Sporting – Findo o segundo ciclo, o que é que se perspectiva?

Por Miguel Condessa*

sporting 101

Findo o segundo ciclo, o que se viu, o que se perspectiva…

Depois de 2 jogos, em casa, de enorme grau de dificuldade, creio que a maioria dos adeptos conscientes ainda não terá percebido bem se temos realmente uma equipa para ganhar títulos este ano ou não. Todos nós, sportinguistas, temos essa esperança mas uns acharão que ainda nos falta algo e outros já pensam que estão reunidas todas as condições – ainda por cima com o VAR! – para ser este ano o nosso ano!

Eu, confesso, inicialmente pensei que sim, contrariando até a minha ideia inicial que nunca seremos campeões com o Jesus, mas agora penso que ainda nos faltam algumas coisas… Tivemos já dois grandes ciclos de jogos – entre o início da temporada e os jogos da selecção. No primeiro ciclo, em Agosto, fizemos 6 jogos – Aves (f), Setúbal (c), Steaua (c), Guimarães (f), Steaua (f) e Estoril (c) – com 5 vitórias e 1 empate. Neste segundo ciclo, em Setembro, em 7 jogos – Feirense (f), Olympiacos (f), Tondela (c), Marítimo (c), Moreirense (f), Barcelona (c) e Porto (c) – conseguimos 3 vitórias, 3 empates e 1 derrota, sendo que nos últimos 4 jogos não vencemos nenhum!

É da minha opinião que temos um bom plantel, o melhor das 5 épocas do Bruno de Carvalho, com algumas lacunas, que nos dá uma boa base para trabalhar daqui para a frente. Este ano as aquisições foram bastante assertivas – a excepção será o Matheus Oliveira que não tem, nunca teve, e acho que dificilmente terá, andamento para jogar num clube como o Sporting – e tivessem sido assim nos dois anos anteriores de certeza que não tínhamos as limitações que temos e seriamos muito mais fortes. Continuar a ler “Sporting – Findo o segundo ciclo, o que é que se perspectiva?”

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Miguel Cardoso, o perfeccionista que procura competência e eficácia em todos os jogos

miguel cardoso

Descrito por grande parte dos colegas de profissão e dos jogadores que orientou até ao momento enquanto adjunto de vários outros treinadores de nomeada da praça portuguesa (na última década, antes de se estrear como treinador principal no Rio Ave, Miguel Cardoso foi adjunto de Domingos Paciência, Paulo Fonseca e Carlos Carvalhal) como um grande treinador (um enorme conhecedor\interprete do jogo) que procura trabalhar as suas ideias de jogo com minudência e rigor, até à exaustão, ou melhor, até à “perfeita operacionalização” destas, Miguel Cardoso tem sido um dos treinadores que se tem destacado nas primeiras jornadas da Liga Portuguesa. O 6º lugar actualmente ocupado pelo Rio Ave na tabela classificativa da Liga Portuguesa (com 14 pontos somados em 24 possíveis; a 3 pontos do Benfica, o actual 3º classificado) não tem expressado por ora o nível de competência com que a equipa aborda todas as partidas e todas as situações de jogo, nem tão pouco tem feito justiça à qualidade do futebol praticado pela formação de Vila do Conde. O nível de excelência que a equipa tem exibido no primeiro quartel da Liga merecia indiscutivelmente uma posição mais adiantada da tabela (o 3º lugar a meu ver seria neste momento a posição mais justa para a formação vilacondense) pese embora, como temos vindo a observar nas últimas partidas, o competente Marítimo de Daniel Ramos também tem vindo “a fazer pela vida” para realizar um campeonato que permita aos madeirenses o acesso às competições europeias da próxima temporada e a um resultado histórico nunca alcançado (4º lugar) pelo emblema do Funchal nos seus 107 anos de existência.  Continuar a ler “Miguel Cardoso, o perfeccionista que procura competência e eficácia em todos os jogos”

Alvíssaras Miguel Cardoso!

Ver a forma em como este Rio Ave joga (contra qualquer adversário; não quero de maneira alguma realçar uma forma de jogar diferente contra o Benfica) é uma verdadeira delícia. Nota-se que a construção deste plantel foi bem pensada em relação ao modelo que se quer trabalhar e que o modelo de jogo está ser muito bem trabalhado nas últimas semanas. Percebi agora o sentido das afirmações do treinador dos vilacondenses na conferência de imprensa de antevisão à partida quando este disse que o segredo da obtenção de um bom resultado residia na manutenção da identidade que tem vindo a ser construída. Identidade. Esta equipa do Rio Ave tem identidade. Fico cada vez mais ciente que este equipa já domina na perfeição as 4 fases do jogo. Continuar a ler “Alvíssaras Miguel Cardoso!”

Compreendo e apoio-te Xico

O recado não podia ser bem mais claro assim como o destinatário da mensagem. O não-convencional método de protesto utilizado por Francisco Geraldes não foi o melhor porque, como o jogador deverá compreender, no actual estado sensacionalista em que se encontra enfermo o jornalismo português, a acção praticada é a ponta que os jornalistas mais procuram para construir a narrativa que lhes seja mais conveniente para provocar instabilidade no clube e no grupo. Como pessoa inteligente que é (não tenho quaisquer dúvidas), o Francisco Geraldes sabe que deve guardar as críticas para o lugar certo, de modo a assegurar a indispensável estabilidade que todo o grupo precisa para trabalhar nesta fase.

Por outro lado, a crítica em si que foi realizada está acrescida de total razão. Jorge Jesus não pode pura e simplesmente ter o comportamento de exclusão que está a tomar para com o jogador desde que chegou a Alvalade. Numa fase da pré-temporada em que Jesus deverá ser o mais experimental que puder para poder compreender as mais-valias que determinados jogadores trazem ao grupo bem como as suas limitações (para as poder calmamente trabalhar no decurso da temporada), o treinador do Sporting não pode adoptar os comportamentos que ainda ontem adoptou quando tirou o jogador a poucos minutos do fim de um jogo em que este apenas entrou na 2ª parte.  Continuar a ler “Compreendo e apoio-te Xico”

Dedicado a todos aqueles que querem Francisco Geraldes a 8

A ratada de Geraldes no jogo de ontem.
Considerações à parte sobre a atitude de menosprezo (aparente; eu cá acho que o técnico do Sporting sabe bem o jogador que tem e sabe perfeitamente o uso que lhe irá dar; não lhe irá dar porém na posição que todos lhe têm suplicado) factual que tem sido dado ao jogador por Jorge Jesus desde que voltou de empréstimo, eu continuo a achar que o jogador pode fazer naturalmente a posição 8 (como pode fazer, com altíssimo rendimento, qualquer posição em campo porque tem técnica individual, inteligência táctica e inteligência em todas as acções que toma para o fazer) mas rende muito mais se jogar à frente, à entrada da área, preferencialmente nas costas do ponta-de-lança ou, em último caso, nas alas, como falso extremo.
Pensem bem todos aqueles que nos últimos meses são apologistas da colocação do jogador na posição 8. Vamos fazer um exercício. Querem um Francisco Geraldes à imagem de Adrien num meio campo a 2 (com o pacote completo; distribuir e construir na 1ª fase de construção, apoiar a acção ofensiva, ter que andar ali no meio-campo à caça das segundas bolas ou a pressionar adversários para evitar que estes sejam rápidos na transição para o contragolpe ou a lançar o contragolpe em profundidade; quando em linhas baixas, um autêntico mouro de trabalho que salta na pressão de jogador em jogador) ou querem um Geraldes, mágico, criador de espaços, criador de situações de ruptura, criador de problemas defensivos para a equipa contrária através da constante dinâmica que executa para entrar num espaço livre onde possa receber, por conseguinte arrastar e pensar\criar novos problemas defensivos para a equipa contrária? Pensem bem. A resposta é óbvia. Quanto mais Geraldes estiver próximo da frente de ataque, mais desequilíbrios cria. Num meio-campo a 2, o jogador será obrigado a perder 80% do seu tempo em questiúnculas estéreis para a dose e meia de futebol que tem para oferecer.
Num meio-campo a 3, a história é outra…

Hoje Escreve o Mister #11

Por Pedro Sousa

Dá dó ouvir Jesus falar sobre as suas segundas e terceiras opções (grande forma de abordar um plantel) como ele diz, quando comete tantos erros de análise na abordagem a um jogo em que havia tão pouca pressão! Quando se deixa um Francisco Geraldes no banco e mete os tais jogadores que são primeira opção, e se adapta alguns durante um jogo a 4 posições diferentes, penso que só se pode queixar da sua teimosia e em insistir num discurso sem evolução ao longo dos anos…

Sporting tal como o Porto, só se podem queixar de si próprios quanto as suas prestações no campeonato, e deviam analisar e reflectir para dentro tudo o que foi feito. Vão perceber que muitos dos bodes expiatórios que muitas vezes tentam justificar, estão dentro de portas seja no planeamento, gestão e aproveitamento dos recursos ao dispor! No fim, tudo acaba por espelhar a tabela classificativa…

Hoje Escreves tu #14 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 2ª parte

Nota introdutória: este post é a 2ª parte do post aqui publicado durante o dia de ontem.

Por Miguel Condessa

A minha maneira de ver e pensar um plano para uma equipa de futebol, seja ela qual for, mas que também se aplica a qualquer equipa de qualquer modalidade com as devidas adaptações, passa por ir incrementando qualidade ano após ano. E um dia seremos campeões porque estaremos a cada ano mais fortes e mais apetrechados para o ser. Pode demorar 2 anos,3, 4, 5, alguns, mas chegaremos lá! Irá sempre depender de alguns factores internos, como de onde partimos, e alguns externos, como por exemplo em que patamar estão os nossos rivais. Esse plano passa por analisar uma época, vamos chamar-lhe a época zero, com incidência no 11 base e nos 14/15/16 jogadores mais utilizados, escolher 2 posições para melhorar e apostar em 2 boas contratações para essas posições de modo a serem titulares de caras. Depois, em paralelo, é ir preparando a boa prata da casa para um dia subir à equipa A e depois para um dia estar preparada para substituir um ou outro jogador que se tenha distinguido e seja vendido. Continuar a ler “Hoje Escreves tu #14 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 2ª parte”