Os golos da jornada (2ª parte)

A 10ª jornada da Liga Espanhola, “matéria” que abordei no primeiro post desta sequência, trouxe-nos momentos de bom futebol. Outro desses momentos de bom futebol foi a jogada do primeiro golo do Sevilla, na suada vitória dos andaluzes, actuais 5º classificados de La Liga com 19 pontos, frente ao Leganés.  Continuar a ler “Os golos da jornada (2ª parte)”

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Os golos da jornada (1ª parte)

Começo este post pela derrota do Real Madrid na deslocação à Catalunha, mais concretamente ao terreno do recém-promovido Girona, emblema que é actualmente presidido pelo antigo lateral direito internacional Delfi Geli (jogador que se celebrizou nos anos 90 ao serviço do Atlético de Madrid de Radomir Antic) e que como se sabe foi adquirido recentemente pelos emires do City Football Group, a holding que controla, entre outros clubes, o Manchester City. Frente ao actual campeão espanhol e bicampeão europeu, a formação catalã fez um “partidazo” incrível (em suma, o jogo foi provavelmente um dos melhores jogos de 2017 da Liga Espanhola) no qual, no frenético (disputado a uma velocidade altíssima que me levou sinceramente a crer, in loco, que os catalães não teriam pernas para mais de 60 minutos; enganei-me redondamente; foi precisamente a partir dos 60 minutos que os merengues não tiveram pernas para aguentar o verdadeiro rolo compressor exercido pela formação da casa) e entrecortado carácter que o jogo foi proporcionando (de bola cá, bola lá) criou várias situações de perigo (enviando inclusive duas bolas aos ferros da baliza defendida por Kiko Casilla, titular em função da ausência de Keylor Navas) e beneficiou de uma rara (nada normal) falta de compostura de Ronaldo no capítulo da finalização.  Continuar a ler “Os golos da jornada (1ª parte)”

Carlos Soler – O puto já nasceu com o futebol todo na cabeça

É ver fregueses, é ver. Como dizia nas suas parábolas o outro, o que morreu na cruz pela redenção dos nossos pecados: “Quem tiver olhos, que veja”… É incrível a rapidez com que o jovem de 20 anos Carlos Soler pensa as suas acções (nunca ficando com o esférico na sua posse mais que 3 segunditos) e decide sempre bem, conferindo objectividade ao jogo da sua equipa. Soler não faz um único passe para o lado, não realiza uma única contemporização que permita ao adversário recuperar-lhe o esférico. Sempre que a bola lhe cai nos pés o jogo da equipa ganha metros. Quando a equipa não confere ao jogador uma solução rápida, ele próprio puxa da sua imaginação para inventá-la, criando sempre perigo junto da baliza adversária. Quando um jogador me arrebata assim desta maneira (há uns anos foi curiosamente David Silva) raramente me engano: teremos certamente no valenciano o grande patrão ou um dos grandes patrões da selecção espanhola da próxima década.

Reduzir o adversário a farinha milupa.

No momento da recepção, não aparece ninguém  a fazer a sobreposição pelo exterior para dar continuidade ao lance. O que é que o médio de 20 anos pode fazer? O jogador trata de olhar o adversário olhos nos olhos enquanto magica outra solução, inflectindo para o interior para rematar de pé esquerdo.

Atlético vs Barça (1ª parte)

A jogada do único golo da partida. Transição simples e tão bem elaborada. Abertura para o flanco esquerdo onde Felipe Luis aparece bem projectado no terreno. O brasileiro apercebe-se que Ferreira-Carrasco, mais pelo interior tem espaço para receber porque Semedo lhe concedeu esse mesmo espaço. O brasileiro devolve para o interior.

yannick

O belga foi extremamente inteligente na sua acção. Em vez de receber, deixa passar a bola para tirar Semedo em definitivo do lance. Como podemos ver, Saúl também já ganhou a frente ao seu opositor, existindo espaço entre Rakitic e os defesas.

yannick 2

Yannick só precisa de colocar portanto a bola naquele espaço vazio que vai ser aproveitado por Saúl para executar aquele belíssimo remate em arco que beijou as redes da baliza de Ter Stegen.

O Barça tem efectivamente tido mais bola, mais iniciativa ofensiva e mais posse territorial no meio-campo adversário, frente a uma equipa que como se tem visto é capaz de pressionar muito bem em terrenos adiantados (já tendo conquistado várias bolas em erros de Jordi Alba, Piqué e Umtiti na saída de jogo) como de baixar rapidamente as suas linhas até aos seus últimos 30 metros, juntando linhas, sempre que pressente que a execução de um sistema pressão alta no meio-campo adversário não trará conquistas e prejudicará o equilíbrio defensivo pretendido pelo seu treinador Os últimos 30 metros do Barça tem sido o busílis da paciente mas conservadora exibição ofensiva dos culé – pouco criativa (variações de flanco a flanco – esteréis, porque Simeone consegue ter igualdade numérica na esquerda e superioridade 4×2 ou 4×3 na direita, mesmo nos lances em que Suarez tenta cair mais perto da esquerda para facilitar a missão de Inieste e Alba) pouco móvel (à excepção dos últimos 5 minutos do primeiro tempo, fase da partida na qual os centrais subiram até ao meio-campo adversário para permitir um certo adiantamento a Rakitic – só vi mobilidade em Messi e na dupla Semedo\André Gomes – ora entrando um por dentro, ora um por fora) incapaz de de circular rapidamente e de acelerar as transições para o contragolpe nos raros momentos em que a equipa madrilena perde a bola a meio-campo.

 

A imagem do dia

nou camp

O ambiente vivido nos portões de entrada de Nou Camp, poucos minutos antes do arranque à porta fechada do jogo contra o Las Palmas, decisão que foi deliberada pelo clube catalão na sequência da recusa que foi dada pela Federação Espanhola em relação ao adiamento do jogo. 

Com Marcelino Garcia Toral, Gonçalo Guedes está a crescer imenso

3 exemplos práticos recentes da liberdade que o modelo de jogo do novo treinador do Valência (agente que finalmente parece estar a terminar com o período de desordem, confusão e caos que reinou no clube ché nas últimas temporadas; período que foi notoriamente construído por uma notória falta de estratégia alavancada pelo exagero das relações entre Peter Lim e Jorge Mendes) dá ao português, retirando-lhe o seu melhor rendimento e o seu melhor futebol. Continuar a ler “Com Marcelino Garcia Toral, Gonçalo Guedes está a crescer imenso”

Os golos da jornada

Início a rodada de uploads com o golo somado pelo Alavés contra o Real Madrid para vos mostrar a simplicidade de processos da turma da casa na construção desta jogada e a atípica hesitação (patetice) de Raphael Varane no ataque a um lance aéreo.

O médio Burgui não só conseguiu na sua acção sair muito bem da pressão realizada por dois adversários, com a bola bem coladinha, em drible curtinho, ao pé direito (noutras ocasiões, pude reparar que o médio do Alavés é um jogador que não só consegue sair bem das situações de pressão como é um médio com uma técnica individual que lhe permite criar desequilíbrios em espaços muito reduzidos porque é um jogador que cola muito bem a bola ao pé e consegue mudar com rapidez a direcção do drible, dificultando a tarefa de quem o defende) como conseguiu rodar muito bem para se virar de frente para o jogo e para a oportunidade de progressão que lhe é aberta por Mounir El Haddadi na desmarcação para as costas de Sérgio Ramos. Com tempo e espaço para cruzar, o avançado colocou uma bola perfeita para a entrada em zona de finalização de Manu Garcia perante uma atitude atípica de Varane no ataque ao esférico.  Continuar a ler “Os golos da jornada”