Hoje Escreves tu #14 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 2ª parte

Nota introdutória: este post é a 2ª parte do post aqui publicado durante o dia de ontem.

Por Miguel Condessa

A minha maneira de ver e pensar um plano para uma equipa de futebol, seja ela qual for, mas que também se aplica a qualquer equipa de qualquer modalidade com as devidas adaptações, passa por ir incrementando qualidade ano após ano. E um dia seremos campeões porque estaremos a cada ano mais fortes e mais apetrechados para o ser. Pode demorar 2 anos,3, 4, 5, alguns, mas chegaremos lá! Irá sempre depender de alguns factores internos, como de onde partimos, e alguns externos, como por exemplo em que patamar estão os nossos rivais. Esse plano passa por analisar uma época, vamos chamar-lhe a época zero, com incidência no 11 base e nos 14/15/16 jogadores mais utilizados, escolher 2 posições para melhorar e apostar em 2 boas contratações para essas posições de modo a serem titulares de caras. Depois, em paralelo, é ir preparando a boa prata da casa para um dia subir à equipa A e depois para um dia estar preparada para substituir um ou outro jogador que se tenha distinguido e seja vendido. Continuar a ler “Hoje Escreves tu #14 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 2ª parte”

Hoje Escreves tu #13 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 1ª parte

Por Miguel Condessa

Pontos prévios para perceberem onde me situo e onde situo o meu clube de coração para fazer esta análise:

  • O Sporting, dado o seu passado recente, chegou às mãos do Bruno de Carvalho (BdC) numa situação muito fragilizada em relação aos seus rivais, quer em termos de activos que possuía, quer em termos monetários/económicos, quer em termos de organização, quer do clube, quer da SAD, quer em termos de poder no desporto em Portugal! Estaria muito mais próximo do que é a realidade do Sporting de Braga do que seriam, e são, as realidades do Porto e, especialmente, do Benfica que nessa altura já dominava em quase todas as vertentes.
  • Não sou um admirador incondicional do Jesus. Reconheço-lhe mérito técnico-táctico como treinador, acho-o um bom treinador de campo, que lê bem os jogos, mas também lhe reconheço grandes deficiências noutras valias fundamentais a um treinador que, em conjunto com as primeiras, acabam por fazer o treinador no seu todo. Além disso acho-o uma pessoa muito limitada. É muito centrada no seu Ego, raramente assumindo os erros que comete – que não são tão poucos como isso. No geral acho-o um bom treinador, que poderia ser muito melhor se fosse uma pessoa mais culta e mais equilibrada, com a dose de humildade que normalmente os grandes seres têm – quem é grande, mesmo, nunca precisou de se colocar em bicos dos pés. Não é, nem pouco mais ou menos, o que pintam dele, e muito menos o que ele pensa de si próprio.
  • Jesus, no geral, é um treinador no mesmo patamar de um Vilas Boas, de um Marco Silva, de um Rui Vitória, de um Paulo Fonseca, de um Vitor Pereira, e até há pouco tempo até do Jardim, que esta época demonstrou que já está num patamar superior, mais próximo do Mourinho! Terá umas características melhores, outras piores, como todos. E, para mim, é a soma disso tudo que os coloca a todos num mesmo patamar, mesmo que determinadas características possam indicar um mais que os outros para determinado momento num determinado clube.
  • Diminuir esse fosso gigante requeria um trabalho monstruoso de reorganização a todos os níveis e uma elevada percentagem de acerto, quase a roçar o 100%, nas tomadas de decisão necessárias. No que ao futebol diz respeito, que é basicamente o que interessa para aqui, requeria uma acertada remodelação do futebol, a dispensa acertada do entulho que por lá havia e a contratação cirúrgica e acertada de novos jogadores, gastando pouco e bem, ao mesmo tempo se fazia um esforço para manter os bons jogadores que já tínhamos. Continuar a ler “Hoje Escreves tu #13 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 1ª parte”

Análise: Braga 2-3 Sporting – O suspeito do costume

Jogo muito agradável de seguir em Braga. Bas dost resolveu o difícil, num jogo em que o “difícil” o foi por culpa própria do quarteto defensivo do Sporting (em especial do seu defesa esquerdo Marvin Zeegelaar) e pela extrema eficácia do Braga no contra-ataque, capitalizando em lances de perigo todos os erros cometidos pelo Sporting nas transições para o ataque. O avançado holandês recuperou com o seu hat-trick 3 dos 5 golos que detinha de atraso em relação a Lionel Messi, relançando a sua luta particular pela Bota de Ouro Europeia.
Continuar a ler “Análise: Braga 2-3 Sporting – O suspeito do costume”

Um empate amargo

Num jogo tão equilibrado, tão disputado e com tantas divididas a meio-campo, a haver destaque para um jogador esse destaque vai obviamente para o capitão Adrien Silva. No meio do desnorte que William revelou em determinados momentos da partida e nas mil e uma falhas cometidas pelo Sporting na transição (foram incontáveis os passes falhados que deram origem a situações de contra-ataque do Benfica) Adrien conseguiu manter sempre o norte e carregar a equipa para a frente quando tinha que o fazer.

Do físico e batalhado jogo de Alvalade, ficámos com uma certeza: o Benfica está a um passo de se sagrar tetra campeão. Não acredito que o Benfica cometa um deslize até ao final da temporada. Com um inédito livre, cobrado com magistralidade pelo sueco Victor Lindelof a castigar uma verdadeira estupidez (uma das muitas) de Alan Ruiz no jogo, o Benfica passou o teste de Alvalade.

Em termos de jogo jogado, o Sporting foi a equipa que mais situações de golo criou (4 foram as criadas pelos leões contra 0 da parte do Benfica) mas não praticou um futebol extraordinário, antes pelo contrário. Os múltiplos erros provocados nas transições por clara intranquilidade de várias unidades (Schelotto, Ruiz, o próprio William) poderiam ter custado caro se o Benfica tivesse desenvolvido melhor os bónus que a turma leonina lhes ofereceu. Por outro lado, se Bas Dost tivesse carimbado as 3 oportunidades golo que lhe foram literalmente oferecidas na 2ª parte, estaria aqui decerto a narrar uma vitória do Sporting. O Benfica foi uma equipa mais obreira, mais pressionante a meio-campo e mais inteligente na gestão dos vários contextos que o jogo ofereceu, levando para casa o tão desejado pontinho ambicionado certamente pelo seu treinador na preparação para este jogo.
Continuar a ler “Um empate amargo”

Notas sobre a vitória do Sporting em Setúbal

1. Em primeiro lugar, quero dar os meus parabéns ao Setúbal pela esforçada exibição realizada no jogo desta noite. Já tínhamos visto ao longo deste campeonato (em especial nos jogos realizados contra os grandes) que a equipa de José Couceiro é uma equipa muito bem trabalhada defensivamente. É uma equipa que consegue dar a posse de bola em grande parte do jogo, fechar-se lá atrás (bloco médio baixo muito pressionante) e resistir aos sucessivos ataques lançados pelas equipas adversárias. Para além da elevada capacidade de pressão de quase todas as unidades, em particular de Costinha e de Mikel, é uma equipa que raramente se desequilibras nas alas, não permitindo a obtenção de superioridade numérica por parte dos adversários. Acresce ainda o facto de ter dois belíssimos centrais (um deles falhou como as notas de mil no jogo de hoje) e um grande guarda-redes. No entanto, não posso deixar de referir que a pressão executada durante todo o jogo bem como a rapidez com que os jogadores do Setúbal atacavam o portador da bola parecia digna de uma equipa que estava a lutar pela vitória na Liga dos Campeões. Sim, é isso! Depois do que aconteceu no caso dos emprestados, e das declarações proferidas pelo presidente do Vitória de Setúbal há algumas semanas atrás, este jogo tornou-se de vida ou morte para os sadinos. Felizmente, não puderam dar a “machadada final” numa equipa que está, como se previa, a finalizar em crescente como o treinador pretendia.

2. O Edinho… bem, o Edinho está na primeira liga porque um empresário e um clube assim o querem. Se assim não fosse, o Edinho, pelas limitações técnicas crónicas que possui, estaria provavelmente num Farense ou num Real Massamá…

3. João Costinha. A prova em como há muito talento nas divisões secundárias do futebol português? Sabem onde é que estava o jovem conimbricense há 2 anos atrás? Estava no Lusitano de Vildemoinho, equipa da cidade de Viseu que milita no CNS. Sabem onde é que este jogador merece estar no final desta temporada? Sim, no Sporting. Duvido que os responsáveis leoninos consigam convencer Fernando Oliveira a vender o jogador depois da borrasca que aconteceu com os emprestados (se a nota aparecer, Oliveira vende pois claro!) mas uma coisa é certa: o substituto perfeito para Adrien mora ali na equipa do Vitória de Setúbal.

4. Vamos agora escrever sobre o que interessa. Alan Ruiz: caramba homem! Que exibição de chave de ouro para retribuir as palavras de Jorge Jesus. O argentino está a tornar-se um caso sério? O Nuno Farinha do Record não achava há bem pouco tempo atrás. Mas o que é certo é que não é preciso ter uma database extensa de vídeos para o Youtube para perceber que o jogador afinal até é bem parecido com Juan Román Riquelme. Bastou ver a trivela de classe na assistência para Dost (acho que nem o Aimar sacava aquela), ou o toque de calcanhar que tirou um setubalense da jogada para dar a “assistência” para um torto remate de fora da área de Adrien. Ou a forma em como pé ante pé o segundo avançado argentino se move no último terço, oferecendo linhas de passe quer no corredor central (entre a linhas adversárias) para dar progressão ao jogo, quer naquele spotzinho que Jesus tanto gosta na quina da área (o espacinho entre os centrais e os laterais) para mover aquele jogo de triangulações que permite ao lateral ou ao extremo uma boa plataforma para criar, e\ou que permite uma triangulação que desmarque o lateral dentro da área. Schelotto é efectivamente um dos amplos beneficiários da qualidade do argentino… e

5. De Adrien. O capitão. Critério na transição, critério na pressão e um toque de midas clássico do médio quando recebe o esférico no último terço à entrada da área.

6. Os laterais do Sporting. Cobras e lagartos. Eu próprio me insiro nos autores das críticas. “Eles não sobem bem”, “não fecham bem”, “nunca lá estão quando o adversário faz a transição para o contra-ataque em profundidade”, “não atacam a bola”, “colam-se em demasia aos centrais”, “tem um medo tremendo de jogar para dentro”, “não cruzam bem”, “não são inteligentes nas acções que tomam no último terço” – parece-me que cada vez mais tanto Zeegelaar como Schelotto acabaram por fazer a temporada que fizeram por uma questão de forma física. Se os dois tivessem estado em forma na 1ª metade da época, seguramente que o Sporting teria mais 8 ou 9 pontos na tabela classificativa.

Análise: Sporting 4-0 Boavista

3 pontos, uma agradável exibição, um hat-trick do suspeito do costume (se bem que a exibição do holandês não se ficou por aí) num jogo que em primeiro denunciou que Jorge Jesus já leva o trabalhinho de casa para a próxima temporada bem adiantado. Por sua vez, o Boavista de Miguel Leal apresentou-se em Alvalade com uma estratégia de jogo bem arrojada no primeiro tempo, caindo em virtude dos dois erros crassos dos seus laterais nos dois primeiros golos da turma leonina.

Continuar a ler “Análise: Sporting 4-0 Boavista”

Breve análise à vitória do Sporting

Deus perdoa, Bas Dost não. O holandês continua de pé quente e atreve-se a colocar o seu nome como o melhor marcador das Ligas Europeias desta temporada, feito que lhe poderá valer, se continuar a produzir como tem produzido, a 2ª bola de Ouro para a turma de Alvalade. Uma merecida Bola de Ouro.

Vitória fácil e justa do Sporting numa exibição que ficou marcada novamente pelo facto de ter sido muito aceitável no 1º tempo e novamente descontraída no 2º. Continuar a ler “Breve análise à vitória do Sporting”