A medonha criação de regras por medida – o novo regulamento disciplinar da FPF

“ARTIGO 136º-A (novo)

Uso de expressões ou gestos ameaçadores ou indignos

• Considera-se revelador de indignidade agravada o ato de fumar na zona técnica, incluindo cigarros eletrónicos, e expelir fumo ou quaisquer outras substâncias, tais como saliva, na direção de dirigentes, jogadores ou quaisquer outros agentes desportivos.”

Para ser uma norma jurídica, os juristas definem que uma lei deve ser:

Para um jurista, meia palavra basta. Quando a clubite aguda se extravasa desta forma, atacando sem piedade o comportamento de um dirigente, podemos estar certos que nem 2 kg de areia servem para tapar uma vergonha que é a mais verdadeira antítese daquilo que se ensina (com toda a cátedra, com toda a pompa, com todo o fleurma) aos jovens estudantes deste país. O futebol é naturalmente um palco privilegiado para estes Germanos puderem descer aos comuns, mostrando toda a irracionalidade da doença clubista que escondem por detrás da sua pretensa racionalidade de doutores da lei. Este é por outro lado mais um sinal visível do domínio do Benfica nas instituições. Já se fazem literalmente regras a pedido. Qualquer dia não nos espantemos se uma nova revisão do regulamento disciplinar da Liga venha a punir um dirigente se este se chamar Bruno de Carvalho. Não há de faltar muito por este andar.

 

 

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Análise – Final da Taça de Portugal feminina – Sporting 2-1 Sporting de Braga

A dobradinha! No Estádio Nacional do Jamor, a equipa feminina de futebol do Sporting culminou o ano de relançamento da modalidade no clube de Alvalade com chave de ouro, batendo novamente a formação do Sporting de Braga por 2-1, num jogo que a meu ver foi mais um fantástico momento de divulgação da modalidade em Portugal. A FPF ganhou claramente a aposta que tem vindo a realizar desde o verão passado. A inclusão de alguns dos maiores emblemas do sector masculino no Campeonato Nacional feminino, a transmissão de alguns jogos e a transmissão em sinal aberto da final da Taça foram esforços\apostas ganhas que rapidamente se poderão traduzir num aumento significativo de visibilidade que se poderá reproduzir no aumento do número de atletas federadas nos vários escalões, ganhando para o efeito o futebol feminino e o desporto português! Para além de todos esses factores, o público presente no Jamor voltou a quebrar o recorde de assistências a um jogo de futebol feminino em Portugal.

Antes de passar a uma crónica do jogo e ao indispensável elogio às jogadoras e treinadores da formação vencedora do encontro, quero também manifestar uma palavra de ânimo à equipa que foi derrotada no Jamor. A formação do Sporting de Braga foi uma digna (muito digna) derrotada quer no Campeonato Nacional quer na Taça. O emblema bracarense, clube que também apostou do zero na modalidade no início da temporada, demonstrou ao longo da época que agora termina, a construção de um projecto muito sólido e muito bem estruturado que poderá dar os seus frutos doravante. Com um projecto alicerçado num treinador muito competente e numa equipa recheada de enormes talentos individuais, com uma fantástica identidade de jogo, posso dizer que a conquista de campeonato e taça também assentava que nem uma luva ao esforço abnegado que as bracarenses deixaram dentro de campo. A equipa feminina do Sporting Clube de Braga terá que continuar a trabalhar para poder atingir os seus objectivos. Estou certo que mais dia menos dia, Braga poderá finalmente festejar um título no futebol feminino porque a sua equipa tem efectivamente muita qualidade.

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O crime compensa!


ín Jornal Record

O reino da impunidade continua. Enquanto a acção praticada por Yacine Brahimi em Braga (umas meras palavras ao árbitro dirigidas através do banco de suplentes) não teve direito a efeitos suspensivos e a redução de pena, privando o Porto do seu melhor jogador nos 2 jogos importantíssimos que se seguiram, outros, por acções bem mais graves, anti-desportivas, não foram imediatamente castigados, puderam dar o seu contributo nos jogos seguintes, e ainda podem, depois de “injustamente castigados” (porque convenhamos, a acção praticada enquadra-se claramente no castigo máximo que poderá ser aplicável), com recurso a “instrumentos legais”,  dar o seu contributo até que alguém, na próxima temporada, lhes reduza a pena.

Vá-se lá tentar perceber os estranhos critérios com que se cose a justiça desportiva em Portugal.

Uma questão pertinente sobre a introdução do Videoárbitro que continua sem ser explicada

Na decisão de validação ou invalidação de um golo num determinado lance, o VA está autorizado a poder recuar as imagens até quantas jogadas?

Breve Análise – Campeonato do Mundo de sub-20 – Portugal 1-1 Costa Rica

Uma pobreza franciscana. Patrocinada pela constrangedora escolha feita num treinador que de facto não é nem nunca o será, pelas escolhas realizadas por esse treinador e pela estratégia traçada pela FPF para a participação no torneio, excluindo a participação aos atletas mais desenvolvidos do escalão de sub-20.

Esta é a expressão popular que mais se adequa ao que ao que a selecção nacional de sub-20 acabou de fazer frente à Costa Rica no jogo que acabou de terminar em Jeju. O empate (1-1) acabou por coroar o fraco (no nosso caso constrangedor) desempenho de ambas as equipas na partida. A formação de Emílio Peixe tem obrigação de fazer melhor, não existindo desculpas possíveis (humidade, diferença horária, cansaço acumulado nas pernas nesta altura da temporada) para justificar o mau desempenho realizado nestes dois jogos: esta equipa está muito mal trabalhada ao nível de processos embora o facto de ter um treinador que a acompanha e que a trabalha regularmente há vários anos. Vivendo dos fogachos individuais de um grande talento (o lateral Diogo Dalot), a equipa somou um mau desempenho à atitude perdulária demonstrada no domingo frente à Zâmbia no passado domingo.
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Alvíssaras para o futebol português

Saúda-se naturalmente a intenção da Federação Portuguesa de Futebol em introduzir o video-árbitro nos 306 jogos de 1ª liga da próxima temporada. Pela primeira vez, o futebol português “adianta-se” em relação às grandes ligas quando se previa que o futebol português só adoptasse esta nova tecnologia depois desta ser carimbada como benéfica e eficaz noutros redutos. Ganha a verdade desportiva. Ganha o futebol. Ganha o espectáculo. Ganha o consumidor. Poderemos finalmente ultrapassar a fase dos espectáculos viciados e estou certo que se esta medida for aplicada correctamente e com justeza de intenções por parte dos agentes que vierem a participar, a mesma terá o condão de finalmente colocar em estado terminal o enviesado, deprimente e insano comentário televisivo que se faz neste país semana após semana bem como as suspeições em relação à arbitragem que são lançadas diariamente por jogadores, treinadores, dirigentes e comentadores televisivos.

Contudo, nesta fase experimental ainda será preciso ter alguma cautela. Em primeiro lugar deveremos perceber a declaração de intenções dos agentes que se tornarão os principais decisores para perceber se teremos finalmente alguma paz neste capítulo. Tal declaração de intenções só poderá ser garantida quando observarmos os factos da prática. Não é por nada, mas, a confirmar-se que muitos dos auxiliares de vídeo nesta primeira fase (experimental) poderão ser antigos árbitros, aqueles que curiosamente andam por aí a comentar as arbitragens nos programas de comentário desportivo, não saberemos até que ponto é que esses agentes poderão continuar (mesmo com recurso a suportes factuais) a manipular o jogo com o habitual recurso a interpretações restritivas e extensivas das leis do jogo.

Para quando no futebol português?

Este foi o comportamento que valeu uma multa de 100 mil dólares ao proprietário dos Houston Rockets Leslie Alexander. O lendário proprietário dos Houston Rockets entrou em campo para questionar um dos árbitros da partida. A direcção da Liga não perdoou o comportamento e aplicou uma das suas famosas multas. Para o proprietário da turma texana, face aos milhões de rendimento que a equipa lhe garante anualmente, é uma questão de trocos mas se transportarmos a situação para o futebol português poderá ser, se a medida for aplicada numa escala idêntica um fantástico elemento dissuasor de comportamentos de jogadores e dirigentes.  Continuar a ler “Para quando no futebol português?”