Os golos da jornada (1ª parte)

Face à muralha de jogadores que o adversário colocou na área, Wijnaldum foi obrigado a sacar dos galões para encontrar espaço para disparar aquela bomba. No entanto, no início da jogada, com aquele pequenino toque de excelência técnica, o holandês teve o mérito de desmontar por completo a linha média adversária, abrindo espaço para a saída para o contra-ataque.

Depois de um arranque algo irregular na Premier, arranque no qual, pesem os interessantes e bem trabalhados pormenores demonstrados pela equipa no capítulo da organização da pressão (“a menina dos olhos de Jurgen Klopp”) e da transição para o contra-ataque (pormenores que permitiam à equipa passar rapidamente de uma mentalidade defensiva para uma mentalidade ofensiva, procurando servir, com pragmatismo em profundidade, em cada recuperação, as velozes investidas dos seus homens da frente, em especial as de Sadio Mane e Mohammed Salah) acabou por sobressair (pela negativa) a fragilidade defensiva do quarteto defensivo orientado pelo técnico alemão, o Liverpool vai começando a “despertar” para uma fase de maior regularidade quer em termos de resultados, quer em termos exibicionais, embora os 12 pontos de diferença para o City e a mais que evidente diferença de qualidade entre os planteis e o futebol das duas equipas, não permitam aos reds dizer que estão em condições de atacar o quer que seja pelo menos na presente temporada. Para reforçar esta ideia, sirvo-me da miserável exibição realizada por Dejan Lovren frente ao Tottenham, exibição no qual o croata e o seu colega de sector, o camaronês Joel Matip demonstraram possuir muitas dificuldades no controlo à profundidade adversária.  Continuar a ler “Os golos da jornada (1ª parte)”

Anúncios

Sadio Mane

Jogada-espelho do que aconteceu em toda a primeira parte, sempre que o Liverpool conseguiu recuperar a bola à entrada da sua área ou até mesmo no seu interior (nesse aspecto, Emre Can e Georgínio Wijnaldum tiveram um comportamento irreprensível): lançamento do contra-ataque, através de processos simples, pragmáticos e verticais, procurando imediatamente a linha de passe para Roberto Firmino, com Sadio Mané a sair disparado pelo corredor esquerdo sem o devido acompanhamento de Oxlade-Chamberlain para evitar a criação de situações de igualdade ou até mesmo superioridade numérica. Outros dos processos muito utilizados pela formação de Klopp quando sai para o contragolpe é o lançamento em profundidade para o flanco direito para a velocidade de Mohammed Salah.

liverpool 2

Nos dias que correm, o senegales está de pé quente. Sempre que a bola lhe cai nos pés no último terço adversário, sai sempre uma jogada de perigo para a baliza adversária. Ou corta para dentro e remata, ou corta para dentro e contemporiza (fixando o central e o lateral nas suas acções) à espera que Can, Moreno ou Firmino apareçam a dar apoio (a fazer o overlaping) por fora, ou procura até a entrada nas costas da defesa de Salah, quando o extremo egípcio procura entrar junto à defesa adversária para se constituir como mais uma opção para o último passe e para a finalização da jogada.

Em ataque posicional também tenho gostado deste Liverpool. É uma equipa muito paciente na circulação capaz de colocar muito gelo no jogo (entre os 25 e os 39 minutos, a formação de Anfield teve uns estrondosos 82% de posse de bola) ou esperar que o adversário se farte de ver a bola a passar de pé para pé e tente assumir mais riscos para pressionar e roubar.