 1 de Abril de 2017 acabou por entrar para a História do Rugby Português! Neste preciso dia, a nossa selecção sénior carimbou a 7ª vitória consecutiva na Ucrânia (7-31), conquistando o Grand Slam (a conquista da competição só com vitórias; iremos jogar no próximo dia 20 de Maio em Bruxelas a subida ao grupo B contra a Bélgica) na prova e os nossos bravos lobinhos acabaram de se sagrar campeões europeus no escalão de sub-20 em Bucareste ao derrotar a Espanha por 12-7 num jogo dramático em que tivemos que voltar a sofrer muito (um pouco por culpa da atitude passiva na 2ª parte) para sorrir no final dos 80 minutos. Para a História ficará o ensaio de Gonçalo Santos (créditos para o Francisco Isaac do Fairplay por me ter ajudado a descortinar o autor do ensaio) na ponta esquerda, numa jogada construída em 15 pacientes fases.

Entrámos muito bem na partida com a obtenção de um ensaio. Pode-se dizer que nos primeiros 55 minutos de jogo controlamos a partida no âmbito territorial e de posse e dispusemos de várias oportunidades nos 22 espanhois para elevar a contagem. No entanto, a falta de paciência na construção ofensiva e algumas falhas no capítulo da transmissão de bola (dificultadas em parte por uma selecção espanhola que soube fazer uma boa cobertura dos espaços a toda a largura; o que nos valeu em parte foi o desacerto ofensivo dos espanhóis no mesmo capítulo falhando muitos passes e cometendo vários erros na recepção) ditaram-nos uma 2ª parte de sofrimento em que os espanhóis, com o empate à vista de um ensaio mais a respectiva conversão, começaram a acreditar que era possível e conseguiram, numa das raras incursões aos nossos 22, sacaram o ensaio que viria a empatar a partida.

Quando o jogo parecia encaminhar-se para uma reviravolta no marcador, eis que uma jogada de paciência acaba por resolver a questão. Não querendo mencionar prestações individuais no seio de um colectivo que se provou forte ao longo do torneio, foi a arrancada de Manuel Picão da Académica que permitiu por completo a criação da situação de desequilíbrio que permitiria posteriormente a assistência do “certinho” Jorge Abecassis (não esteve certeiro em 2 dos 3 pontapés que realizou aos postes) assistir a entrada de Gonçalo Santos para um ensaio (77″) que garantiu a vitória de Portugal na competição.

A vitória na prova por outro lado garantirá à equipa comandada por Luís Pissarra (a quem aproveito para dar os meus sinceros parabéns) a entrada no Mundial do escalão, prova que se irá disputar no próximo mês de Junho na Geórgia. A selecção portuguesa terá neste momento que esperar pelo sorteio que se irá realizar para perceber em que grupo é que vai ser inserida.

Qué bien juega tu equipo, Julen! Pero no és tuya!

Os jogadores criam os treinadores. Qué bien juega la Roja com Julen Lopetegui. As sobreposições interiores que os alas e médios (no caso de Iniesta) fazem para oferecer as linhas de passe que acrescentam verticalidade e desequilibram qualquer defesa. A pressão que é feita assim que a equipa perde a bola. A velocidade de execução. As roletas que são executadas pelos jogadores menos técnicos da equipa para suplantar a primeira linha de pressão adversária de forma a tornar uma situação complicada num contragolpe coroado com o êxito. A tabelinha entre David Silva e Jordi Alba, tabelinha que rachou por completo o lateral adversário e permitiu ao lateral do Barça servir sem oposição a entrada na área do companheiro.

Pergunta-se: foi Julen quem trabalhou tudo isto? A resposta é óbvia, não, não foi Julen Lopetegui. E isso é prova mais que significativa do currículo de Julen nas selecções espanholas. É muito fácil pegar numa selecção quando se tem a magia dos jogadores do Barça, a velocidade de execução dos jogadores do Real Madrid, a intensidade com que jogam os jogadores do Atlético. Os jogadores chegam “feitinhos”. Construir equipas de raiz? Isso é mais difícil. A construção de equipas de raiz implica em primeiro lugar conhecer todos os jogadores no plano técnico, táctico, mental e perceber se o lote de jogadores satisfaz o modelo de jogo que se pretende implementar. Se não satisfaz, o treinador precisa de saber quem é que satisfaz esses critérios e pedir a contratação desses jogadores. Em segundo lugar, já com o plantel formado, o treinador precisa de construir esse modelo de jogo, ou seja, construir as dinâmicas de circulação de jogo, as dinâmicas que cada jogador terá que fazer para que essa circulação seja eficaz e proveitosa para a equipa, a atitude defensiva da equipa, o comportamento da equipa nas bolas paradas, o sistema de marcações, o sistema de pressão, entre outros aspectos. Quando o treinador consegue construir as chamadas rotinas da equipa, deverá ter em conta sempre a existência de planos B que possam suplantar eventuais lesões de peças-chave e adequação da sua equipa aos adversários que esta vai defrontar, preparando devidamente a equipa para se adequar ao jogo desse mesmo adversário.

Na passagem do técnico espanhol no Porto, provou-se, principalmente no primeiro ano que o técnico teve muitas dificuldades para cumprir esta necessária checklist. A prova disso mesmo? A rotatividade promovida pelo espanhol nos primeiros meses dessa temporada, sinal indicador que o trabalho que o espanhol deveria estar a fazer para construir minimamente aquela equipa não estava a ser feito. O espanhol tentou resultados a curto prazo, utilizando para o efeito em cada semana, literalmente, os “onze” que lhe davam mais garantias de sucesso ao invés de trabalhar um “onze” a longo prazo.

O árbitro de video resulta ou não resulta?

Claro que resulta! Claro que acrescenta “limpeza”, transparência e verdade desportiva ao jogo!

Se ainda existissem dúvidas, creio que essas dúvidas ficaram hoje dissipadas pela actuação do árbitro de video no jogo entre a França e a Espanha. A existência da figura é extremamente necessária para benefício da verdade desportiva precisamente por causa deste tipo de lances, ou seja, por causa de lances em que o posicionamento de determinado jogador em determinado contexto ditado pela rapidez com que se desenrola a jogada, coloca em dúvida a análise dos 3 árbitros que estão a acompanhar a jogo. Continuo a considerar que 3 árbitros não conseguem ver tudo o que se passa em campo. A multiplicidade de acções que são executadas a alta velocidade pelos jogadores não permitem que a equipa de arbitragem consiga focar-se correctamente em todos os acontecimentos contidos na jogada e decidir com a racionalidade que se exige. Quer queiramos quer não, a rapidez das movimentações dos jogadores criam efectivamente situações de ilusão de óptica.

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Espanha 4-1 Israel

Vi com relativa atenção. Da gorda (mas enganadora em certos pontos) vitória dos espanhóis saliento dois pontos:

1º – Os processos de jogo ofensivos idealizados por Julen Lopetegui resultam na medida em que Vitolo e David Silva, colocados como alas interiores (a aparecer como 2º avançados ao 2º poste sempre que a bola é cruzada do flanco contrário) criam desequilíbrios através da oferta de linha de passe interior aos respectivos laterais dos seus flancos.

2º – A exibição desastrosa a todos os níveis da dupla de centrais, o que só realça que os golos que ambos marcam nos seus clubes (de extrema importância para o sucesso da equipa no caso de Sérgio Ramos) disfarçam as lacunas existentes no seu jogo. Se a selecção israelita possuísse por exemplo um ponta-de-lança combativo e eficaz como Diego Costa, outro galo cantaria nesta partida. Os dois centrais espanhóis são um perigo: não executam uma marcação correcta, não atacam o esférico à entrada da área quando o avançado adversário tem espaço suficiente para rematar de forma a desarmá-lo ou a encurtar-lhe o espaço e o tempo para preparar o remate e chegaram inclusive nesta partida a dar a sensação que quando o avançado adversário se movimenta dentro da área não comunicam para trocar a marcação.