Análise – Final da Champions – Juventus 1-4 Real Madrid – Que vendaval foi aquele que passou em Cardiff?

Que espécie de vendaval passou por Cardiff na noite de hoje? Que espécie de apagão, que autêntico reset foi aquele que se verificou na máquina de Massimiliano Allegri? Como é que se explica o facto de uma equipa experiente e cínica como a Juve, capaz de se adequar a todos os adversários sem abdicar dos seus princípios e da sua identidade, tenha tombado daquela forma em 45 minutos? Como é que se explica o facto desta equipa ter cometido mais erros defensivos em 45 minutos do que aqueles que tinha cometido em 12 partidas? Foi a pressão do momento? Foi o cansaço? Foi um enorme bloqueio emocional? Foi a maior frescura física das unidades adversárias? Foi o incansável trabalho dos médios merengues? Foi o maior dinamismo de todas as unidades do Real Madrid? Aqueles que viram o jogo com um mínimo de atenção conseguirão facilmente encontrar as pistas que ajudam a explicar a 12ª vitória na competição do bicampeão europeu Real Madrid.

Os merengues foram efectivamente mais fortes. Foram mais fortes e mais rígidos no plano defensivo. Foram mais fortes nas batalhas a meio-campo vencendo praticamente todos os duelos individuais. Foram mais fortes no capítulo da marcação ao adversário. Foram mais dinâmicos, fazendo da sua dinâmica posicional a sua melhor arma para destruir por completo o rígido bloco defensivo bianconeri. Foram também mais criativos, mais interventivos, mais cientes daquilo que pretendiam fazer com o jogo. Criaram mais oportunidades de ouro e voltaram a beneficiar do poder de finalização da sua grande máquina, do seu grande Deus do futebol. Aproveitaram as segundas bolas como se de oportunidades de ouro, de vida ou morte, se tratassem. Pudemos verificá-lo nos 2 golos que mudaram por completo uma partida que até teve uma primeira parte minimamente encaixada dentro das expectativas iniciais de equilíbrio. Os bianconeri fizeram um percurso perfeito na competição. Os madridistas não realizaram um percurso tão perfeito na competição. Pode-se até mesmo dizer que em determinadas ocasiões (contra o Sporting, contra o Bayern, contra o Atlético) a equipa foi conseguindo chegar ao seu objectivo final através de uma estrada cheia de solavancos, pedras e ressaltos. Mas, ao fim de 9 meses, pode-se dizer que foram a formação mais competente, revalidando o seu domínio quase completo do futebol europeu na presente década.

Claro que tenho pena que Gigi Buffon não tenha ganho o seu merecido troféu de campeão europeu. Por tudo o que deu ao futebol, o veterano merecia ter vencido a final de hoje. A formação de Turim voltou nos últimos anos a afirmar-se de acordo com os pergaminhos da sua imensa história. Allegri devolveu o orgulho europeu à Velha Senhora. O treinador italiano voltou a fazer da Juve um crónico candidato ao título europeu. O importante agora é não desistir. Se voltar a arrepiar caminho, os bianconeri terão o seu momento.

Cristiano Ronaldo volta, por outro lado, a fazer história. 600 golos como profissional. 12 golos na edição da Champions deste ano, voltando a coroar-se como o melhor marcados da história da competição. 4ª champions no bolso e a 5ª bola de ouro a caminho, numa temporada que promete voltar a ser inesquecível para o internacional português se aos quatro títulos conquistados na presente temporada (ao qual escapou apenas a Copa del Rey), o português puder novamente assinalar no seu palmarés a conquista da Taça das Confederações ao serviço da selecção portuguesa.
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Adeus Imperador! Sem ti, não teremos mais divertimento

No Totti, no Party! Parte um jogador que me acompanhou ao longo do meu crescimento enquanto ser humano. Vi-o pela primeira vez em campo aos 8 anos. Vi-o pela última vez num momento em que estou a escassos dias de realizar 30. Pelo meio, vi 22 anos de maravilhas. Vi 22 anos de puro romantismo, carisma e de pura liderança em campo. Vi um dos grandes fenómenos do futebol, um daqueles futebolistas que irá perdurar para sempre no Olimpo da modalidade. Um daqueles capazes de realizar façanhas que nos levarão daqui a uns anos a contar aos nossos netos: sim, vi este jogador jogar várias centenas de vezes. Sempre bem. Direi sempre aos meus filhos e netos que jogou bem. Até mesmo não fazia um vistão, jamais poderíamos dizer que jogava mal.

Totti era um daqueles que tinha sempre uma palavra a dizer, uma presença que impunha respeito a qualquer adversário, um passe a colocar no momento certo, uma cartola cheio de truques de magia, um sinistro remate pronto a beijar as redes adversárias.  Continuar a ler “Adeus Imperador! Sem ti, não teremos mais divertimento”

Bloco de Notas da História #19 – Decorridos 50 anos sobre a vitória do Celtic na Taça dos Campeões Europeus

25 de Maio de 1967. Estádio Nacional do Jamor. O Portugal da ditadura do Estado Novo, regime que era cada vez mais acossado (e isolado) pela comunidade internacional devido à manutenção da injusta e sangrenta guerra em África, recebe pela primeira um grande espectáculo internacional de futebol.

Em confronto, para a final da Taça dos Campeões Europeus da temporada 1966\1967 encontram-se o poderoso Inter do “catenaccio” de Helenio Herrera e o underdog Celtic de Jock Stein. Os escoceses são, de forma surpreendente, num espaço de 12 anos, a primeira equipa britânica a chegar à final da competição. Apesar do futebol britânico ter recuperado algum do seu prestígio poucos meses antes com a vitória da Inglaterra no Mundial por si organizado, e de algumas equipas ingleses possuírem desde há largos anos as melhores equipas mundiais (caso do Manchester United), são os comandados de Jock Stein que chegam pela primeira vez à final da maior competição futebolística do futebol europeu, surpreendendo tudo e todos no estádio situado no coração do concelho de Oeiras. Continuar a ler “Bloco de Notas da História #19 – Decorridos 50 anos sobre a vitória do Celtic na Taça dos Campeões Europeus”

Dois anos de Paulo Sousa – zero evolução

Com muita pena minha como “tiffosi viola” o ciclo do técnico viseense (nem os Repesenses o quer neste momento) termina tal e qual como começou no Verão de 2015:

  1. com uma equipa com muitas dificuldades para sair a jogar a partir de trás (do sector defensivo; os clássicos “escorregões” que permitem imediatamente o lançamento de contra-ataques venenosos; ainda mais contra uma das equipas mais intensas que o futebol italiano tem para oferecer no capítulo da pressão e mais mortíferas no contra-ataque em virtude do virtuosismo técnico, da velocidade e da capacidade de finalização dos seus homens da frente)
  2. Um sector defensivo em que ninguém se entende, em que ninguém verdadeiramente comanda, em que existe sempre um homem que não é capaz de subir atempadamente no terreno para colocar o adversário em fora-de-jogo
  3. Um sector defensivo incapaz de cortar profundidade ao adversário. Imensa falta de intensidade nos momentos de pressão (se já custa aos defesas sair para criar a armadilha do fora-de-jogo, misturem essa dificuldade com um par de médios, Badelj e Vecino, que anda ali no meio-campo literalmente por andar, quando deveria estar em cima dos organizadores adversários para lhes “cortar” o tempo para pensar e executar de forma a permitir que a defesa possa subir)
  4. Um defesa central (Gonzalo Rodriguez) que mais parece interessado em fazer do campo um ringue de boxe
  5. Uma articulação ofensiva na transição que visa exclusivamente colocar a bola numa primeira fase para o ponta-de-lança (as famosas descidas de Kalinic no terreno) para que o croata devolva imediatamente para Ilicic ou para o Valero e “fé no que o Valero” possa fazer porque do Ilicic já sabemos que dos pés do esloveno só existe uma solução possível (um drible para enquadrar e chumbo para a baliza adversária).
  6. Muita falta de trabalho. 2 anos completamente desperdiçados pelos Viola com um treinador, castigados com a mais inteira justiça nos resultados obtidos: bye bye Europa League.

Quando um passe destes é meio golo (visão de jogo)

Kevin Strootman para Stephen El Sharaawy no quentíssimo Chievo Verona 3-5 AS Roma.

Perfeita sintonia entre médio e avançado, revelando ambos uma fantástica visão de jogo. Porque a visão de jogo é precisamente isto: fazer uma leitura muito rápida (face ao tempo muito limitado que um jogador tem para ler, pensar, executar ou mover-se adequadamente sem bola para ir para determinado espaço) do quadro posicional de todos os jogadores e perceber, onde é que existe espaço para jogar e\ou onde é que podemos tirar uma vantagem com a nossa acção, com bola ou sem bola (pronto a recebê-la nesse espaço). Ambos os jogadores da formação romana vislumbraram o espaço aberto pela defesa do Chievo no frame em questão, tratando-se o resto (o passe e a finalização do avançado italiano) de pormenores técnicos de excelência.

Análise – Final da Coppa D´Italia – Juventus 2-0 Lazio

Um golo de Daniel Alves e outro de Leonardo Bonucci, deram, ainda no primeiro tempo, a 3ª dobradinha consecutiva dos bianconeri neste ciclo completamente devastador da formação de Turim. Num jogo da faces distintas (a 1ª primeira parte pertenceu quase por inteiro aos homens de Turim; na 2ª parte a Juventus concedeu algum domínio aos laziale) o resultado final pode, sumariamente, explicar-se por uma melhor entrada da turma de Allegri na partida, pela incapacidade demonstrada pela Lazio em pressionar as transições para o contra-ataque que a Juventus tão bem executa, pelos erros defensivos cometidos pela equipa de Simone Inzaghi no primeiro tempo e pela falta de eficácia na mão cheia de oportunidades que os romanos tiveram ao longo da partida. Perante uma equipa que é tão eficaz, qualquer erro cometido paga-se imensamente caro.  Continuar a ler “Análise – Final da Coppa D´Italia – Juventus 2-0 Lazio”

Os golos do dia

Ainda há uns dias escrevi aqui neste blog, para refutar de resto a ideia que alguns adeptos portugueses tendem a manter sobre o futebol italiano, que muitas vezes o tesouro encontra-se facilmente nas equipas do meio da tabela. Senão vejamos estes 3 momentos:

Empoli 3-1 Bologna

4 golos, todos eles de uma proeza técnica assinalável num jogo que teve um pace altamente frenético, pace que de resto é uma constante no Empoli das últimas 2 temporadas, apesar da equipa toscana estar neste momento a lutar arduamente pela manutenção na Serie A. Destaque evidente para o golo dos visitantes, golo no qual o jovem médio ganês Godfred Donsah, jogador que vem de uma nova escola de médios africanos de enormíssima qualidade (Amadou Diawara do Napoli, Assane Diousse do Bologna, Alfred Duncan do Sassuolo), serve com um passe de 60 metros a entrada de Simone Verdi no flanco direito, reduzindo ao minimalismo a acção de contragolpe da equipa da Emilia Romagna. O resto é um trabalho magnífico do extremo do Bologna sobre os defesas do Empoli para colocar a bola no enquadramento perfeito para o seu fantástico tiro de canhota! Continuar a ler “Os golos do dia”