Dois erros dois golos

No Coliseum Alfonso Perez em Getafe, o Barcelona teve algumas dificuldades para contrariar a boa organização defensiva da formação orientada por José Bordalás. Com um bloco recuado de 4 linhas em 4x1x4x1, a formação dos arredores de Madrid não foi excepcionalmente pressionante à saída a jogar dos centrais catalães, preferindo esperar a entrada da bola nos médios (Busquets e Rakitic, sobretudo) para tentar controlar o “melhor de quatro mundos” , com recurso a uma estratégia de proximidade entre linhas, congestionamento do corredor central e marcação cerrada de várias unidades: o jogo interior entre linhas (sobretudo as entradas de Andrés Iniesta entre a linha média e a linha defensiva e os movimentos de antecipação de Luis Suárez, impedindo portanto as tabelas que usualmente são realizadas entre o avançado uruguaio e Lionel Messi; tabelas que permitem ao argentino rasgar pelo meio e entrar com a bola na área; congestionar o corredor central contra este Barça é uma virtude que poucas equipas conseguem realizar) a profundidade (não dando espaço aos médios catalães para tentar servir com recurso ao passe longo qualquer entrada de um jogador catalão nas costas da defesa; várias foram as situações de ataque nas quais os catalães colocavam 3\4 jogadores junto à linha defensiva contrária para tentar explorar a profundidade), a cobertura posicional nas alas, não dando azo a situações de inferioridade numérica sempre que Busquets procurava variar o centro de jogo para as alas e as movimentações de Leo Messi, movimentações (para o flanco direito essencialmente) que o argentino realizou em maior quantidade na 2ª parte face ao congestionamento no corredor central provocado pelo adversário. Quando tentou cair para os flancos, o argentino procurou desfazer o “congestionamento” do corredor central feito pelo adversário, convidando a equipa da casa a movimentar-se também para os flancos de forma a criar mais espaço para a equipa voltar a jogar no miolo.  Com um sistema de marcação cerrada (à zona) ao craque argentino sempre que este pegava na bola apareciam logo dois jogadores da formação da casa a fechar-lhe as portas às suas clássicas penetrações em drible para o interior. Continuar a ler “Dois erros dois golos”

Que golaço!

De primeira sem deixar bater no chão, do médio ofensivo internacional japonês Gaku Shibasaki, inaugurando o marcador no Coliseum Alfonso Perez nos minutos finais da primeira parte da partida frente ao Barcelona. Fiquei com muito boa impressão deste jogador japonês nos primeiros 45 minutos. Parece-me ser o único jogador que “pensa fora da caixa” nesta mediana (mas bem organizada defensivamente) equipa do Getafe.

 

Bloco de Notas da História #23

30 anos. 30 títulos. 30 mil jogadas de puro sonho. 30 mil momentos de pura magia. Por mais que o argentino faça em prol do futebol nos anos que lhe restam na carreira (esperemos que sejam muitos), nunca poderei “olvidar” aquele momento em que todos, sem excepção, percebemos que estávamos perante um fenómeno completamente invulgar: aquele golo histórico marcado frente ao Getafe no jogo disputado a 18 de Abril de 2017 em que o jovem de 19 anos apresentou literalmente a alma ao criador Diego Armando Maradona.

Relembro perfeitamente esse momento como se tivesse acontecido há 5 minutos atrás. Já não me lembro a razão que me levou a ver esse jogo com o meu pai mas creio que na altura deveria estar em casa dos meus pais a cumprir o período de férias relativas à Páscoa. Quando vimos o golo, eu e o meu pai ficámos completamente incrédulos a olhar para a televisão. Lembro-me perfeitamente do contraste entre o seu semblante em puro estado de choque e a orgia mental que me deu naquele momento: aquele golo que ele viu em directo em 1986, sensivelmente 1 ano antes de eu nascer, aquele golo que ele me tinha contado vezes sem conta (assim como as duas exibições realizadas por El Pibe contra o Sporting naquela mítica eliminatória a contar para a Taça Uefa de 1989\1990) estava a ser replicado, 21 anos passados, novamente por um argentino.