Compreendo e apoio-te Xico

O recado não podia ser bem mais claro assim como o destinatário da mensagem. O não-convencional método de protesto utilizado por Francisco Geraldes não foi o melhor porque, como o jogador deverá compreender, no actual estado sensacionalista em que se encontra enfermo o jornalismo português, a acção praticada é a ponta que os jornalistas mais procuram para construir a narrativa que lhes seja mais conveniente para provocar instabilidade no clube e no grupo. Como pessoa inteligente que é (não tenho quaisquer dúvidas), o Francisco Geraldes sabe que deve guardar as críticas para o lugar certo, de modo a assegurar a indispensável estabilidade que todo o grupo precisa para trabalhar nesta fase.

Por outro lado, a crítica em si que foi realizada está acrescida de total razão. Jorge Jesus não pode pura e simplesmente ter o comportamento de exclusão que está a tomar para com o jogador desde que chegou a Alvalade. Numa fase da pré-temporada em que Jesus deverá ser o mais experimental que puder para poder compreender as mais-valias que determinados jogadores trazem ao grupo bem como as suas limitações (para as poder calmamente trabalhar no decurso da temporada), o treinador do Sporting não pode adoptar os comportamentos que ainda ontem adoptou quando tirou o jogador a poucos minutos do fim de um jogo em que este apenas entrou na 2ª parte.  Continuar a ler “Compreendo e apoio-te Xico”

Dedicado a todos aqueles que querem Francisco Geraldes a 8

A ratada de Geraldes no jogo de ontem.
Considerações à parte sobre a atitude de menosprezo (aparente; eu cá acho que o técnico do Sporting sabe bem o jogador que tem e sabe perfeitamente o uso que lhe irá dar; não lhe irá dar porém na posição que todos lhe têm suplicado) factual que tem sido dado ao jogador por Jorge Jesus desde que voltou de empréstimo, eu continuo a achar que o jogador pode fazer naturalmente a posição 8 (como pode fazer, com altíssimo rendimento, qualquer posição em campo porque tem técnica individual, inteligência táctica e inteligência em todas as acções que toma para o fazer) mas rende muito mais se jogar à frente, à entrada da área, preferencialmente nas costas do ponta-de-lança ou, em último caso, nas alas, como falso extremo.
Pensem bem todos aqueles que nos últimos meses são apologistas da colocação do jogador na posição 8. Vamos fazer um exercício. Querem um Francisco Geraldes à imagem de Adrien num meio campo a 2 (com o pacote completo; distribuir e construir na 1ª fase de construção, apoiar a acção ofensiva, ter que andar ali no meio-campo à caça das segundas bolas ou a pressionar adversários para evitar que estes sejam rápidos na transição para o contragolpe ou a lançar o contragolpe em profundidade; quando em linhas baixas, um autêntico mouro de trabalho que salta na pressão de jogador em jogador) ou querem um Geraldes, mágico, criador de espaços, criador de situações de ruptura, criador de problemas defensivos para a equipa contrária através da constante dinâmica que executa para entrar num espaço livre onde possa receber, por conseguinte arrastar e pensar\criar novos problemas defensivos para a equipa contrária? Pensem bem. A resposta é óbvia. Quanto mais Geraldes estiver próximo da frente de ataque, mais desequilíbrios cria. Num meio-campo a 2, o jogador será obrigado a perder 80% do seu tempo em questiúnculas estéreis para a dose e meia de futebol que tem para oferecer.
Num meio-campo a 3, a história é outra…

Hoje Escreve o Mister #11

Por Pedro Sousa

Dá dó ouvir Jesus falar sobre as suas segundas e terceiras opções (grande forma de abordar um plantel) como ele diz, quando comete tantos erros de análise na abordagem a um jogo em que havia tão pouca pressão! Quando se deixa um Francisco Geraldes no banco e mete os tais jogadores que são primeira opção, e se adapta alguns durante um jogo a 4 posições diferentes, penso que só se pode queixar da sua teimosia e em insistir num discurso sem evolução ao longo dos anos…

Sporting tal como o Porto, só se podem queixar de si próprios quanto as suas prestações no campeonato, e deviam analisar e reflectir para dentro tudo o que foi feito. Vão perceber que muitos dos bodes expiatórios que muitas vezes tentam justificar, estão dentro de portas seja no planeamento, gestão e aproveitamento dos recursos ao dispor! No fim, tudo acaba por espelhar a tabela classificativa…

Hoje Escreves tu #14 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 2ª parte

Nota introdutória: este post é a 2ª parte do post aqui publicado durante o dia de ontem.

Por Miguel Condessa

A minha maneira de ver e pensar um plano para uma equipa de futebol, seja ela qual for, mas que também se aplica a qualquer equipa de qualquer modalidade com as devidas adaptações, passa por ir incrementando qualidade ano após ano. E um dia seremos campeões porque estaremos a cada ano mais fortes e mais apetrechados para o ser. Pode demorar 2 anos,3, 4, 5, alguns, mas chegaremos lá! Irá sempre depender de alguns factores internos, como de onde partimos, e alguns externos, como por exemplo em que patamar estão os nossos rivais. Esse plano passa por analisar uma época, vamos chamar-lhe a época zero, com incidência no 11 base e nos 14/15/16 jogadores mais utilizados, escolher 2 posições para melhorar e apostar em 2 boas contratações para essas posições de modo a serem titulares de caras. Depois, em paralelo, é ir preparando a boa prata da casa para um dia subir à equipa A e depois para um dia estar preparada para substituir um ou outro jogador que se tenha distinguido e seja vendido. Continuar a ler “Hoje Escreves tu #14 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 2ª parte”

Hoje Escreves tu #13 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 1ª parte

Por Miguel Condessa

Pontos prévios para perceberem onde me situo e onde situo o meu clube de coração para fazer esta análise:

  • O Sporting, dado o seu passado recente, chegou às mãos do Bruno de Carvalho (BdC) numa situação muito fragilizada em relação aos seus rivais, quer em termos de activos que possuía, quer em termos monetários/económicos, quer em termos de organização, quer do clube, quer da SAD, quer em termos de poder no desporto em Portugal! Estaria muito mais próximo do que é a realidade do Sporting de Braga do que seriam, e são, as realidades do Porto e, especialmente, do Benfica que nessa altura já dominava em quase todas as vertentes.
  • Não sou um admirador incondicional do Jesus. Reconheço-lhe mérito técnico-táctico como treinador, acho-o um bom treinador de campo, que lê bem os jogos, mas também lhe reconheço grandes deficiências noutras valias fundamentais a um treinador que, em conjunto com as primeiras, acabam por fazer o treinador no seu todo. Além disso acho-o uma pessoa muito limitada. É muito centrada no seu Ego, raramente assumindo os erros que comete – que não são tão poucos como isso. No geral acho-o um bom treinador, que poderia ser muito melhor se fosse uma pessoa mais culta e mais equilibrada, com a dose de humildade que normalmente os grandes seres têm – quem é grande, mesmo, nunca precisou de se colocar em bicos dos pés. Não é, nem pouco mais ou menos, o que pintam dele, e muito menos o que ele pensa de si próprio.
  • Jesus, no geral, é um treinador no mesmo patamar de um Vilas Boas, de um Marco Silva, de um Rui Vitória, de um Paulo Fonseca, de um Vitor Pereira, e até há pouco tempo até do Jardim, que esta época demonstrou que já está num patamar superior, mais próximo do Mourinho! Terá umas características melhores, outras piores, como todos. E, para mim, é a soma disso tudo que os coloca a todos num mesmo patamar, mesmo que determinadas características possam indicar um mais que os outros para determinado momento num determinado clube.
  • Diminuir esse fosso gigante requeria um trabalho monstruoso de reorganização a todos os níveis e uma elevada percentagem de acerto, quase a roçar o 100%, nas tomadas de decisão necessárias. No que ao futebol diz respeito, que é basicamente o que interessa para aqui, requeria uma acertada remodelação do futebol, a dispensa acertada do entulho que por lá havia e a contratação cirúrgica e acertada de novos jogadores, gastando pouco e bem, ao mesmo tempo se fazia um esforço para manter os bons jogadores que já tínhamos. Continuar a ler “Hoje Escreves tu #13 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 1ª parte”

Análise: Sporting 4-0 Boavista

3 pontos, uma agradável exibição, um hat-trick do suspeito do costume (se bem que a exibição do holandês não se ficou por aí) num jogo que em primeiro denunciou que Jorge Jesus já leva o trabalhinho de casa para a próxima temporada bem adiantado. Por sua vez, o Boavista de Miguel Leal apresentou-se em Alvalade com uma estratégia de jogo bem arrojada no primeiro tempo, caindo em virtude dos dois erros crassos dos seus laterais nos dois primeiros golos da turma leonina.

Continuar a ler “Análise: Sporting 4-0 Boavista”

Os jornalistas desportivos portugueses são medíocres e cretinos

rui jorge

No passado dia 26 de Fevereiro escrevi aqui algumas linhas gerais sobre a minha opinião acerca do comportamento e das escolhas que são realizadas pela imprensa portuguesa. Escrevi na altura o seguinte:

“Nos últimos tempos tenho sentido menos curiosidade e uma maior repulsa para ler os jornais portugueses quer na suas edições físicas quer nas suas versões online. Aborrece-me ter que andar minutos à pesca de notícias ou crónicas relevantes assim como me aborrece andar a fazer scrolls na página do record à procura daquela notícia relevante que foi empurrada para o fundo de página para dar lugar no seu topo à gaja das mamas y que anda com o jogador x, ao jogador x que foi apanhado a fumar umas pampas ali pró lado de Jerez de La Frontera, sem descurar o clássico jogo de bastidores Sporting-Benfica-Porto, as polémicas da Liga de Clubes ou da Federação, o ataque cerrado às arbitragens ou as futilidades dos dias em forma de vídeo-notícia.

Outro jornalismo desportivo diferente é aquele que fazem por exemplo, o L´Equipe em França, a BBC, o Irish Examiner (apesar de ser generalista) e a Gazzetta dello Sport. Esses sim são órgãos de comunicação sociais sérios que promovem a notícia e a crónica (quase sempre feita por experts que são profundos conhecedores dos assuntos ou dos factos que visam narrar e descrever) sem terem que se vender ao sensacionalismo, escrevendo muitas vezes para nichos de mercado reduzidos mas fiéis à compra das suas publicações porque a informação e a opinião é boa, sem descurar portanto a sua própria sustentabilidade. Não são raras as vezes em que o L´Equipe abre a sua edição impressa com rugby e com ciclismo ou que a BBC dá um destaque principal no seu site a outros desportos que não o futebol.”

Essa repulsa pelo jornalismo estende-se ao jornalismo que também é feito por alguns jornalistas dos canais de televisão portugueses, mais concretamente pelo jornalistas da edição de desporto da CMTV e da RTP.
Na conferência de imprensa dada ontem pelo seleccionador de sub-21 Rui Jorge, a RTP voltou a colocar o seu espírito conflituoso em campo quando o seu enviado à conferência de imprensa perguntou ao seleccionador português “qual era a importância de ver Francisco Geraldes e Daniel Podence crescerem e mudar de contexto competitivo para serem aposta de um grande em Portugal” – o seleccionador caiu na esparrela montada pela pergunta do entrevistador e desatou a falar da passagem dos jogadores no Moreirense para realçar que a aposta tinha sido feita pelo Moreirense (o clube para o qual os dois jogadores foram rodar por não terem espaço no plantel idealizado no início da temporada por Jorge Jesus) e não pelo Sporting, o clube que mais aposta na formação de jogadores em Portugal. A pergunta tinha obviamente uma armadilha e pretendia colher da boca do seleccionador uma resposta que fosse passível de voltar a fazer transparecer a ideia que o treinador do Sporting não aposta na formação.

Como seleccionador de uma selecção nacional Rui Jorge não deveria ter veiculado aquela resposta tão tendenciosa contra um clube (por culpa do seu treinador e das guerrinhas da imprensa contra o treinador do Sporting) que ano após ano, década após década demonstra a sua força na formação, enchendo as selecções nacionais de futebol de talentos que ajudam o nosso país a atingir patamares e conquistas de excelência no cenário internacional. Mas mais culpado foi o jornalista que foi à cidade do futebol misturar alhos com bugalhos para tirar, literalmente, nabos da púcara ao seleccionador nacional, para voltar a dotar a imprensa de argumentos contra Jorge Jesus. Ao medíocre jornalismo português cada vez menos interessa discutir sistemas tácticos, formas de jogar, rendimento de jogadores, opções tomadas pelos treinadores, e métodos de treino. Não interessa discutir futebol pelo futebol, futebol a sério. Interessa sim meter todos contra todos, causar discórdia, a discórdia que vende.

Essa atitude do jornalista da RTP é reveladora da campanha desde há muito montada pela RTP contra o Sporting, campanha que começou quando um jornalista da estação, Gonçalo Ventura, conseguiu manipular a informação para colocar Rui Vitória contra Jorge Jesus. Tudo começou aqui numa flash interview da Sporttv após a vitória do Sporting em Setúbal:

José Goulão (SPORTTV): Ficou surpreendido com as declarações do treinador do Benfica ontem?

Jorge Jesus: Não. Não. Cada um diz aquilo que pensa e que quer e ele tem o direito de dizer. Vivemos num país livre. Porque é que não há-de dizer o que pensa?

Na conferência de imprensa, Gonçalo Ventura da RTP carregou sobre o treinador do Sporting:

Gonçalo Ventura (RTP): A outra pergunta tem a ver com o que disse ontem o treinador do Benfica. Sentiu muito isso? É obcecado pelo Benfica é mau colega e tem mau carácter!
Jorge Jesus: Ele disse essas 3 questões? Tou a perguntar? Que eu não posso responder… Disse? Disse? – mostrando admiração pela pergunta que acabava de lhe ser feita, procurando saber a veracidade da afirmação em forma de interrogação que o jornalista da RTP tinha acabado de realizar.

Jorge Jesus na flash interview anterior já tinha respondido a essa pergunta quando afirmou à Sportv, voltando a acrescentar na conferência de imprensa:
Em relação ao meu colega. Tou obcecado? Tou obcecado pelo Benfica. Tou obcecado pelo Porto. Tou obcecado por todos os meus adversários e principalmente por aqueles dois rivais que sei que vão estar na luta direta para a conquista deste campeonato e portanto, procuro estar cada vez mais com essa obsessão para quando for a quarta vez voltar a ganhar e ser quatro vitórias. (esta resposta foi mais ou menos aquela que Jesus tinha dado no flash interview ao jornalista da Sporttv)
Conhecer bem a minha obsessão pelos meus adversários. A minha obsessão leva-me para o trabalho, para o conhecimento do trabalho, para o conhecimento do que daquilo que normalmente é a minha obsessão em função do meu trabalho e dos meus adversários. Neste momento estamos num campeonato com vários adversários mas há dois, como é óbvio que são aqueles que estão com os mesmos objectivos em relação ao adversário.

A outra questão… Mau colega? Treinador? Como eu não o qualifico com treinador não sou mau colega! Para ser treinador tem que ser muito mais! “

Resumindo: Rui Vitória nunca fez tais acusações, acusações que foram inventadas pelo jornalista da RTP para provocar discórdia, o que efectivamente conseguiu. O mau jornalismo de Gonçalo Ventura foi na altura alvo de censura e respectiva reprimenda por parte do director de informação da RTP Paulo Dentinho. Contudo, o abanão interno provocado por Dentinho não foi suficientemente forte para dissuadir certos jornalistas a não voltar a tentar realizar este péssimo serviço jornalístico.

A RTP não se ficou por aqui. Da discórdia criada nas conferências de imprensa passou a achincalhar a instituição e os seus dirigentes nos afamados spots televisivos. O primeiro visado foi Jorge Jesus:

O segundo foi obviamente Bruno de Carvalho, quando a RTP foi buscar as declarações proferidas pelo presidente do Sporting num determinado contexto passado para as capitalizar no contexto do momento. A cretinice jornalística sem limites, portanto…

Essa cretinice, promovida pelos jornalistas desportivos portugueses está a fazer muito mal ao futebol português. O constante clima de crispação promovido pelos jornalistas é o clima que leva as pessoas a afastar-se dos estádios de futebol e a considerar que não vale a pena pagar bilhetes caríssimos por um espectáculo viciado. Quando as pessoas deixam de falar e discutir sobre o que se passa dentro das 4 linhas para discutir polémicas completamente acessórias ao futebol, ou seja, polémicas que são altamente dispensáveis, o futebol perde a incandescência que lhe dá sabor e que o torna um desporto tão belo e tão admirável.