Contenders? Para o ano há mais

Este poderia ser o frame de um jogo da Proliga portuguesa mas não, é a realidade nua e crua de uma final de conferência da NBA: uma equipa inteira a ver navios, sem qualquer vontade de se fazer à estrada! Ao intervalo do jogo (jogo? mais parece um espectáculo de exibição do que outra coisa!) que está neste momento a decorrer em Cleveland, os Celtics estão a ser novamente sovados, estando a perder por claros e inequívocos 72-31. Já não nos bastava termos que aturar a cegada que vai no Oeste por culpa do Zaza, para ainda termos que suportar este calvário de toda uma equipa in loco, quando o nível da coisa pedia efectivamente jogos de excelência.  Continuar a ler “Contenders? Para o ano há mais”

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A liderança de Isaiah Thomas

Liderar uma equipa na NBA é precisamente isto. Quando o jogo está muito difícil (a equipa de Washington conseguiu vender cara a derrota; não foi um jogo perfeito ao nível de lançamento para a equipa de Washington com 44 em 96 tentativas, mas na verdade, John Wall com os seus múltiplos crossovers e os postes da equipa com vários lançamentos e com a realização de screens que permitiam boas situações de lançamento aos colegas, iam resolvendo no plano ofensivo) e a equipa chama pelo seu líder, este tem que ser capaz de assumir o jogo nos momentos decisivos, indiferentemente da sua eficácia. Dar o passo em frente nos momentos de pressão é o que distingue um líder nato de um jogador mediano que jamais irá liderar equipas.

Quando Isaiah é chamado a assumir o jogo no momento da decisão, o pequeno base é letal. Se até lá, Jay Crowder, Avery Bradley e os 33 pontos que vieram do banco conseguiram manter a equipa “encostada à discussão do resultado”, a equipa precisava de mais qualquer coisa para dar a sapatada no marcador no 4º período e no overtime que se seguiu. Foi nesse cenário que o base entrou em acção como lhe competia, com 29 pontos, com 11 lançamentos eficazes (3 triplos) em 17 tentativas, fora os lances livres em que foi 100% eficaz, os ressaltos que ganhou neste período e o roubo de bola que conseguiu no 4º período. Pode-se dizer que nos 17 minutos finais, o base de Boston fez portanto “um jogo dentro de outro jogo”, um jogo particular, no qual provou mais uma vez que “mata mais do que as vezes em que morre” – os sinais são muito positivos para Boston!

Não faças isso, John Wall!

Que maravilhosa dança do base dos Wizards à frente de Isaiah Thomas no jogo 1 da série entre os Celtics e a equipa de Washington, jogo que ainda está a decorrer.

3-2 para os Celtics e eu creio que a série terminou

Em Boston, depois de duas derrotas em Chicago em 2 autênticos match points que a equipa de Fred Hoiberg não soube aproveitar por culpa própria (no 4º jogo fizeram uma enorme recuperação de 20 pontos em virtude do upgrade defensivo realizado após a hecatombe que foi o primeiro período mas no momento da verdade, os Bulls voltaram a não conseguir fechar o jogo e já se sabe que nos playoffs quem não fecha jogos em tempo útil, acaba “morto”) os Bulls voltaram a baquear por culpa própria.

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1-2. Preocupação.

Ridícula. Lastimável. Um verdadeiro tiro nos pés. Existem mais adjectivos no dicionário de língua portuguesa para qualificar a fraca prestação dos Bulls no jogo desta noite. Isaiah Thomas e os Celtics tem conseguido bater-se taco-a-taco mesmo apesar de todos os contratempos pelos quais o seu líder está a passar durante a presença semana. Já os Bulls, à primeira ocasião, acusaram a ausência de um jogador porque pura e simplesmente não existe plano B no rooster para a posição. E isso notou-se claramente no jogo de hoje com a clara demonstração de falta de velocidade nas transições para o ataque, pouco critério na elaboração das jogadas (a bola a passar por várias mãos sem que algum jogador soubesse o que fazer com a bola), falta de critério na escolha dos lançamentos (a explicação para os números de Jimmy Butler) e uma certa incapacidade para conseguir criar situações de rotação que permitam a existência de um lançador sem oposição. No jogo desta noite, faltou o essencial do basquetebol na equipa de Chicago: um bom base. Um base capaz de organizar.

Uma equipa que apenas faz 14 assistências durante 48 minutos não pode vencer jogos de playoffs.

A atitude defensiva também foi uma lástima quando comparada com a atitude que os Bulls tiveram nos 2 jogos em Boston. Deu-me pena ver os habituais “enchedores de chouriços” (Payne, Lauvergne, Morrow, Denzel Valentine) terem mais agressividade a defender nos 4 minutos finais do que os restantes em 20\30 minutos de utilização.

Moral da história: ou a atitude muda rapidamente no próximo jogo ou então veremos os Celtics a desfilar nos próximos 3 jogos.

0-2 e uma meia surpresa a caminho

Quem anda nestas lides há algum tempo sabe que nos playoffs da NBA existe uma ligeira probabilidade (na casa dos 10%) das equipas que se colocaram nos últimos lugares de acesso aos playoffs eliminar na 1ª ronda as equipas que se posicionaram nas primeiras seeds. Nos últimos 11 anos, em 44 matchups realizados entre 1ºs e 8º classificados e entre 2ºs e 7ºs nas duas conferências, foram 5 as vezes em que as equipas do fundo eliminaram as equipas do topo. Várias foram também as ocasiões em que estas equipas obrigaram as equipas do topo a disputar a “negra”.

Os Chicago Bulls já participaram em duas ocasiões nessa estatística. Se nos playoffs de 2007, como 8ºs classificados do Este eliminaram curiosamente a primeira seed (campeões em título) que eram os Miami Heat de Dwyane Wade, em 2012, foram eliminados como 1st seed pelos 8os, os Philadelphia 76ers. Em 2017, pode-se dizer que estão bem encaminhados para eliminar os Boston Celtics depois de terem vencido fora os dois primeiros jogos da série? Parece-me claro que não podemos extrapolar ou forçar uma analogia entre as equipas (Bulls de 2012 e Celtics de 2017) porque ressaltam imediatamente várias diferenças de índole contextual: os Bulls de 2012 eram uma equipa muito mais “contender” ao título que os Boston Celtics e eram um colectivo com muitos mais jogos de playoffs disputados que os Celtics. Aliás, se compararmos neste campo esta equipa de Boston com a equipa de Chicago, percebemos que Dwyane Wade e Rajon Rondo tem juntos mais jogos disputados nos playoffs que todo o colectivo de Boston (263 jogos disputados pelos dois jogadores contra 246) e são jogadores anelados enquanto jogadores muito importantes das equipas pelas quais venceram o título. Nem D-Wade nem Rajon Rondo são hoje os jogadores que já foram (embora a classe continue lá) mas este é um factor que ajuda a explicar muita coisa, mas não explica tudo.

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E o TD Garden está de pé!

Primeiros 3 minutos no TD Garden. Os Bulls cometem dois turnovers. O primeiro resulta num triplo fácil. No segundo, Isaiah Thomas pega na bola, faz um passe por debaixo das pernas para um companheiro, que por sua vez lhe devolve o mimo para um triplo do meio da rua com um jogador dos Bulls pendurado. O público acusa o momento e levanta-se em massa para explodir, mimando o seu jogador neste momento difícil da sua vida. O jogador está bem. Vai ser uma exibição memorável. Ganha a vida. Ganha a competitividade.