A imundice jornalística que vive no futebol português


in Público, 11-04-2017

Já desconfiava desde há muito tempo que o Jornal Público é um jornal pago. É um jornal pago por quem tiver mais interesse em comprar uma escrita à la carte tão típica dos diários desportivos. Não foi a secção desportiva do referido diário que me deu a entender essa ideia, porque felizmente ainda tem bons jornalistas como Marco Vaza. Vaza é desde há muitos anos a esta parte um verdadeiro prazer de leitura. Se o leitor acompanhar diariamente as publicações do Público bem como a vida quotidiana do jornal desde que David Dinis chegou ao cargo de director, perceberá claramente a estratégia que visa “endireitar o jornal”. Mas não é sobre isso que venho falar porque tal facto é irrelevante para este blog.

A época da demonstração dos chamados “factos alternativos” assim o permite para que o spinning da informação seja a melhor arma de contra-ataque. Perigoso é quando são os jornalistas a fazer manobras que são completamente antagónicas aos valores éticos e deontológicos da profissão para benefício de terceiros. O próprio princípio da lógica da deontologia da profissão exige que os jornalistas procurem a verdade de forma a evitar erros. Ou seja, na prática, o trabalho jornalístico deve obrigatoriamente respeitar a imparcialidade, a confidencialidade das fontes, a objectividade da informação que é prestada, a qualidade da informação que é prestada e está claro, o bom senso e a manutenção da ordem pública.

Este artigo do jornalista Diogo Magalhães desrespeitou por completo a deontologia da profissão. Desenterrar um facto com 17 anos para justificar a negação de outro facto por parte dos dirigentes e comentadores de um determinado clube rival do primeiro, ainda para mais quando o facto foi hoje desenterrado por uns dos pontas-de-lança da comunicação do caos desse mesmo clube, um tal de Hugo Gil, é fazer tábua rasa dos valores que norteiam a profissão. E é no fundo a prova cabal da analogia que pode ser traçada entre Jorge Nuno Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira: a cara de um é precisamente o cu do outro. Por outras palavras: em muitos aspectos nos quais o presidente do FC Porto fez escola no futebol português no passado (negação de factos óbvios, controlo do funcionamento dos órgãos federativos, controlo de grande parte dos agentes da comunicação social e dos jornais, contra-informação através de pontas-de-lança de comunicação, apelo expresso ao ódio) Vieira está a reproduzir no presente.

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Hoje Escreve o Mister #6

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Por Pedro Sousa, o nosso Mister de serviço

Se retirassem alguns programas ditos desportivos do ar, o futebol português só tinha a ganhar para respirar melhor, porque há muito se percebeu que a maioria dos paineleiros/ comentadores pensam pouco pela sua cabeça e dizem mentiras ou “meias-verdades” de uma maneira coordenada, sabendo que a maioria dos portugueses “engole” como verdades tudo o que é dito pelos tais “intelectuais” do comentário da bola que servem de marionetas dos seus clubes, por fazerem pouco uso do pensamento ou fanatismo exacerbado!

Uma vergonha ao que a comunicação chegou! E muitos dizem ter profissionalismo! Eu chamo não ter coluna vertebral o facto de cada um não ter opinião própria de análise mas antes uma opinião manipulada na sua génese que serve interesses de terceiros que não são nada saudáveis!

Mais grave, é ditos comentadores isentos (alguns até já foram agentes desportivos) fazerem passar uma imagem de isenção quando são a vergonha da comunicação nos ditos programas, não tendo coragem suficiente para assumir o lado que defendem ou assumir as execução de cartilhas para o qual recebem, e ainda terem a cara de lata de se fazerem passar por moralistas perante o descalabro das suas declarações!

Enfim, tudo a bater no fundo e a vir ao de cima..

Burro é aquele que ainda acredita na isenção do jornalismo e nas suas opiniões parciais, porque dos ditos comentadores, penso que só os mais distraídos ou fanáticos pelos seus clubes é que ainda podem levar a sério alguma opinião destes.

Haja paciência para aturar tanta ignorância!!

 

Hoje Escreves Tu #8 – Melhores dias virão, Renato Sanches

Por António Boronha, antigo vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, autor convidado regular do nosso blog.

“Após a ascensão meteórica da época passada, Renato Sanches enfrenta agora uma fase mais atribulada da sua ainda curta carreira.
(…)
O jornal alemão TZ, escreve esta quinta-feira sobre o médio português.
O título do artigo é:
‘Renato Sanches.
Quanto mais tempo terá o Bayern Munique de ter paciência?’.
Deixando várias críticas às prestações de Renato, que nem tem sido aposta frequente de Carlo Ancelotti, o jornal recorda que o jogador foi titular no último encontro do Bayern, derrota frente ao Hoffenheim por 1-0.
‘Uma exibição assustadora. Aos quinze minutos já tinha falhado quatro passes que deram em ataques perigosos do adversário’, diz o trabalho.”
[no ‘DN’, esta semana]

Renato Sanches, hoje, frente ao ‘Dortmund’, nem no banco do ‘Bayern’ está sentado.
Continuar a ler “Hoje Escreves Tu #8 – Melhores dias virão, Renato Sanches”

Mais uma omissão inadmissível por parte dos órgãos de comunicação social portugueses!

As vitórias de João Sousa e Gastão Elias frente a dois adversários ucranianos em jogos a contar para o Grupo I da Zona Euro\Africana da Taça Davis deixam a selecção portuguesa a uma vitória de um histórico apuramento para o playoff de acesso para a Zona Mundial da maior competição por selecções do Ténis Mundial. Para os mais leigos na modalidade, faço questão de informar que Portugal não atinge esse feito há 23 anos.

Dos órgãos de comunicação social portugueses pouco vimos, pouco lemos, pouco sabemos a não ser uma ou outra notícia quando se dão por terminados os encontros. A televisão pública não transmite porque não considera o evento serviço público. A televisão privada, mais concretamente a Sporttv, também não viu utilidade na transmissão de dois encontros de tamanha importância para o Ténis Nacional. Nem a pagar uma fortuna por uma assinatura temos portanto direito a ver o que se tem passado no CIF em Lisboa. O que é estranho visto que o canal apostou na transmissão da última eliminatória da selecção portuguesa contra Israel. Os jornais da especialidade estão mais interessados em fazer a cobertura exaustiva da assinatura de contrato de Rui Vitória, intervalando as publicações já de si pouco interessantes ou relevantes com fotos de gajas nuas e mexericos mexicanos do mundo do desporto.
O verdadeiro serviço público nacional no que concerne a este momento está entregue a um miúdo carolas que vive e respira ténis 24 sobre 24 horas. Quando mais ninguém se interessa porque a coisa não dá viewers ou clickbaits fáceis, tem sido o Gaspar Ribeiro Lança da Ténis Portugal que nos tem salvo o dia quer no seu site quer na sua movimentada página de facebook, página que tem quase 35 mil (leu bem!) seguidores! Em boa horaGaspar! Se não fosse o teu, o meu e o esforço de muitos, estaríamos hoje a viver um país exclusivamente vocacionado para o soundbyte extra-relvado. Se não interessa a 35 mil pessoas num país de 11 milhões o que é que irá interessar? Serão os jogos da Zona Mundial da Taça Davis? Ou as repetitivas reposições dos jogos de futebol e de basket do fim-de-semana passado?

O lixo intelectual que pulula pelo futebol português

Em 3 segundos Pedro Guerra faz a maior auto-crítica que lhe ouvimos da sua própria boca. Um gajo que nunca jogou futebol (porque o Damaiense não conta) não percebe e ultrapassa todos os factos visíveis. Pedro Guerra provou que não é intelectualmente desonesto: Pedro Guerra é efectivamente esquizofrénico. Só pode ser esquizofrénico. Não existe outra justificação.

O grande busílis da questão é que essa esquizofrenia é passada por osmose para todos os adeptos benfiquistas e é em parte uma das razões que justifica o clima de ódio existente no futebol português. Essa história que ouço da boca de muitos amigos benfiquistas que ninguém vê o programa e ninguém se identifica com a opinião e com o pensamento deste artista é uma rotunda mentira. Se o programa não fosse realmente visto, já não estaria no ar há muito tempo. Não nos esqueçamos que neste segmento, a concorrência é severa. Temos neste momento 5 canais a transmitir à mesma hora o mesmo tipo de formato, formato que coloca centenas de milhares de portugueses à frente dos televisores. Não nos esqueçamos também que a segunda-feira à noite é neste momento o segundo maior horário nobre semanal da televisão portuguesa a seguir ao domingo à noite, o que faz aumentar o preço da publicidade que é pedido pelos referidos canais. Se ninguém visse realmente esta e as outras anedotas que por ali andam, estes programas já tinham sido extintos e substituídos por algo que rendesse mais aos canais de televisão.

Por outro lado, basta abrir o nosso facebook para perceber que apesar de “ninguém ver o programa”, as expressões e as poucas ideias que são cavadas pelo Pedro Guerra pela rama (sim, porque pelos vistos quem as cria é o Hugo Gil, o avençado que o Benfica paga para vasculhar no lixo à procura de comida para dar aos paineleiros dos programas) estão na boca (melhor, nos dedos) de toda a gente. Ninguém vê mas basta abrir as barras de comentário do Record para sabermos que afinal, bem, afinal, no fundo, toda a gente sabe que um sportinguista é um “carneiro”, que o Bruno de Carvalho é isto e que o Bruno de Carvalho é aquilo.  É esse tipo de propaganda que está a arrastar o futebol português para o charco. É este tipo de propaganda que semeia ódios que só tiram pessoas dos estádios de futebol. O futebol português no papel do actual campeão da europa em título precisa urgentemente de parar para fazer uma reflexão: queremos fomentar a espectacularidade e a verdade desportiva para continuarmos no topo do futebol europeu ou queremos continuar a descer a um ponto irreversível de manipulação, chantagem, mentira e propaganda?

Jornalismo de sarjeta

A roçar o nível da sarjeta. Ou não viram pura e simplesmente, ou viram aspectos positivos que eu não vi da exibição do jogador. Não podendo afirmar nenhuma das duas, vou só simplesmente concluir que o artigo bem como a pontuação gentilmente oferecida ao jogador pelo referido órgão de comunicação social é parte integrante da mesma estratégia (paga para escrever bem) que lhe tem granjeado todo o hype e que o conseguiu vender pelo preço que foi vendido. Mas este tipo de situação não é nova no jornalismo português.

Denota-se desde há uns meses a esta parte uma estratégia bem montada por parte de alguém para levar os jornais a colocar na berlinda jogadores como Renato Sanches (todas as semanas vemos as notícias que a imprensa portuguesa planta sobre o jogador; quando as procuramos em alguns órgãos de comunicação alemães percebemos que as declarações que são atribuídas a jogadores, treinador e dirigentes do Bayern nunca foram proferidas), João Cancelo (que está a fazer uma época horrível) Bernardo Silva, Hélder Costa, Ivan Cavaleiro, André Silva, André Gomes, Pizzi, Gonçalo Guedes, Nélson Semedo, Ederson, Wallace, Nélson Oliveira, Soares. O que é que todos tem em comum? Sim. Isso. Precisamente. Sim. Está a seguir a linha de raciocínio correcta: todos eles são jogadores da Gestifute de Jorge Mendes. Até o “desaparecido” Fábio Coentrão, jogador que não é tido nem achado (literalmente no bolso de trás das calças de Zidane) tem vindo à baila nos últimos dias porque naturalmente, o Jorginho Mendes ainda precisa de facturar mais umas comissões com a eventual transferência do jogador para outro clube no final da época.

Como Gelson Martins não é um jogador agenciado por Jorge Mendes, de nada lhe valeu a fabulosa assistência de trivela para Cristiano Ronaldo – “comeu” com a mesma nota de um jogador que mal se sabe posicionar em campo e calou.

Já sabia que a Gestifute é uma das principais mecenas do jornalismo português. Contudo, fiquei a saber nos últimos anos que a Gestifute vai patrocinando os jornais desportivos portugueses e espanhóis à medida das suas necessidades. Trata-se de um jornalismo à la carta: ora escreves bem deste agora, ora escreves bem de outro depois e por aí adiante até que sejam todos despachados.

A falta de cultura desportiva que grassa no nosso país

No verão passado, quando os nossos atletas (das modalidades) amadoras que participaram nas olimpíadas do Rio, “defraudaram” (no fundo, conscientemente, o único que defraudou as “normais” expectativas em virtude do seu potencial foi Fernando Pimenta) as falsas expectativas que foram depositadas pelo povo português circularam pelas redes sociais longos textos, alguns com uma análise correcta, de indivíduos que consideravam que o país, “excessivamente futeboleiro” não poderia pedir grandes resultados internacionais a atletas a quem não eram dadas as condições materiais e de treino suficientes para poderem alcançar esses mesmos objectivos.

O estado de euforia provocado pelas vitórias das nossas selecções de futebol e hóquei em patins nos europeus realizados no ano passado provocaram um perigoso aumento da fasquia de exigência aos nossos atletas. O povo exige agora que as nossas selecções e que os nossos mais prestigiados atletas sejam capazes de vencer “de letra” todas as competições em que venham a participar, sem saber que, exceptuando o futebol, o país está muito longe de proporcionar a muitas modalidades o clima propício para a formação de atletas capazes de vingar no cenário internacional. Muitas modalidades não possuem no nosso país infraestruturas e material de treino de ponta para a prática, técnicos altamente qualificados que consigam trazer experiência, qualidade e inovação para o treino, capacidade financeira para conseguir que os seus melhores atletas possam competir no estrangeiro ou condições para “trazer os melhores do estrangeiro” a competir contra os melhores atletas portugueses. Muitos dos nossos melhores atletas são por outro lado votados a um amadorismo profundo quando deveriam exercer livremente a sua prática num regime profissional. Quando um atleta é obrigado a pedir dinheiro aos pais para poder aprender ou competir no estrangeiro, como foram os casos do tenista João Sousa ou de Rui Bragança, o nosso melhor atleta no Taekwondo, creio que está tudo dito em relação a esta questão. Continuar a ler “A falta de cultura desportiva que grassa no nosso país”