Os golos da Champions

Contra todas as opiniões que tenho ouvido sobre o valor do jogador nos últimos anos, depois de ter feito sensacionais temporadas no Everton no qual foi “um pau para toda a obra de 80 metros de comprimento” para David Moyes, eu compreendo as declarações de Mourinho quando afirmou que o belga Marouane Fellaini é um jogador com uma importância superior na equipa (e nos seus processos; quer nos ofensivos, quer nos defensivos) aquela que tanto a imprensa como os adeptos lhe tem atribuído.

Contra o jogador belga incorrem as justas críticas que lhe apontam os defeitos do seu jogo: o belga é lento a pensar e a executar (critério que faz toda a diferença no frenético pace do futebol inglês) erra muitos passes fáceis, não toma as melhores decisões, é muito perdulário e perdeu ao longo dos anos aquela que era a sua principal característica ofensiva: o remate de meia distância. No entanto, creio que José Mourinho fez um belíssimo trabalho de remodelação do jogador ao seu pragmático modelo de jogo. O belga é hoje um jogador híbrido (um médio que entra muito bem em zona de finalização) que cumpre as funções que lhe são requeridas pelo treinador português quer no plano ofensivo, quer no plano ofensivo.  Continuar a ler “Os golos da Champions”

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O golo do dia

O trabalho em drible de Franck Ribèry sobre o defesa para a linha de fundo foi mais uma amostra daquele movimento patenteado a que o francês nos habituou na última década. Aos 34 anos, o veterano jogador gaulês aparece com um enorme fulgor físico nesta pré-temporada.  A acção técnica de cruzamento foi deslumbrante.

Bom ataque à bola de James ao primeiro poste. Com o seu movimento de antecipação, o colombiano (jogador que ao longo da pré-temporada tem ganho outra dimensão neste Bayern; aparece mais vezes em zona de finalização) bloqueou a acção de Gary Cahill (poderia ter saído para interceptar o cruzamento) e criou a oportunidade para Muller finalizar a jogada.

 

 

 

Análise – Meia-final da Taça da Alemanha – Bayern 2-3 Borussia de Dortmund

É caso para dizer que à 4ª foi de vez! Thomas Tuchel conseguiu “matar o borrego”, ainda para mais na casa deste! O Borussia de Dortmund conseguiu um histórico apuramento para a sua 4ª final consecutiva na Taça da Alemanha ao vencer nas meias finais a “besta negra” que lhe tinha roubado a vitória na competição nas últimas 3 finais da prova. Num fantástico jogo de futebol em que mais uma vez foi quebrado desde cedo o espartilho táctico em que assentam os jogos entre equipas grandes, a equipa de Thomas Tuckel sobre aproveitar os erros de Javi Martinez no primeiro golo e de Robert Lewandowski e Arjen Robben no capítulo da finalização.
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Análise: Real Madrid 4-2 Bayern – Um hino ao futebol ferido de morte pela arbitragem

Podia ter começado este post com a habitual adjectivação que é utilizada para qualificar os grandes jogos de Champions. Desta vez não o farei. Não o farei por respeito ao futebol transparente que sempre defendi e defendo. Direi apenas que foi um grande jogo de futebol jogado por duas grandes equipas, muito emotivo nos 210 minutos jogados, até porque o Bayern fez das tripas coração para virar o resultado desfavorável somado na primeira-mão em casa, mas, na verdade, só uma delas estava autorizada a passar às meias-finais da prova: o Real Madrid. A arbitragem da equipa comandada pelo húngaro Viktor Kassai assim o provou no Bernabeu, perdoando em 3 ocasiões a expulsão a Casemiro, expulsando Artur Vidal num lance completamente limpo no qual o chileno só joga a bola e validando um golo completamente irregular a Cristiano Ronaldo.

Ir contra a corrente do pensamento trigueiro de alguns portugueses é uma tarefa hercúlea. Num país maioritariamente assente em três tendências dominantes (Benfica, Cristiano Ronaldo e Renato Sanches) ai de quem ouse sequer questioná-las. Questionar esta vitória do Real Madrid e até a própria prestação de Ronaldo na partida (tirando os golos contra 10, onde é que esteve o internacional português durante 75 minutos e o que é que realmente fez na partida?) é correr o risco de ter que passar uma noite inteira a responder aos habituais comentários de trolls que só medem exibições pelo número de golos que tal jogador marca. Uns chamam-lhe legado. Eu chamo-lhe somente eficácia nos momentos decisivos. Porque da exibição de Ronaldo, só vieram os golos no momento certo. Exibições fizeram sim Carvajal, Marcelo, Luka Modric, Phillip Lahm, Arjen Robben, Arturo Vidal, Franck Ribèry, David Alaba, Manuel Neuer, Sérgio Ramos. Esses sim fizeram grandes exibições!
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Um massacre consentido! Análise: Bayern 1-2 Real Madrid

Vamos ser justos: Ronaldo bisou (e até poderia ter feito mais um não fosse o facto de estar entre os postes o melhor guarda-redes do mundo), o Real carregou e mereceu levar a eliminatória bem encaminhada para o Bernabeu, mas o que aconteceu na 2ª parte do jogo na Allianz Arena ocorreu mais por demérito da equipa e do treinador da casa do que por mérito dos jogadores do Real Madrid. Quando se está a ganhar em casa de um adversário com um valor tão grande como é o da equipa do Bayern e se tem o adversário completamente moribundo em virtude dos erros individuais de um jogador (Javi Martinez) e de um treinador (Carlo Ancelotti, quando perdeu de vez o meio-campo ao abdicar de um médio para a entrada de um defesa lateral), qualquer equipa precisa de dar a estocada final para não ser surpreendida em casa.

Chamar o Robben!

“Eloi, Eloi Bobek lamá sabactani?” – Em jeito de parábola (para quem tenha olhos possa ler) estamos na época da Páscoa. Esta poderá ser a frase que Arjen Robben mais deverá ter dito interiormente nos 90 minutos do Allianz Arena dada a ausência da partida do polaco Robert Lewandowski. Fruto da falta de criatividade da equipa no geral, da circulação quase mecânica e enfadonha que a equipa pratica, da procura incessante pela criatividade dos seus extremos ou na falta de possibilidade destes virem a desequilibrar, das situações de overlaping criadas com os laterais, notou-se nesta equipa do Bayern a falta da sua principal unidade na actualidade, até porque Thomas Muller parece estar em acentuado declínio. Não sei se é uma questão psicológica do jogador ou se é a mudança dos tempos no Bayern: o avançado precisa urgentemente de mudar de ares para recuperar o seu futebol. Falta-lhe muito sinceramente aquela garra e aquele oportunismo de outros tempos. Arjen Robben é na sua idade um elemento escasso para criar pelas suas naturais limitações dado o avançar da idade e se tiver uma catrefada deles em seu redor (a fechar-se as incursões para o interior) como teve no jogo de hoje sempre que assumia o drible, mais difícil se torna a este Bayern criar situações de golo.
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