Fica aqui a nota de repúdio

rugby 11

A selecção nacional de sub-20 de Rugby conseguiu durante esta noite (tarde no Uruguai) uma fantástica vitória por 16-13 frente às Ilhas Fiji, uma das principais candidatas à vitória no Trophy (Mundial B do escalão), triunfo que para além do pleno no que à fase de grupos diz respeito (a equipa já tinha somado duas vitórias contra a formação anfritriã do Uruguai e contra a selecção de Hong Kong) garante aos jovens lobos a inédita presença na final do torneio, partida que irá garantir, ao vencedor, a subida ao torneio que é disputado por toda a elite mundial.

Fazendo jus às palavras do capitão António Vidinha, os underdogs voltaram a provar, no Uruguai, de que matéria (bem dura por sinal) são feitos. Sabemos que a casa (leia-se, a FPR) está neste momento a arder e que o Rugby é uma modalidade com uma expressão muito reduzida em Portugal, mas o facto de nenhum diário desportivo português ter dado o devido destaque aos incríveis feitos que esta selecção está a realizar no Uruguai, repetindo a façanha heróica realizada no campeonato Europeu do escalão disputado na primavera na Roménia, é de uma insensibilidade tremenda para com o esforço destes jovens. Não considero de todo normal que a imprensa portuguesa dê, diariamente, imenso destaque a atletas que não alcançam, nem de perto, nem de longe, resultados de semelhante escala de importância ou centenas de páginas a estéreis mexericos relacionados com o futebol, mas não tenha por outro lado qualquer interesse em colocar um dos seus colaboradores (porque todos os jornais portugueses tem um ou outro colaborador com conhecimento na modalidade) para cobrir a participação desta selecção numa das mais importantes provas de selecções da modalidade.

Aquele momento em que a imprensa internacional engoliu todo o seu sensacionalismo e o seu fatalismo

Ouviram bem, jornalistas? Ele voltou. Um verdadeiro campeão não se rende “por dá cá aquela palha” no primeiro grande obstáculo que é chamado a atravessar. Não tenho quaisquer dúvidas e volto a reafirmar o mesmo que afirmei a 24 de Abril neste espaço: sendo um jogador bastante forte no plano mental, o sueco vai regressar em breve aos relvados. E vai regressar com tanta ou mais vontade de vencer do que aquela que tinha quando se lesionou naquele jogo frente ao Anderlecht. Nem que seja para voltar a ter o prazer de calar um bando de mentirosos e especuladores que só “sabem viver” à custa da miséria dos outros e da constante invenção de notícias especulativas sem qualquer fundo de veracidade.

A falta de cultura desportiva que grassa no nosso país

No verão passado, quando os nossos atletas (das modalidades) amadoras que participaram nas olimpíadas do Rio, “defraudaram” (no fundo, conscientemente, o único que defraudou as “normais” expectativas em virtude do seu potencial foi Fernando Pimenta) as falsas expectativas que foram depositadas pelo povo português circularam pelas redes sociais longos textos, alguns com uma análise correcta, de indivíduos que consideravam que o país, “excessivamente futeboleiro” não poderia pedir grandes resultados internacionais a atletas a quem não eram dadas as condições materiais e de treino suficientes para poderem alcançar esses mesmos objectivos.

O estado de euforia provocado pelas vitórias das nossas selecções de futebol e hóquei em patins nos europeus realizados no ano passado provocaram um perigoso aumento da fasquia de exigência aos nossos atletas. O povo exige agora que as nossas selecções e que os nossos mais prestigiados atletas sejam capazes de vencer “de letra” todas as competições em que venham a participar, sem saber que, exceptuando o futebol, o país está muito longe de proporcionar a muitas modalidades o clima propício para a formação de atletas capazes de vingar no cenário internacional. Muitas modalidades não possuem no nosso país infraestruturas e material de treino de ponta para a prática, técnicos altamente qualificados que consigam trazer experiência, qualidade e inovação para o treino, capacidade financeira para conseguir que os seus melhores atletas possam competir no estrangeiro ou condições para “trazer os melhores do estrangeiro” a competir contra os melhores atletas portugueses. Muitos dos nossos melhores atletas são por outro lado votados a um amadorismo profundo quando deveriam exercer livremente a sua prática num regime profissional. Quando um atleta é obrigado a pedir dinheiro aos pais para poder aprender ou competir no estrangeiro, como foram os casos do tenista João Sousa ou de Rui Bragança, o nosso melhor atleta no Taekwondo, creio que está tudo dito em relação a esta questão. Continuar a ler “A falta de cultura desportiva que grassa no nosso país”